Arquivo de dezembro de 2007

All we need is LOVE

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

A ansiedade que vinha sofrendo após receber a notícia de que a veria em primeira-mão se transformou em excitação ao abrir meu e-mail há 5 dias.

Instantaneamente, meus dedos começaram a se contrair e relaxar freneticamente – um tique que tenho quando anseio algo mortalmente – e minhas narinas de dilataram, prontas para sentir o cheiro que sabia que não haveria, mesmo que esse fato não fizesse sentido ao meu olfato. A tecnologia ainda não permite ao computador, assim como ao telefone, exalar quaisquer coisas, muito menos o que eu procurava: Papel.

Faz parte do meu ritual de leitura. Desde pequena, sempre que um livro vem em minha direção, minhas glândulas olfativas despertam. Trago-o para junto do nariz e inalo o aroma, algumas vezes mofado, outras perfume. O mais inebriante, porém, é o de livro novo, que sou capaz de sentir a distância.

Por mais estranho que pareça, minha mente simulou por tempo muito curto esse cheiro no momento em que abri o pdf do rascunho da novela do Polipadre desta cabala, mãos tremendo e uma risada beem estranha que não consigo descrever.

EQM – Verdadeiras histórias de amor nunca terminam lida com temas que, apesar de tachados clichê (como qualquer tema que faça parte da vivência comum da sociedade), costumam ser mal explorados por literatura que não seja de divulgação científica: Amor e morte. Foi excelente a forma como a informação, ou aquilo que se chamaria “introdução teórica” num relatório, foi liberada ao leitor entre diálogos humanos, de forma sutil (que nem faz aquele troço que tem no banheiro do Pedrinho), agravando as características nerds que certos personagens possuem.

No entanto, o que mais me impressionou foi um capítulo que não trata do protagonista. Um capítulo que confesso ter pensado ser mal desenvolvido, por precariedade de informação e conhecimento pessoal do assunto. Dou a mão à palmatória agora.

Uma vez li um romance adolescente chamado “Poderosa”. A personagem não tinha nada de poderosa. O nome dela e das coadjuvantes poderiam estar no gerador de pobreza do Morróida. O enredo era bem pobrinho e ainda por cima, escrito por um homem que tentou descrever uma menina ansiosa pela primeira menstruação e sua respectiva menarca.

Que menina fica triste por ainda não ter tido a primeira menstruação? Depois que vêem uma amiga sofrendo, o que mais esperam é que demore bastante pra que possam ir à praia sossegadas e, quem sabe, crescer mais em altura, bunda e peito. Você não descobre que menstruou acidentalmente, quando vai fazer xixi! É diferente. Dói muito enquanto seu endométrio é cruelmente arrancado de você.

Quando vi o capítulo Sarah, de EQM, respirei fundo, pensando no que levara o Ibrahim a escrever algo tão trivial à história. A narrativa contrariou minhas baixíssimas expectativas e devo dizer que foi a melhor que eu já li, lembrando-me de mim, também no meio da aula de Matemática. Rendeu bons minutos de nostalgia.

Tudo que precisamos é AMOR. Título dessa postagem; trecho que descobri assistindo Girls Next Door ser duma música do Beatles; estampa de uma camiseta que eu comprei e ainda não usei; foco de EQM – Verdadeiras histórias de amor nunca terminam e, para os que acreditam, a salvação do mundo

Essa é a sua vida. Cada hora a mais é na verdade uma hora a menos. Horas essas que foram extremamente bem gastas por mim durante a leitura e espero que, em breve, por você também :)

Ditunicos do mundo todo

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Ditunicos são aquelas palavras ou expressões usadas em algum idioma que não existem contrapartes em nenhum outro. Um exemplo que eu sempre uso: Schadenfreude, palavra alemã para aquele sentimento de prazer que temos com a desgraça alheia ou Ubuntu que significa humanidade para os outros, ou algo assim. Ditunico é uma palavra que eu acabei de criar para me referir a estas expressões. Sua raíz vêm do português dito + único.

Alguns ditunicos usadas ao redor do mundo:

Jayus, poderia usar essa muito com um amigo meu, aliás vou chamá-lo de Jayus – acabei de me decidir. Essa palavra vêm da indonésia e se refere aquela pessoa que conta uma piada tão, mas tão sem graça que você nem mesmo consegue rir. Nota: algumas piadas sem graça provocam o riso principalmente por serem sem graça. Esse é um exemplo que as feministas devem achar muito sem graça, mas que acabam rindo: Como se chama aquela gordura ao redor da vagina? Resposta: Mulher.

Kamaki, é grego e sei que o Brasil é particularmente um lugar cheio deles. É uma expressão que designa aquele tipo de sujeito que vai à praia ou lugares com grande concentração de turistas somente para se dar bem com as turistas.

