Arquivo de abril de 2007

Você têm interpretado bem o seu papel?

segunda-feira, 30 de abril de 2007

Quem é você? Fica realmente complicado tentar responder essa pergunta sem recorrer a algum koan budista ou ? sua biografia. Você é seu cérebro? Ou temos uma alma imortal? Se você é seu cérebro imagine isso: Eu pegue um de seus neurônios e o troque por um chip de computador que é capaz de emular perfeitamente tudo o que ele faz. Sem problemas, certo? E se eu trocar mais um neurônio por um chip? E depois outro e outro até ter tirado todos seus neurônios e deixado apenas chips, o que me diz? Se você possui uma alma imortal como anti-depressivos afetam a sua alma? Como um acidente ocorrido com Phineas Gage foi capaz de alterar para sempre seu comportamento?

Voltando ao quem é você. o melhor que você pode é dizer alguns adjetivos, falar sobre seu humor e aparência. Quando eu ouço isso eu não tenho motivos nenhum para acreditar em qualquer palavra do que você disse. O auto-engano é talvez a mais bem distribuída das características humanas. Onde estou querendo chegar é que somos, quer queiramos ou não, personagens.

Você vai a um filme, a uma peça, lê um conto ou um livro. E você ama alguns personagens. Queria ter eles como amigos. Ou pelo contrário, os detesta. Ou os acha fracos, idiotas. Você os julga. Eu já reclamei muito de como as coisas sempre davam errado para mim. Para que tentar ter algum tipo de controle de minha vida quando ela parece tomar todas as decisões sozinhas? Eu estava descontente com meu papel no mundo.Eu me sentia literalmente um coadjuvante.

Resolvi então me atirar ao desconhecido. E tomar no braço o protagonismo de minha vida e resolvi melhorar os “pontos fortes” de meu personagem. As mudanças foram automáticas e meu círculo de amizades aumentou sensívelmente. Tudo porque eu assumi que era um personagem. Todos são.

E você? Têm interpretado bem o seu papel?

[tags]interpretação,ARG,personagem[/tags]

A Semana #21

domingo, 29 de abril de 2007

Antes de comentar os comentários como é feito toda semana, alguma notas pessoais e informações não requisitadas:

# Admito publicamente que eu estava errado. Nada como uma chamada no UOL para me converter instantâneamente. Se ele é o filho de Deus ele pode escolher uma das melhores coisas da Terra. Estou falando de Johansson.

# Quando escrevi uma postagem postagem me proclamando o Anti-Cristo, não desconfiava que teria uma confirmação tão rápida. Talvez tenha perdido essa posição no Technorati mas guardei a imagem como uma prova de que eu fui eu tive o 666!

# Sou um viciado em RSS e sempre admiti isso, mas eu resolvi mudá-lo. Exclui qualquer feed de blog que eu posso passar muito bem estar lendo. Resultado? 11 Feeds nacionais. Uma verdadeira seleção de futebol, sem reservas. Para quem assinava simplesmente todos os feeds que encontrava é um grande salto. Na verdade eu já vinha exponencialmente diminuindo a quantidade de blogs lidos. Foi Schopenhauer que disse que ler é pensar com a cabeça dos outros e eu realmente não estava pensando em nada de muito útil e interessante. O que é pior: Nem mesmo me divertindo. Não sei se assinaria os feeds do meu próprio blog. ÿs vezes penso que sim, porém sei que pode ser apenas a auto-ilusão que todos temos. 32% das pessoas acham que fazem parte dos 2% que possuem qualidades de liderança e outros 82% acham-se parte dos 12% mais criativos. Ou como o bom-senso, a características mais bem distribuída da mundo pois todos acham-se bem providos dele. ÿ estúpido clamar por bom-senso. Todos o têm. Quem acha não ter bom-senso? Ou mesmo gosto. Todos acham que possuem um bom gosto. Como diz o ditado, gosto é que nem braço, têm pessoas que não possuem. Outras vezes acho que não. Sigo sem saber, lendo apenas minha pequena seleção de blogs.

