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Uma visita Discordiana ao Templo de Salomão da Igreja Universal do Reino de Deus

TEMPLO DE SALOMAO

“Jesus é o caminho. Edir Macedo é o pedágio”.

Nada representa mais “Capitalismo & Esquizofrenia” do que a atual encarnação da Igreja Universal do Reino de Deus e nada representa isto melhor do que esta faraônica construção da Igreja que está presente em mais países do que o McDonalds (eu não estou inventando isso – acredite, eu gostaria). Consumindo 3 milhões de reais mensais e contando com o trabalho de 10.000 pessoas, entre assalariados e escravos voluntários. Esse dado aí de custo inclusive é uma das inserções do Bispo durante a liturgia para estimular as contribuições. E o Buzzfeed achando ser o pai do Native Advertising. É muito custoso tentar escrever qualquer coisa que soe minimamente verosimilhante a respeito deles. Mas, por Éris, eu vou tentar!

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Os casinos de Las Vegas notoriamente não possuem janelas, para que as pessoas lá dentro fiquem isoladas do mundo lá fora e estejam em um ambiente controlado por eles. Motivo pelo qual até os estacionamentos isolam as pessoas em um ambiente sem janelas. A iluminação, através de milhares de lâmpadas de LED são apagadas em um dos momentos do culto, desenhando um padrão, no momento em que pede que se sentem, curvem as cabeças e fechem os olhos. Faltou só dizer “Compre Batom! Compre Batom!” enquanto usava estes TRUQUES MANJADOS DE HIPNOSE, um atrás do outro.

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E a esquizofrenia em a todo custo de se parecer com o Judaísmo. Engraçado como nos ajudantes, chamados Levitas, uma espécie de tribo judia de sacerdotes, uma função hereditária. Assim como uma fonte imitando as letras hebraicas, o quipá, a roupa do bispo. E no entanto o cristianismo representa uma grande ruptura justo com essa tradição. Mas acredito que imbuido na retórica da Ganância que o Bispo adota e muitos deles possuem a mitologia do judeu como sinônimo de riqueza e uma forma de diferenciação no mercado com as outras pentencostais, eles fazem de tudo para se parecer com o que, na prática, eles são uma ruptura.

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Mensagens comerciais são introduzidas entre. Infelizmente só haviam disponíveis naquele dia bíblias de Luxo, no valor de 100,00 com dicas especiais para relacionamentos. Notem que a cultura exploratória da imprensa faz o uso dos mesmos motes: 100 dicas para conquistar seu amor, 69 maneiras de enlouquecer seu homem na cama e afins. A mesma coisa aqui, só que na unidade do CASAMENTO e dentro de uma bíblia!

O Bispo edir macedo possui uma boa oratória embora seja bem superficial nas ideias – bem fraca mesmo, mas como ele apela para a Ganância e Vontade de Poder, tem muita ressonância entre as pessoas em busca de bens materiais que parecem ser muitos e exatamente o tipo que gosta de ver 3 milhões sendo gastos só em um prédio, quando o percursor andava descalço e entre os mais pobres.

Sao Paulo - Brazil -  31/07/2014 - Solenidade de inauguraÁ¿o do Templo de Salom¿o em Sao Paulo Jonne Roriz

Um discurso cheio de incoerências, tanto lógicas, como de coesão interna. Mostra desconhecer o texto bíblico que está lendo no exato momento ao citar descrições que o texto não corrobora – o que acontece muito com pessoas que estão inventando coisas, tentando emendar ou consertar on the fly. Não vamos tirar o mérito dele, afinal conseguiu expandir sua empresa para tantos países e conseguiu tantos seguidores, provando-se ser um grande sucesso comercial. Junte-se à isso que igrejas possuem uma série de vantagens e isenções fiscais, é um dos grandes exemplos do que capitalismo pode criar: máquinas de significação da identidade das pessoas, através de um ISSO E DAQUILO, disforme e esquizofrênico, gerando enormes quantidades de lucro, de tal forma que a próprio pagamento do dízimo, é parte substancial do discurso (já que contribuir é uma grande mostra de fé, é um sacrifício necessário e NOS DÊ SEU DINHEIRO AGORA MESMO, CRÉDITO OU DÉBITO? – é possível pagar o dízimo no meio do culto em crédito ou débito, os levitas, utilizando suas túnicas como as pessoas se vestiam à séculos atrás segurando maquininhas para receber as doações é um anacronismo interessante de se ver).

