A Arte da Guerra, Sun Tzu

Supervulcão pode acabar com grande parte da vida na Terra em 2009

por Ibrahim Cesar em 31 dezembro, 2008

Tenho boas notícias e uma má notícia. As boas notícias: 2009 poderá ser o ano em que a recessão vai acabar, o conflito entre Israelenses e Palestinos terá fim, os genocídios na África cessarão (Congo, Sudão, Ruanda…), será o fim de péssimas condições dos hospitais, preconceito e relacionamentos desastrados. Soa incrível, hã? Agora a má notícia, ou boa, caso você goste de péssimas notícias: talvez a humanidade, ou melhor quase toda a vida na Terra acabe.

Ontem saiu uma nota no Boing Boing comentando sobre os 250 - duzentos e cinquenta - miniterremotos que aconteceram no parque de Yellowstone desde a última sexta (26/12) que podem estar ligados ao supervulcão dormente que existe no parque.

Para aqueles que desconhecem o que é um supervulcão, onde exatamente ele se localiza no parque Yellowstone o que isso pode significar para toda a raça humana, vamos a um momento National Geographic com uma transcrição do excelente livro Breve história de quase tudo, de Bill Bryson, com grifos meus:

Na década de 1960, enquanto estudava a história vulcânica no Parque Nacional de Yellowstone, Bob Christiansen, do US Geological Survey, intrigou-se com algo que, estranhamente, não incomodara ninguém antes: ele não conseguia encontrar o vulcão do parque. Sabia-se havia muito tempo que Yellowstone possuía uma natureza vulcânica - daí todos os seus gêiseres e outras exalações vaporosas - , e os vulcões costumam ser bem visíveis. Mas Christiansen não avistava o vulcão de Yellowstone em lugar nenhum. A única coisa que conseguiu encontrar foi uma estrutura conhecida como caldeira.

Quase todos, quando pensam em vulcões, imaginam as formas cônicas clássicas de um Fuji ou um Kilimanjaro, criadas quando o magma em erupção se acumula em um monte simétrico. Esse tipo de vulcão pode se formar com uma rapidez impressionante. Em 1943, em Parícutin, no México, um camponês se surpreendeu ao ver um trecho de sua terra fumegando. em uma semana, ele era o proprietário aturdido de um cone com mais de 152 metros de altura. Depois de dos anos formara-se um vulcão com quase 430 metros de altura e mais de oitocentos metros de diâmetro1. No todo, existem cerca de 10 mil desses vulcões intrusamente visíveis na Terra, com apenas algumas centenas deles extintos. Mas existe um segundo tipo de vulcão menos famoso, que não envolve a formação de montanhas. São vulcões tão explosivos que se abrem numa única ruptura poderosa, formando uma vasta cratera, a caldeira. Yellowstone obviamente era deste segundo tipo, mas Christiansen não encontrava a caldeira em parte alguma.

Por coincidência, justamente naquela época, a NASA decidiu testar algumas câmeras novas de grande altitude tirando fotografias de Yellowstone. Um funcionário atencioso enviou algumas cópias às autoridades do parque para que pudessem utilizar nos cartazes dos centros de visitantes. Assim que Christiansen pôs os olhos nas fotos, percebeu por que não fora bem-sucedido em suas tentativas: praticamente todo o parque - 9 mil quilômetros quadrados - era uma caldeira. A explosão havia deixado uma cratera com quase 65 quilômetros de diâmetro - grande demais para ser percebida no nível do solo. Em algum momento do passado, Yellowstone deve ter explodido com uma violência bem além da escala de qualquer coisa conhecida pelos seres humanos.

Yellowstone, ao que se revelou é um supervulcão. Situa-se no alto de um ponto quente enorme, um reservatório de rocha pastosa que se eleva de pelo menos duzentos quilômetros sob a Terra. O calor do ponto quente é o que aciona todas as chaminés, gêiseres, fontes quentes e vulcões de lama. Abaixo da superfície existe uma câmara de magma com 72 quilômetros de diâmetro - mais ou menos da mesma dimensão do parque - e treze quilômetros de espessura no ponto mais espesso. Imagine uma pilha de TNT com mais ou menos o tamanho de Rhode Island, elevando-se uns treze quilômetros no céu e atingindo os cirros mais altos: é sobre algo que os visitantes de Yellowstone estão pisando. A pressão que tal concentração de magma exerce sobre a crosca elevou Yellowstone e o território que o circunda, cerca de meio quilômetro acima da altura que teria normalmente. Se aquilo explodisse, o cataclismo seria inimaginável. De acordo com o professor Bill McGuire, da University College de Londres, “não seria possível permanecer nem a mil quilômetros daquilo” enquanto estivesse em erupção. As consequências posteriores seriam ainda piores.

