Arquivo de janeiro de 2008

Onde buscar idéias para os Posts?

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

O blog português 2.5 me convidou para um meme corrente com o tema, Onde vou eu buscar as idéias para os Posts?.

Essa é uma pergunta estranha. Há alguém que não tenha idéias? Quero dizer, pelo menos quem me conhece pessoalmente, sabe que os assuntos que tratam aqui são um reflexo de minhas conversas diárias e cotidianas. São os assuntos que me fazem pensar. Ou coisas com que eu encontro na internet e me fazem rir muito ou refletir.

E nem mesmo 10% das minhas idéias para postagem chegam a se materializar. O Rev. Tiago Madeira sabe um pouco do que eu estou falando. Sempre digo algum “projeto” meu, como um “supertrunfo” de Deuses e Filósofos ou um outro projeto com “Carma” no nome. Coisas que eu só rascunho e nunca cheguei a completei.

Interrompemos a postagem para uma pequena convocação: Quem fizer um template de super trunfo para que eu possa colocar os atributos e a foto, ficaria imensamente agradecido e dividiria a autoria. Obs: Tem que ser em algum formato livre. Agora, fique com o restante da postagem.

Sei que é uma resposta capenga mas é o que acontece aqui. Como o 1001 Gatos não é voltado a noticiar coisas ou apresentar grandes novidades e sim a desvender o grande enigma do mundo e da existência, nós podemos nos desprender um pouco de nosso contexto histórico. Porém desde o Teorema de Gödel, sabemos que um sistema jamais pode ser descrito com exatidão pois estar contido no sistema que tenta descrever, logo, que tal tarefa está fadada ao fracasso assumimos uma atitude franco-atiradora, um abandono de qualquer enciclopédica, para um mosaico de vislumbres. Um humor ontológico dirigido a qualquer instituição humana, pois da madeira torta da humanidade jamais há de se fazer qualquer coisa verdadeiramente reta, e isso é muito engraçado. Tomamos de assalto o Estúdio da Realidade e refazemos o Universo! (não sei ao certo quantos autores eu roubei nas últimas frases mas dizem muito sobre a postura do 1001).

Sempre digo que tenho 1001 i.p.m, idéias por minuto, e sempre achei que todos compartilham essa qualidade, a diferença é o exercício da mesma. Alguns parecem ter se livrado mais dos freios da razão e do bom senso do que outros. Mas acho que há um potencial criativo dentro de cada um. É o que eu acho.

Como manda a tradição, fica aqui 3 blogs para dizerem de onde tiram suas idéias de postagens:

Sócio Fusão; Schneider e John, revelem seus segredos!

PortalCab.com; poucos blogs são como este em que cada postagem realmente tem ótimo conteúdo, mesmo quando é sobre qualquer banalidade.

Fotografia Center; o Dudu pode nos dizer suas motivações e inspirações para fotografar, seria interessante!

—–

E agora, para algo completamente diferente:

O blog Absurdioso também nos presenteou para participar desta corrente de “É um blog muito bom sim senhora!”.

Obrigado pela menção!. Aqui irei indicar blogs “muito bons, sim senhora”, que eu, Rev. Ibrahim Cesar, considero como tais, sem qualquer ordem em particular:

Ressaca Moral; quando eu disse que era em “sem qualquer ordem em particular” eu menti, já que este é o meu blog predileto de todos os tempos. Toda postagem que eu faço aqui é uma tentativa canalha e sem vergonha de imitá-los. Mas jamais chego perto, afinal não tenho um Messias Jardan no meu time.

Orkuticídio em Massa para Adoradores de Pizza; entre os mais de 23 motivos que poderia citar, por que o mascote deles é o Garfield e este não deixa de ser um dos 1001 gatos. Rá!

Megalopolis; um blog que além de ter milhões de comentários é realmente interessante.

Esse é o pódio olímpico dos blogs, que esta semana, considero “blogs muito bons, sim senhora”. E senhores também, é claro.

haha.jpg

Bazar

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Eric Raymond, em seu mais popular livro The Cathedral and the Bazaar (link no final do texto), expõe dois modelos de desenvolvimento de software:

Catedral

Catedral

É o jeito que todas as grandes empresas desenvolvem seus programas (e também algumas empresas de software livre – é importante não esquecer). As atualizações são disponibilizadas de bastante tempo em bastante tempo porque são todas realizadas pelos seus programadores responsáveis.

