por Ibrahim Cesar em 25 abril, 2007
Há pouco tempo respondi uma corrente cujo objetivo era saber as respostas das pessoas a respeito do que elas fariam se a publicidade nos blogs acabasse. ÿ uma pergunta válida (se não fosse, não haveria motivo de tê-la respondido), porém acho que há uma outra pergunta com muitas ramificações e mais profunda que essa: O que você faria se o mundo fosse acabar? Pode ser interpretada de muitas formas: O fim do mundo como conhecemos, o fim da raça humana ou o fim do planeta mesmo. ÿ um assunto bem na moda esse. Não sei qual a grande preocupação. Talvez se os caras que reclamam do aquecimento global parassem de andar de carro começariam a fazer a parte deles, mas não falarei disso. Me atenho ao psicológico da coisa.
Eis minha resposta:
Talvez eu lesse na internet antes de ver na televisão. E provavelmente seria no Digg. Na verdade eu iria ler a chamada e achar que era piada. Ia sair no Boing Boing e eu ia continuar achando muito divertido tanta histeria por nada. Na verdade não sei quantos dias eu perderia com esse meu ceticismo. A ficha somente iria cair quando eu começasse a ver saques e outras coisas como suícidios em massa e muito mais.
E eu encheria o saco das pessoas com discussões sobre o pós-vida. O conceito de vida após a morte é uma verdadeira piada. Se algo como tal existisse, qual a função da morte? Alimentar o mercado de funerárias? E diria a todos eles que aquelas orações para Jesus não iriam ter adiantado nada, pois não haveria céu. E mesmo se houvesse algo nos termos deles, eles iriam para o inferno e eu iria para o céu.
Como?
Eu sou o cara mais certo que eu conheço. Falo sério. Não bebo, não fumo, nunca beijei ou me envolvi em atividades sexuais (há coisas que não se escolhe), faço voluntariado, realizo doação de sangue, não falo palavrão e não sou violento. Ou seja, eu poderia ser canonizado. E meus pensamentos se enchem tanto de idéias mirabolantes, ficções, conceitos, brigas entre Nietzsche e Kant que eu raramente penso em algo “sujo”. E para o cristão, o pensamento é o ato consumado. Resumindo: Os “seguidores” da fé com seus pecados, pensamentos sujos, traições, desvios de dinheiro somente teriam orações desculpas esfarrapadas. E pensando hipoteticamente, afinal deus não existe de fato, se ele é o deus do amor ele nem mesmo iria ligar para o fato de eu ser um herege e blasfemo. Afinal qual é a falta mais grave? Ir contra ele?
Eu teria envergadura moral para ir para o céu coisa que muito cristão somente pode dizer da boca para fora.
Mas é claro que eu somente exploraria essa alternativa como uma diversão pela espera do pior. Eu iria tentar fazer algo de bom de pequena lista de pessoas que carrego no meu bolso como uma lista de carmas do Earl e iria riscar cada uma delas assim que tirasse um sorriso de seu rosto. E iria conhecer o mar. Eu nunca vi o mar. Talvez esperasse o fim por lá.
[tags]nonsense,fim do mundo, isso não é um meme[/tags]
por Ibrahim Cesar em 24 abril, 2007
Tenho outra confissão a fazer: Eu sempre quis ser um escritor. Não do tipo Joyce ou Kafka. Mas um do tipo Borges ou Vila-Matas. O que sempre me manteve longe de sê-lo foi a minha má vontade com meus textos. Nada do que escrevi me satisfez o suficiente para me levar a sério enquanto escritor de ficção. Mesmo não sendo um grande especialista estou escrevendo um livro de não-ficção que em breve disponibilizarei a todos meus leitores. Se ele sair 50% do que eu queria que saísse já estaria ótimo. E escrever um livro de não-ficção não aplaca minha fome de escrever ficção. Continuo sem fazer pois não estou preparado ainda, quem sabe eu seja um escritor do tipo Saramago e comece a escrever aos 50 anos? Nunca se sabe.