[...]

Desde a sua primeira erupção conhecida, 16,5 milhões de anos atrás, Yellowstone explodiu cerca de cem vezes, porém as três erupções mais recentes são as mais descritas. A última erupção foi mil vezes maior que a do monte Saint Helens2 ; a penúltima foi 280 vezes maior; e a penúltima foi tão grande que ninguém sabe ao certo quão grande foi. Foi pelo menos 2500 vezes pior que a do Saint Helens, e talvez 8 mil vezes mais monstruosa.

Não há termos de comparação. A maior explosão dos tempos recentes foi a de Krakatoa3, na Indonésia, em agosto de 1883, produzindo um estrondo que reverberou ao redor do mundo por nove dias e agitando as águas até o canal da Mancha. Mas se imaginarmos que o volume de material ejetado de Krakatoa teria o tamanho de uma bola de golfe, a maior das explosões de Yellowstone teria o tamanho de uma esfera atrás da qual poderíamos nos esconder. Nessa escala, a dos monte Saint Helens não seria maior que uma ervilha.

[...]

E ainda nem falamos das consequências climáticas. a última erupção de um supervulcão na Terra foi em Toba, no norte de Sumatra, 74 mil anos atrás4. Ninguém sabe sua extensão; sabe-se apenas que foi colossal. Os núcleos de gelo da Groenlândia mostram que a explosão de Toba foi seguida de pelo menos seis anos de “inverno vulcânico” e só Deus sabe de quantas estações de más colheitas. Acredita-se que o evento possa ter deixados os seres humanos à beira da extinção, reduzindo a população global a nada mais do que alguns milhares de indivíduos (na Wikipédia se diz ter exterminado entre 60% e 75% dos seres humanos). [...]

Os geólogos perceberam que somente uma coisa poderia causar tal fenômeno: uma câmara de magma inquieta. Yellowstone não abrigava um supervulcão antigo, e sim um ativo. Também mais ou menos nessa época eles conseguiram calcular que o ciclo de erupções do parque era de, em média, uma explosão gigantesca a cada 600 mil anos. O interessante é que a última ocorreu há 630 mil anos. Yellowstone, ao que parece, está com o prazo vencido.

Um documentário da BBC estima que no caso de uma erupção do Yellowstone, praticamente toda a vida animal e vegetal no continente seria exterminada. Não há meios de prever por quanto tempo haveria o “inverno vulcânico”, mas sua extensão seria medida em anos. Um “inverno vulcânico” é a redução da temperatura causada por cinzas vulcânicas e ácido sulfúrico obscurecendo o Sol e diminuindo o albedo (aumentando assim a reflexibilidade da Terra). Colheitas seriam prejudicadas, sem falar na economia, extremamente dependente de importações. Mergulharia a população mundial em um crise climática e econômica digna de uma distopia. Assustador no mínimo.

Agora, com os últimos 250 mini-terremotos, talvez Yellowstone queira tirar o atraso. Comemorem a passagem de ano como se fosse a última - vai que vocês acertam!

Algumas fotos do Parque:

Bison swimming the Yellowstone river
Creative Commons License crédito: Strilejenta

Illegal parking, Trout Creek, Hayden Valley, Yellowstone
Creative Commons License crédito: Strilejenta

Reflection at YellowStone
Creative Commons License crédito: kashyap_hc

Bibliografia: Bryson, Bill, Breve história de quase tudo, Cia das Letras

  1. Impressionante, não acha? Um vulcão surgir assim do nada. Na Wikipédia em inglês há mais informações e inclusive a foto do mesmo: http://en.wikipedia.org/wiki/Parícutin []
  2. Conheça mais sobre o Mount St Helens na Wikipédia: http://en.wikipedia.org/wiki/Mount_Saint_Helens []
  3. Sobre o vulcão Krakatoa, em inglês: http://en.wikipedia.org/wiki/Krakatoa []
  4. Saiba mais: http://en.wikipedia.org/wiki/Lake_Toba []

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Previsões para 2009

por Ibrahim Cesar em 21 dezembro, 2008

DSC_01176009
Creative Commons License crédito: Marufish

Fim de ano. Aquela em que a maioria das pessoas realiza que não fez merda nenhuma com suas vidas e se entope de expectativas irrealistas pois de alguma forma, pular onda, comer semente de uva ou qualquer outra coisa magicamente os deixarão de ser displicentes ou procrastinadores.

Mundo

1

Obama é assassinado. E não vai ser em uma luta de gangues como poderíamos supor. Todos vão dizer: “Eu já sabia!”.