Bazar

Bazar

Bazar: Inspirado, você escreveu uma linhazinha de código não funcional que pode se tornar parte de um grande programa? Faça o upload porque todos vão pegando essa sua linha e continuando o desenvolvimento, assim que alguém vê uma brecha de segurança corrige e assim vai. É uma idéia maluca que, pra quem está por fora do mundo do software livre, soa utópica, mas por incrível na prática dá certo em vários casos. E no livro Eric se impressiona com isso. Um dos maiores exemplos é o Linux.


Sempre simpatizei com o modelo bazar, por causa da facilidade de participar do desenvolvimento, do código legível e do programa bem debugado.

Creso Moraes (Enfoque) me contratou para instalar o Drupal* com alguns módulos no seu servidor e estamos com dificuldade de achar um módulo para substituir o descontinuado LTE (Letter To Editor). Não que isso seja importante pra compartilhar com o público do 1001 Gatos, mas num e-mail recente ele me acordou pra uma questão seríssima no desenvolvimento de software livre do modelo “bazar” que merece uma reflexão:

Ano passado, pedi ao coordenador da internacionalização do CiviCRM, o Piotr, da Polônia, que conseguisse quem me fizesse a instalação de um sistema completo, num domínio meu, para eu exatamente ir usando, conhecendo e adaptando a tradução. Parecia um pedido simples de atender, mas ele consultou os pares do time de desenvolvimento internacionalizado, e não quiseram assumir essa tarefa que ainda me parece muito simples: colocar um sistema funcionando para uso de um leigo.

Minha sensação é a de que os desenvolvedores trabalham com gambiarras, só acessíveis a iniciados, e não têm compromisso com o usuário final. Parece-me, sinceramente, que se divertem em vencer os desafios da programação, e estão sempre mirando no ainda não atingido. O atingido deixa de ter interesse, e é abandonado e esquecido imediatamente.

Situações como essa tornam muito difícil, para mim, explicar aos meus amigos por que insisto no software livre — mesmo que eu lhes diga que a descontinuidade também impera, e como!, no software proprietário.

Note: Creso é o maior contribuidor das traduções do CiviCRM para português brasileiro e nunca usou o programa!

Enxergo este problema como sério porque eu mesmo sofro bastante dele (do outro lado da linha) e muitos outros sofrem, porque muitos dos softwares livres (muitos, não todos) não são feitos por empregados sérios sentados em seus escritórios frios, mas num ambiente mais confortável, às vezes no tempo que sobra, por hackers, amantes de código que estão sempre buscando algo novo. Como o próprio Eric Raymond (coincidência, os dois textos que eu quis usar aqui são dele) escreveu no seu outro livro How to become a hacker (link no final da página, de novo):

As mentes criativas são um recurso valioso e limitado. Elas não devem ser desperdiçadas re-inventando a roda quando existem tantos outros novos problemas fascinantes esperando por aí a fora. [...] Os ráqueres (e pessoas criativas em geral) nunca devem se entediar ou fatigar-se com estúpido trabalho repetitivo, porque quando isso acontece significa que eles não estão fazendo o que somente eles podem fazer — resolver novos (e interessantes) problemas. Este desperdício machuca a todos. Então tédio e trabalho penoso não são somente desagradáveis mas na verdade maléficos.

O problema é que projetos que são importantes pra usuários finais são de vez em quando parados por causa dessa facilidade de se apaixonar por algo, desenvolver e depois partir pra outra ou desenvolver somente para si mesmo. A quantidade de programas bons escritos em software livre por causa desse modelo é enorme, mas em troca alguns programas são esquecidos e deixam seus usuários na mão. E mesmo que o programa propspere, quando não há grandes comunidades de desenvolvimento, seus poucos programadores têm dificuldade para ajudar seu usuário leigo, que, diferentemente de nós (aqui me ponho do lado dos nerds), não quer ler o manual.

Aí o assunto abre-se em várias vertentes e corro o risco de deixar esse artigo ilegível de tão entediante e com o assunto muito aberto e sem conclusão. Tentando simplificar: só em cima da pergunta “o usuário precisa ou não ler o manual?” existem várias opiniões e no fim eu acredito que a questão da criação do software livre (estou aqui falando de pequenos projetos, não de gigantes como o Apache, o Firefox ou o Linux) fica resumida a uma variável: o público do programa. Explanarei a questão com uma antítese:

Ubuntu: o Linux para human beings

Ubuntu

Suporte plug n’ play para impressoras, um programa pra simplificar o “simplérrimo” (para usuários Debian) apt, reconhecimento e instalação dos drivers sem o usuário precisar fazer nada, montagem automática… Essas são algumas das características da distribuição de Linux que atualmente deve ser a que mais cresce no uso doméstico no mundo. 100% dos escritores do 1001 Gatos usam Linux e isso não seria possível se os desenvolvedores não olhassem pro usuário.

