Arquivo de março de 2007

Blogs em português fazem 9 anos

sábado, 31 de março de 2007

De onde viemos? Quem somos nós? Para onde iremos? São respostas que muitos se fazem a todo momento. Temos algumas boas respostas, mas nenhuma que satisfaça a todos. O grande problema é que ninguém estava lá. Com os blogs é diferente. Muitos estavam lá quando tudo começou. Dia 31 de Março, completaremos 9 anos do primeiro blog em português, aqui uma pequena retrospectiva que procura comemorar essa data e que no melhor espírito de comunidade dos blogs atravessará quatro blogs.

“E Deus disse criou o mundo em 6 dias
No décimo entrou nos blogs para ver o que tinham achado”

Em 1994, Internet ainda era um termo estranho ? maioria das pessoas e computadores pessoais eram tão raros como virgens em bailes funk. Mas Dave Winer já era uma celebridade no mundo virtual. Além de trabalhar como programador no Vale do Silício, ele escrevia uma coluna sobre tecnologia chamada Davenet no site da Wired. Winer saiu da Wired em 1997 e passou a disponibilizar a sua coluna através de um site pessoal, onde todo o conteúdo era organizado por data. Cada texto era publicado no topo da página, imediatamente acima do artigo mais recente da lista. Assim criou-se o blog.

Quem os batizou foi um programador chamado John Barger que apelidou o formato de weblog, em referência aos daily logs, diários de bordo dos capitães de navio. Isso porque a maioria dos blogs eram exatamente isso, diários de navegação pela web onde as pessoas mostravam e comentavam páginas. Nessa época ainda não existia Google ou outra forma de se encontrar assunto interessante.

A cada segundo no planeta, 2 blogs são criados. Existem, e este número a cada segundo fica mais desatualizado desde o momento em que o escrevi, 40,7 milhões de endereços, 2,4 bilhões de links. A cada dia surgem 75 mil novos blogs com 1,2 milhões de postagens por dia, 50 mil atualizações por hora.

Blogs são um vírus que está dominando a internet. São tantos que perde completamente o sentido querer definir eles como um movimento de revolução ou como um ecossistema.Se algum dia alguém resolver comparar os blogs a uma doença, o blog Diário da Megalópole será considerado o paciente zero, pelo menos em sua mutação em língua portuguesa. Foi em 31 de Março de 1998 que entrou no ar, mantido por Renato Pedroso Júnior, aquele cuja fama o precede e é mais conhecido como Nemo Nox e mantém o [por um punhado de pixels]

Nossa homenagem continua no próximo blog até lá…

Começa aqui ?Próxima

365 dias a menos de vida

sexta-feira, 30 de março de 2007

Hoje, 30 de Março de 2007, completa-se mais 365 dias na minha lista de dias vividos, que chegam agora a impressionantes 7665. O que dá 183.960 horas e 11.037.600 minutos e? a sensação é de que eu fiz tão pouco… Há tantos lugar para ir e coisas para se fazer.

Eu ganhei o novo volume de Sandman e nem precisei tirar do meu bolso o que eu gastaria de qualquer forma. Eu nem cheguei perto de entender tudo, mas espero que vocês estejam aí para ouvir o que eu descubro no caminho e espero que prometo estar atento para ouvir o que tem de bom para compartilhar.

Uma garota que admiro ? muita distância hoje me desejou felicidades. Eu nem peço no plural, sabem? Eu me contentaria com o singular. Esta postagem foi tão desnecessária que eu paro por aqui.

Olhem meu presente:

[tags] aniversário, notas do front,Rev. Ibrahim Cesar[/tags]

Bright

quinta-feira, 29 de março de 2007

Essa nem todo mundo sabe: Os homossexuais eram chamados de inúmeros nomes, menos de homossexuais. Veio a AIDS e o preconceito com os mesmos somente piorou e com isso aumentaram as denominações pejorativas e foi imediatamente associados com suas denominações toda a fobia e a paranóia da doença. Então alguém teve uma idéia: Criou um novo nome para homossexuais e..pegou. O nome em questão era gay. ÿ um palavra não muito comum em inglês para feliz, joviam, festivo e vistoso.

O mundo é essencialmente teísta. 90% das pessoas acreditam que alguma entidade, força, inteligência sobrenatural rege os acontecimentos em nosso mundo. Talvez seja somente paranóia dos que não crêem em nada (por que esse tipo de gente é sempre paranóica), mas eles são vistos com preconceito e toda uma carga negativa. Imagine dizer a seus sogros no primeiro dia que os vê que você é ateu para entender perfeitamente o que eu estou dizendo (todos os pais querem que as filhas se casem e isso essencialmente quer dizer em uma igreja).

