Arquivo de julho de 2008

Batman, o Cavaleiro das Trevas

terça-feira, 29 de julho de 2008

Ontem assisti o novo Batman. E sim, Peterson, Wall E continua sendo o melhor filme do ano.

Segundo pior filme de Nolan

Para mim este filme foi ótimo, mas até o momento, o pior filme da carreira de Nolan depois do primeiro Batman. A inclusão da viagem à China me pareceu muito fraca, a la Missão Impossível. Na prática, qual o sentido que aquela cena deu ao filme? Apenas que um vigilante norte-americano que busca por justiça deve ir até a China fazer isso valer. É claro, só estou criando caso.

O Coringa não é um agente da anarquia

Todo diálogo do Coringa parece ser uma dissertação didática dada por um artista sobre sua “arte”, que é anarquia, destruição. Ele diz não ter regras, não ter plano algum. Isso é o que se espera de alguém dedicado à anarquia, certo? Bem, seria. Acontece que TODO PLANO do Coringa só acontece por cada pedaço de um PLANO ser executado.

O cara que é contra quem faz planos, que odeia planos, os faz toda hora. Para sair da cadeia? Para explodir um hospital? Matar Harvey e Rachel? A Teoria dos Jogos que ele fez com os barcos? Todos PLANOS. Que ainda contavam com elementos tão sutis que demandariam um rigoroso conhecimento de diversas diciplinas. Ou ele é um mestre dos planos ou ele tem o poder da Feitiçeira Escarlate.

Se Nolan queria realismo, desculpe, ele falhou.

A Interpretação de Heath Ledger

Eu tenho um amigo. Ele só dá risada em séries com claque (as risadas de fundo – motivo pelo qual ele diz que The Office não é comédia…). Ele só assiste blockbusters e nos mais de 3 anos que conheço ele, nunca o ouvi dizer algo sobre atuação. Pois bem, ele é mais um no coro de que “a interpretação do Coringa é maravilhosa”.

É boa, não nego. Mas quando alguém começou a dizer isso, antes mesmo do filme ser lançado oficialmente, gerou uma expectativa em todo mundo…e apenas confirmamos a frase. Mas isso é ruim em ciência. Pesquisas de cientistas financiados pela indústria do tabaco tendem a tirar a culpa do cigarro pelo câncer, cientistas sociais confirmam suas teses…Quando se cria uma expectativa para um resultado, mesmo que inconscientemente, você acaba sendo levado a validá-lo. É uma tendência cognitiva como centenas de outras.

É uma boa atuação, mas quer saber: ele morreu. Isso cria uma aura. A pessoa deixa de ter falhas, logo o Coringa dele se torna mítico.

Boa história afinal

O plot do Harvey Dent, o novo papel do Batman, os imitadores dele. Uma boa história. Muitas furadas, claro. Mas nunca uma história é perfeita, certo? E essa é muito bem planejada e executada. A melhor adaptação dos quadrinhos continua sendo “Uma História de Violência”, e no campo de heróis mainstream “Homem de Ferro” me satisfez mais do que Batman como telespectador. “O Cavaleiro das Trevas” é ótimo mas nada do que TODO MUNDO parece querer dizer. Ou eu assisti uma versão diferente…

Grande lição de Batman?

O marketing na internet funciona.

Batman attacks the joker
Creative Commons License crédito: philosophygeek

Generation Kill

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Talvez eu tenha citado uma ou outra vez que meu novo livro descreve um conflito armado. Guerra. Embora eu seja pacifista, defenda a não-agressão, sou como um personagem de “Matadouro 5″: Sei que ser contra a guerra é o mesmo que ser contra geleiras. É uma forma coletiva de demonstrar nossa herança violenta e irracional, vinda direto de nossos antepassados animais (pois se caso alguma [sic] divindade tivesse deixado essas strings de violência em nosso código, seria um idiota completo). E há anos eu venho consumindo produções relacionadas ao tema (documentários, reportagens, filmes, livros). Este ano, está sendo exibido nos Estados Unidos uma série que pode-se chamar de “Band of Brothers” de nossos dias.

“Generation Kill” acompanha os Marines desde antes da invasão do Iraque (uma rápida explicação: as forças armadas norte-americanas, usam o exército e os marines, ou para nós, fuzileiros navais. Os marines atuam em áreas além-mar e possui diversas funções, mas não toma lugar das outras. A imagem que eles fazem é esta: a âmbulância não toma o lugar do hospital). Eu ainda não vi toda a série por isso não vou dar um veridito final, mas é escrita pelo mesmo responsável por “The Wire” que possui um dos melhores roteiros que já vi em séries. Para meu prazer descobri recentemente que Alan Moore também acha isso, tanto que o motivou a querer escrever para televisão.