Gentoo: o Linux para geeks

Gentoo

Seu manual é excelente, completo, explica tudo passo-a-passo. Mas que tipo de pessoa normal boota um CD e, no modo texto… configura rede, particiona disco, cria sistemas de arquivo, mexe em dezenas de arquivo de configuração onde vai usar opções especiais pra compilar os programas para a sua plataforma, compila seu próprio Kernel e, depois de algumas horas (estou sendo otimista, na primeira vez que instalei o Gentoo foram dias), reinicia o computador pra simplesmente poder ter um sistema operacional? O Gentoo é lindo, mas eu jamais distribuiria um CD dele pra qualquer pessoa que não goste muito de computadores.


Falcon Dark defende que o usuário é que deve se adaptar ao sistema e não o sistema ao usuário (gostei, parece até que estou falando de teses evolucionistas). Em seus artigos interessantíssimos sobre a liberdade digital, quando se trata de sistemas operacionais ele é enfático: ser diferente é vantagem, afinal os usuários de Linux usam ele por ser diferente, se quisessem algo igual o Windows usariam o Windows.

Falcon (bem, ao menos em minha livre interpretação) e muitos outros usuários de Linux acreditam que ninguém deve ser forçado a trocar de sistema operacional, mas devem trocar por vontade própria sabendo que estão indo pra algo completamente diferente que vai demandar-lhes esforço e aprendizagem. O público-alvo aqui é um seleto grupo de geeks (ok, não serei radical, também tem outras pessoas que aceitam o desafio) que vão se interessar em aprender coisas novas e com certeza perder bastante tempo para obter um resultado legal na sua aprendizagem (eu me enquadro nesse grupo, eu acho).

Já vários outros usuários e desenvolvedores apostam no oposto: deve-se criar um sistema o mais parecido com Windows possível (cheio de perfumarias e de plug n’ play). Aqui o público-alvo é a massa e chega-se em todo usuário e convida-o a migrar pro Linux dizendo “Instale Linux! É fácil igual o Windows, você não vai sentir dificuldades.”. O Ubuntu é uma distribuição com esse propósito. Ele dá a liberdade do Linux (só vem com softwares livres), a segurança, o Kernel, mas de forma simples pro usuário. Na minha opinião, é uma distribuição sensacional.

Tentando voltar um pouco ao foco, eu acredito que o modelo bazar se concentra muito mais no público “hacker” do que no público “povão”, diferentemente da catedral (Red Hat, Mandriva, IBM, Sun) que patrocinam e desenvolvem tentando alcançar o público geral. Há muitos softwares criados por vontade de alguém com o objetivo de fazer uma tarefa para si mesmo (eu faço isso o tempo todo, mas não documento e não publico justamente pra não ter o compromisso de manter) ou para outros programadores (coisas como o mpd2pidgin, que não são usáveis pra usuários normais, e não vem pacote, nem manual) e por causa disso o modelo às vezes acaba falhando como aconteceu no caso do módulo LTE do Drupal (e em vários outros módulos do Drupal, porque é sacanagem o seu suporte a módulos mudar em cada versão) e em muitos outros casos.

Não estou certo sobre o que deveria acontecer (quero dizer: o público se adaptar ao sistema ou o sistema ao público) mas tenho certeza que justamente pelo modelo ser um bazar a participação de todos é bem-vinda e com mais colaboração o problema de forks e descontinuidade de projetos com certeza não existiria.

* Drupal é um CMS livre que é escrito em PHP dentro do modelo bazar e suporta várias contribuições dos usuários. Ele é usado em vários sites, entre eles os populares BR-Linux e Meio Bit. Eu comecei a ter contato com ele no GHOP, onde participei um pouco de seu desenvolvimento e conheci vários dos membros de sua comunidade no IRC.

Leia também…

Cuba Libre

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Cuba é uma fonte de perguntas constantes na minha cabeça. Questões que já me fizeram perder o sono.

