O trecho abaixo foi retirado de um fórum na internet e se referem às respostas de Luiz Fabris a um artigo de Luiz Felipe Ponte, que leciona na pós-graduação em ciências da religião e no departamento de teologia da Pontifícia Universidade Católica-SP e na Fundação Armando Álvares Penteado em artigo que ele escreveu na Folha.
Para ver a página do fórum clique aqui, pois me limitarei a expor a resposta de Luiz Fabris que em si contém algumas linhas da argumentação que ele ataca e expõe muito bem aquilo que Julgando Godot se trata.
O debate se dá hoje, como antes, ao redor da questão: como o acaso pode organizar o pó atômico e ?fazer? o olho ver? Como demonstrar empiricamente esse processo ancestral?
O Sr Luiz Felipe inicia seu texto questionando a origem do Cosmo, da Vida e do olho em uma confusa questão que pretende remeter ao criacionismo… Bem, ao contrário do que alega o autor, sabemos sim muito mais hoje do que sabia Aristóteles. A Cosmologia e a Física têm uma idéia bastante precisa do funcionamento do “pó atômico”, de partículas de tamanho infinitesimal, seu comportamento e sua origem. Conhecemos e medimos, com precisão, as forças que atuam no Microcosmo e no Macrocosmo. Quanto ao olho, já está mais do que explicada sua origem. Qualquer livro sério de ensino médio traz, passo a passo, como “fazer um olho ver”…
A controvérsia que opõe o darwinismo ao criacionismo … ou teoria do ?design inteligente?, herdeira direta da união entre o ?primeiro motor? aristotélico e o Deus de Abraão ? não é apenas uma querela sobre como a poeira cósmica começou a pensar, mas uma discussão acerca do sentido profundo da vida.
Essa controvérsia nem sequer existe. O design inteligente não é uma ciência – no sentido restrito da palavra, não é uma teoria, não tem postulados sérios, nem prevê qualquer movimento dentro de seus “princípios” – pois não os tem. É apenas um movimento religioso sem base científica. Por outro lado, a ciência não trata sobre o “sentido profundo da vida”, não é seu dever. Isso é tema de outras áreas. Quem quiser buscar um sentido para a vida deve se dedicar à Filosofia ou as Artes: jazz, blues, pinturas, poesia, música clássica, dança, etc…

Atacar Deus ?a sério? é enfrentar a herança aristotélica. E ?derreter? o designer imaterial, ?mostrando? como a mistura de pó, acaso e repetição inercial, ao longo de uma infinidade de tempo, foi capaz de atingir o ato de pensar.
Exatamente. Isso foi feito! Uma simples leitura de “A Origem das Espécies” de Darwin explicará de forma notável, a quem estiver disposto a saber, o “como” das coisas. Nem será necessário ler Gould, nem Wilson, nem Dawkins. A não ser que se queira aprofundar um pouco…
… E mais: a única ?prova definitiva? da teoria da adaptação é seu produto, ou seja, os adaptados, que são, por sua vez, definidos como tal pela teoria que depende deles para se sustentar racionalmente.
Que balela!!! É a velha e estúpida afirmação da “prova definitiva”. Há inúmeras provas em inúmeros campos: No laboratório – cepas de bactérias selecionadas das mais diversas formas (por diferencias tróficos, de temperatura, de pH, por raios UV etc, etc, etc…) Nos cladogramas de classificação genética, nas “moléculas fósseis” de RNA… Na contrução dos Organismos Geneticamente Modificados (transgênicos…) Na análise dos fósseis transacionais (que os criacionistas continuam a dizer que não existem – mas não visitam museus…)
Prova definitiva na ciência é algo estranho de definir. Mas como os criacionistas dizem ser “científicos”, poderiam quem sabe apresentarem eles uma prova definitiva de suas alegações, não acha????
Provar que Deus não existe é impossível.
Vamos nós de novo…
Provar que Coelho da Páscoa não existe é impossível…
Provar que Papai Noel não existe é impossível…
Provar que o Abominável Homem das Neves não existe é impossível…
Provar que Mula sem Cabeça não existe é impossível…
Provar que Chupa Cabras não existe é impossível…
Provar que Zeus não existe é impossível…
Provar que Fió do Fufu não existe é impossível…
A teologia ?científica? pode chegar
…
“teologia científica”??? O cara deve estar brincando… Isso sim NÃO EXISTE!!!!
O impacto continuará sendo … no cotidiano existencial das pessoas que procuram, em meio ao ruído das ?novidades científicas?, alguma luz para sua temida banalidade cósmica.
Sinto dizer que continuarão procurando… nós somos banalidades cósmicas.
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