★ Quem não gosta de Simpsons boa pessoa não é

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maio 2007

Sobre greves

por Ibrahim Cesar em 26 maio, 2007

Quando entrei com 17 anos na faculdade de filosofia eu saí de casa e entrei em mundo novo e assustador. Para quem não dava uma volta no quarteirão sem estar acompanhado de família ou amigos foi uma mudança brutal. Gostamos de pensar que temos o controle da situação, que somos independentes e que sabemos perfeitamente nos virar. Essa é a diferença entre teoria e prática.

Isso foi no começo de 2004 (três meses depois eu faria 18 anos) e logo houve uma greve. Para alguém como eu, que estava chegando, um acontecimento como a greve não tinha propósito. Não respirávamos a atmosfera que os fez se rebelarem, não sentíamos os problemas que com tanta urgência queriam consertar.

Eu, de certo modo, sou contra greves. Primeiro, o ?Sistema? (não gosto muito de usar a palavra sistema para me referir ao andar da carruagem. Eu defendo a mesma opinião de Morrison quanto ao conceito, mas há moldes pré-concebidos demais e não se pode usá-la esperando que vão fazer exatamente a sua leitura) somos nós. Logo, se o Sistema é o inimigo, o inimigo somos nós. Todos somos parte disso. Uma greve é como a rebelião de células do pâncreas ou do pulmão. O organismo não se dá conta de que há algo errado até existir dor.

Uma greve não é um band-aid, não é uma vacina. Uma greve é o equivalente a um enfarte ou derrame para o grande organismo da sociedade. É um sinal claro e inequívoco de que algo está terrivelmente errado e que precisa de uma atenção imediata.

Os governantes ignoram a dor, principalmente nos estágios iniciais, até que cansados de reclamar, parte para o radicalismo: Greve. Corrigindo-me: Os governantes não ignoram a dor completamente. Eles a sentem, apenas tentam resolver outros setores naquele momento antes de agir. Por mais que todo mundo exija do governo a solução imediata de qualquer problema ao custo de críticas para cada falha, temos que ser realistas e admitir que não é possível fazer tudo.

O Gnomo do BLOGOdorium, quis saber a minha opinião sobre greves. É a que eu expus aqui. Não posso ser a favor de greves, não acho que alguém possa conscientemente ser a favor de greves. É como alguém ser pró-violência ou pró-greve?Bem, eu sempre me esqueço de que estes existem aos montes, mas consigo entender claramente a função da greve, mas como parte de um organismo que todos fazem parte, acabam prejudicando-se e muito.

Somente nos resta torcer para que resolvam o impasse o mais breve possível.

[tags]greve,sistema,revolução[/tags]

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Terroristas do Milênio de J. G. Ballard

por Ibrahim Cesar em 26 maio, 2007

Lendo e adorando. Um tipo de história muito bem escrita e que realmente me motiva a virar página atrás de página. É quase um Palahniuk melhorado e com muito conteúdo. Enquanto Palahniuk usa-se de ?coros? (slogans que se repetem durante todo o livro), e uma prosa descritiva e simplificada ao máximo, J.G. Ballard demonstra ter preocupação com a forma e possui uma prosa bem mais elaborada.

Retirei ontem da biblioteca e estou na página 203, com planos de acabar suas 326 páginas ainda hoje. O que o aproxima de Palahniuk é a temática da revolução e da forma de tentar mudar as coisas. O que o distancia de Palahniuk é que o primeiro pode ser um bom contador de histórias, mas Ballard é um bom contador de histórias e um tremendo escritor e usa seu talento para falar de um revolução feita pela classe média.

Não há como não enxergar paralelos com o discordianismo nas ações praticadas por estes terroristas do milênio (eles literalmente combatem o século XX) ou estas pessoas do milênio (do título original). Destaco algumas das partes mais importantes:

??a idéia de deus como um enorme vácuo imaginário, o maior nada que o ser humano pode inventar. Não algo vasto, lá no alto, mas uma imensa ausência. Você disse que apenas um psicopata pode contemplar a ausência de milhões de casas decimais de zeros. O restante de nós trememos com o vácuo e precisamos enchê-lo com qualquer lastro disponível - truques do espaço tempo, velhos sábios barbudos, universos morais??

Sobre o século 20:
?Ainda anda por aí. Define tudo o que fazemos e nosso modo de pensar. Mas duvido que haja algo de bom a se dizer a respeito dele. Guerras genocidas,metade do mundo na miséria, outra metade andando como sonâmbulos, com morte cerebral. Compramos esses sonhos podres e agora não podemos acordar.?

Sobre o turismo:
“O turismo é o maior soporífero. Trata-se de um tremendo conto-do-vigário, dando às pessoas a idéia de que há algo de interessante em sua vida. É a dança das cadeiras ao contrário. Quando a música pára as pessoas levantam e dançam em volta do mundo, e mais cadeiras são acrescentadas ao círculo, mais marinas e mais hotéis Marriott, por isso todos pensam que estão ganhando. [...]Os turistas de hoje não vão a lugar nenhum. Todos os upgrades da vida levam aos mesmos aeroportos e resorts, à mesma cascata de piña colada. O turista sorri bronzeado, mostra os dentes brancos e pensa que é feliz [...] a ilusão de ir a outro lugar ajuda o sujeito a reinventar a vida dele. [...] Não há para onde ir. O planeta está lotado. Melhor ficar em casa e gastar dinheiro em cobertura de chocolate.?

Embora Ballard pinte um futuro carregado de cores sombrias, compondo uma bela tela distópica (o inverso de um utopia) ele não se acha pessimista, pois ?não é pessimista o sujeito que diz curva perigosa à esquerda?, e esta é a função de sua ficção que não é rotulada por ele como ficção científica. Além de escrever à mão ele acha que a ficção científica foi ultrapassada pois o futuro já chegou e foi pior do que imaginaram. Deixe-me voltar ao livro e à cobertura de chocolate.