Dii-koyna, é usado em Ndebele na África do Sul e dá nome ao ato de destruir propriedade alheia em um ato de raiva.

Tartle, é a hesitação que temos ao encontrar com alguém que você não consegue lembrar o nome. Se isso fosse expandido para pessoas que você não tem certeza que se lembram de você, então eu poderia dizer que tartleio muito. Agradeçam aos escoceses por esta.

Vovohe Tahtsenaotse, vêm dos índios Cheyenne e serve para falar a respeito daquele pequeno ato de passar um lábio sobre o outro quando está se preparando para falar.

Hira Hira é o japonês e dá nome ao sentimento de andar por uma casa velha no meio da noite. E eu achando que era “cagar nas calças” mesmo.

Koi No Yokan, também japonês, mas este se refere a ter a impressão de alguém que se vê pela primeira vez irá evoluir para amor. Acho que só não é “amor a primeira vista” por um detalhes técnico. Você sabe que vai amar, mas no futuro.

Shoganai, significa que alguma coisa deu errado em japonês. É mais ou menos o nosso “Fazer o quê?”, é uma reclamação com um tom de dúvida.

Shnourkovat Sya, russo para aqueles malditos bastardos que ficam trocando de faixas sem dar seta.Um de meus amigos costuma chamá-los apenas de “Filhos da P*t*” que deve ser o equivalente em português.

Gadrii Nombor Shulen Jongu é tibetano e ilustra uma situação que os monges budistas (muitos vivem no Tibete) são especialistas: Dar uma resposta que não tem nada a ver com a pergunta original. Como alguns koans. Discípulo: Mestre, o que é Buda? Mestre: Três toneladas de linho. Ou por aqui em qualquer lugar: Traído: Você me traiu? Traidora: Que isso bebê, você sabe que eu e ele só somos amigos.

Pisan Zapra é uma expressão da Malásia e refere-se ao tempo necessário para se comer uma banana. Acho que eles usam como o nosso “só um minuto seu Otávio, é vapt e vupt“. Em nossa cultura soaria muito, mas muito estranho: “só um minuto seu Otávio, é o tempo de comer uma banana“.

Baffona é italiano e serve para se referir a uma mulher atraente que possui buço ou bigode no bom português.

Layogenic é das Filipinas. E se refere aquela pessoa que é atraente apenas a uma grande distância. Conheço uma ou duas garotas assim.

Rhwe, vêem da África do Sul. É aplicado quando alguém dorme no chão e sem cobertor. Outros requisitos são estar nu e bêbado.

Shvitzer é iídiche para uma pessoa que transpira muito.

Alguém conhece outros ditunicos pelo mundo? Por favor, compartilhe-os!

Eu (não) existo

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Sério. E foi por acaso, ao ler nos feeds, uma postagem no Cardoso. Nerds rules.Descobri que eu estou vivendo em uma espécie de “Clube da Luta” em que eu sou mais ou menos como o Edward Norton: não pego ninguém e nem mesmo sei quem eu sou. Descobri lendo no IDG NOW! e me surpreendi. Duplamente. Primeiro descobri que o 1001 Gatos está na quarta posição como um dos 10 blogs mais populares do país. Cool, hã? Na verdade eu prefiro a minha parte em dinheiro se não for pedir muito.

a lista indica um claro perfil entusiasta de tecnologia na blogosfera, com nada menos menos que seis dos dez melhores colocados se concentrando em internet, gadgets ou nos próprios blogs.

Tenho orgulho de dizer que eu sou dos outros 4. Na verdade ainda estou com a impressão de que logo, logo eles irão reparar algum erro, retirar o link, ou a descrição e simplesmente dizer: “Colocamos aquele blog por engano, foi isso”.

A outra surpresa foi que eu simplesmente descobri que um dos meus grandes debates, além de pensar “o copo está meio vazio ou meio cheio” sempre foi: “Quem sou eu? O que é a consciência? Será que poderia haver um demônio de Descartes que me diz que 2+2=5?”.

o 1001 Gatos de Schrödinger deixa clara a postura alucinógena e um tanto lúdica que o blog tocado pelo Reverendor Ibrahim César, alter-ego do programador Tiago Madeira, assume.

Mesmo sabendo disso, o feitiço não se quebra. Continuo a pensar e a ver o mundo como o Rev. Ibrahim vê, não estou consciente de quando não sou ele. Isso explicaria os desmaios e por que na última festa eu terminei nu no chão sem ter idéia do que aconteceu enquanto todos os outros caras me olharam com olhares de susto. Algo me conforta. Saber que na outra vida eu tenho uma namorada. Resolve um bocado de problemas, sabe?

