Como o Universo começou?
A teoria mais aceita é a do Big-Bang, que prega que toda a matéria existente estava comprimida em um ponto minúsculo e que por fim explodiu dando origem a tudo o que nos cerca. Nasceram as primeiras estrelas e no interior das mesmas forma forjados os átomos que compõem os tijolos básicos da vida orgânica que aliás, na estimativa mais otimista, não passa de 5% de toda a matéria do Universo.
Os críticos dessa teoria, lê-se defensores do design inteligente, dizem que assim como uma explosão em um ferro-velho não cria um carro novo, uma explosão de átomos não criaria o Universo. Essa é a beleza das metáforas e comparações. Eu realmente me divirto com essa e sempre a uso só para encher o saco de quem começa a falar do Big Bang (pense em mim como um jogador que jogou tanto pelo Palmeiras quanto pelo Corinthians, por mais que eu goste mais de um, jogo pelo outro apenas por amor ao jogo).
Acontece que por mais espirituosa que seja uma comparação ou uma metáfora, elas nunca poderiam ser usadas para validar qualquer tipo de julgamento, mas são usadas exatamente com este fim. Se você quer provar que A é melhor que B, geralmente você cava uma variavel C que você sabe ser depreciativa para os dois lados e a usa comparando a B, é simples.
Quer irritar os cristãos?, pegue “doença-mental” ou uma figura histórica controversa que fosse cristão (Hitler por exemplo) e use. Vai ver como vão se irritar e dizer um monte (nem se dê ao trabalho de ler).Mas tais comparações analisadas ? fria lógica como Wittgeinstein iria apreciar, nada querem dizer. Hitler era vegetariano também, isso desqualificaria os vegetarianos? Mesmo os cristãos? Não e não. Mas que é divertido ver a reação que causa neles, ah isso é.
ÿ impossível para um homem aprender o que ele pensa que já sabe.
Não se engane, discussões são um ótimo conceito: Duas pessoas, talvez com pontos de vista diferenciados, trocam informações e dados que defendam seu próprio ponto de vista como em relação ao aborto. Dessa conversa saem com um entendimento mais profundo do assunto, certo? NÿO!
Entrar em uma discussão é ir para um julgamento onde o juiz já expediu a sentença antes de você pisar lá. Tudo o que se vê em uma discussão é um idiota discutindo com outro tentando a todo custo (fazendo uso de metáforas, comparações,sarcasmo, estatísticas ,exemplos assim como o mais desleal que é citar grandes pensadores como Descartes ou Schopenhauer) evangelizar o outro em seu pensamento, mas nenhum sairá de lá achando que “ganhou” ou “resolvi não discutir”.ÿ incrível como ninguém perde uma discussão.Descartes já disse: “O bom senso deve ser a coisa mais bem distribuída pois todos acham-se bem providos dele”.Schopenhauer já falou algo a respeito:
A dialética erística é arte de disputar, mais precisamente a arte de disputar de maneira tal que fique com a razão, por tanto, per fas et nefas (com meios lícitos e ilícitos).De fato é possível ter razão objetiva na questão em si e, no entanto, aos olhos dos presentes, por vezes mesmos aos próprios olhos, não ter razão.Isso ocorre quando o adversário refuta minha argumentação e vale como se tivesse refutado a própria afirmação, para a qual, porém podem ser dadas outras provas; nesse caso, naturalmente, a relação é inversa para o adversário: ele fica com a razão, não a tendo objetivamente.[...]
De onde isso se origina? Da maldade natural do gênero humano.Se ela não existisse, se fôssemos inteiramente honestos, em todo debate visaríamos apenas trazer a verdade ? luz, sem sequer nos preocuparmos se ela corresponde ? opinião apresentada de início por nós ou ? alheia: seria indiferente ou, pelo menos, totalmente secundário.Mas agora vem o principal.A vaidade inata, particularmente suscetível no que concerne ? inteligencia, não quer que nossa afirmação inicial resulte falsa e a do adversário, correta.Se fosse assim, cada um deveria meramente esforçar-se para julgar apenas de modo justo: portanto deveria primeiro pensar e depois falar.Porém ? vaidade inata associam-se, na maioria dos indivíduos, uma verbosidade e uma desonestidade também inata.Falam antes de pensar e, mesmo se depois percebem que sua afirmação é falsa e que não t~em razão, tal situação deve parecer contrária.O interesse pela verdade, que a maioria dos casos foi o único motivo para sustentar a proposição considerada verdadeira, acaba cedendo totalmente ao interesse da vaidade: o verdadeiro deve parecer falso, e o falso, verdadeiro.
Recomendo a todos que se inscrevam em muitas listas de discussão, cada uma com um nome falso, entrem no orkut como fakes e discordem de todos em todas as discussões, é uma forma quase inexplorada de diversão.
Para Saber Mais:
A Arte de Ter Razão, de Schopenhauer
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