Top 5 comentários da semana:

5. Enio Luiz Vedovello disse em “Maquiavel não era o diabo que pintavam”:

Parabéns pela oportunidade deste post. Eu considero Maquiavel, um dos escritores mais importantes da história da humanidade, extremamente injustiçado. Na minha opinião, a maioria das pessoas que o acusa de maquiavélico sequer leu ?O Príncipe?. Mas, se neste livro ele apresenta uma espetacular dissecação do exercício do poder, é em seus textos cômicos como ?A Mandrágora? e ?Belfagor, o Demônio? que ele expõe muito do íntimo do ser humano, demonstrando que talvez sejamos – todos nós – ?maquiavélicos?.

O engraçado é que as interpretações “maquiavélicas” se espalharam como fogo na palha e mesmo assim, gerações inteiras, contaminadas por idéias pré-concebidas, leram as mesmas coisas nos livros dele. ÿ um exemplo claro de como uma ideologia influencia e mata o espírito crítico.

4. João Sem Nome II , O Dormidor da Noite disse em “Se o mundo fosse acabar, o que eu faria?”:

Muito bom. O engraçado é que as coisas clássicas pra se fazer antes de morrer* perdem totalmente o sentido. Talvez o fim do mundo seja mais significativo pela morte dos outros do que da sua própria.

*coisas clássicas pra se fazer antes de morrer:
-fazer um filho
-plantar uma árvore
-escrever um livro.

As coisas clássicas para se fazer, aliás, precisam ser reescritas. Risque o “fazer um filho”. Somos 6 bilhões pelo amor de ÿris. Se realmente deseja sua dose de choro, noites mal dormidas e salários gastos em fraldas e depois brinquedos, adote uma criança. O “plantar uma árvore” deve ser posto no plural. “Plantar várias árvores”, para sermos justos. E o último item, sejamos sinceros, muitos poucos realizam. Troquem por ler pelo menos 10 bons livros.

3. Gustavo disse em “Se o mundo fosse acabar, o que eu faria?”:

óh?..pra uma pessoa que não acredita em vida pós morte, vc perde tempo pra caralho, se pensas que nada mais vai acontecer depois que voce vestir o paletó de madeira o que é que você está esperando para aproveitar a vida??? Ou talvez vc tenha outro conceito de ?aproveitar a vida? não é!? Mas te digo, sexo é muito bom cara, e sim, vc pode escolher!

Eu perco tempo com estas coisas pois é o meu passatempo. Ninguém incomoda um cara que joga pólo no seu tempo livre, mas um herege que se diverte dizendo coisas como “Jesus te ama mas não te leva para a cama” ou “Ora que piora” é atacado. Para mim “aproveitar a vida” é escrever. Por fim, não acredito em você. Sexo é uma lenda! Rá! Duvido que exista algo assim pois jamais tive qualquer prova empírica da existência do mesmo. E eu li em um livro (que trata a teoria do sexo como real) que o sexo é o que nos tornou mortais. Ou seja, aspiro ? imortalidade. Eu viverei para sempre ou morrerei tentando.

2. Carol Peters disse em “Então, o que é verdade?”:

isso me lembra o paradoxo do homem que disse ?tudo o que eu digo é mentira?.
levando para o lado armamentista..
uma vez eu comecei a assistir um documentario sobre as armas nos eua (tiros em columbine, acho que era o nome). era com o cara que fez o documentario do 11 de setembro. mas, por ÿris! era chato demais!! não sugiro que você perca tempo, portanto ;*

Eu assisti os documentários do Moore. E ele é um baita de um manipulador gorducho, mas quem não? (Digo, manipulador, não gorducho). Mas uma coisa interessante sobre armas eu uma vez assisti em Simpsons e me esqueci de colocar na postagem, então coloco aqui:

Homer queria ter uma arma, mas já tinha sido preso duas vezes e também internado em um hospício. Ele é rotulado de “potencialmente perigoso”. Homer pergunta o que isso significa, e o vendedor de armas diz: “Significa apenas que você precisa de mais uma semana até conseguir a arma”.