Agora mesmo, enquanto olho para meus documentos, vejo o nome Ibrahim Cesar. Mas istp não existe. Quero dizer, olhem vocês mesmos, aposto que vão ler Tiago Madeira e tal:

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cpf.jpeg

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O que me resta? Ser ou não ser eis a questão…Pros diabos! Viver! E somente viver ultrapassa qualquer entendimento.

Se é sua primeira visita aqui, e quer saber o que diabos eu, Tiago Madeira e Carol Peters aprontamos em nosso primeiro ano, que tal baixar o Volume Um do 1001 Gatos ? É pelo melhor preço possível: grátis. E se você é amarradão em árvores mortas ainda pode imprimir tudo e ler quando quiser.

Britney Spears desafaba na canção Piece of Shit

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

You want a piece of me?
You wanna a piece of me…

No background pode-se ouvir as backing vocals, pessoas que sabem cantar, diferentemente da loira imbecil da capa do disco sussurram: Piece of Shit, piece of shit… Assistam o vídeo de “Piece of Shit” no YouTube:

Esta é a letra da música. Por “piece of me” ou “pedaço de mim”, com o “mim” referindo-se a Britney Spears, leia-se “piece of shit” ou “pedaço de merda”, tornando assim a música mais compreensível.

I’m Miss American Dream, since I was seventeen
Don’t matter if I step on the scene, or sneak away to the Philippines
They’re still gon’ put pictures of my derrière in the magazine
You want a piece of me? Piece of shit
You wanna a piece of me… Piece of shit

I’m Miss Bad Media Karma, another day, another drama
Guess I can’t see no harm, I’m workin’ and bein’ a mama
And with a kid on my arm, I’m still an exception to L.A.
You wanna a piece of me?

Piece of shit

I’m Mrs. Lifestyles of the Rich & Famous (you wanna a piece of me?) Piece of shit
I’m Mrs. ‘Oh my God, that Britney shameless!’ (you wanna a piece of me?) Piece of shit
I’m Mrs. ‘Extra, Extra! This just in’ (you wanna a piece of me?) Piece of shit
I’m Mrs. ‘She’s too big, now she’s too thin’ (you wanna a piece of me?) Piece of shit

I’m Mrs. ‘You want a piece of me?’, tryin’ to piss me off?
Well get in line with the paparazzi, whose flippin’ me off
Hopin’ Ill resort to startin havoc
And end up settlin’ in court
Now, are you sure you wanna a piece of me? Piece of shit
You wanna a piece of me…

Piece of shit

I’m Mrs. Most Likely to Get on the TV for strippin’ on the streets
When getting the groceries, no, for real, are you kidding me?
No wonder there’s panic in the industry, I mean, please
Do you wanna a piece of me?

Piece of shit

I’m Mrs. Lifestyles of the Rich & Famous (you wanna a piece of me?) Piece of shit
I’m Mrs. ‘Oh my God, that Britney shameless!’ (you wanna a piece of me?) Piece of shit
I’m Mrs. ‘Extra, Extra! This just in’ (you wanna a piece of me?) Piece of shit
I’m Mrs. ‘She’s too big, now she’s too thin’ (you wanna a piece of me?) Piece of shit

I’m Miss American Dream, since I was seventeen
Don’t matter if I step on the scene, or sneak away to the Philippines
They’re still gon’ put pictures of my derrière in the magazines
You want a piece of me? Piece of shit
You wanna a piece, piece of me? Piece of shit

You wanna a piece of me?
Piece of shit

I’m Mrs. Lifestyles of the Rich & Famous (you wanna a piece of me?) Piece of shit
I’m Mrs. ‘Oh my God, that Britney shameless!’ (you wanna a piece of me?) Piece of shit
I’m Mrs. ‘Extra, Extra! This just in’ (you wanna a piece of me?) Piece of shit
I’m Mrs. ‘She’s too big, now she’s too thin’ (you wanna a piece of me?) Piece of shit

You wanna a piece of me?

Piece of shit

Me desculpem os leitores assíduos, não podia deixar passar de usar essa piada-pronta. Detalhes adicionais para aqueles que não tem uma vida e precisam adorar pessoas como deuses: A música de “desabafo” da gorda foi escrita por três sujeitos: Christian Karlsson, Pontus Winnberg, e Klas Åhlund (veja nos créditos do Cd, idiota – embora provavelmente você tenha baixado). O que me leva a pensar que ela precisa de outras pessoas até mesmo para se expressar. Deve ser realmente difícil ser ela. Os três criadores da música fizeram uma música especialmente para ela. Música com a cara da dona: pedaço de merda.

Objetivos do 1001 Gatos para 2008

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

No segundo ano do 1001 Gatos de Schrödinger eu espero ao menos manter o que já está sendo feito. Eu espero manter uma melhor constância de postagens e que o Volume ll tenha a mesma qualidade do que o Volume l ou, ainda, superior. Para quem ainda não baixou, fique à vontade para fazer o download do Volume l.

