A Arte da Guerra, Sun Tzu

Meses:

abril 2008

Adam Werbach e os 3 P’s Que Podem Mudar o Mundo

por Ibrahim Cesar em 22 abril, 2008

Adam Werbach já militou pelo Greenpeace e pelo movimento verde. Mas hoje, ele trabalha com grandes empresas como o Wal-Mart. Traidor do movimento punk? Judas? Não. Ele é apenas um pensador diferenciado e trabalha para salvar o mundo. Em recente artigo publicado no Guardian, ele prega que devemos superar o movimento verde em direção ao movimento azul.

Movimento Azul?

Citando e traduzindo:

O “movimento azul” é uma plataforma para sustentabilidade que vai além do lindo verde do ambientalismo. O verde coloca o planeta no centro da discussão. O azul coloca as pessoas no centro. Para muitas pessoas, o verde significa escolher o ambiente, a natureza e a atmosfera sobre tudo mais. O azul significa que você não têm que escolher. Reconhece que as pessoas acreditam que a mudança climática está acontecendo, mas sabe que nós também queremos no sentir bem com a forma que ficamos no espelho e a forma com que nossas crianças nos olham na mesa de jantar. O azul entende que as pessoas querem diversão, não culpa, e um pouco de dinheiro em seus bolsos, então, não temos que negociar em mais uma coisa em nossas vidas.

Resumindo, o movimento azul não se foca em desenvolver e aplicar medidas para recuperar florestas, salvar animais e tudo mais (o que não significa que isso é deixado de lado), mas se foca na consciência das pessoas e a forma com que interagem com o mesmo. Segundo Adam espera-se do movimento:

  1. Melhorar mensuravelmente a vida das pesssoas que aderirem
  2. Engajar tantas pessoas quanto possível nesse esforço
  3. Aumentar a efetividade de seu ativismo

Ele acredita que a melhor forma de aumentar a consciência e o impacto das ações indivíduais é engajar as pessoas como consumidores, como pessoas que compram, pois isso levará a mudanças de larga escala. Ora, reclamamos das companhias destruidoras do ambiente, mas quem sustenta as mesmas, dando o aval passivo para que continuem? Se a demanda fosse diferente, eles mudariam seus métodos. Para eles, o objetivo, o lucro, seria o mesmo. A diferença estaria no consumidor.

O famoso ladrão Willie Sutton, foi perguntado uma vez por que ele roubava bancos. Sua resposta: “Porque é onde o dinheiro está”. Por isso, ele trabalha com corporações como o Wal-Mart, por que é onde as pessoas estão. E ele sugere 3 P’s que podem ser usados para reinventar nossos hábitos de compra: preço, propósito e processo.

Preço: Nós precisamos democratizar a sustentabilidade e fazê-la disponível a todos. Você não teria de ser rico para contribuir para uma sociedade sustentável. Embora grande parte do custo em nosso país seja responsabilidade dos produtores e impostos, devemos nos focar em comprar produtos locais. Produtos locais costumam custar mais barato pois não tiveram gasto em transportes (que poluem o ambiente) e ainda geram empregos em sua comunidade.

Propósito: Qual o propósito do que você está comprando? Você precisa disso? Isso combina com as práticas saudáveis de sua vida? Pode parecer prosaico, mas a maioria dos consumidores compra coisas que não precisa apenas por impulso.

Processo: Qual foi o processo para fazer o produto? Foi gasto muita energia? Usa petróleo ou pesticidas? Os trabalhadores receberam um salário justo? Como você pode lidar com os resíduos? Essa exige um pouco mais de consciência do consumidor e pede que ele saia da simples passividade de tirar o produto mais colorido da prateleira. Ou quando você comprar aquele eletrônico pirata em uma feira, sorrindo por ter pagado bem menos que seu primo idiota, mas nem sabe que aquele aparelho custa barato mesmo vindo de navio do outro lado do mundo por que eles empregam mão de obra barata, não alfabetizada, sem especialização e muitas vezes, infantil.

Na próxima vez que for comprar algo, pense se você é consciente de todos os P’s envolvidos. Parece que hoje é Dia da Terra. Que tal começar a mudança por você mesmo?


Creative Commons License crédito: greenpeace.italia


Creative Commons License crédito: greenpeace.italia


Creative Commons License crédito: Pupol

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Preconceito contra Ateus

por Ibrahim Cesar em 20 abril, 2008

Eu não sou o sonho de Hitler. Sou moreno. Não me acho branco, sou uma miscelânea de raças que caracteriza o brasileiro - tenho uma bisavó que veio da Itália e se casou com um mulato (ponto para mim, já que Nietzsche achava que raças mistas eram mais fortes). Então nunca sofri preconceito por ser negro. Não sou gay, portanto não sofri preconceito por ser homossexual. Mas eu já sofri e sofor um outro tipo de preconceito, que quase ninguém fala a respeito mas ainda é muito presente: o preconceito contra ateus.

A Família Não Aceita Um Ateu

Minha avô nunca gostou de eu declarar que “deus ou era imaginário ou era viado” (adolescência é um período estranho, não concordam?). Se você diz em um comentário na sua casa que é ateu, geralmente eles procuram ignorá-lo como se não fosse sério.

Entrevistas de Emprego

Em uma entrevista de emprego, o sujeito me perguntou qual era minha religião. É uma empresa religiosa, daquelas que colocam dizeres da Bíblia no muro. Respondi sinceramente e hoje continuo desempregado. Lucidamente, eu não tenho experiência de trabalho, mas não tenho dúvidas de que essa resposta pesou decisivamente.