Vou compartilhar com vocês os meus plots. Quem sabe algum escritor se anime a roubá-lo e finalmente se tornem em histórias? Seria um destino mais glorioso do que serem apenas um rascunho de um péssimo escritor. A que compartilho hoje teria o título “Pangloss”, em uma clara alusão ao personagem de Voltaire da peça “Cândido” com seu bordão “Tudo está ótimo no melhor dos mundos possíveis” e que era uma sátira ao obscuro e injustiçado Leibniz que foi rival de Newton.
Minha intenção é/seria criar uma história narrada por um otimista do tipo Pangloss que acha que tudo está ótimo no melhor dos mundos possíveis e que tenta provar isso a todo momento. A intenção da obra não seria nem refutar o otimismo nem dar motivos para abraçá-lo. o objetivo primário seria confundir mesmo, em um clássico mindfuck. O objetivo secundário seria levar o leitor a fazer uma síntese das duas visões de mundo.
Me fascina o tipo otimista. Eu os admiro na verdade. O que é o otimista senão um guerreiro em sua luta diária contra a realidade. Tal admiração, tenho que frisar, é bem recente. Antes admito, não os suportava. Bastava ver um sorriso no lábio de alguém que me punha a pensar em uma forma de tirá-lo de lá o mais rápido possível. Declarava em alto e bom som que o otimista ou era idiota ou mal informado e que se houvesse um criador este seria alguma espécie de humorista, a quem a platéia tem medo de rir.
Hoje admiro os otimistas como quem admira um japonês mas sabe que não é um e nem pode ser. Não acho que seria uma história muito longa e deveria acabar com a seguinte frase: “Devemos cuidar de nosso jardim”, que é uma frase dita por Cândido a Pangloss na peça encerrando-a.
Iria colocá-lo em uma guerra ou algo do tipo. Talvez uma viagem ao redor do globo. Como sempre, fica para amanhã.
Vá Além:

[tags]ficção, idéia, plot, Cândido,Voltaire[/tags]
por Ibrahim Cesar em 24 abril, 2007
Acredito que vou chover no molhado ao afirmar que a Igreja Católica não sabe argumentar, mas não custa nada fazê-lo. Digo isso graças ao pronunciamento do arcebispo Angelo Amato, secretário da Congregação para a Doutrina da Fé que disse que o casamento homossexual é um mal e que o aborto é terrorismo.
Usou pelo menos três artifícios que escondem a falta de argumento para estar com a “razão”:
1. Sua posição sempre destacada nos textos que li é que o tal Angelo é a segunda maior autoridade em relação ? doutrina. Ou seja, está invocando o posto de autoridade que, todos sabemos, causa muito efeito ainda mais entre os mais iletrados ou entre aqueles que são incapzes de ler sem mover os lábios. Qualquer coisa cuspida pelo Papa é algo a ser seguido. E não apenas ao papa mas a inúmeros outros “doutores” que não devem nem ter feito mestrado. O pior é que, pelo menos em minha cidade, advogados que não são doutores se apresentam como tais. Recorrer ? autoridade é realmente muito vantajoso, não vou negar.
2. O casamento homossexual é um mal ponto. Ou seja, A é C. Como de A chega-se a C não foi explicado, na verdade ele se esquivou de tal criticando os jornais e as televisões. Atacou o azul e criticou o amarelo. Mudar de assunto é uma boa tática para despistar o fato de que ele não mostrou um argumento, não abriu-se a um diálogo. A é C ponto.
3. O argumento do estilo “Você é um nazista” é um dos meus prediletos. Pegue o que você mais odeia e simplesmente, sem cerimônias, o compare a algo que a opinião pública, e até mesmo o alvo, concordem que se trata de algo nocivo, ruim e perigoso. Nazista é o clássico, mas o tal Angelo mostrou-se um safadinho ao usar “O Mal” da moda.
Acreditar nesses argumentos é ser idiota. Isso mesmo, A é C e como se chega a C está devidamente escrito nas entrelinhas.
[tags]julgando godot, aborto, homossexual,unão civil, idiotas[/tags]