Em termos numéricos, a verdade é que eu nunca realmente tive a postura de “criar um blog para fazer XX”. O blog sempre foi um fim para algumas de minhas idéias e não apenas um meio. Há tentei algumas vezes, é claro, mas eu não consigo levar por muito tempo. Não me sinto bem, se torna maçante e logo perco o interesse. Mas existem algumas coisas que se eu atingisse em 2008, ficaria feliz:

5 postagens por semana

Acho que seria um bom número de postagens por semana. Número esse que nos últimos tempos creio não estar atingindo.

Leitores de RSS

Em um ano conseguimos 570 leitores. Se chegarmos aos 1000 no final de 2008 será demais. 1001 melhor ainda já que combinaria com o nome do blog. Fico pensando se esse número de “leitores”, quantos deles realmente o são. Por que eu assino o RSS de certos blogs, no Brasil e nos Estados Unidos e simplesmente não os leio em absoluto. Simplesmente clico em “marcar como lido” dizendo a mim mesmo que mais tarde vou ler e não, nunca leio. Quantas pessoas de uma massa de leitores são realmente leitores? Isso me intriga.

Pagerank 5

Não me importo em subir de Pagerank, se mantivesse o 5, número sagrado para o discordianismo, já estaria ótimo.

Acho que estes três objetivos para o 1001 Gatos de Schrödinger já se configuram como verdadeiros desafios para o ano que já vem chegando enquanto silenciosamente os dias de Dezembro vão se retirando.

Esta postagem faz parte do Group Writing Project: 2008 Blogging Goals do DailyBlogTips.

O Prólogo de The Kingdom – O Reino

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

E o melhor: legendado. Esse filme foi acusado por veículos da mídia tradicional tanto ocidental como islâmico de mostrar os islâmicos de forma preconceituosa. Não acredito, um dos melhores personagens do filme, é islâmico e faz parte dos melhores diálogos. A trama é ficcticia, mas baseada em dois ataques que realmente ocorreram, um das Khobar Towers e o outro em Riyadh. Eu me interesso profundamente pela questão Islâmica, já que é um enorme barril de pólvora e sinto que “desse mato sairá cachorro”. Inicialmente me interessei pelo filme por estar associado a Jason Bateman, que eu gosto por se tratar do ator que interpretava o protagonista de “Arrested Development”.

Esses 4 minutos de prólogo servem não apenas para justificar o título do filme, como para demonstrar “com ilustrações” toda a questão da área, desde as guerras até a situação que nos encontramos hoje. Gostei muito do filme pois fora a questão de causar um suspense tremendo, nos torna conscientes do horror do terrorismo, do choque de culturas e diálogo entre os países.

O filme já fica aqui como dica. Agora fiquem com o prólogo. A legenda está quase em nível microscópico mas dá para ler. Recomendo a alguns com a visão meio cambaleante, como eu, que coloquem na tela cheia.

Batman o Cavaleiro das Trevas

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Confesso que estou aguardando essa encarnação do Coringa. Meu vilão predileto do Batman sempre foi o Espantalho, mas não gostei muito de sua participação no filme anterior, embora no geral, eu tenha gostado do mesmo. Mas as imagens do trailer abaixo, redimiram para mim a imagem que eu tinha do coringa: um bundão. Eu sempre achei o Coringa um bundão mesmo tendo lido histórias em que se conhece todo o potencial maníaco dele, como em A Piada Mortal. Só não gostei do “mesmo personagem, atores diferentes” para o papel de Rachel Dawes, se tivesse que escolher eu fico com a Maggie Gyllenhaal, mas trocar de atriz em um papel desses com poucos anos de diferença é forçar a barra. Não usariam nem duas linhas de diálogo para mostrar que a outra saiu de Gotham, etc. Poderiam até fazer isso um gancho ou detalhe emocial a ser explorado (ela foi morta pelo Coringa, etc, dentre milhares de possibilidades).

Aqui vai o trailer:

Na verdade estou esperando mais ainda o “Watchmen”. Até por que tem um final meio-surpresa que eu vou adorar contar aqui para estragar o final de todo mundo.

Traumas de Natal

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Esta postagem é inspirada em uma ótima postagem que vocês podem encontrar lá no Anderssauro. Demorei um pouco para responder, mas ainda é tempo.

Primeiro eu tenho que dizer uma ou duas coisas: De certa forma, para mim, Natal é sinônimo de Trauma. Vou colocar algumas memórias aleatórias aqui. Talvez poderão parecer leves mas tiveram um grande impacto emocional em mim. Tanto que faz 4 anos que eu não vou a mais NENHUMA reunião de família. E este ano eu vou manter minha palavra.