Eu fui atrás das reportagens na revista Rolling Stones que devem origem ao livro, que deu matéria prima ao seriado. Ele publicou três reportagens, a primeira ganhou um importante prêmio. São elas: The Killer Elite, The Killer Elite, Part Two: From Hell to Baghdad e The Killer Elite, Part Three: The Battle For Baghdad.

É bem interessante ao mostrar a todo o tédio que os soldados são expostos, regras estúpidas e o que fazem para manter as ordens de hierarquia por mais estúpidas que sejam – e tendo consciência disso. Uma definição, dada por um sujeito é “o show mostra a nossa geração de heróis de guerra, que foi criada com filmes de kug fu, pornô na internet e video-games”. Na maior parte do primeiro episódio vemos as brigas raciais e muito palavrão. E no meio disso tudo surgem diálogos ditos no contexto, que por mais eloquentes que sejam, não parecem estar deslocados.

Em quantas sepulturas nós já pisamos? Pense em toda sabedoria e ciência e dinheiro que a civilização gastou nessas máquinas,e a coragem de todos os homens que vieram aqui, e o amor de suas esposas e filhos nos corações deles. E todo o ódio, cara, todo ódio que foi preciso para detonar esses filhos da puta. É o destino, cara. Os brancos tem que dominar o mundo.

O final do primeiro episódio é do tipo que dá um nó em você. Ok, aqui vão spoilers. Descobrem que o exército americano jogou “cupons” aos soldados iraquianos que se rendessem a eles. O que muitos fazem. Mas as ordens da Divisão é não aceitar ninguém. Só que os iraquianos que desertaram serão, sem dúvida, caçados e mortos por um tipo de milícia que se veste como civis e que os marines não puderam fazer nada a não ser acenar. E aceitar rendição não se trata apenas de escolha, mas de tratados internacionais, que foram violados desde o primeiro dia.

O diálogo final do primeiro episódio:

- Senhor, de acordo com os artigos 13 e 20 da Convenção de Genebra,somos obrigados a cuidar e proteger qualquer um que se renda a nós.

- A Divisão ordenou que não aceitássemos a rendição deles.

- O primeiro contato dos iraquianos com americanos. Nós fodemos eles.

O trailer:

Que venha mais “Generation Kill”.

Onde estão os unicónios?

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Lendas. Quem as começa? Algumas tem algum fundo de verdade ou todas são como a história da concepção imaculada? Ao clicar na imagem, uma reprodução artística baseada em fortes evidências forenses revelará que unicórnios, provavelmente a criatura mais gay de todas, realmente existiram e o que selou o destino deles. E como bônus, ainda poderá ver que a teoria de que um meteoro matou os dinossauros é pura papo-furado, como caras andando sob a água — Nem bêbado se acredita numa história dessas!

História real.

Novidades de Palahniuk

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Aviso, essa postagem conterá alta carga sexual gráfica.

Chuck Palahniuk, ou “O escritor de Clube da Luta” como a maioria conhece ele está com algumas novidades no ar. Começarei com os trailers de “No Sufoco”, “Choke” no original. O livro é hilário e provavelmente o meu predileto do autor. Uma das “marcas” do livro é que o protagonista ao executar uma ação sempre pergunta “O que Jesus NÃO faria?”, invertendo a [sic] lógica moral religiosa.

E abaixo, a versão com a “faixa vermelha”, o que indica que ele conterá altas doses de conteúdo sexual gráfico, insinuações de intercurso sexual, masturbação e “fucks” para dar e vender (o último é conhecido como prostituição).

A outra “novidade” não é nova. Já tem algum tempo que Chuck Palahniuk lançou seu útimo livro, intitulado “Snuff”. O livro é narrado do ponto de vista de alguns rapazes que…bem, é melhor contar a primeira parte da história. Palahniuk nos apresenta Cassie Wright, atriz pornô de diversos filmes (veja quais no perfil do MySpace e divirta-se com os títulos), que resolve se aposentar e fazer sua saída com grande estilo: irá gravar um filme onde ela faz com 600 caras. O livro seria narrado pelo ponto de vista deles, um inclusive sendo um filho dela que não foi criado pela mãe (!). Se não conhece o autor, bem-vindo ao Mundo Doentio de Palahniuk.