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Em termos de psicologia evolutiva é muito interessante ver como eles destacam tanto o papel da família. Mas é importante. Uma família pressupõe mais de um indivíduo, dois no mínimo, que ficam se policiando para ir até os locais de encontro e sobre as contribuições. E já faz lock in da prole ao começar a lavagem cerebral desde cedo. Esses caras realmente são profissionais no que fazem.

Uma das piores declarações: que o motivo do avião ter caído nos Alpes e ter matado 149 pessoas foi que ninguém lá tinha (1) fé em Jesus Cristo e nem (2) pediu por sua ajuda. Caso isso fosse satisfeito, as pessoas teriam sido salvas. Esse tipo de comentário unindo o misticismo e a Vontade de Poder que esse pessoal vende para seus fiéis, deve ser algo que exploram nesse tipo de evento:

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Não comi o pão e nem o suco de uva da “Santa Ceia”, e vi que ele olhou me julgando por isso. Mas não queria fazer um ato ritualistico que eu não concorde 100% com as divindades sendo satisfeitas (Eu não concordo muito com absolutistas – que não sejam eu – e com o tipo de hierarquia que esse deus faz). Além, é claro, de não ter nenhuma vocação para canibalismo e excluir deuses da minha dieta.

– Primeira vez aqui?
– Sim.

– De onde vieram?
– Ah… São Paulo, mesmo. Vim acompanhar a consagração de uma amiga.

– Aceite o desafio de deus em sua vida.
– Obrigado, mas já estou satisfeito com minhas escolhas pessoais.

– Mas aceite o desafio de deus em sua vida.
– EU SOU PAGÃO!

Ok, ok, eu não disse essa última frase. Deveria ter dito, mas no melhor l’esprit de l’escalier, i.e. só encontrar um bom argumento quando se está descendo a escada após ter deixado o local da discussão, só pensei depois. Ao invés disso eu disse:

– Obrigado. Eu não compacto com esse tipo de coisa. Não acredito nesse deus aí e estou bem, obrigado. Eu agradeço.

Ele ficou ofendido, pois, assim como ocorre com casamento gay, direito das mulheres e QUALQUER OUTRA COISA, alguns tipinhos dogmáticos como esses ficam muito incomodados com o que os outros fazem em suas vidas e com suas almas, sendo que acredito que é um princípio amplamente aceito de que tudo de trata de escolhas, escolhas individuais, certo? Se fosse para 100% aderir com esse tipo de regras, por que foi criado essa merda toda afinal? Mas é claro, que entrar nesse caminho é quase que intelectualmente dar validade às estas regras de merda. Regras que a propósito eles seguem como querem e aonde querem, proíbe até se barbear, no mesmo livro contra os homossexuais. Na sessão que fui o Bispo Edir Macedo estava sem barba, em clara trangressão ao Levítico 19:27: “Não cortareis o cabelo, arredondando os cantos da vossa cabeça, nem danificareis as extremidades da tua barba.” Se quer ir pela Bíblia, vá full Bíblia ou não saia de casa.

A experiência foi surreal. Tantas pessoas boas e tudo o que eles acreditam é lixo. Triste.

Resumo da Ópera: A Igreja Universal do Reino de Deus é o maior exemplo de Capitalismo & Esquizofrênia. Um ISSO E DAQUILO muito mal escrito mas com um efeito muito grande em uma retórica de ÓDIO imbuída de GANÂNCIA e VONTADE DE PODER. Considerando que eles possuem um poder político e econômico grande, é um grande benchmarking para futuros ditadores ou fundadores de religiões. Fiquem longe desse lugar!