O próprio drink contém fortíssimo teor político (além do alcoólico!): Ele é uma mistura simples de Rum – destilado originário da ilha caribenha – e Coca-Cola, o maior símbolo do [sic] imperialismo americano [sic]. É um protesto claro aos boicotes e barreiras comerciais bilaterais. Passei uns bons minutos fazendo essa reflexão, agitando com movimentos circulares o meu copinho de plástico. Infelizmente, aquilo tava mais pra uma “URSS Livre”, já que era feita com Vodka.

Sempre que eu penso em Cuba, me vem a mente um país fracassado. Não em termos de saúde ou educação. Nem do governo em si. Mas sim de toda a “falta de sistema” a que eles estão presos. Socialismo não é, nem nunca será, um sistema! É uma etapa, e todos deveriam saber disso.

Quando Marx e Engels escreveram o Manifesto Comunista, criaram um dos sistemas mais brilhantes de todos. E como é praxe, a execução de uma boa idéia é sempre tortuosa.

É simples voltar no tempo. Tudo de que você precisa é superar a velocidade da luz. O detalhe é que, segundo Einstein, ela é a velocidade limite, e para alcançá-la, você acabaria do tamanho do universo – ou algo parecido.

Rumo à Anarquia Vermelha, resolveram que seria bom centralizar o poder, queimar qualquer forma de controle espiritual das massas e enfiar livros guela abaixo dos pirralhos, para que crescessem e pudessem viver sem que ninguém mandasse neles. Mas assim que um indivíduo se vê possuidor de todo o poder ele não quer mais largar e qualquer um que puder obtê-lo, o fará. Para todo o sempre, amém, e o povo que continue a mal possuir suas roupas.

E eu, sentada na cama do hotel, na frente do laptop da minha mãe, comendo Habanitos integrales do El Maestro Cubano começo a pensar se realmente somos nós os livres.

O povo em Cuba ao menos sabe sob o que está vivendo. Eles ainda estão no degrau, podem avançar se o almejarem tanto quanto o fizeram na revolução. Nós, por outro lado, nos vangloriamos do sistema conta o qual “lutamos”. A cada nova manhã temos que pagar as indefinidas prestações do crediário de nossa liberdade e sempre depender de algum babaca que é subalterno de outro babaca, na ininterrupta hierarquia do capital. Somos baratas tontas pagando e pagando para poder dar mais uma volta.

Portanto, bom cidadão, não se preocupe. Tão diferente dos cubanos, você é “livre”!

Deus NÃO é todo poderoso: Religiosos, expliquem essa por favor

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Deus é todo poderoso? Pense de novo.

[link para o vídeo]

Se eles escorregam feio nessa parte por que deveríamos levar em consideração quando é dito que devemos matar os homossexuais ou podemos vender nossas filhas como escravas? Ou que há um deus?

Se eu caísse em uma ilha deserta e tive apenas três livros eu adoraria ter uma Bíblia entre eles, já que assim não me sentiri culpado ao usar um deles para acender uma fogueira ou após ir ao banheiro.

Aviso muito importante!

Assegure-se que seu comentário utilize a lógica ou fontes que possam ser replicadas por qualquer pessoa e não as escrituras ou revelações do espírito santo, assim como o Irã não mais aceita dólares não irei aceitar trechos de um livro que dali dois versículos afirma o oposto daquilo.

Este vídeo foi por mim descoberto no Reduto dos Ateus, Vídeo: Inconsistências Bíblicas Favoritas Volume 1.

Creative Commons para Idiotas

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Resolvi abordar a licença com que eu disponibilizo todo o conteúdo ORIGINAL, CRIADO pelos escritores desde blog, a fim de esclarecer os termos que muitos parecem ignorar. Eu costumo ignorar cópias dos textos do 1001 Gatos, mas quando alguém está se passando por criador ou fazendo uso comercial, é um desrepeito ao meu trabalho intelectual. E eu sou bonzinho, deixo você fazer muita coisa com o conteúdo do blog que muitos não permitiriam. Se você quer utilizar de alguma forma o conteúdo do blog, aprenda a forma como deve ser feita:

Veja a licença aqui.

O utilizador pode:

Copiar, distribuir, exibir e executar a obra

Você pode copiar uma postagem e colocar no Orkut, em um fórum. Mandar por e-mail. Imprimir para queimar. Imprimir para criar um livro, um arquivo, etc. Na verdade esta aqui é seguida por qualquer um, a diferença é que eles se esquecem de que elas valem sob algumas condições como veremos a seguir.