1.el_poland disse em “Então, o que é verdade?”:

Esse texto me lembrou uma anedota:

Disseram para um advogado:

- Seu novo cliente é o diabo.

E o advogado:

- ÿ pra defender ou acusar?

E um texto do Luiz Fernando Veríssimo, chamado ?Versões?, que diz que não importa o fato, e sim a versão que ?colou?.

Vejam o caso da minha prima, por exemplo, ela e o namorado emularam a “sagrada concepção” no sofá do meu tio. Vocês sabem, aquele papo de engravidar sem penetração vaginal que é o que usualmente definimos como virgindade. Ficam os dois nús com a mão no bolso, o sujeito fica todo animado e ejacula tão próximo da vulva da garota que espermatozóides espertinhos acabam achando o caminho e fertilizando um óvulo. Temos então uma gravidez virginal. Eu sugeri a ele que chamasse o garoto de “Jesus”.

Pense: Numa época bem mais rígida e com pessoas bem mais ignorantes (se hoje em dia meninas acham que podem estar grávidas ao beijar, imagine há 2000 anos atrás)…Onde quero chegar é que não importa o fato, e sim a versão que ?colou?. Entenderam?

Até a semana que vêm

[tags] a semana, notas do front, comentários[/tags]

Carma-Cola

sexta-feira, 27 de abril de 2007


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“My Name Is Earl” é uma de minhas séries preferidas. Por quê? Porque a sátira ao Carma é tremendamente bem-feita. E porque eles pegaram um monte de pessoas com isso. Como assim? Se você acha que a doutrina do carma é aquela apresentada em Earl, você precisa aprender o que realmente é carma.

E quando eu falo de carma falo de sua origem. Pois graças ao “Carma-Cola”, muitas religiões New Age, Espiritismo, Cultos bizarros e seriados americanos difundiram a idéia de que “fazendo coisas boas coisas boas acontecem”. Carma, no original “Kamma” ou “Karma” significa “ação” e objetivo da disciplina do carma não é fazer algo bom para receber algo bom (o que seria em benefício próprio, portando egoísta, alimentando o ego é algo negativo), nem mesmo compensar o mal feito. A doutrina do carma trata-se de ponderar seus atos a fim de que não cause uma reação que perturbe a ordem natural das coisas.

Há um trecho em “Musashi”, no Volume l, onde Mushashi encontra sem saber o irmão do homem que matara um certo tempo antes. O homem o hospeda e arma de matá-lo. Porém Mushashi é mais esperto e se esconde, depois têm a chance de matar o homem mas não o faz pois o “envolveria numa nova relação kármica com certa criança, que sairia pelo mundo procurando vingar o pai. A idéia o horrizou”. O carma originalmente trata-se apenas de ilustrar a importância de desenvolver atitudes e intenções corretas. ÿ a ponderação da ação.

O termo “Carma-Cola” eu retirei de um ótimo livrinho, “A Viagem de Théo” onde uma personagem diz:

- [...] Quando se sentem perdidos demais, os ocidentais adoram fantasiar sua alma: correm então para Índia, para lugares de retiro concebidos especialmente para eles, com êxtases coletivos e devoção desenfreada, e os indianos ganham um bom dinheiro com isso. São excelentes comerciantes. Inventaram até um nome exageradíssimo para esse gênero particular de comércio: “carma-cola”.

Espero sempre pelas sextas-feiras quando posso assistir “My Name Is Earl” e desfrutar de minha Carma-Cola estupidamente engraçada.