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Kingsman: Serviço Secreto

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Logo na entrada do Inferno, em “A Divina Comédia de Dante” é advertido: “Abandonai toda a esperança ao entrar aqui”. Da mesma forma, logo na entrada deste artigo eu lhes digo, abandonai toda a esperança de não ter spoilers aqui. Haverão spoilers. Pare de ler. Ok, pois se está lendo saiba que o personagem do Colin Flirth morre com um tiro, provavelmente na cabeça do personagem Samuel L. Jackson após uma insana sequência dentro de uma igreja cristã. Definidas as expectativas de todos, vamos lá.

Cheio de estilo, subversivo e sobretudo, divertido, Kingsman: O Serviço Secreto é uma jóia do diretor Matthew Vaughn. A trama é incrível: um bilionário, empreendedor, vivido pelo Samuel L. Jackson, acredita que o aquecimento global é como uma febre para o Planeta Terra, e que essa febre é uma reação a um virose, que está desgastando seu corpo. O vírus, é claro, são os seres humanos. Há momentos em que os personagens, conscientes de seus papeis quase quebram a quarta-parede. Falam de filmes de espiões sobre os vilões esdrúxulos e os espiões. No momento em que a personagem de Samuel L. Jackson mata a personagem do Colin Flirth, ele lembra do diálogo e diz “Este não é um desses filmes” e atira nele. Demonstrando mais uma vez seu estômago fraco para sangue e violência.

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O filme trata também das tensões entre uma classe alta e privilegiada, que sempre tem acesso a tudo e outra, mais pobre e sujeita a ser moldada pela sociedade.

O filme possui uma das melhores sequências de ação dos últimos tempos: o altamente treinado espião Gallah, o do Colin Flirth, assim como todos no local sofrem a influência do SIM card que promete internet e ligações gratuitas para sempre mas que ativam a parte do cérebro e desligam todas as inibições. Ao ativar, eu não estou certo se ele realmente estava sob o controle mental ou genuinamente cansado de ouvir as merdas do pastor, mas ele sai em um rompante atirando na cabeça das pessoas e depois de gastar todas as suas balas, em mortes criativas com o que ele tinha disponível.

Mais para o fim há uma cena que mescla surrealismo de uma forma que eu nunca vi apropriada por nenhum outro filme de ação. Aproveitando que os “convertidos” haviam tido chips instalados próximos da cabeça, a fim de evitar a morte certa, eles conseguem ativá-lo, provocando a explosão da cabeça de todo mundo, em diversas cores, uma profulsão de cores – até a cabeça do Obama é explodida nessa brincadeira. Nada gore ou cheio de sangue. Chega a ser pastelão a cena, em um coreografia bizarra. Enquanto vê essa explosão de cabeças, o novo recruta fica na frente da prisão da princesa da Suécia, uma jovem loira, que lhe pede para tirá-la da prisão. Ele, em um momento de oportunidade, pede um beijo já que ele sempre quis o beijo de uma princesa. Ela não nega, pelo contrário, diz a ele que por tirá-la de lá, ele vai ganhar bem mais que um beijo. Motivado, começa a tentar tirá-la da prisão. Mas é interrompido, pois, afinal, precisa salvar o mundo. “Salvar o mundo?”, ela lhe diz. Se ele salvar o mundo, ela lhe diz a melhor linha de diálogo dos últimos anos “If you save the world, we can do it in the asshole”, que no Brasil, na versão legenda é “Se você salvar o mundo podemos fazer na porta de trás”, o que dá motivação ao personagem que salva o mundo e fica com a garota.

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Relembrando o 1001 Gatos

Este blog tal como um gato, já possuiu outras vidas. Sua história pode ser traçada até 2006. Este pequeno blog inclusive já foi o quarto blog mais popular do Brasil em 2007. Aqui estão as 18 categorias que existiam no 1001 Gatos de Schrödinger antigo.

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Esta era a categoria dedicada à todo tipo de informação falsa, esdrúxula e outras coisas apenas pelo lulz.