Aqui você pode conferir um “trailer” para um filme de Cassie Wright, “The Wizard of Ass – Dorothy is Not a Virgin Anymore”

Uma coisa me intriga no título do livro, que talvez pode ser “estraga surpresa”, mas como eu não li o livro, é só especulação. “Snuff” é um gênero de filmes onde ocorrem assassinatos reais. Por que o livro tem esse nome? Se a atriz estivesse apenas encerrando sua carreira com os 600 caras, deveria se chamar “Gang Bang”, que é um gênero de filmes que segundo a Wikipédia emprega em intercurso sexual mais de 6 pessoas. O livro foi lançado no dia das mães por causa da parte da trama de relacionamento entre mãe e filho (ou só para sacanear mesmo).

Eu costumo dizer que Chuck Palahniuk é foda. E nunca foi tão literalmente quanto dessa vez.

Como criar uma pseudociência

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Show us a Clear
Creative Commons License crédito: mlpoulter

Toda vez que leio relatos acerca de novas pseudociências na Skeptical Inquirer ou observo o mais
recente programa de televisão no estilo de “Em busca de…”, tenho a mesma resposta cognitiva:
“Macacos me mordam! Como alguém pode acreditar nisso?”. Alguns exemplos recentes incluem: “Macacos me mordam! Por que as pessoas gastam US$ 3,95 por minuto para falar ao telefone com um
‘sensitivo’ que nunca previu o futuro?”; “Macacos me mordam! Por que as pessoas acreditam que uma
dieta vegetariana totalmente crua é natural e, portanto, nutritiva?”; “Macacos me mordam! Por que dois policiais caçam o planeta Vênus pelas estradas, pensando que era uma espaçonave alienígena?”;
“Macacos me mordam! Por que as pessoas gastam milhões de dólares por ano com fitas subliminares que simplesmente não funcionam?”.

Existem, é claro, muitas respostas diferentes para essas perguntas “Macacos me mordam!”. Mágicos podem duplicar façanhas pseudocientíficas e assim nos mostrar o quanto alguma prestidigitação e uma orientação errada podem nos iludir. Os sociólogos podem nos apontar as condições sociais que aumentam a prevalência de crenças pseudocientíficas. Os cientistas naturais podem descrever as propriedades físicas dos objetos para mostrar que o que aparenta ser sobrenatural é, na verdade, natural.

Os psicólogos cognitivos já identificaram certas tendências mentais que freqüentemente nos levam a
distorcer a realidade social e a favorecermos fenômenos sobrenaturais. Estas perspectivas são úteis ao
tratarmos das perguntas do tipo “Macacos me mordam!”; afinal, todas nos dão uma peça do quebra-
cabeça para que possamos solucionar este mistério. Aqui, descreverei como um psicólogo social responde a uma pergunta do tipo “Macacos me mordam!”. A psicologia social é o estudo da influência social – como os seres humanos e suas instituições influenciam e afetam uns aos outros. Nas últimas sete décadas, os psicólogos sociais vêm desenvolvendo várias teorias de influência social e testando a eficiência de várias táticas de persuasão. Defendo a tese de que muitas dessas táticas descobertas por eles são usadas todos os dias, talvez de forma não totalmente consciente, pelos divulgadores da pseudociência.

Para ver o quanto essas táticas podem ser usadas para divulgar tolices, vamos fazer de conta, por
um momento, que queremos criar nossa própria pseudociência. Aqui estão nove táticas de propaganda
muito comuns que poderiam nos levar ao sucesso.

1. Crie um fantasma

A primeira coisa que precisamos fazer é criar um fantasma – um objetivo inatingível que parece
real e possível, como se pudesse ser alcançado desde que com o esforço certo, a crença certa, ou apenas a quantidade correta de dinheiro, mas que, na realidade, não pode ser obtido. A maioria das
pseudociências é baseada na crença numa meta distante. Alguns exemplos de fantasmas pseudocientíficos: encontrar um extraterrestre, contatar um parente morto numa sessão espírita, receber a sabedoria do Universo através de um golfinho canalizado e melhorar o jogo de boliche ou superar o trauma de um estupro com uma fita de mensagens subliminares.

Os fantasmas podem ser mecanismos eficazes de propaganda. Se não tenho um fantasma desejável, sinto-me frustrado e inferiorizado como pessoa. Um pseudocientista pode tirar vantagem desses sentimentos de inferioridade oferecendo-nos um meio de alcançar esse objetivo. Numa corrida
para aumentar a auto-estima, suspendemos nosso bom senso e logo aceitamos a oferta da pseudociência.