Vá Além:
Terroristas do Milênio, J. G. Ballard

[tags]Terroristas do Milênio, J.G. Ballard, livros[/tags]

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Mais sobre experimentos sociais

por Ibrahim Cesar em 22 maio, 2007

Rafael Cardoso Júnior foi uma sátira que eu criei com o Douglas Gravateiro e que eu aproveitei a fim de fazer de um experimento social. Comunico a todos que eu não mais estou envolvido criativamente com o personagem. Para mim ele sempre foi uma piada e acabei me cansando de contá-la. ÿ hora de criar coisas novas.

O blog do personagem continuará sendo atualizado pois Douglas dará continuidade ao mesmo. Eu realmente fiz o personagem com engajamento discordiano e não acho que deva pedir desculpas a ninguém. Sei do que muitos me condenaram e condenam até hoje,citam que critiquei algo sem ter embasamento, o que é verdade, mas eles se esquecem que por mais falta de embasamento que fosse, o “argumento” era a opinião de muitos blogueiros que comentaram, ou seja, representava quer queiram ou não, a opinião de uma fatia do público-alvo deles. Eles deviam me agradecer, afinal, esse é o melhor forma de ver uma reação a um produto.

E comunico também que ontem me foi revelado que eu mesmo participava de um experimento social aos moldes do meu. E eu fiquei realmente agradecido. Tudo começou com Marquinhos, que mesmo tendo opiniões contrárias a quase todas as minhas postava comentários onde expressava sua opinião. Eu, é claro, sempre retrucava. Diálogos desta forma são divertidos e te obrigam a pensar em uma saída. ÿ o meu jogo predileto.

Mas parecia que quem quer que fosse que estivesse por de trás do Marquinhos não estava satisfeito. Queria ver até onde um dos mantras deste blog era seguido: “Respeite as pessoas, não idéias”. Então, ele criou Tatiana. Uma garota de 12 anos que me chamou para um debate sobre a existência de deus. Confesso que ela me irritou um pouco por ter me chamado para o debate e depois declarado ignorância, então eu fazendo referência ao Homem-Aranha 3, eu lhe disse: “Quer perdão? Procure uma religião” (o Peter diz isso ao Eddie).

Depois eu pedi desculpas por isso e ela me mandou alguns e-mails. Na época eu não fazia a mínima idéia de que estava em um experimento social que testaria meus ideais. Mas essa é a graça da coisa, esse é o motivo pelo qual eles são interessantes e válidos. Até falei com ela do meu exame de endoscopia.

Desconfie quando tanto a personagem Marquinhos como a personagem Tatiana disseram se não estavam atrapalhando. O vocabulário era bem similar em alguns pontos e a Tatiana demonstrava um interesse e sintaxe diferenciado das meninas de 12 anos que eu conheço, mas acabei passando por isso, até o Tiago Madeira ver dois monstros nos comentários idênticos dos dois em pouco espaço de tempo. Foi o Tiago também o primeiro a fazer a conexão entre os dois. Eu achava algo de diferente na Tatiana mas não havia feito a ligação ainda. Os monstros dos comentários são construídos com base no seu IP, e ou eles diviam a mesma máquina ou eram a mesma pessoa. vendo em retrospecto os e-mails recebidos confirmou-se a teoria de Tiago: Marquinhos e Tatiana eram o mesmo.

Mas eu ainda não sabia dos motivos.Minha hipótese era de alguém que ficou realmente chateado com o Rafael Cardoso Júnior e que queria me punir. Resolvi não fazer nada até que soubesse as intenções do operador por detrás das personagens. Até que eu pensei: “Não posso esperar pelas próximas jogadas sem fazer nenhum movimento…” foi com isso em mente que para responder um comentário da Tatiana, eu respondi desta forma: “Marqui?Digo, Tatiana…”.

Depois disso, recebi um e-mail onde ele expressa seu objetivo assim como o resultado do teste. Abaixo o que ele escreveu:

Aquela frase no rodapé do blog, sim aquela frase. “Respeite pessoas e não idéias…”.Ela não saia da minha cabeça, até quando seria isso verdade e onde entraria a hipocrisia que sempre se esconde no íntimo de cada um de nós seres humanos.

Nada melhor do que a ajuda de uma prima, nada melhor que criar uma personagem ingênua, doce e um pouco irritante. Como você iria se comportar??? Essa era grande dúvida e a frase no fim do blog me levava a ela. “Respeite as pessoas, respeite as pessoas, seja bom com as pessoas.”

Mas e você? seria bom e atencioso com uma menina de 12 anos? Essa era a grande sacada, esse era o grande teste. Será que jogaríamos por terra sua tese de ser bom com as pessoas.O resultado é que você não foi hipócrita, foi bom com a personagem… Então é hora de sair de cena, não expulso de uma forma arbitrária mas moral.

O golpe foi no 12o. round. Certeiro, mordaz, inteligente como era de se esperar.A frase continua lá… não foi desmentida e nem jogada por terra.

Bem, eu respeito sua decisão de sair de cena, mas não me importo de que tanto Tatiana, como Marquinho ou qualquer outra personagem continuem se manifestando. Somos personagens. Eu apenas parei com o meu pois a piada perdeu a graça, pelo menos para mim. O Douglas o manterá. Agora que passei por um experiemnto social não me sinto mal. Me sinto ótimo na verdade.Ah, talvez seja por que o meu resulatdo foi positivo, afinal eu passei no teste de hipocrisia.

Agora, aqueles a que eu submeti a teste…

[tags]experimento social,ARG,Rafael Cardoso Junior[/tags]

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