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Esta categoria era mais uma espécie de semi ficção serializada. Schopenhauer listou pelo menos 38 estratagemas para se ter uma razão em uma discussão. O propósito desta série de postagens seria trazer cada uma delas, com alguns exemplos de retóricas e narrativas atuais, narrados por mim, Ibrahim Cesar, reencarnação do filósofo, para quem, “o melhor dia de minhas vidas foi quando descobri a reencarnação”.

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Nesta categoria postava as notícias que eu considerava mais relevantes naquele momento para a ciência com ocasionais comentários. Nunca era imparcial e nem mesmo objetivo.

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Para falar de livros, histórias, alguns filmes. Para mim, ficcionáutica é uma arte: a de se perder e explorar Universos de ficção em busca de revelações sobre a verdadeira natureza da realidade. Era uma das minhas categorias prediletas, e na imagem, um pequeno trecho de “Norwegian Wood” do Haruki Murakami.

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Eu recebia muitas perguntas sobre discordianismo e outras coisas. Eu meio que jogava todas as coisas relacionadas à Deusa, à Sociedade da Cacofonia e grupos diversos aqui.

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Não poderia dizer predileto, mas o que eu escrevia com mais vigor na época e com mais sentimento talvez. Contra deuses e outros seres imaginários, era seu subtítulo. Tinha de tudo: ensaios mordazes, paródias não requisitadas de deuses, análise de atos sexuais da Bíblia para enlouquecer seu marido, transcrições em busca de inconsistências em textos sagrados, notícias que demonstravam sem sombra de dúvidas que deuses não existiam e por aí vai.

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Esse aqui, cada vez mais relevante. Se tratava de uma série de “hacks”ambientais e ideias para salvar esse lugar tão legal que é Terra, mas muito mal frequentado.

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Um espaço para tratar de cultura popular. Em referências dentro de filmes, seriados e suas visões de mundo.

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Minha tentativa de ser politizado e tentar “mudar o mundo” e “fazer acontecer”, claro que sentado em minha cadeira digitando todos os dias e sendo o editor deste blog.

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O “A Semana” era uma forma de comentar toda a semana: grandes acontecimentos, grandes notícias, postagens que estavam sendo mais comentadas, modas na Internet, comentaristas idiotas (eu sei, eu sei , quase um pleonasmo).

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FNORD era mais filosófica discordiana do que qualquer outra. Uma forma de discutir vieses cognitivos e falhas lógicas.

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Talvez o que eu fizesse aqui se enquadre na categoria crônicas, que eu, pessoalmente, detesto. Ensaios sobre a experiência humana.

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Eu era um dedicado defensor de uma “Cultura Livre” e compartilhava aqui as obras e informações com as licenças Creative Commons.

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Muito de nosso imaginário hoje para mim parece um gnosticismo e um endeusamento das celebridades. Aqui eu discutia notícias de celebridades como um antropólogo discutindo religiões de povos “selvagens”.

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Mais uma ficção serializada. Desta vez o protagonista é Qwfwq, e basicamente ele trata de narrar a vida em um planeta insignificante da Via Láctea em sua passagem por aqui, com um quê de jornalismo gonzo intergalático.

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Aqui se trata de postagens sobre os efeitos da web na sociedade e nos indivíduos. Sobre apps e pessoas.

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“O Mundo de Acordo com Mariana”, era uma coluna da Carol Peters com sua personagem, Mariana. Uma menina devota e conservadora e sua visão de mundo.

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Sobre pessoas que eu gostaria de falar naquele momento. E eu não falava só de pessoas que admirava, mas de loucos varridos, ditadores… Enfim, todo tipo de fauna e flora que compõe a humanidade.

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Olá, Universo!

crab

Esta é uma mensagem do passado para você que lê esta postagem nesse momento.

Estou escrevendo para você para anunciar: estamos de volta.

Bem-vindo ao 1001 Gatos de Schrödinger. Essa é a nossa primeiro postagem desta nova encarnação. Comente ou deixe para lá!

Hail Éris!