Criar obras derivadas

Esta é uma que eu NUNCA vi (note que EU nunca vi, o que não implica dizer que não existe). Ninguém nunca criou uma obra derivada de algo que criei ou sei fazer parte dessa licença. O que isso significa na prática que você pode ver uma postagem aqui e sentir que faltou algo e inclui-la na sua própria versão.

Sob as seguintes condições:

É como um jogo. No futebol você pode marcar um Gol desde que não esteja impedido, não tenha utilizado as mãos e não tenha feito uma falta. Aqui é a mesma coisa. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar e criar obras derivadas desde que siga as diretrizes abaixo.

Atribuição

Você NÃO pode pegar a obra e colocar seu nome como autor. O utilizador deve dar crédito ao autor original, da forma especificada pelo autor ou licenciante. Pois bem, esta é a forma especificada pelo autor ou licenciante: Título da Postagem (com link), no 1001 Gatos de Schrödinger (também com link). Siga esse modelo, sem os parênteses, mas seguindo o que neles está escrito.Entendeu?

Uso Não-Comercial

Isso não significa apenas que você não pode imprimir os artigos do blog e vender. Também significa que você não pode fazer um blockbuster com ele. Também significa que você NÃO pode copiar o conteúdo deste blog e colocar em uma página com Adsense, Hotwords, banner do Submarino ou qualquer outra coisa que direta ou indiretamente fará você ganhar alguma coisa – qualquer coisa. Se você não está pagando pelo conteúdo também não pode receber por ele, certo?

Partilha nos termos da mesma Licença

Se você fizer qualquer uma das coisas que você pode fazer (e seguir as duas acima), você deverá disponibilizar o que você fez na mesma licença. Ou seja, não pode seguir tudo e estampar o “Todos direitos reservados”.

Qualquer uma destas condições podem ser renunciadas, desde que obtenha permissão por parte do autor. Ou seja, se nós autorizarmos você pode vender um livro com o conteúdo de nosso blog e ainda retirar a licença Creative Commons do mesmo. O gesto que fazemos ao adotar a mesma é permitir uma cultura livre, não-exploratória e que promova os criadores. Só isso.

Se ainda assim tiver dúvidas, por favor, entre em contato pela Glândula Pineal.

Vida em Marte?

domingo, 27 de janeiro de 2008

Realmente não entendi muito bem a sensação causada pela foto que mostrava um possível indício da existência de vida em Marte. Se você não sabe do que estou falando, aqui a foto:

marscloseupbarc_468×230.jpg

Se por “vida” você quer dizer “rocha”, então eu também digo sim.

lifeonmarsbarc_468×290.jpg

Ou talvez apenas seja a Virgem Maria.

marsscape2barc_468×129.jpg

Por sorte, Grissom a pedido da NASA (Não Agüenta Siglas Sendo Abertas?, nem eu, qual é a utilidade da maldita sigla se todo mundo sempre tem que dizer para que ela serve, afinal?), utilizou seu computador poderoso, usando software open source a propósito, e desvendou a identidade do sujeito. Contemplem o marciano:

180px-tuskenraider.jpg


O fotografo, uma versão robô de Messias Jardan que não deve ter 1/8 do talento e técnica do mito, somente disse:

“Foi o máximo que eu pude fazer. Infelizmente não cumpri a missão para qual fui designado, que era conseguir ao menos uma foto de algum alienígena sem calcinha ou de topless. O que eu acho da existência de vida em Marte? Bem, não sabia que sombras eram consideradas formas de vida. É claro que um robô é uma forma de vida! Ei, eu mesmo sonhei um dia desses e…”

Após dizer isso, Jack Bauer levou o simpático robô para um passei na pacata e ensolarada Los Angeles.

Se eu acredito na possibilidade de vida em Marte? Certamente senhor. Tenho até uma foto em minha carteira, olhe:

alh84001_structures.jpg

Mais sobre esta foto (em inglês)

Oh e sem esquecer a canção de Bowie, “Life on Mars?“:

[youtube]ueUOTImKp0k[/youtube]
[link para o vídeo]

Para saber mais: Pareidolia ou A Realidade é o borrão Rorschach original. Ou eu estou totalmente enganado e uma das provas de existência de vida alienígena foi flagrada tomando Sol em Marte à moda das celebridades. Ao menos não houve sexo público desta vez.