2

A escravidão vai ser um negócio muito lucrativo. Palestina e Israel continuarão em guerra. No Rio muitos morrerão de bala perdida, em uma guerra não declarada. Molestadores, estupradores, violência, violência…Mesmo com Pangloss elogiando toda a nossa magnífica evolução moral. O horror, o horror.

3

Os jornais, revistas e blogs (nessa ordem) anunciarão novas & revolucionárias pesquisas que irão curar o câncer, AIDS, Alzheimer, como houve nesse ano. Para estupidez, no entanto, continua sem se anunciar cura.

Entretenimento

4

Mallu Magalhães engravidará. O filho será chamado “Dromedário” se garoto e “Pêra” se garota.

5

Veremos mais uma vez a vulva de alguma celebridade. Será notícia do “TV Fama” ao “Jornal Nacional”. Embora seja uma parte anatômica comum e relativamente conhecida do gênero feminino, muito se falará. Precisamos do conceito “maturidade”?

Esporte

6

O São Paulo vai ser novamente campeão brasileiro. “Não basta ser campeão de três (campeonatos) consecutivos, tem que ser de quatro“, dirá Richarlyson emocionado na ocasião.

7

A torcida do Corinthians vai perceber que “o craque”, “o matador”, “a estrela”, “o príncipe” Ronaldo não passa de um sapo gordo. Se antes encantava o país com seus dribles, vai desviar a atenção dos zagueiros adversários com seus seios balançando.

Brasil

8

Os efeitos da crise mundial começam a mostrar mais suas garras e profundidade. Por mais que seja apenas uma “marolinha”, conseguirá derrubar muitos. Lula dirá em coletiva de imprensa que não precisamos nos preocupar com emprego - o dele ao menos está seguro, até 2010.

9

Haverá um desastre aqui. Muitos morrerão. a culpa será do descaso dos políticos. Mas com “fé em deus” eles reconstruirão as vidas deles. YHVH nem mesmo será chamado para depor.

E por fim…

10

O status vai continuar quo

Assim termino minhas previsões para o ano de 2009, com um olho no horizonte, um olho na verdade e um olho em todos vocês…
Fortune Telling
Creative Commons License crédito: i.am.leon

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A Semana #107

por Ibrahim Cesar em 20 dezembro, 2008

Mais uma semana chega ao fim no 1001 Gatos.

Algumas postagens somente estão sendo exibidas no RSS e na barra lateral do 1001. Resolvi adotar os chamados sideblogs para postar links interessantes que nem sempre exigiam muita coisa para ser escrita, separando assim dos artigos habituais do blog.

Pensando sobre o Problema do Currículo Escolar, lancei algumas reflexões e encontrei outras muito contundentes nos comentários da postagem. É um assunto vasto e delicado, cheio de diversas facetas e pontos de vista.

O The Big Picture, publicou uma série dividida em três sobre 2008 em fotos. Fotos de qualidade impecável, mostrando o absurdo, o horror, a maravilha e o inusitado do nosso mundo, vale sua visita: Parte 1, Parte 2 & Parte 3.

Falei de torrents, personalização do Twitter, mais um teste piscológico.

E duas postagens que geraram boas respostas: Uma Solução Para o Determinismo e Demasiadamente Humano.

Há agora um porco na barra lateral deste blog. Você pode doar qualquer quantia, o que o seu coração mandar :) (que eu acredito será nada).

Com a aproximação do lançamento do filme Watchmen (isto é, tudo depende do processo que a WB está recebendo), fica aqui um gif bem bacana:

Rorschach

Para quem nunca leu os quadrinhos, o “vilão” do filme é o cara que tem uma espécie de Lince, ele monta um plano para matar milhares de pessoas e assim fazer o mundo acabar com as guerras e se unir (foi dai que saiu o plano de Heroes na primeira temporada, e Heroes fede). O cara azulão vai acabar concordando com ele e o “vilão” vence. O Rorschach vai ser fulminado pelo azulão para não contar isso para o mundo. Fim. Ah, esqueci, não leia esse parágrafo se não quiser spoilers.

A enquete que está rolando no 1001 Gatos sobre quantos livros lêem por ano, mostra as maiores parcias: 22,6% lêem mais de 21, 21,3% lêem entre 2 e 5, 20% lêem entre 11 e 15 e 17,3% entre 6 e 10. Ao menos 41% dos leitores do 1001 que responderam à enquete lêem mais de 10 livros anualmente, o que é mais de 5 vezes superior à média nacional. Audiência de qualidade! Se não participou, não dói nada, é só acessar o blog e procurar na barra lateral localizada à sua direita.

O 1001 em números: 107 semanas, 945 postagens, 9755 comentários. Média de 1,2 postagens por dia, 10,3 comentários por postagem.

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