Este não é relacionado com a minha família, mas vá lá, é trauma de qualquer forma. Eu tinha um melhor amigo, que na verdade era melhor amigA. É claro que eu era “secretamente” apaixonado por ela. Como qualquer garoto na face dessa Terra que é amigo de uma garota. E eu tinha meus “amigos da rua”: Alan, meu vizinho. E Tiago, um primo meu que morava do lado. Pouco antes do Natal não sei como apareceu Playboy por lá (Sheyla Carvalho). Eu, confesso, sou muito puritano. Tenho até vergonha de dizer isso. Mas eu viro a cara quando me mostram fotos assim. É automático. Assim como eu tampo o rosto com a almofada quando o “clima esquenta” em novelas & filmes. Mas confesso também que, sim, eu vi as fotos. Mas, a Palyboy não poderia ficar na casa de ninguém por que se a mãe de alguém descobrisse, sei lá, só tinham medo. Como eu tinha centenas de revistas (SuperInteressantes, coleção completa da “Dinossauros” que vinha o esqueleto para montar, e várias outras), eles disseram que se colocasse no meio delas, jamais seria descoberto. Eu, por via das dúvidas coloquei entre alguns desenhos da minha pasta de Educação Artística. Na véspera do Natal eu fui na casa da minha amiga para ela ver uma história que eu havia criado. Sim, ela descobriu. Sim, os pais dela estavam na casa. Não, eu nunca tive nada com ela. Não, a mãe dela não gosta de mim.

Essa é uma coleção de pequenos traumas. Primeiro, eu fui em uma ceia na casa de uns parentes de um tio meu de outra cidade. Não conhecia 70% das pessoas no lugar. A mulher me dá um “prato genérico” com garfo e faca. Por prato genérico eu digo tudo o que ela estava colocando para os outros. Fatos: Eu não como com garfo e faca, apenas colher. Não como peru, chester, tender ou galinha. Não como farofa com miúdos de animais. Nem arroz colorido. Eu disse: “Esse arroz está doce” para a minha mãe, do lado da mulher que preparou.

Depois, um garoto começou a dançar. Eu viro para o meu primo e digo: “Na minha escola, se vissem ele dançando, diriam que ele é bichinha”. Meu primo conta na primeira oportunidade para o pai do garoto que me olha ameaçadoramente e diz: “Aqui não é a sua escola!”. Eu ainda tenho pesadelos em que um monstro que apresenta várias formas como um búfalo gigante, ou um com corpo de morsa, com a cabeça de um leão marinho. Em outras possui o corpo de uma gaivota com a cabeça de um suricate. Ou a cabeça de um macaco, com os chifres de uma rena, com o corpo de um porco espinho que grita enquanto me persegue: “Aqui não é a sua escola!” no idioma de Cthulhu.

Com certeza há mais. Há muito mais. Ainda bem que o cérebro bloqueia memórias ruins. Todo ano eu me consolo dizendo: “Esse é o pior natal de sua vida, ATÉ AGORA”.

Desafio: A janela fica na Direita ou Esquerda?

domingo, 16 de dezembro de 2007

Eu adoro testes psicológicos, ilusões de ótica e coisas do tipo por que eles nos tornam conscientes de nossos limites. Como já disse antes, mas nunca custa repetir, conhecer um limite é a melhor forma de pode explorá-lo. Veja a internet, a grande, sagrada e em 9%% dos casos, inútil internet: você diria que ela é feita de zeros e uns? Agrupados em bits e bytes. Agora, coloque seus dois olhos na foto abaixo e responda a esta singela pergunta: De que lado ela está, direita ou esquerda.

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Questões bônus: Quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha?
Quem vigia os vigilantes?

Dorothy Parker

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

É uma pena que tão poucas obras de Dorothy Parker tenham sido traduzidas no Brasil ou estejam disponíveis atualmente. Ele é daquele tipo de personalidade que marcava todos, tantos que correm muitas lendas por aí sobre ela. Um de seus desafetos foi Clare Booth Luce, mulher do editor da revista Time, uma vez quando lhe disseram que sua rival era gentil com seus inferiores, Dorothy perguntou: “Mas onde ela os encontra?”. É dela também uma das menores resenhas já feitas, publicada na Esquire: “Este não é um livro para ser deixado casualmente de lado. É para ser atirado longe com toda a força”.