Para tanto Paul Geisert resolver fazer um movimento para um denominação para aqueles que possuem uma visão naturalista da natureza. O termo é bright e quer dizer inteligente, brilhante, sagaz, esperto.A definição de um bright no site oficial é: Uma pessoa com uma visão de mundo naturalista que é livre de elementos místicos e sobrenaturais. Cuja ética e ações sejam baseadas em sua visão de mundo.

Ou seja, um bright é todo aquele que o Universo não precisa do princípio motor de Aristóteles, não há heróis no céu e nem mulheres sendo estupradas por anjos.

Uma das minhas seções prediletas do site é aquela que guia em como ser um bright e ajuda a lidar com uma situação muito recorrente: “Deus te abençoe!”. Chega a ter uma lista de respostas para isso!

As minhas prediletas:

Obrigado, mas sou alérgico a bençãos.
Obrigado e talvez o Universo seja carinhoso com você.
Que a ciência o ilumine!
Que a força esteja com você!

[tags]ciência,bright,movimento[/tags]

Leia o Blog. Compre o livro?

quarta-feira, 28 de março de 2007

Rafael Slonik em seu blog fez uma postagem onde declarou que:

Eu ainda não tenho nada publicado formalmente no papel que esteja a venda na livraria mais próxima da sua casa. Entretanto meu blog tem mais de dois anos de registros, seja da minha vida, da história do mundo ou de pirações fantásticas.
Então considero feito. Para todos os efeitos ?Ter um blog? substitui ?Escrever um livro?

Eu já comentei em seu blog que pessoalmente eu não consigo ver um blog como equivalente a um livro. Eu parto da premissa que se você consegue ver seu blog assim e está satisfeito, não tem problema algum, o que importa no final é ser feliz e não como as pessoas pensam. O motivo que me incitou a escrever uma postagem em meu próprio blog deve-se a minha inquietação em relação ao assunto. Eu já tentei muitas vezes escrever um livro e de certa forma escrever um blog conseguiu amenizar essa minha pulsão. Mas eu jamais consegui ver meu blog como um livro.

Trevor Butterworth, em matéria publicada no Financial Times escreveu:

E é esse, em última análise, o destino triste do “blogging”: ele torna o mundo ainda mais fugidio do que faz o jornalismo.Atrelado ao ciclo interminável das notícias e ? necessidade de acrescentar texto a seus blogs quatro ou cnco vezes por dia, cinco dias por semana,o “blogging” se torna o que a cultura literária já teve de mais próximo da obsolescência instantânea.
Nunca haverá uma edição Modern Library dos grandes polemistas da blogosfera a amarelar sobre as estantes; nada, a não ser um túmulo virtual, a guardar 1 bilhão de mensagens divulgadas nos blogs- o coral dos blogueiros fartos da palavra, marinheiros solitários eternamente divulgando mensagens no mar de notícias que jamais adormece.

Blogs são o equivalente virtual de fanzines, jornais e revistas em sua maioria, Robert Cauthorn disse ao Le Monde:

Um livro impresso sempre terá razão de ser, já que pode ser lido várias vezes ao longo de muitos anos.

Que pode ser ligada diretamente a uma frase de uma personagem de William Gibson que fala muito do papel do futuro e do tempo em relação a um blog:

Não temos futuro porque o nosso presente é volátil demais.

Essa questão de livros em um ambiente como a web me interessa muito e estou preparando para breve um e-book com um tema muito interessante.

Fica aqui a pergunta: Qual blogs vocês comprariam o livro se ele fosse impresso? Não me refiro ao autor escrever sobre o assunto, mas uma impressão mesmo das páginas. Qual e por quê? Conto com a participação de vocês.

Vá Além:

[tags]blogs,livros[/tags]

O livro mais vendido de todos os tempos é responsável pelo desmatamento de uma floresta inteira?

quarta-feira, 28 de março de 2007

Essa não saiu em lugar nenhum mas acabei raciocinando quando um amigo me perguntou quantos livros foram derrubados para que eu tivesse a minha pequena biblioteca particular.

Alguém possui esse tipo de dados? Eu procurei bem por cima e não encontrei: Quantas árvores vão em um livro.