O truque é levar o novo adepto a acreditar que o fantasma é possível. Não raro, a mera menção das delícias de um fantasma bastará para fascinar o nosso recruta. Afinal, quem não gostaria de melhorar
sua vida sexual, sua saúde, aumentar sua paz de espírito, tudo por uma fita subliminar de US$ 14,95? O
medo da perda de um fantasma também pode nos motivar a aceitá-lo como real. A idéia de que nunca
falarei de novo com um ente querido falecido, ou que, no próximo mês, eu mesmo posso morrer de
câncer, pode ser tão dolorosa que me fará suspender minha autocensura e me agarrar a uma esperança
após outra de que o médium pode contatar os mortos ou que Laetrile funciona. Mas, às vezes, a coisa é mais difícil, e precisamos de nossa próxima tática de persuasão.

2. Arme uma cilada racionalizadora

A cilada racionalizadora é baseada na seguinte premissa: faça a pessoa se comprometer com a
causa o mais rápido possível. Isso feito, a natureza do pensamento muda. O coração comprometido não
está muito interessado numa avaliação cuidadosa dos méritos do rumo de uma ação, mas sim em provar
que está certo.

Para vermos como o comprometimento com uma pseudociência pode ser feito, vejamos um caso
bizarro: os suicídios em massa liderados pelo líder religioso Jim Jones. Esta é a suprema pergunta do tipo “Macacos me mordam!”: “Por que matar a si e aos seus filhos por ordem de uma outra pessoa?”. Vendo de fora da seita, isso pode parecer estranho, mas para quem vê de dentro parece natural. Jones
começava induzindo seus seguidores a comprometimentos fáceis (uma oferta para a igreja, assistir ao
culto na quarta-feira à noite) e, então, ia aumentando o nível de comprometimento – mais dízimos, mais tempo no culto, juramentos de lealdade, admissão pública de pecados e as respectivas penitências, vendadas casas dos fiéis, sexo forçado, mudança para a Guiana e, então, o suicídio. Cada passo era realmente pequeno. E onde os observadores externos viam um resultado estranho, os fiéis viam uma experiência crescente de engajamento.

Esse é um exemplo dramático, mas nem toda crença em pseudociência chega a tais extremos. Por
exemplo, existem aqueles que ocasionalmente consultam um vidente ou ouvem uma fita subliminar. Em
tais casos, o comprometimento pode ser garantido pelo que os psicólogos sociais chamam de “a técnica do pé na porta”. Funciona assim: você começa com um pedido pequeno, tal como aceitar um exame de coluna grátis com um quiroprático, tomar uma amostra de vitaminas ou completar um inventário de personalidade gratuito. Então um pedido maior vem em seguida – um realinhamento quiroprático de US$ 1.000, um regime à base de vitaminas ou uma cara série de seminários. O primeiro pequeno pedido cria o comprometimento: ora, por que você aceitaria aquele exame ortopédico, tomaria aquelas vitaminas ou completaria aquele teste se você não estivesse interessado e pensasse haver algo de bom nisso? Uma resposta extremamente comum: “Caramba! Acho que estou interessado!”. E a cilada racionalizadora está acionada.

Agora que garantimos o comprometimento da vítima com um objetivo fantasma, precisamos de
algum apoio social para as crenças pseudocientíficas recém-descobertas. As próximas táticas foram
projetadas para reforçar essas crenças.

3. Fabrique uma fonte de credibilidade e sinceridade

Nossa terceira tática é criar uma fonte de credibilidade e sinceridade. Noutras palavras, crie um
guru, líder, místico, senhor ou outra autoridade genericamente aceitável e poderosa, uma em que as
pessoas teriam de ser loucas para não acreditar. Por exemplo, praticantes de medicina alternativa
freqüentemente têm “diplomas de graduação” como quiropráticos ou homeopatas. Vendedores de fitas
subliminares alegam possuir conhecimento especializado e treinamento em campos como o da hipnose.
Defensores de avistamentos de OVNIS, muitas vezes, se tornam diretores de “centros de pesquisa”.
“Detetives sensitivos” vêm com longos currículos de serviços policiais. Profetas recorrem a sucessos
passados. Por exemplo, a maioria de nós “sabe” que Jeane Dixon previu o assassinato do presidente
Kennedy, mas provavelmente não sabe que também previu uma vitória de Nixon em 1960. Como as
relações públicas modernas nos têm mostrado, ganhar credibilidade é mais fácil do que poderíamos
normalmente pensar.