Uma poesia de Álvaro de Campos afirma: “Todas as cartas de amor são ridículas”. Ao examinar alguns maneirismos, olhares, diálogos e briguinhas sem sentido acho que podemos expandir o conceito para “Todos os que amam são ridículos”. Uma mostra dessa ridicularidade pode ser encontrada nesta pequena obra de Dorothy, Um Telefonema. Que jogue a primeira pedra aquele que não se reconhecer em uma ou outra linha (jogue as pedra nos comentários, por favor, caso contrário poderá quebrar o monitor de seu computador). Aproveito que notem o humor que essa gema traz, não apenas na agonia ridícula de uma boba apaixonada, mas na falta de resposta de suas preces, o silêncio de godot, e uma certa menção à Lei dos Cinco.

Um Telefonema

De Dorothy Parker

POR FAVOR, meu Deus, faça ele me telefonar agora. Querido Deus, faça ele me telefonar agora. Não peço mais nada, juro, não peço. Não é muito o que peço. Isso seria tão pouco pra você, Deus, uma coisinha de nada. Só faça ele me telefonar agora. Por favor, Deus. Por favor, por favor, por favor.

É a última vez que vou olhar para o relógio. Não vou olhar de novo. São sete e dez. Ele me falou que telefonaria às cinco. “Eu te ligo às cinco, querida.” Acho que foi quando ele falou “querida”. Tenho quase certeza de que foi quando ele falou. Sei que ele me chamou de querida duas vezes, e na outra foi quando ele disse até logo. “Até logo, querida.” Ele estava ocupado, e não podia falar muito no escritório, mas me chamou de “querida” duas vezes. Ele não deve ter se importado com o meu telefonema. Sei que não devemos ficar ligando para eles – sei que eles não gostam disso. Quando a gente faz isso eles percebem que ficamos pensando neles e esperando por eles, e eles têm ódio disso. Mas fazia três dias que eu não falava com ele – nada em três dias. E eu só queria perguntar como ele vai; como qualquer outra pessoa ligando para ele. Ele não deve ter se importado com isso. Ele não deve ter pensado que eu o estava aborrecendo. “É claro que não”, ele disse. E aí falou que ia me ligar. Ele não precisava dizer isso. Eu não pedi, realmente não pedi. Tenho certeza de que não. Acho que ele não ia dizer que me telefonaria se não tivesse a intenção de telefonar. Por favor, não deixe ele ficar sem me ligar, Deus. Por favor, não deixe.

“Eu te ligo às cinco, querida.” “Até logo, querida.” Ele estava ocupado, numa correria, e tinha gente perto, mas ele me chamou de “querida” duas vezes. Isso é meu, isso é meu. Ganhei isso, mesmo que nunca mais o veja de novo. Oh, mas é tão pouco. Não é suficiente. Nada vai ser suficiente, se eu nunca mais o ver novamente. Por favor, me deixe vê-lo de novo, Deus. Por favor, eu o quero tanto. Eu o quero tanto. Vou ser boa, Deus. Tentarei ser melhor, tentarei, se você me deixar vê-lo de novo. Se você fizer ele me telefonar. Oh, faça ele me telefonar agora.

Ah, não deixe minha prece parecer tão insignificante para você, Deus. Você fica aí sentado, tão branco e tão velho, com todos esses anjos e estrelas flutuando em volta. E eu vou até você com um pedido por um telefonema. Ah, não ria, Deus. Você vê, você não sabe como é sentir isso. Você está tão seguro aí no seu trono, com todo esse azul girando embaixo. Nada pode tocar você; ninguém pode triturar seu coração desse jeito. Isto é sofrimento, Deus, isto é sofrimento ruim, ruim. Não vai me socorrer? Pelo amor de seu Filho, me ajude. Você falou que faria qualquer coisa que fosse pedido em nome Dele. Oh, Deus, em nome de vosso único filho muito amado, Jesus Cristo, nosso Senhor, faça com que ele me telefone agora.

Preciso parar com isso. Não posso continuar desse jeito. Olhe. Imagine se um rapaz diz que vai ligar a uma garota, e então alguma coisa acontece e ele não liga. Não é assim tão terrível, é? Está acontecendo no mundo inteiro, neste minuto. Oh, que me importa o que está acontecendo no resto do mundo. Por que esse telefone não pode tocar? Por que não pode? Por que não pode? Você não pode ligar? Ah, por favor, não pode? Seu desgraçado, horroroso, lindo. Ia custar muito me ligar, não é? Oh, ia custar muito. Dane-se, vou arrancar esse telefone da parede, vou quebrar esse merda de aparelho preto em pedacinhos. Vá para o inferno.

Não, não, não. Tenho de parar. Preciso pensar sobre outra coisa. É isso que eu vou fazer. Vou colocar o relógio no outro quarto. Assim não fico olhando. Se eu tiver de olhar as horas, então vou ter de ir no quarto, e será alguma coisa para fazer. Talvez, antes que eu vá olhar o relógio de novo, ele me ligue. Vou ser tão doce com ele, se me ligar. Se ele me disser que não pode me ver hoje à noite, vou dizer: “Ora, está tudo bem, querido. É claro que tudo bem”. Vou ser do mesmo jeito que era quando nos encontramos pela primeira vez. Então quem sabe ele goste de mim de novo. Eu era sempre doce, no começo. Oh, é tão fácil ser doce com as pessoas antes de se apaixonar por elas.