[tags]my name is earl, senso crítico, carma-cola,carma[/tags]

Filhos da Esperança

sexta-feira, 27 de abril de 2007



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Poderia ser definido como uma mistura de Paul Greengrass e Sci-fi. O tema do filme é explicitamente declarado quando dois mestres (mestre é um arquétipo de personagem que guia o herói, neste há dois; Uma mestre da garota e outro que é o mestre do desiludido Théo) se encontram e é basicamente a grande batalha diária que todos enfrentamos e nos debatemos: Fé x Acaso.

O personagem é um ex-ativista desiludido que possui um passado em comum com uma líder revolucionário que o pede um favor anos depois de perderem o contato. Ela acredita no pacifismo e mais tarde sua teoria será posta a prova em uma seqüência que fez com que todos os pêlos de meu corpo se arrepiassem.

Théo é um herói diferenciado. Em filmes como esse, onde há terrorismo, tiros e explosões é natural que o mocinho pegue uma arma e saia atirando por aí. Pois ele não dá nem um tiro sequer durante todo o filme. E de tão viciado que estava em heróis-que-saem-atirando, cada vez que ele passava por um atirador caido eu esperava que ele pegasse a arma. Tudo em nome da consistência do personagem.

Como disse antes, o filme pode ser definido como definido como uma mistura de Paul Greengrass e Sci-fi. Para quem não conhece, Greengrass é o ótimo diretor de “Domingo Sabgrento”, “Supremacia Bourne” e “United 93″. São verdadeiros documentários fictícios onde o câmera segue um personagem sem fazer perguntas ou colocar a narração de algum cara branco gordo. “Filhos da Esperança” é desta forma, filmado como se fosse um documentário e onde há pelo menos um ponto de virada a cada 10 ou 15 minutos sempre tirando nós espectadores da passividade.

A parte de Sci-fi, ou ficção-científica para não me meter em problemas com deputados protetores do patrimônio da língua deve-se ao enredo de fundo que acaba se tornando o motivo da trama: Inexplicavelmente as mulheres não podem ter mais filhos. Quando a pessoa mais jovem do mundo morre, um argentino conhecido como “Baby Diego” as pessoas se sentem mais próximas ainda da extinção que agora é algo palpável, não um bom palpite de spoiler como o assunto é tratado hoje. Neste cenário eles possuem a certeza de que estão caminhando para isso, enquanto nós ainda torcemos por uma medida salvadora dos roteiristas (pena que o dito roteirista – ainda não se sabe exatamente quem escreve a coisa toda – seja um humorista negro com um humor totalmente ácido e irônico).

Gostei muito do filme, a atual safra de filmes que prefere retratarem o real em vez de maquiar a realidade é um fôlego de criatividade que estava precisando. Aliás eu ainda estou para ver filme ruim do Clive Owen. Não digo que ele seja um ator excepcional, eu não posso dizer se um ator atua bem ou não pois não tenho conhecimento. Isso de criticar ator eu sempre torço o nariz pois ouvir sobre isso e enquadramentos de câmera (quando o cara nem filma pro YouTube) e falhas de roteiro (quando o cara não criaria nem esquete do Zorra) é como ouvir conselho sexuais de um virgem, portando me esquivo disto. Mas que o Clive Owen escolhe muito bem os filmes em que atua, isso ele faz.

Vá Além:
Filhos da Esperança

[tags]filhos da esperança, documentário, ficção, Clive Owen[/tags]

Top 5 livros essenciais

quarta-feira, 25 de abril de 2007

Resolvi fazer uma listinha de cinco livros essenciais para mim. E gostaria de convidar meus leitores a fazerem o mesmo nos comentários ou em seus blogs que serão devidamente linkados nesta postagem. Como toda lista é parcial e deixa muito de fora, mas como toda lista é irresistível não fazer. Ao clicar nas imagens serão direcionados ao site do submarino.