Produzir credibilidade é um recurso eficaz de propaganda por pelo menos duas razões. Primeira,
nós freqüentemente processamos mensagens persuasivas num estado de desatenção – seja porque não estamos motivados para pensar, não temos tempo para refletir ou por falta das habilidades necessárias para entender o assunto. Nesses casos, a presença de uma fonte confiável pode nos levar a concluir rapidamente que a mensagem tem valor e deve ser aceita.

Segunda, produzir credibilidade pode fazer cessar o questionamento (Kramer e Alstad, 1993). Afinal de contas, o que lhe dá o direito de questionar um guru, um profeta, a imagem da Virgem Maria ou
um sincero pesquisador dos potenciais ocultos da vida? Esclarecerei esse ponto com um exemplo.
Suponha que lhe diga que a afirmação seguinte é uma previsão do desenvolvimento da bomba atômica e do avião de combate:

Eles pensarão ter visto o Sol à noite
Quando verão o porco meio-humano
Barulho, canção, a batalha feita no céu percebida,
E se ouvirá o diálogo de bestas brutas.

Você provavelmente responderia: “Hã? Não vejo como se deduz a bomba atômica disso. Essa poderia muito bem ser a previsão de uma exibição do filme do Dr. Doolittle numa viagem de avião ou o advento de uma partida de beisebol no campo de Wrigley”. No entanto, atribua a afirmação a Nostradamus e a dinâmica muda. Nostradamus foi um homem que supostamente curava doentes da peste, predisse quem iria ser papa, antecipou o futuro de reis e rainhas, e até mesmo encontrou um pobre cachorro perdido pelo pajem do rei. Um vidente e profeta de tamanha grandeza não pode estar errado. A mensagem implícita aqui é esta: o problema é com você; ao invés de questionar, por que você não desliga sua mente linear, imperfeita, até conseguir o discernimento necessário?

4. Estabeleça um “granfalloon”

Onde estaria um líder sem ninguém para liderar? Nossa próxima tática dá a resposta. Estabeleça
o que Kurt Vonnegut denomina um “granfalloon”, uma associação de pessoas orgulhosa e desprovida de
significado. Um dos achados mais notáveis da psicologia social é a facilidade com que os “granfalloons”
podem ser criados. Por exemplo, o psicólogo social Henri Tajfel meramente trouxe algumas pessoas ao
seu laboratório, jogou uma moeda e as dividiu aleatoriamente em dois grupos, os Xs e os Ws. No final do estudo, perfeitos estranhos entre si estavam agindo como se aqueles em seu “granfalloon” fossem
parentes próximos e os do outro grupo fossem seus piores inimigos.

Os “granfalloons” são poderosos meios de propaganda porque são fáceis de criar e, uma vez estabelecidos, o “granfalloon” define a realidade social e mantém as identidades sociais. A informação é
dependente do “granfalloon”. Uma vez que a maioria dos “granfalloons” rapidamente desenvolve grupos
dissidentes, as críticas podem ser atribuídas a esses “malvados” de fora do grupo, que são, assim, reprimidos. Para manter uma identidade social desejada, tal como a de um pesquisador ou de um rebelde da Nova Era, deve-se obedecer aos ditados do “granfalloon” e seus líderes.

A sessão espírita clássica pode ser vista como um “granfalloon” ad hoc. Note o que acontece quando você se senta na escuridão e ouve uma pancada. Você depende do grupo conduzido por um médium para a interpretação do som. “O que é isto? Um joelho contra a mesa ou meu há muito falecido
Tio Ned? O grupo acredita que é o Tio Ned. Discordar abertamente [Rocking the boat] seria descortês.
Além disso, vim aqui para ser um pesquisador”.

É essencial para o sucesso dessa tática a criação de uma identidade social compartilhada. Ao criá-
la, eis algumas coisas que você pode querer incluir:

(a) rituais e símbolos (ex.: uma varinha de rabdomancia, símbolos secretos e maneiras especiais de preparar a comida): eles não apenas criam uma identidade, mas fornecem itens para uma venda lucrativa;
(b) jargões e crenças que só os membros do grupo entendem e aceitam (ex.: você está numa cúspide com a ascensão de Júpiter): jargão é um meio eficaz de controle social, já que pode ser usado para ajustar e enquadrar a interpretação dos eventos;
(c) objetivos comuns (ex.: acabar com as guerras, espalhar a fé e os produtos a ela relacionados, desenvolver o potencial humano de alguém): tais objetivos não apenas definem o grupo, mas motivam a ação enquanto os crentes tentam alcançá-los;
(d) sentimentos comuns (ex.: o entusiasmo de uma profecia que pode parecer verdadeira ou a racionalização coletiva de crenças estranhas para os outros): sentimentos comuns reforçam o senso de comunidade;
(e) informação especializada (ex.: o governo dos EUA faz parte de uma conspiração para encobrir os OVNIS): isso ajuda a vítima a se sentir especial porque ele ou ela faz parte “dos que sabem”.
(f) inimigos (ex.: praticantes de medicina alternativa se opondo à Associação Americana dos Médicos ou à Food and Drug Administration [agência americana que avalia, aprova e controla a qualidade das drogas e alimentos comercializados nos EUA], companhias de fitas subliminares menosprezando os psicólogos acadêmicos, e espiritualistas condenando Randi [um polêmico ex-mágico dedicado a desmascarar alegações de paranormalidade, espécie de Quevedo secular americano] e outros investigadores): inimigos são muito importantes, pois você, como um pseudocientista, precisará de bodes expiatórios para culpar por seus problemas e falhas.

5. Use persuasão autogerada

Uma outra tática para promover uma pseudociência e uma das mais poderosas já identificadas por psicólogos sociais é a persuasão autogerada – o sutil planejamento de uma situação que leve os alvos
a convencerem a si mesmos. Durante a Segunda Guerra Mundial, Kurt Lewin foi capaz de levar os americanos a comer mais miúdos de carne fazendo-os formar grupos para discutir como poderiam
persuadir outras pessoas a comer esses alimentos.

Os comerciantes dos assim chamados produtos nutricionais descobriram esta técnica
transformando os clientes em vendedores. Para criar uma organização de vendas com múltiplos níveis, o comerciante de “alimentos” recruta clientes (que recrutarão ainda mais clientes) para servir como
representantes de venda para o produto. Esses clientes são recrutados como um teste de sua crença no produto ou com a esperança de obter muito dinheiro (muitas vezes para comprar mais produtos). Ao
tentar vender o produto, o vendedor-que-era-cliente se convence ainda mais de valor da mercadoria que está vendendo. Um chefe de múltiplos níveis diz a seus novos representantes de venda para “responderem a todas as objeções com testemunhos. Esse é o segredo para motivar as pessoas”, e é
também o segredo para convencer a si mesmo.

6. Construa apelos vívidos

Joseph Stalin comentou certa vez: “A morte de um único soldado russo é uma tragédia. Um milhão de mortes é uma estatística”. Em outras palavras, um estudo de caso ou exemplo bem-apresentado pode causar uma impressão duradoura. Por exemplo, as pseudociências estão repletas de histórias vívidas de aviões e navios perdidos no Triângulo das Bermudas, alienígenas do espaço examinando os órgãos sexuais de seres humanos, eventos bizarros em Borley Rectory ou Amytiville, Nova Iorque [localidade imortalizada numa famosa série de filmes de terror], e cirurgias espirituais removendo tumores cancerosos.

Uma apresentação vívida provavelmente será memorável e difícil de refutar. Não importa quantos
argumentos lógicos sejam usados para se opor à alegação pseudocientífica, a imagem daquele incidente
ainda permanece e vem logo à mente para uma resposta: “Sim, mas e a casa assombrada em Nova
Iorque? É difícil explicar aquilo”. A propósito, uma das melhores maneiras de conter um apelo vívido é
com um igualmente vívido que lhe seja contrário. Por exemplo, para refutar histórias sobre cirurgias
espirituais nas Filipinas, Randi conta uma igualmente vívida história de um cirurgião espiritual manejando
órgãos de galinha e fingindo removê-los de uma paciente doente (e agora menos rica).

7. Use a pré-persuasão

Pré-persuasão é quando se define a situação ou o cenário de modo que se possa vencer, às vezes
sem ter o trabalho de levantar um argumento válido. Como se faz isso? Pelo menos três passos são
importantes.

Primeiro, estabeleça a natureza da questão. Por exemplo, para evitar a ira da FDA, os defensores
da medicina alternativa definem a questão como sendo de liberdade de saúde (você deve ter o direito à
alternativa de saúde de sua escolha), evitando cair na de proteção ao consumidor ou de qualidade do
tratamento. Se a questão se define como sendo acerca de liberdade, o defensor da medicina alternativa vencerá porque “Quem se opõe à liberdade?”. Outro exemplo dessa técnica é criar um problema ou uma doença, tal como hipoglicemia reativa ou alergia a leveduras, que simplesmente parecem ser “curáveis” com qualquer charlatanice que você tenha para vender.