Porque já forma vendidos 6.000.000.000 de Bíblias…Deve dar um bocado de árvores, não?

[tags] ecologia, árvores,Bíblia,nonsense[/tags]

O que Darwin pode ensinar para a esquerda e qualquer um com um cérebro em funcionamento

quarta-feira, 28 de março de 2007

Eu estava pensando em me filiar a alguma partido político. Não que a legenda signifique muita coisa pois meus interesses se esparram por uma gama tão vasta de assuntos que não acredito que tenha uma legenda que tenha a mesma visão sobre cada um deles. Quando eu tenho opiniões eu não vejo se elas são de esquerda ou de direita, eu somente as tenho.

Na verdade esse conceito de “esquerda” e de “direita” deveria ser abandonado o mais logo possível, embora exista claramente algumas diferenças fundamentais é como dizem “não há mais ninguém bobo no futebol”, acho que não há ninguém bobo na política também.

Eu uso esquerda no título para me referir a uma atitude de idealistas. Eu sou idealista muitas vezes e acho isso perfeitamente normal, na verdade eu vejo a falta de idealismo como um sinal de imaginação pobre. Afinal o que é o idealismo senão os vôos imaginativos, quase ficções-sociais se contraponto com a ficção-científica? Eu aprendi muito com Darwin e nunca refreio minha imaginação e permito-me idealizar tanto quanto eu quero. Acho que a associação de esquerdistas e idealismo nasce do gosta da mesma por utopias e esquemas de revolução.

O que aprender com Darwin?

Que uma criatura só terá sucesso evolutivo e perpetuará em um determinado local e um determinado tempo se ela se adaptar ao meio-ambiente e sobreviver a competidores e predadores. O que a esquerda idealista vêm tentando todo esse tempo fazer é mudar o ambiente e jamais conseguindo. Hakim Bey é um que chamou atenção para o fato de que toda vez que estoura uma revolução e coloca o mundo de pernas para o ar, ele encontra uma forma de voltar a posição original. Somos nós que devemos nos adaptar ao ambiente, e tentar mudar o mundo da forma que ele está, não tentar começar algo do zero ou revolucionário.

Se você está em um deserto, você tem que encontrar meios de sobreviver nele e não jogar suas sementes na areia escaldante e esperar que dela nasça uma árvore que lhe dará frutos e sombra.

Temos que fazer algo. Através de um processo de adaptação podemos realmente provocar mudanças que por menores que sejam vão ser alguma coisa. ÿ assim que se muda o mundo.

Vá Além:

[tags]Darwin,adaptação,idealismo,mudar o mundo[/tags]

Secretaria Especial de Política da Promoção da Igualdade Racial apóia a Desigualdade?

terça-feira, 27 de março de 2007

A reação de um negro de não querer conviver com um branco, ou não gostar de um branco, eu acho uma reação natural, embora eu não esteja incitando isso. Não acho que seja uma coisa boa. Mas é natural que aconteça, porque quem foi açoitado a vida inteira não tem obrigação de gostar de quem o açoitou.

Eu não sou branco como o sonho de Hitler nem negro como os cabelos da branca de neve, mas eu nunca açoitei negro algum e na verdade não conheço ninguém que o tenha feito. A ministra Matilde Ribeiro, titular da Secretaria Especial de Política da Promoção da Igualdade Racial considera natural o preconceito de negros contra brancos. Quando eu digo que o mundo é irônico eu quero dizer literalmente.

“Não é racismo se insurgir contra branco”, o papo da senhora Matilde não podia ser mais Ku Klux Klan.

UPDATE do dia 01, Fevereiro de 2008 (no falso calendário), demorou mas ela saiu: A ministra da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, pediu demissão do cargo nesta sexta-feira. Matilde é suspeita de usar indevidamente o cartão corporativo, dado a altos funcionários do Poder Executivo para pagar despesas durante eventos e viagens oficiais. Só em 2007, segundo o site oficial da Presidência da República que detalha os gastos de cada detentor do cartão, Portal da Transparência, ela gastou mais de R$ 170 mil.  

[tags] KKK,preconceito,igualdade,nonsense[/tags]

Blogs & Democracia

segunda-feira, 26 de março de 2007

Em uma discussão anterior sobre o poder (se é que ele existe) dos blogs eu dizia sobre os blogs fazerem parte de um revolução. Percebi que deixei passar algo como “a revolução dos blogs” e não era isso que eu quis dizer exatamente. Há uma revolução e os blogs são parte dela, não o todo. Até porque, um blog é algo extremamente individual e serve unicamente aos propósitos de seu criador e escritor. A graça disso é ser um canal de comunicação de um individuo e pode expor nos mesmos todas as suas inquietações ou o que mais ele desejar.