“Tábula Rasa”,Steven Pinker

Um grande livro contra as idéias tão incorporadas em nossa cultura que fazem parte do senso-comum: A tábula rasa, o bom selvagem e o fantasma na máquina. Um livro genial que sempre releio. E que demoli um a um os grandes medos do ser humano em aceitar a natureza humana: O medo da desigualdade, o medo da imperfectibilidade, o medo do determinismo e o medo do niilismo. E sem medo de mexer nos vespeiros.

“Ecce Homo”,Nietzsche

Não é o livro com as melhores idéias de Nietzsche, mas capítulos como “Por que sou tão sábio”, “Por que sou tão inteligente”, “Por que escrevo livros tão bons” e “Por que sou um destino” fazem o dia de qualquer um. Após ter escrito seus principais livros, Nietzsche destila neste todo o seu veneno e faz uma grande homenagem a si mesmo.

“Dance Dance Dance”, Haruki Murakami

Cito “Dance Dance Dance” pois foi o primeiro que eu li de Murakami, mas a verdade é que qualquer livro é impressionante. “Norwegian Wood”,por exemplo, me fez chorar e querer ser amigo do Toru. Foi difícil ter que voltar a fechá-lo após a última página. Mas como não se render a isso:

Acordo.Onde estou?Reflito.Não só reflito, como também me questiono:-Onde estou?-No entanto,seta pergunta não tem nenhum sentido,pois sei exatamente qual é a resposta.Aqui é a minha vida.O cotidiano da minha existência.Algo subordinado ? existência real denominada eu.Aqui é o lugar em que, tendo eu aprovado ou não certas ocorrências,fatos e circunstâncias,elas se tornaram parte da minha existência.

Como?

“Belas Maldições”, Terry Pratchett & Neil Gaiman

ÿ minha forma de pagar tributo aos dois. Neil Gaiman dispensa apresentações e o nome deste blog é retirado diretamente, com uma personalizada, de uma de suas histórias. E Prachett é realmente um mestre da sátira. Alguns o comparam a Dickens. Eu o acho muito melhor. E neste livro tudo é absolutamente bem pensado e me agrada em cheio: Piadas com religião, debate sobre o fim do mundo, os cavaleiros do apocalipse versão 2.0 e um anti-cristo bem diferente.

“O Mundo como Vontade e como Representação”, Schopenhauer

Schopenhauer era um ótimo escritor e sempre me senti como sua reencarnação mesmo não acreditando em alma. Não conheço outro filósofo que tenha influenciado tantas grandes obras. Entre seus influenciados se encontram: Wagner, Freud, Jung, Tolstoi, Turguêniev,Proust, Zola, Thomas Mann, Hardy, Conrad, Maupassant. Tchekhov, Maugham, Borges, Machado de Assis, Bernard Shaw, Pirandello, Samuel beckett, Rilke e T.S. Elliot. Um time de futebol completo e com reservas de peso.

Estes são os meus 5 livros essenciais e o de vocês?

Os livros essenciais do Textotrama.

[tags]livros,brincadeira,essencial[/tags]

Incentivar a leitura?

quarta-feira, 25 de abril de 2007

O que eu vou afirmar poderá soar estranho e até mesmo uma heresia, mas eu acho perda de tempo incentivar a leitura. Ler livros sempre foi para um culto, uma minoria. E não se guie por Harry Potter ou Senhor dos Anéis. Além de exceção eles não criam leitor nenhum como citam muitos pois eu vou além ao dizer que podem ser livros muito vendidos mas pouco lidos. Harry Potter é até mais simples e prazeroso de se ler do que Senhor dos Anéis mas mesmo assim não acho que eles estejam criando leitores.

Eu presenteie uma amiga minha há 4 anos atrás com o livro do Harry Potter que ela é [sic] fã e até hoje ela não leu o livro inteiro. Esses best-sellers são fenômenos isolados que não criam público a não ser para seus produtos licenciados i.e., lancheiras, DVDs,etc.