Ateus Não Podem Governar

Em uma pesquisa com o eleitorado, os mesmos aceitariam mais facilmente um homossexual e um negro do que um ateu. Na verdade a intenção de voto para um candidato ateu não chega a 2%. Não quero desmerecer negros ou homossexuais, apenas demonstrar a dimensão do preconceito não declarado. Se estes grupos que amplamente combatem o preconceito de uma medida imensa, o que dizer sobre ateus?

Livros

Engraçado que existe há décadas livros religiosos. Espíritas, evangélicos, místicos. Em minha cidade, Rio Claro, há 2 livrarias evangélicas, que eu conheço, o mesmo número de livrarias “laicas”, que mesmo assim vendem volumes com temática religiosa. Bastou Dawkins e um punhado de outros escreverem livros sobre ateísmo, que foram atacados de todos os lados. Escreveram-se vários livros em objeção à literatura atéia. Nossas idéias não são apenas inaceitáveis pela sociedade, como ela reage violentamente contra.

Comentaristas Cristãos em Ação

Quem possui blog e já publicou algo ao menos questionando o pensamento religioso, já viu o que acontece. Seus leitores críticos, e muitos religiosos, lêem e expõem o que pensam. Então, você é descoberto pelo Google por algum religioso e lá vai ele dizer como você é burro ou citar a Bíblia ou rir e dizer que você vai para o inferno ou mesmo te xingar. Na maioria das vezes são todas as opções anteriores. Isso é preconceito.

Liberdade de Consciência

Minha visão atual da questão não é de uma negação veemente. Na verdade não sei se o termo ateu” me caí bem. Acontece que para efeitos práticos, vivo como um ateu (sem praticar ritos, orar, fundamentar minha ética em tábuas de barro ou perder os domingos pela manhã). Como disse, não parto para a negação veemente de deus/energia/designer inteligente, pois suspeito, como Laplace de que “deus é uma hipótese descartável”. Baseando-me apenas na experiência e narrativas científicas baseadas nos mesmos, rejeito narrativas míticas e sobrenaturais, as quais, possuímos largas provas de serem fantasiosas e não terem acontecido. Religiosos atribuem o “crime” da Criação (afinal, eu não estou satisfeito com o resultado) e apontam Godot, como o culpado. Só que a perícia técnica (cosmologistas, físicos e biológos) demonstra que essa entendidade não estava lá, e mesmo, talvez não esteja aqui.

O que peço é apenas a liberdade de consciência para todos. E que as decisões de cada um, quando envolvam as vidas de outras pessoas, passem pelo crivo das mesmas ou determinações técnicas.


Creative Commons License crédito: Matti Á. Papa Guru Imã Pai-de-Santo Mestre Celebridade dos Ateus

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O que você pode fazer a respeito do Aquecimento Global?

por Ibrahim Cesar em 19 abril, 2008

Há 44 dias atrás, saiu na capa do Digg, um pequeno cartaz onde existem pequenas atitudes, que podem ser feitas por todos, para ajudar a diminuir o aquecimento global. Eu imprimi e coloquei na parede à minha frente. Meus amigos vinham aqui e faziam a mesma pergunta: “Porquê não está em Português?”

Pois bem, apaguei no GIMP as palavras em inglês e escrevi com minha caneta nanquim e escaniei para compartilhar com aqueles que quiserem. Não coloco a mão no fogo pela qualidade ou mesmo fidelidade. Para salvar a figura em tamanho grande, clique na miniatura.

Venham caso da Dengue como uma experimento em pequena escala. Sem tirar a responsabilidade do Governo, cada um poderia ter feito a sua parte e evitado o estado de urgência atual, onde todas as medidas são paliativas. Não esperem o mesmo acontecer com nosso planeta, o único lugar em todo o Universo que por hora temos para ficar.

E a Wiki diz:

1,1 a 6,5 °C. De acordo com estimativas feitas pelo painel intergovernamental de mudança climática, em 2007, essa é a faixa de elevação que pode sofrer a temperatura média global até o final deste século. (A previsão anterior era de 1,6 a 5,8 °C, o que implica um aumento de incerteza quanto a esta previsão.)

2.000 quilômetros quadrados. Todo ano, áreas desse tamanho se transformam em deserto devido à falta de chuvas.

40% das árvores da Amazônia podem desaparecer antes do final do século, caso a temperatura suba de 2 a 3 graus.

2.000 metros. Foi o comprimento que a geleira Gangotri (que tem agora 25 km), no Himalaia, perdeu em 150 anos. E o ritmo está acelerando.

750 bilhões de toneladas. É o total de CO2 na atmosfera hoje.

2050. Cientistas calculam que, quando chegarmos a esse ano, milhões de pessoas que vivem em deltas de rios serão removidas, caso seja mantido o ritmo atual de aquecimento.

A calota polar irá desaparecer por completo dentro de 100 anos, de acordo com estudos publicados pela National Sachetimes de Nova Iorque em julho de 2005, isso irá provocar o fim das correntes marítimas no oceano atlântico, o que fará que o clima fique mais frio, é a grande contradição de aquecendo esfria.

O clima ficará mais frio apenas no hemisfério norte, quanto ao resto do mundo a temperatura média subirá e os padrões de secas e chuvas serão alterados em todo o planeta.

O aquecimento da terra e também outros danos ao ambiente estão fazendo com que a seleção natural vá num ritmo 50 vezes mais rápido do que o registrado há 100 anos.

De 9 a 58% das espécies em terra e no mar vão ser extintas nas próximas décadas, segundo diferentes hipóteses.

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