Em “Cultura Livre” de Lawrence Lessig ele expõe no Capítulo Dois: Meros Copistas ele mostra que os blogs dão vozes a indivíduos que podem se expressar livremente, sendo palco de discussões democráticas como se nunca foi possível realizar em nossas sociedades por mais “democráticas” que elas sejam.

“…os blogs afetam a democracia também de outra forma. Com mais e mais cidadãos expressando o que pensam, e defendendo isso por escrito, os blogs vão mudar o modo de as pessoas entenderem questões públicas. ÿ fácil estar errado ou enganado em sua cabeça.ÿ mais difícil quando o produto de sua mente pode ser criticado por outros.Um ser humano que admite ter sido convencido de que está errado é raro, claro.Mas é ainda mais difícil para um ser humano ignorar quando alguém prova que ele está errado.Escrever idéias, discussões e críticas melhoram a democracia.Hoje existem provavelmente uns poucos milhões de blogs com este tipo de texto.Quando existirem 10 milhões, será algo extraordinário.”

Sei que a grande maioria não é e nunca vai ser. Como tudo sempre 90% são lurkers, 9% contribuem de alguma forma e 1% é quem realmente participa ativamente do processo…O nosso “partido” jamais se concretizou, mas não acredito e não quero acreditar que não possamos tentar mudar de alguma forma as coisas como estão.

Eu não acho que vá mudar o mundo, mas eu não posso deixar de tentar.Falando de nossa realidade… Quantos blogs há com este tipo de texto? Talvez 100? Não precisamos de muitos, talvez se tivermos 1000…Podemos realmente fazer alguma coisa.O que eu peço é que caso você conheça ou tenha algum blog com este tipo de texto que me avise pelos comentários ou pela Glândula Pineal.

pdf.pngBaixe aqui o livro “Cultura Livre” de Lawrence Lessig 9,53MB em arquivo .rar

[tags] blogs, democracia, Lawrence Lessig[/tags]

O Google não vai dominar o mundo, ele já fez isso

segunda-feira, 26 de março de 2007

Eu estava sem assunto algum no domingo que pudesse usar em uma conversa entre amigos, até que um deles me fez uma pergunta em tom de brincadeira:

- Você acha que o Google vai dominar o mundo?

Eu nem precisei pensar muito para responder:

- Ele já fez isso.

Se em “1984″ as pessoas encontram em todo lugar cartazes do Grande Irmão, nós podemos encontrar o nome do Google em qualquer lugar. Parece que ninguém é capaz de criticá-lo por qualquer que seja o motivo. Essa era a situação da Microsoft nos anos 80. Nos dias atuais ela é vista quase que como Satã no Cristianismo. Desde que o Google colocou sob as suas asas o Firefox, até mesmo pagando para editores de conteúdo que conseguissem evangelizar usuários a instalar o browser querido-de-todos-os xiitas, eles conseguiram que fossem para sua fileira os tipos mais CaraCinza e tolitarista das pessoas.

Amava o Grande Irmão.

ÿ com estas exatas palavras que acaba “1984″. Não há redenção.No final ele leva um tiro na nuca amando o Grande Irmão.Na batalha pelos corações das pessoas, o Google ganhou. Pense, você é capaz de sentir raiva dele? Eu não.

Sergey Brin e Larry Page, os criadores do Google são respectivamente o 13º e o 14º mais ricos dos Estados Unidos com uma fortuna pessoal de $14 Bilhões cada, com o Google em si valendo a bagatela de $150 Bilhões.Em uma sociedade capitalista saber o valor de mercado é uma boa estimativa de seu peso na sociedade. A cada dia ele lança um novo produto que cobre uma área ainda não explorada. Ele está na maioria dos blogs, ele está no Orkut, ele é o lugar onde as pessoas vão atrás de tudo,como um Oráculo, ele classifica cada endereço existente em uma moeda social chamada Pagerank. Ele está em nossos corações.Bem, não exatamente no seu coração.

O coração é um músculo. O Google “está” no seu cérebro límbico. O berço do instinto. O cérebro mamífero. Além de toda e qualquer lógica.ÿ aí que a publicidade funciona.Ele colonizou nossa existência.Admita ele já pegou você.