Ler sempre foi para uma minoria, para um culto. Ou vocês acham que em 1700 todos liam livros? Ouço e leio muita reclamação de que se lê pouco no país. Mas lê-se muito mais hoje em dia do que em qualquer outro momento da história. Eu li certa vez alguém reclamando que não vê pessoas lendo na rua!

Outros declaram inclusive a morte da literatura. Eu acho isso tudo papo de caras que não saem de casa e esperam que eles sejam a epítome criativa, me lembrando uma frase de um livro de Palahniuk que diz: “Toda geração quer ser a última”. Pinker notou esse fato da “declaração de óbito” das humanidades, porém não é isso que se observa, pois…

Na duas décadas passadas, aumentou o número de orquestras sinfônicas, livrarias, bibliotecas e novos filmes independentes. O público está crescendo, em alguns casos atingindo níveis sem precedentes, em concertos de música clássica, peças de teatro, apresentações de óperas e museus de arte, como vemos em exposições de massa com filas imensas e escassez de ingressos. O número de livros publicados (incluindo os de arte, poesia e drama) foi para a estratosfera, e o mesmo ocorreu com as vendas de livros. E as pessoas não se tornaram consumidoras passivas de arte. O ano de 1997 bateu recordes na proporção de adultos que se dedicaram a desenho, fotografia de arte, aquisição de objetos de arte e redação criativa.

Nunca se leu tanto como antes, incluindo o Brasil. E sabemos que a internet nos últimos 10 anos apenas fez estes números aumentarem. Uma sociedade se faz de homens e livros. Mas sempre soubemos que poucos homens vão até os livros e menos ainda se esforçam em melhorar a sociedade. Acredito que a visão pessimista com a leitura e a literatura seja apenas um sintoma da síndrome que toda geração possui que é de achar pior que as anteriores, um complexo de inferioridade coletivo onde ontem é sempre melhor que hoje.

No meu tempo as coisas eram diferentes…

[tags] leitura, a morte da literatura, culto,alarmismo[/tags]

Se o mundo fosse acabar, o que eu faria?

quarta-feira, 25 de abril de 2007

Há pouco tempo respondi uma corrente cujo objetivo era saber as respostas das pessoas a respeito do que elas fariam se a publicidade nos blogs acabasse. ÿ uma pergunta válida (se não fosse, não haveria motivo de tê-la respondido), porém acho que há uma outra pergunta com muitas ramificações e mais profunda que essa: O que você faria se o mundo fosse acabar? Pode ser interpretada de muitas formas: O fim do mundo como conhecemos, o fim da raça humana ou o fim do planeta mesmo. ÿ um assunto bem na moda esse. Não sei qual a grande preocupação. Talvez se os caras que reclamam do aquecimento global parassem de andar de carro começariam a fazer a parte deles, mas não falarei disso. Me atenho ao psicológico da coisa.

Eis minha resposta:

Talvez eu lesse na internet antes de ver na televisão. E provavelmente seria no Digg. Na verdade eu iria ler a chamada e achar que era piada. Ia sair no Boing Boing e eu ia continuar achando muito divertido tanta histeria por nada. Na verdade não sei quantos dias eu perderia com esse meu ceticismo. A ficha somente iria cair quando eu começasse a ver saques e outras coisas como suícidios em massa e muito mais.

E eu encheria o saco das pessoas com discussões sobre o pós-vida. O conceito de vida após a morte é uma verdadeira piada. Se algo como tal existisse, qual a função da morte? Alimentar o mercado de funerárias? E diria a todos eles que aquelas orações para Jesus não iriam ter adiantado nada, pois não haveria céu. E mesmo se houvesse algo nos termos deles, eles iriam para o inferno e eu iria para o céu.

Como?