O papel das músicas em nossa vida

sábado, 26 de janeiro de 2008

[youtube]V5A2IAgyQEg[/youtube]

Para mim as músicas sempre exerceram um grande papel em minha vida e marcaram profundamente algumas passagens. Há certas músicas que eu procuro me manter afastado. Ao escutar os primeiros acordos é como se puxassem um gatilho de emoções, memórias. Mesmo sofrimento. É por isso que procuro me manter afastado.

Confesso que ao ler “Meias Vermelhas & Histórias Inteiras” do Marcos Donizetti, do Hedonismos ele me ganhou bem no começo. Na verdade antes mesmo de qualquer uma da história. Foi na dedicatória. Bem, não conheço Cátia, Carolina e Jussara. Mas Lennon & McCartney esses sim. Quando vi o primeiro título: “Julia”. Logo me veio o meu álbum predileto dos Beatles, as condições em que John compôs essa música para sua mãe e tudo mais.

Isso revela muito da natureza do livro ao meu ver. A maioria evoca canções e o papel delas em nossa vida. Os contos em si mesmo funcionam como o equivalente a canções: rápidos, tratando de um “frame” da vida, de uma emoção, um sentimento, exatamente como uma narrativa de uma canção. Você lê bem rápido, mas como as grandes canções, sua extensão não está de forma alguma ligada com o impacto emocional que causa em você. Como toda música, elas vão causar reações diversas dependendo da pessoa, mas nunca mesmo você não será de alguma forma tocado. Em duas palavras: Ótimas histórias!

[youtube]whW7oVPcCYo[/youtube]

Me fez ficar refletindo sobre o papel das músicas em nossa vida. Há tantas que significam tanto para mim. “El Scorcho” do Weezer, “Mr. Brightside” do The Killers e “Paranoid Android” do Radiohead são algumas delas (para não citar Beatles). Vamos fazer um pequeno jogo? Cada um nos comentários diz três músicas que possuem um peso em sua vida. Que os jogos comecem!

PS: Os vídeos do YouTube nesta postagem mostram duas grandes músicas referenciadas no livro. Mas há outras por lá! E NÃO, esta não é uma postagem patrocinada. É como qualquer elogio deveria ser – DE GRAÇA.

Para saber mais sobre o livro:
“Meias Vermelhas & Histórias Inteiras”

A Genialidade de Gilberto Gil

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Na falta do que postar, aqui vai um vídeo que comprova a genialidade ímpar deste ícone da cultura brasileira. Via Schneider, o discordiano-que-fala-esperanto.

[youtube]93PLX0SPrr4[/youtube]

E a Wiki diz:

Em fins de 1968, Gil e Caetano Veloso, cuja importância no Brasil era, e é, de certa forma comparável à de John Lennon e Paul McCartney no mundo anglófono, foram presos pelo regime militar brasileiro instaurado após 1964 devido a supostas atividades subversivas, de que foram taxados. Depois da anistia, ambos exilaram-se por ocasião do governo militar em vigência no Brasil a partir de 1969 em Paris.
Gilberto Gil é um dos principais defensores do Software Livre e da Liberdade Digital. Em 29 de janeiro de 2005, durante um debate sobre Software Livre no Fórum Social Mundial 2005, foi muito aplaudido após defender o Software Livre e a Liberdade Digital.

Pequeno Guia para Fingir Inteligência – Parte Dois

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Resolvi completar a postagem anterior graças aos comentários dos leitores. Está certo que era uma “pequeno guia”, mas são itens de suma importância para se fingir inteligência. Obrigado a todos que comentaram!

Literatura

Ninguém hoje em dia escreve tão bem quanto qual qualquer clássico. Lembre isso a qualquer pessoa mesmo que ela nem queira saber. Ignore o fato de que os escritores clássicos diziam a respeito de sua própria época e escreviam em uma linguagem que espanta qualquer leitor moderno, mas que para a época era o padrão. Se um livro é best seller ele logicamente não presta. Cuidado! Se você for visto com um best seller na mão poderá ser muito ruim para a sua reputação. Se ganhar algum de presente pergunte para quem lhe presenteou se você pode trocá-lo. Claro que não precisa, mas você tem uma reputação a zelar.

Dica: Goste do cânone, lógico. Mas invista em literatura marginal, subversiva. Por quê? Se o cânone quase nenhum deles leu, imagina e literatura subversiva…Então aprecie os beats como Kerouak, Burroughs. Ou algum tipo muito específico de literatura. Japonesa (Haruki Murakami), Hebraica (Amos Oz), etc.

Você DEVE fingir ter lido: James Joyce, Kafka, Proust, Machado de Assis, Cervantes, Hemingway, Orwell.