Vá Além:

[tags]Google, dominação,1984[/tags]

Rick Falkvinge, defensor dos downloads, em entrevista ? Super Interessante de Dezembro de 2006

segunda-feira, 26 de março de 2007

Rick Falkvinge fundou um partido político que tem uma única plataforma: liberar geral os downloads na internet.

Nos anos 70, os partidos verdes ganharam espaço na politica e mobilizaram a juventude para defender a ecologia. No século 21, o ativismo jovem parece ter encontrado uma nova causa: a liberação, geral e irrestrita, dos downloads. O primeiro passo foi dado em Janeiro, quando o sueco Rick Falkvinge revoltou-se com a perseguição a quem baixa arquivos ilegais e fundou o Piratpartiet, o Partido Pirata. A idéia deu origem a organizações Europa afora que se preparam para concorrer nas eleições do Parlamento da União Européia, em 2009.

Falkvinge, um ex-funcionário da Microsoft, viaja pela Suécia fazendo comícios como guru dos direitos digitais. Em junho, sua causa ganhou a ajuda involuntária do governo americano, que tentou tirar do ar o site sueco The Pirate Bay, um dos maiores centros de downloads ilegais na internet. A idéia não só deu errado – a interdição durou apenas 48 horas – como deu fama mundial ao Piratpartiet, que encampou a defesa do site.

Nas eleições suecas de Setembro, os piratas levaram 34.918 votos. Seria o suficiente para assumir uma cadeira não fosse a cláusula de barreira adotada no país, que impede a presença de partidos nanicos no Parlamento. A ideologia do partido pode parecer bobinha, mas não é: quando alguém baixa uma música, está trocando dados com outro internauta. Isso é uma comunicação particular. Reprimir os downloads ilegais exige o monitoramento de todas as comunicações privadas – ou seja, significaria acabar com a privacidade na internet.

ENTREVISTA

PERGUNTA: Antes do partido, você trabalhava em empresas de internet e chegou a fazer parte da Microsoft. O que o levou a criar o Partido Pirata?

RESPOSTA: Os políticos tinham posições unilaterais sobre a questão dos direitos autorais. Só ouviam a indústria do entretenimento e criavam leis e mais leis repressoras. Eu pensei: só com argumentos e debates será impossível fazê-los nos entender. A única maneira, então, era agir diretamente e disputar votos nas eleições. Ignorar os políticos, que não nos ouviam, e falar diretamente com os eleitores.

PERGUNTA: Entre as propostas do Partido Pirata, qual é a mais importante?

RESPOSTA: Reverter as mudanças na Lei Sueca, que, em 2005, criminalizou os downloads. Mas só isso não faz muita diferença – nós também queremos descriminalizar o upload [envio de arquivos piratas para a internet]. Afinal, você não consegue fazer download se não houver alguém fazendo o upload. Creio que, inicialmente, as penas poderiam ser reduzidas. Depois, totalmente abolidas.

PERGUNTA: Vocês não se elegeram. E agora, qual o futuro do Partido Pirata?

RESPOSTA: Nos primeiros dias depois da eleição, fiquei um pouco decepcionado. Mas então aconteceu algo que eu não previa: fui tratado com respeito por outros políticos. Porque nós chamamos a atenção dos eleitores. Os dois candidatos a primeiro-ministro acabaram dizendo, na reta final das eleições, que downloads devem ser descriminalizados – algo impensável um ano atrás. Nossa existência tornou politicamente impossível apertar as leis de direitos autorais ou aumentar as penas para quem as descumpre. Existe um grande debate na opinião pública, mesmo depois das eleições, e nós estamos bem no meio dele: tivemos 6 vezes mais votos do que os analistas estimavam e superamos políticos veteranos, com campanhas multimilionárias, e tudo isso sem dinheiro, só com voluntários. Foi o melhor resultado que um partido estreante já conseguiu na Suécia.

Como disse Wiston Churchill, “foi apenas o fim do começo”. Já começamos a coordenar os Partidos Piratas que estão surgindo em países como França, Itália, Bélgica e Espanha para um esforço conjunto nas eleições do Parlamento Europeu, em 2009. Até lá, vamos continuar educando os políticos. Não é tão importante que nós entremos no Parlamento sueco; o importante é que as nossas questões sejam discutidas lá.


