Em “A Arte de Ter Razão”, um livro fininho mas nem por isso menos importante
de Schopenhauer (se diz Xô-Pen-Rá-Ú-Er), o mesmo traça 38 estratagemas para se ter razão em uma discussão qualquer.Note que as estratégias não levam em conta se você está certo ou não, elas foram feitas para se vencer a discussão, para se ter razão mesmo quando errado.
Schopenhauer assinala para isso:
De fato, é possível ter razão objetiva na questão em si e, no entanto, aos olhos dos presentes, por vezes aos próprios olhos, não ter razão.[...] Portanto a verdade objetiva de uma proposição e sua validade na aprovação dos litigantes são duas coisas distintas.
A arte de ter razão é uma arte que todo discordiano deve dominar com maestria pois é através desta ginástica teórica que podemos defender nossas crenças, ridicularizar nossos rivais e mandar as pessoas irem ? merda de tal forma que elas queiram ir.
Todas as 38 são boas estratégias, algumas são bem específicas e dependem de fatores como a solidez dos argumentos, etc, portanto esta selação de modo algum substitui o excelente livro, ficando apenas como a seleção especial das 10 melhores contidas nele (? s vezes penso que deveria ter feito um top 38).
10.
Estratagema 33.
“Isso pode ser correto na teoria; na prática é falso.”
Com esse sofisma admitem-se os fundamentos, porém negam-se as suas conseqüências.A afirmação gera uma impossibilidade: o que é correto na teoria deve valer também na prática, se isso não se confirma é porque há alguma falha na teoria; algo passou despercebido e não foi levado em consideração e, por conseguinte, é falso também na teoria.
9
Estratagema 1.
A Expansão.Levar a afirmação do adversário para além de seu limite natural, interpretá-la da maneira mais genérica possível, tomá-la no sentido mais amplo possível e exagerá-la; inversamente, concentrar a própria afirmação no sentido mais limitado, no limite mais restrito possível: pois, quanto mais genérica se torna uma afirmação, a mais ataques ela fica exposta.
8
Estratagema 19.
Se o adversário exigir expressamente que apresentemos algo contra um determinado ponto da sua afirmação, mas nós não temos nada de adequado, precisamos então tratar o assunto da maneira mais genérica possível e, em seguida falar contra tal generalidade.
7
Estratagema 7.
Fazer muitas perguntas de uma só vez e de modo pormenorizado, a fim de ocultar o que na verdade se quer ver admitido.Em contrapartida, expor rapidamente a própria argumentação a partir do que foi admitido.
6
Estratagema 29.
Se percebemos que seremos vencidos, devemos fazer uma digressão, isto é, começamos de repente com algo totalmente diferente, como se pertencesse ao assunto e fosse um argumento contra o adversário.
5
Estratagema 16.
Diante de uma afirmação do adversário, temos de pesquisar se ela porventura não está de algum modo – conforme o caso está apenas aparentemente – em contradição com alguma coisa que ele tenha dito ou admitido anteriormente, ou com dogmas de uma escola ou seita que ele tenha louvado e sancionado, ou ainda com as ações dos adeptos dessa seita, mesmo que sejam falsos e aparentes, ou com seu próprio comportamento.
4
Estratagema 31.
Quando não se souber apresentar nada contra os fundamentos expostos pelo adversário, com sutil ironia devemos nos declarar incompetentes.Com isso, insinuamos aos ouvintes, juntos aos quais temos prestígio, que se trata de um disparate.Essa estratégia só pode ser utilizada quando se está seguro de ter um privilégio decididamente mais alto que o do adversário junto aos ouvintes.
3
Estratagema 26.
Um golpe brilhante é quando o argumento que o adversário quer usar em seu favor pode ser mais bem utilizado contra ele.
2
Estratagema 27.
Se o adversário inesperadamente se zanga diante de um argumento, devemos insistir energicamente nele: não apenas porque é bom provocar-lhe a ira, mas também porque é de supor que tenhamos tocado o lado fraco do seu raciocínio.
1
Estratagema 38.
Arthur guardou o melhor para o final:Quando percebemos que o adversário é superior e que não ficaremos com a razão, devemos nos tornar ofensivos, insultantes, indelicados.E Schopenhaur é um verdadeiro especialista nisso, outro de seus livros têm o título “A Arte de Insultar”.Um adendo maravilhoso, Schopenhauer tinha um poodle (Uiii) chamado Atman, e como ele insultava o cachorro quando este não o obedecia? Chamava-lhe de “homem”.
Para Saber Mais:
A Arte de Ter Razão – Onde você vai encontrar exemplos para entender melhor
A Arte de Insultar
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“Oi pessoal,estou com a corda no pescoço”