Política

Esta se divide basicamente em duas formas de ser um idiota politizado:

Direita

O Governo Lula é mal e traiu sua ideologia (ignore o fato de que ele seguisse sua ideologia você igualmente iria odiá-lo, talvez odiar mais). O presidente é um bêbado (falácia ad hominem). O FHC salvou o mundo e ainda ficou com a garota no final.

Entrar na comunidade: “LUTO! Lula foi eleito”. E se esquecer de que vive em uma democracia.

Você DEVE gostar de: Casamento, deus, Capitalismo, mercado livre, Estados Unidos.

Sonho de consumo: viagem para Disney

Esquerda

Como a esquerda era melhor há 30 anos atrás. Lembram-se das diretas já? As pessoas lutavam pelos seus direitos, hoje em dia ninguém liga para nada. Che Che Che Che Che. O Capital. Marx. Che Che Che Che Che. Maio de 68, anarquismo. Hakim Bey. Libertário. Che Che Che Che Che.

Se você for jovem entrar na comunidade “Comunista não come criancinha”, cuja descrição é: “Somente garotas maiores de dezoite anos e consensual”.

Você DEVE gostar de: Marx, Trotsky, Feminismo, Reforma Agrária, Creative Commons, sexo livre.

Sonho de consumo: viagem para Cuba

Esportes

Futebol é para idiotas. Esportes inteligentes incluem: Xadrez, Esgrima e críticas destrutivas ao que quer que sua mente brilhante analise. Você também pode estar propenso a gastar 300 reais para ver uma corrida de Fórmula 1 e ficar sentado no Sol para ver só uma imagem borrada passando na sua frente e um barulho que quase estoura seu tímpano.

Você DEVE gostar: Zico (Pelé é para idiotas), Futebol Europeu (lá eles realmente tem inteligência no esporte – mas de onde saem os jogadores deles mesmo?), Ayrton Senna.

Gastronomia

Só por usar “gastronomia” para se referir a “comida” é uma grande passo que o diferenciará de 80% das outras pessoas. Você nem precisa saber fazer um miojo. Se dominar o vocabulário e o nome de alguns ingredientes já está valendo.

Você DEVE gostar de: Foie Gras, Vitela, Escargot, Champagne (Espumante é para os fracos), Vinho, Filé Mignon.

Dica: Nunca diga que está cheio. “Estou satisfeito” ou “Estava simplesmente fabuloso!”. Pessoas com etiqueta aparentam ser inteligentes. Invista nisso.

Blogs

Uma pessoa tão inteligente como você deve ter um veículo de expressão de suas idéias. O mundo não pode ser privado de seus pensamentos. Seria um desperdício. E nesses tempos de ecologia e politicamente correto não há nada pior do que desperdício. Crie um blog! Claro que isso é só um antes de você escrever o livro definitivo, depois do qual ninguém nunca mais precisará ler coisa alguma.

Use uma linguagem diferente da que usa no dia a dia. Escreva como Machado de Assis. Seja contra o “miguxês”, em suas palavras, “um atentado contra a última flor do lácio!”. Sei que espera ansiosamente por cada comentário, mas uma vez que os tenha – e será algo como “rox!!!!”, “um bjo para o Rafinha do BBB! fuuuuuuuuuuuuuuuuiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii…..”, você vai fazer uma postagem malcriada a respeito da “imbecialidade” que assola nossos país. Você, o ápice, o zênite, a epítome, o cume, o clímax da inteligência vivendo nesse país de iletrados! Você é um oásis em um deserto.

Você DEVE postar sobre: O vídeo “Dancem Macacos, dancem”, qualquer coisa da Apple (mesmo talvez 5% sendo Apple, dá a você um status cool e inteligente), trechos de livros de filosofia, opinião política e por último mas não menos importante, Pequeno guia para fingir inteligência (assim, através da ironia você se passará por inteligente).

E se nada disso der certo, saia com uma loira.

cérebro da loira

Pequeno Guia para Fingir Inteligência

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Este pequeno guia tentará dar algumas táticas simples para fingir erudição, cultura, etc.

Pintura

Lembre-se dessa regra simples: Toda pintura clássica é a relação do homem com deus. Toda a pintura moderna é a relação do homem com o homem em um mundo sem deus.