Eu sou o cara mais certo que eu conheço. Falo sério. Não bebo, não fumo, nunca beijei ou me envolvi em atividades sexuais (há coisas que não se escolhe), faço voluntariado, realizo doação de sangue, não falo palavrão e não sou violento. Ou seja, eu poderia ser canonizado. E meus pensamentos se enchem tanto de idéias mirabolantes, ficções, conceitos, brigas entre Nietzsche e Kant que eu raramente penso em algo “sujo”. E para o cristão, o pensamento é o ato consumado. Resumindo: Os “seguidores” da fé com seus pecados, pensamentos sujos, traições, desvios de dinheiro somente teriam orações desculpas esfarrapadas. E pensando hipoteticamente, afinal deus não existe de fato, se ele é o deus do amor ele nem mesmo iria ligar para o fato de eu ser um herege e blasfemo. Afinal qual é a falta mais grave? Ir contra ele?

Eu teria envergadura moral para ir para o céu coisa que muito cristão somente pode dizer da boca para fora.

Mas é claro que eu somente exploraria essa alternativa como uma diversão pela espera do pior. Eu iria tentar fazer algo de bom de pequena lista de pessoas que carrego no meu bolso como uma lista de carmas do Earl e iria riscar cada uma delas assim que tirasse um sorriso de seu rosto. E iria conhecer o mar. Eu nunca vi o mar. Talvez esperasse o fim por lá.

[tags]nonsense,fim do mundo, isso não é um meme[/tags]

Pangloss

terça-feira, 24 de abril de 2007

Tenho outra confissão a fazer: Eu sempre quis ser um escritor. Não do tipo Joyce ou Kafka. Mas um do tipo Borges ou Vila-Matas. O que sempre me manteve longe de sê-lo foi a minha má vontade com meus textos. Nada do que escrevi me satisfez o suficiente para me levar a sério enquanto escritor de ficção. Mesmo não sendo um grande especialista estou escrevendo um livro de não-ficção que em breve disponibilizarei a todos meus leitores. Se ele sair 50% do que eu queria que saísse já estaria ótimo. E escrever um livro de não-ficção não aplaca minha fome de escrever ficção. Continuo sem fazer pois não estou preparado ainda, quem sabe eu seja um escritor do tipo Saramago e comece a escrever aos 50 anos? Nunca se sabe.

Vou compartilhar com vocês os meus plots. Quem sabe algum escritor se anime a roubá-lo e finalmente se tornem em histórias? Seria um destino mais glorioso do que serem apenas um rascunho de um péssimo escritor. A que compartilho hoje teria o título “Pangloss”, em uma clara alusão ao personagem de Voltaire da peça “Cândido” com seu bordão “Tudo está ótimo no melhor dos mundos possíveis” e que era uma sátira ao obscuro e injustiçado Leibniz que foi rival de Newton.

Minha intenção é/seria criar uma história narrada por um otimista do tipo Pangloss que acha que tudo está ótimo no melhor dos mundos possíveis e que tenta provar isso a todo momento. A intenção da obra não seria nem refutar o otimismo nem dar motivos para abraçá-lo. o objetivo primário seria confundir mesmo, em um clássico mindfuck. O objetivo secundário seria levar o leitor a fazer uma síntese das duas visões de mundo.

Me fascina o tipo otimista. Eu os admiro na verdade. O que é o otimista senão um guerreiro em sua luta diária contra a realidade. Tal admiração, tenho que frisar, é bem recente. Antes admito, não os suportava. Bastava ver um sorriso no lábio de alguém que me punha a pensar em uma forma de tirá-lo de lá o mais rápido possível. Declarava em alto e bom som que o otimista ou era idiota ou mal informado e que se houvesse um criador este seria alguma espécie de humorista, a quem a platéia tem medo de rir.

Hoje admiro os otimistas como quem admira um japonês mas sabe que não é um e nem pode ser. Não acho que seria uma história muito longa e deveria acabar com a seguinte frase: “Devemos cuidar de nosso jardim”, que é uma frase dita por Cândido a Pangloss na peça encerrando-a.