PERGUNTA:
ÿ praticamente consenso que a indústria fonográfica cobra caro demais pelos CDs. Mas, se, como o Partido Pirata propõe, a cópia e a distribuição de músicas forem totalmente liberadas, como as gravadoras vão ganhar dinheiro e sobreviver?

RESPOSTA: O modelo de negócio das gravadoras ficou obsoleto. Basicamente, o negócio delas é transportar informações de um lado para outro, usando discos como meio. Acontece que esse serviço perdeu o valor, pois agora qualquer pessoa pode transmitir e receber informações digitais via internet. Se as gravadoras conseguirem mudar e oferecer alguma coisa que tenha valor dentro da nova realidade, vão sobreviver. Caso contrário, vão acabar – da mesma maneira que, ao longo da história, setores inteiros da economia foram extintos pela chegada de uma nova tecnologia.

Mas, na realidade, esse debate não importa. O que realmente está em jogo é o seguinte: hoje, as violações dos direitos autorais acontecem na esfera privada. Não há qualquer diferença entre os bits que formam uma música e os bits que formam uma mensagem enviada ao seu médico particular. Tecnicamente falando, eles são idênticos. Então, para defender os direitos autorais, é preciso monitorar todas as comunicações privadas. A questão não é “os artistas devem ser pagos quando eu mando músicas para os meus amigos?”. Na verdade, a pergunta é: “Os artistas devem ser pagos, mesmo que para isso todas as comunicações privadas tenham de ser abertas e examinadas pelo governo?”. Porque essa é a consequência.

A única maneira de preservar os direitos autorais, como eles são hoje, é abolir a privacidade e criar um Estado policial. Os piratas entendem isso. Os políticos não. ÿ loucura sacrificar um dos pilares da democracia [a privacidade nas comunicações particulares] para proteger o modelo comercial desatualizado da indústria do entretenimento.

PERGUNTA: Mas a privacidade na internet é um direito absoluto? Ou existem situações em que ela deve ser quebrada, como o combate a terroristas e ? pornografia infantil?

RESPOSTA: Nós não achamos que a privacidade deva ser absoluta. Mas ela tem que ser a norma da sociedade. O governo pode violar a privacidade dos suspeitos de crimes graves. Mas não pode violar a privacidade de todo mundo, todo o tempo. Quem não é suspeito de crimes graves [para os piratas, download de música não é crime] deve ter a sua privacidade defendida.

PERGUNTA: As gravadoras e os estúdios de Hollywood fizeram enorme pressão para fechar o site “The Pirate Bay” – e não conseguiram. E o Partido Pirata? Já recebeu alguma ameaça?

RESPOSTA: Ainda não. Perseguir alguém que você acusa de criminoso e tentar acabar com ele é uma coisa. Perseguir um partido democrático, com enorme apoio popular, que não está quebrando as leis, e sim tentando mudá-las, é uma coisa bem diferente. Não há como nos pressionar sem causar revolta popular. Mas não é segredo que as nossas propostas batem de frente com a indústria do entretenimento – e as ramificações dela dentro do governo dos EUA.

PERGUNTA: Falando no “The Pirate Bay”, qual é a sua relação com os donos desse site? Eles são filiados ao Partido Pirata?

RESPOSTA: Nós nos encontramos algumas vezes, mas não temos vínculo formal.

PERGUNTA: A indústria está tentando mudar e oferecer uma alternativa aos downloads ilegais, como a loja de músicas iTunes, da Apple, que já vendeu mais de 1,3 bilhão de músicas via download. O que você acha desses serviços?

RESPOSTA:
São irrelevantes. A sociedade precisa escolher: liberar o compartilhamento de arquivos na internet, ou então abolir as comunicações privadas. Não há meio-termo. Você não pode resguardar o sigilo postal de algumas cartas e de outras não – pois não há como saber o que elas contém sem romper a privacidade de quem a enviou e de quem vai receber.

Nós não somos contra o comércio musical. Se alguma empresa vende músicas e filmes via internet, ótimo, que vá em frente. Nós estamos lutando é contra o monopólio protegido pelo Estado. Se o serviço que você está oferecendo é bom, não deveria precisar de proteção legal como a lei de direitos autorais.

PERGUNTA: Você baixa ou compartilha arquivos na Internet?

RESPOSTA: Considerando as leis atuais, não posso responder a essa pergunta. Mas, depois que conseguirmos entrar no Congresso e mudarmos a legislação, terei muito prazer em responder.

Vá Além:
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