Se você está parado na frente de um quadro cheio de respingos, manchas e qualquer outra coisa que uma criança no pré faria, finja estar concentrado e se perdendo na “narrativa emocional tão presente nas pinceladas”. Diga que você quase pode sentir a pulsação do autor e sua frustração com o mundo moderno. Note que o pintor abandonou qualquer tentativa de mudar o mundo com sua arte e se concentra em mudar nós, o seu público. E emende: “E atinge de forma exemplar seu objetivo”.

Pintores que você DEVE gostar: Van Gogh, Magritte, Pollock, Caravaggio, Goya, Da Vinci.

Nota: Pessoas realmente inteligentes como você por terem um intelecto tão grande são extremamente seletivos, logo esnobar algum pintor de renome não é apenas natural como desejado, já que expressa personalidade. Critique Degas, Frida e Picasso (não importa qual você escolha diga algo como “o maior atraso para a pintura nos últimos 100 anos!”).

Filmes

Blockbusters são acéfalos e entretenimento das massas. Pão e circo. Feito por uns fariseus que querem matar a sétima arte. Diga que nenhum diretor americano sequer chegou perto de “Morangos Silvestres” (você nem precisa saber nada, já que a maioria também não vai).

Diretores que você DEVE gostar: Stanley Kubrick, Akira Kurosawa, Robert Altman, Woody Allen, Ingmar Bergman, Michelangelo Antonioni e qualquer cara francês.

Citações

Use citações sempre e sempre. Um indivíduo culto e instruído como você não precisa expressar seus próprios pensamentos e sua própria opinião sendo que você sabe que houve pessoas célebres muito mais inteligentes e cultas que qualquer um na sala que disse algo definitivo a respeito do assunto.

Nota: Se você encontrar alguém que esteja usando esta técnica o desafiie. Pessoas cultas sempre têm duelos intelectuais onde seus neurônios são postos à prova. Em algum momento diga: Como Voltaire disse: “Uma boa citação não prova nada”. O que é, em si mesma, uma citação e que portanto não prova nada, mas que por causa desse viés irônico e metalinguístico fará muito sucesso por ser pós-moderno.

Pensadores que você DEVE gostar: Nietzsche, Voltaire, Oscar Wilde, Einstein, Gandhi, Mário Quintana, Carlos Drummond de Andrade, Vinícios de Moraes e a unanimidade: Confúcio.

Aliás, Confúcio é meio que o Capitão Óbvio. Se não tem nada para dizer diga: “Como Confúcio disse, merda faz flores crescerem e isso é lindo”. Ou “Como Confúcio disse, virgindade é como bolhas. Basta cutucar e ela se vai” ou ainda “Como Confúcio disse, calcinhas não são a melhor coisa do mundo, mas ficam bem próximas disso”.

Filosofia

A Filosofia não é como a ciência, onde se você se concentrar em Newton, por exemplo, logo que você encontrar um sujeito obcecado com Einstein você será o bundão da sala. Em Filosofia, mesmo dizendo algo completamente diferente de todos, um filosofo dentro de seu sistema de pensamento está certo. Ao menos possui lógica interna. E, lembre-se dessas palavras: “após o mundo pós-moderno fragmentar e relativizar a noção de verdade e conhecimento, mostrou-se que nossos sistemas por mais refinados que sejam jamais poderão nos dar um conhecimento da coisa-em-si que nunca teremos contato. Resta que tudo é uma amálgama de conhecimento a priori e a posteriori que podem nos levarmos a lugar nenhum”. O que isso quer dizer? Não estou certo, mas uma parte é que não há verdade.

Especialize-se em um filósofo, i.e, aprenda uma ou duas frases deles, período histórico e principal obra (veja na Wikipédia). Improvise no meio da conversa e critique qualquer outro. Simples. Por exemplo, você acabou de ver Juno e tem uma discussão sobre aborto com seus amigos. Você é um especialista em Platão, improvise, cite o mundo das idéias, que a idéia do bebê existe antes dele e que portanto o aborto é anti-natural. Cruze os dedos e torça para ninguém lhe lembrar de que na Grécia o aborto não era nem mesmo discutido pois se nascia uma criança com defeitos eles simplesmente jogavam montanha abaixo.

Filósofos que você DEVE ter conhecimento: Platão, Aristóteles, Sócrates, Descartes, Kant, Nietzsche, Schopenhauer, Hobbes, Rosseau, Hume, Sartre, Hegel e talvez Marx.

E se tudo isso falhar, tente ser engraçado.

motorboat.gif

Após isso, leia a segunda parte deste guia, clicando aqui.