Iria colocá-lo em uma guerra ou algo do tipo. Talvez uma viagem ao redor do globo. Como sempre, fica para amanhã.

Vá Além:

[tags]ficção, idéia, plot, Cândido,Voltaire[/tags]

Igreja Católica não sabe argumentar

terça-feira, 24 de abril de 2007

Acredito que vou chover no molhado ao afirmar que a Igreja Católica não sabe argumentar, mas não custa nada fazê-lo. Digo isso graças ao pronunciamento do arcebispo Angelo Amato, secretário da Congregação para a Doutrina da Fé que disse que o casamento homossexual é um mal e que o aborto é terrorismo.

Usou pelo menos três artifícios que escondem a falta de argumento para estar com a “razão”:

1. Sua posição sempre destacada nos textos que li é que o tal Angelo é a segunda maior autoridade em relação ? doutrina. Ou seja, está invocando o posto de autoridade que, todos sabemos, causa muito efeito ainda mais entre os mais iletrados ou entre aqueles que são incapzes de ler sem mover os lábios. Qualquer coisa cuspida pelo Papa é algo a ser seguido. E não apenas ao papa mas a inúmeros outros “doutores” que não devem nem ter feito mestrado. O pior é que, pelo menos em minha cidade, advogados que não são doutores se apresentam como tais. Recorrer ? autoridade é realmente muito vantajoso, não vou negar.

2. O casamento homossexual é um mal ponto. Ou seja, A é C. Como de A chega-se a C não foi explicado, na verdade ele se esquivou de tal criticando os jornais e as televisões. Atacou o azul e criticou o amarelo. Mudar de assunto é uma boa tática para despistar o fato de que ele não mostrou um argumento, não abriu-se a um diálogo. A é C ponto.

3. O argumento do estilo “Você é um nazista” é um dos meus prediletos. Pegue o que você mais odeia e simplesmente, sem cerimônias, o compare a algo que a opinião pública, e até mesmo o alvo, concordem que se trata de algo nocivo, ruim e perigoso. Nazista é o clássico, mas o tal Angelo mostrou-se um safadinho ao usar “O Mal” da moda.

Acreditar nesses argumentos é ser idiota. Isso mesmo, A é C e como se chega a C está devidamente escrito nas entrelinhas.

[tags]julgando godot, aborto, homossexual,unão civil, idiotas[/tags]

Então, o que é verdade?

segunda-feira, 23 de abril de 2007

Dizem que foi essa a pergunta que Pilatus fez a Jesus antes deste ir ser crucificado. Não houve resposta. André Dahmer certa vez fez com que uma de suas “flores do mal” dissesse que, “a verdade é um acordo entre mentirosos”. Não estou totalmente certo disso, mas lendo sobre a repercusão da tragédia na universidade da Vírginia, me peguei pensando que talvez a verdade seja apenas um acordo entre os que pensam igual. Veja:

Quem defende o controle de armas está dizendo que ficou provado que o fácil acesso ? s armas causou o massacre. Quem defende o porte de armas está dizendo que se não fosse proibida a entrada de armas na universidade, as vítimas teriam podido se defender.

O que leva diretamente aquela idéia de que não se pode ensinar a homem algum aquilo que ele já acredita saber. Pessoalmente eu não saberia exatamente qual dos dois lados está certo, se bem que eu poderia assoprar um ótimo argumento para os defensores do controle de arma: Se não houvesse acesso a armas eles nem ao menos precisariam se defender já que o assassino não teria arma alguma para fazer o que fez.

Não conheço os Estados Unidos então não posso dizer se lá é tão fácil de se conseguir armas de forma ilegal tanto quanto parece ser por aqui. Na verdade, meu intuito não era nem tocar no assunto da questão das armas e sim em como sempre alguém encontra um argumento que justifique suas idéias a respeito de algo.

E aquela resposta feita há mais de 2.000 anos atrás continua sem resposta.

[tags]armas, Virgínia, verdade[/tags]