Acho que ele deve gostar um pouco de mim ainda. Ele não teria me chamado de “querida” duas vezes hoje, se ainda não gostasse de mim um pouco; mesmo que seja só um pouco, bem pouquinho. Está vendo só, Deus, se você fizesse ele me telefonar, eu não teria de pedir a você mais nada. Eu seria doce com ele, seria alegre, seria do jeito que era antes, e então ele iria me amar de novo. E então eu nunca mais teria de pedir nada a você. Você não vê, Deus? Então por que não faz ele me telefonar? Faz? Por favor, por favor, por favor?

Está me castigando, Deus, porque tenho sido má? Você está zangado comigo porque fiz aquilo? Mas Deus, tem tanta gente ruim – você não pode ser duro só comigo. E não foi por maldade, não pode ter sido. Nós não magoamos ninguém, Deus. As coisas são más quando ferem as pessoas. Nós não prejudicamos uma única alma; você sabe disso. Você sabe que não foi por maldade, não sabe, Deus? Então por que não faz com que ele me telefone agora?

Se ele não me telefonar, vou saber que Deus está bravo comigo. Vou contar até quinhentos de cinco em cinco e se ele não me ligar então vou saber que Deus não vai me ajudar, nunca mais. Vai ser o sinal. Cinco, dez, quinze, vinte, vinte e cinco, trinta, trinta e cinco, quarenta, quarenta e cinco, cinqüenta, cinqüenta e cinco… Foi mal. Sei que foi mal. Certo, Deus, me mande para o inferno. Você pensa que me amedronta com seu inferno, não é? Você pensa. Seu inferno nem se compara com o meu.

Não devo. Não devo fazer isso. Vai ver ele só se atrasou um pouco para me ligar – não é para ficar histérica. Quem sabe ele nem vai ligar – quem sabe está vindo direto pra cá sem me telefonar antes. Ele vai ficar zangado se perceber que andei chorando. Eles não gostam que a gente chore. Ele não chora. Queria que Deus o fizesse chorar. Queria fazer ele chorar, e ficar se arrastando pelo chão, com o coração que nem chumbo dentro do peito. Queria ser capaz de magoar ele muito, muito.

Ele não me deseja. Acho que ele nem sabe como me faz sentir. Queria que ele soubesse, sem que eu precisasse dizer. Eles não gostam que a gente diga que eles fizeram a gente chorar. Não gostam que a gente diga que está infeliz por causa deles. Se a gente faz isso, eles acham que somos possessivas e exigentes. E aí ficam odiando a gente. Eles odeiam a gente sempre que falamos o que realmente pensamos. Às vezes a gente tem de fingir. Oh, pensei que não precisássemos disso; pensei que a gente se amava tanto que eu poderia dizer fosse o que fosse. Mas estou vendo que a gente não pode. Estou vendo que não há nada tão grande assim para que a gente possa falar o que sente. Oh, se ele pelo menos me telefonasse, eu não diria que tenho me sentido doente por causa ele. Eles odeiam pessoas doentes. Eu seria tão doce e tão alegre que ele não teria outro remédio senão gostar de mim. Se ao menos ele me telefonasse. Se ao menos telefonasse.

Vai ver é o que ele está fazendo. Vai ver ele está vindo para cá sem me ligar antes. Talvez esteja agora a caminho. Alguma coisa deve ter acontecido. Não, nada pode acontecer com ele. Nem posso imaginar alguma coisa acontecendo com ele. Não posso nunca imaginar ele morrendo. Nem pensar nele estendido, frio e morto. Queria que ele estivesse morto. Esse é um desejo horrível. É um desejo delicioso. Se ele estivesse morto, seria meu. Se estivesse morto, eu não pensaria sobre agora e sobre as últimas semanas. Eu me lembraria apenas dos tempos bons. Seria tudo lindo. Queria que ele estivesse morto. Queria que ele estivesse morto, morto, morto.

Isso é idiotice. É idiotice ficar desejando que as pessoas morram só porque não ligaram pra gente no exato minuto que falaram que iam ligar. Vai ver o relógio está adiantado, não sei se está certo. Quem sabe ele está muito atrasado e tudo o mais. Alguma coisa deve tê-lo atrasado um pouco. Talvez ele tenha precisado ficar no escritório. Talvez ele tenha ido para casa, para me ligar de lá, e alguém chegou. Ele não gosta de me telefonar na frente das pessoas. Talvez ele esteja preocupado, um pouquinho, bem pouquinho, por ter me deixado esperando. Ele deve estar esperando que eu ligue. Eu poderia. Eu poderia telefonar para ele.

Não devo. Não devo, não devo. Oh, Deus, por favor, não permita que eu telefone para ele. Por favor, me deixe longe disso. Eu sei, Deus, do mesmo jeito que você, que se ele estivesse preocupado comigo, teria telefonado, não importa de que lugar ou de quantas pessoas estivessem por perto. Por favor, me faça entender isso, Deus. Não pedi que VOCÊ facilitasse as coisas para mim – você não pode, mesmo tendo criado o mundo. Só permita que eu saiba disso, Deus. Não me deixe cair em tentação. Não me deixe ficar me enganando. Por favor não me deixe ter esperança, querido Deus. Por favor não deixe.

Não vou telefonar para ele. Jamais vou telefonar para ele de novo enquanto for viva. Ele vai queimar no fogo do inferno antes que eu ligue. Você não precisa me dar força, Deus; eu já tenho o suficiente. Se ele me quisesse, me teria. Ele sabe onde me encontrar. Ele sabe que estou aqui esperando. Ele é tão seguro de mim, tão seguro. Queria saber por que eles passam a nos odiar assim que ficam seguros da gente. Eu achava que era tão bom ter segurança quanto a uma pessoa.

Seria tão fácil telefonar para ele. Então eu saberia. Talvez não seja uma tolice fazer isso. Talvez ele não se importe. Talvez até goste. Talvez ele esteja tentando me ligar. Algumas vezes as pessoas tentam e tentam chamar a gente no telefone e dizem que o número não responde. Não estou dizendo isso para me consolar, isso realmente acontece. Você sabe que acontece, Deus. Oh, Deus, me deixe longe desse telefone. Me deixe longe. Me permita ter um restinho de orgulho. Acho que vou precisar disso, Deus. Acho que vai ser tudo que vai me sobrar.

Oh, que importa orgulho, se não agüento ficar sem falar com ele? Orgulho como esse é tão idiota, uma coisa tão insignificante. O orgulho verdadeiro, o grande orgulho é não ter orgulho nenhum. Não estou dizendo isso porque quero ligar para ele. Não estou. É verdade, sei que é verdade. Vou ser grande. Vou ficar acima desses pequenos orgulhos.

Por favor, Deus, não permita que eu telefone para ele. Por favor, Deus.

Não sei que orgulho pode existir nisso. É uma coisa tão à toa para eu estar pensando em orgulho, para eu estar fazendo tanta confusão a respeito. Devo ter entendido mal. Vai ver ele disse para eu ligar às cinco. “Me ligue às cinco, querida.” Ele pode perfeitamente ter dito isso. É bem possível que eu não tenha escutado direito. “Me ligue às cinco, querida.” Estou quase certa de que foi isso que ele falou. Deus, não permita que eu fale assim comigo de novo. Me faça saber, por favor, me faça saber.

Vou pensar sobre outra coisa qualquer. Vou simplesmente ficar sentada, quieta. Se eu pudesse ficar parada. Se eu pudesse ficar parada. Talvez eu consiga ler. Oh, todos esses livros são sobre gente que se ama de verdade. Por que sempre querem escrever sobre isso? Não sabem que não é verdade? Não sabem que é mentira, uma maldita mentira? Por que todo mundo tem de ficar falando disso, se sabem como isso machuca? Malditos, malditos, malditos.

Não vou ler. Vou ficar quieta. Nada de ficar agitada por causa disso. Olhe. Imagine que ele fosse alguém que eu não conhecesse muito bem. Suponha que ele fosse outra garota. Então eu simplesmente telefonaria e diria “bem, pelo amor de deus, o que aconteceu com você?” Era o que eu faria, e nem pensaria mais no assunto. Por que não posso ser natural, só porque o amo? Eu posso ser. Honestamente, eu posso ser. Vou ligar, e vai ser fácil e gostoso. Você vai ver se não vou, Deus. Oh, não me permita ligar. Não permita, não permita.

Deus, você realmente não vai fazer ele me ligar? Tem certeza, Deus? Não poderia reconsiderar? Não? Não peço que seja agora neste minuto, Deus; só faça ele me ligar daqui a pouco. Vou contar até quinhentos de cinco em cinco. Vou fazer isso bem devagar sem pular nenhum número. Se quando acabar ele não tiver telefonado, vou ligar. Vou. Oh, por favor, querido Deus, querido e bom Deus, meu abençoado Pai Que Estás no Céu, faça com que ele ligue antes disso. Por favor, Deus, por favor.

Cinco, dez, quinze, vinte, vinte e cinco, trinta, trinta e cinco…