Outra forma de definir a questão é através da diferenciação. Empresas de fitas subliminares usam
a diferenciação de produtos para responder a estudos com conclusões negativas acerca da eficácia de sua mercadoria. A alegação: “Nossas fitas têm uma técnica especial que as fazem superiores àquelas usadas no estudo e que não conseguiram mostrar o valor terapêutico das fitas subliminares”. Portanto, os resultados nulos são usados para fazer uma determinada fita subliminar parecer superior. A Psychic
Network [rede americana de consultas por telefone com supostos videntes] tem uma abordagem similar: “Cansado daquelas estatísticas falsas? As nossas são comprovadas”, diz o anúncio.

Segundo passo: crie expectativas. Elas podem nos levar a interpretar informações ambíguas de
maneira a confirmar uma hipótese original. Por exemplo, a crença no Triângulo das Bermudas pode nos
levar a interpretar uma queda de avião na costa de Nova Iorque como evidência dos efeitos sinistros do Triângulo. Recentemente, conduzimos um estudo que mostrava como uma expectativa pode fazer as
pessoas pensarem que as fitas subliminares de fato funcionam quando, na verdade, isso não acontece.
Em nosso estudo, as expectativas foram criadas através da troca dos rótulos de metade das fitas. Os
resultados mostraram que cerca da metade dos sujeitos pensaram que haviam melhorado (embora não
houvessem) baseados no que dizia o rótulo da fita (e não no conteúdo real). O rótulo os levou a interpretar seu comportamento em favor das expectativas, no que chamamos de “efeito placebo”.

Uma terceira maneira de pré-persuadir é especificar os critérios de decisão. Por exemplo, aqueles que acreditam em videntes desenvolveram diretrizes sobre o que poderia ser visto como evidência aceitável de habilidades paranormais – tais como usar experiências pessoais como dados, pondo o ônus
da prova sobre o crítico e não sobre o declarante, e acima de tudo manter James Randi e outros psi-
inibidores fora da sala de testes. Aceitando-se esses critérios, qualquer um concluirá de que o paranormal é uma realidade. A colaboração de Hyman e Honorton é uma tentativa positiva de estabelecer uma discussão justa.

8. Use heurísticas e lugares-comuns com freqüência

Minha próxima recomendação para o futuro pseudocientista é usar heurísticas e lugares-comuns.
Heurísticas são regras condicionais simples do tipo “Se… então…” amplamente aceitas; por exemplo, se algo é mais caro, então deve ser mais valioso. Já os lugares-comuns são crenças amplamente aceitas que servem como base para um apelo; por exemplo, a reforma governamental da saúde deve ser rejeitada porque os políticos são corruptos (admitindo-se a corrupção política como uma crença muito difundida).

As heurísticas e os lugares-comuns obtêm seu poder do fato de terem grande aceitação e, portanto,
induzirem pouca reflexão quanto a se a regra ou o argumento são apropriados. Para criar e difundir uma pseudociência, borrife generosamente o seu apelo com heurísticas e lugares-comuns. Aqui vão alguns exemplos:

(a) A heurística da escassez – ou: se é raro, é valioso. A Psychic Friends Network custa salgados US$ 3,95 por minuto e, portanto, deve ser valiosa. Por outro lado, um professor médio da Universidade da Califórnia custa cerca de US$ 0,27 por minuto e, portanto, tem pouco valor!
(b) A heurística do consenso – ou: se todos concordam, deve ser verdade. Fitas subliminares, anúncios de videntes por telefone e medicina fajuta sempre mostram testemunhos de pessoas que encontraram aquilo que procuravam.
(c) A heurística do comprimento da mensagem – ou: se a mensagem é longa, é válida. As brochuras sobre fitas subliminares freqüentemente listam centenas de estudos subliminares a favor de suas afirmativas. Contudo, a maior parte desses estudos não lida com a influência subliminar e, por isso, são irrelevantes. Um observador desinformado se impressionaria com o peso da evidência.
(d) A heurística da representação – ou: se um objeto lembra outro (em algum aspecto de destaque), então agem da mesma forma. Por exemplo, na medicina popular, a cura muitas vezes lembra a causa aparente da doença. A homeopatia é baseada na noção de que pequenas quantidades de substâncias que podem causar os sintomas de uma doença curarão essa doença. A Doutrina Chinesa das Assinaturas declara que a similaridade da forma determina o valor terapêutico; assim, chifres de rinoceronte, galhos de veados e a raiz do ginseng têm forma fálica e supostamente aumentam a vitalidade.
(e) O lugar-comum do natural – ou: o que é natural é bom e o que é artificial é ruim. As medicinas alternativas são divulgadas com a palavra “natural”. Habilidades psíquicas são retratadas como capacidades naturais, mas perdidas. Alimentos orgânicos são naturais. É claro que grãos de visco também são, e eu não recomendo uma dieta baseada neles.
(f) O lugar-comum do deus interior – ou: os humanos têm um lado espiritual que é negligenciado pela moderna ciência materialista. Este lugar-comum vem da noção da alma, que foi modernizada por Mesmer como magnetismo animal e então convertida pela Psicanálise no poderoso e oculto inconsciente. A pseudociência joga com esse lugar-comum oferecendo meios de entrar em contato com o inconsciente, tais como fitas subliminares, de provar que este poder oculto existe através da percepção extra-sensorial (PES), ou de falar com os remanescentes dessa espiritualidade através da canalização e da sessão espírita.
(f) Os lugares-comuns da Ciência. Os pseudocientistas usam a palavra “Ciência” de forma contraditória. Por um lado, a palavra é usada à larga pela maioria deles: fitas subliminares fazem uso da “mais recente tecnologia científica”; videntes são “cientificamente testados”; novidades terapêuticas são “o que há de mais avançado na Ciência”. Por outro, a Ciência é muitas vezes mostrada como algo limitado. Por exemplo, um artigo na revista Self falava de nossos estudos com fitas subliminares mostrando não haver evidências de que elas funcionam e então afirmava: “Os fabricantes das fitas debatem sobre a objetividade dos estudos. Dizem que a Ciência nem sempre pode explicar os resultados da Ciência convencional também”. Em cada caso, um lugar-comum sobre Ciência é usado: (1) “A Ciência é poderosa” e (2) “A Ciência é limitada e não pode substituir o pessoal”. O uso seletivo desses lugares- comuns permite que uma pseudociência alegue possuir o poder da Ciência, mas ter uma saída conveniente para o caso de a ciência não servir aos seus propósitos.

9. Ataque os oponentes destruindo seu caráter

Finalmente, você vai querer que a sua pseudociência fique a salvo de ataques externos. Já que a
melhor defesa é o ataque, ofereço-lhe o conselho de Cícero: “Se você não tem um bom argumento,
ataque o demandante”. Deixe-me dar um exemplo pessoal desta tática em ação. Após a nossa pesquisa mostrando que as fitas subliminares não têm valor terapêutico ter sido divulgada, meus co-autores, Tony Greenwald, Eric Spangenberg, Jay Eskenazi e eu fomos alvo de muitas insinuações.

Um boletim sobre as fitas subliminares editado por Elson Taylor, Michael Urban e outros alegou que a nossa pesquisa era um estudo mercadológico projetado não para testar as fitas, mas “para demonstrar a influência das práticas de mercado nas percepções dos consumidores”. O artigo diz ainda que todo o corpo de dados apresentado por Greenwald representa uma dissertação de mercado de Spangenberg e pergunta por que Greenwald é citado como autor. O boletim faz também outros ataques, afirmando que nossa pesquisa carecia de um grupo de controle; que nós, na verdade, encontramos efeitos significativos das fitas; que violamos a ética da American Psychological Association, dando uma dica de que haveria uma investigação; que relatamos prematuramente os nossos achados de maneira similar à daqueles que anunciaram prematuramente a fusão a frio; e que estávamos conduzindo uma campanha caluniosa no estilo de Willie Horton contra os que buscavam ajudar os americanos a alcançar suas metas pessoais.

Muitos céticos podem mostrar tipos de ataques parecidos. No século XIV, o bispo Pierre d’Arcis, um dos primeiros a contestar a autenticidade do Sudário de Turim, foi acusado pelos defensores deste de
o fazer motivado pela inveja e pelo desejo de possuir o sudário. Hoje, James Randi é descrito pelos defensores de Uri Geller como “um poderoso paranormal tentando convencer o mundo de que tais
poderes não existem de modo que possa assumir a liderança no mundo dos paranormais”. Por que essas insinuações são um recurso de propaganda tão poderoso? Os psicólogos sociais apontam três categorias de resposta. Primeira, as acusações mudam o tema da discussão. Note que a “nova” discussão sobre as fitas subliminares não é sobre se valem seu dinheiro ou não. Em vez disso, estamos discutindo se sou ou não ético, se sou um pesquisador competente, e até mesmo se cheguei a fazer mesmo a pesquisa.

Segunda, as insinuações levantam dúvidas sobre o caráter da pessoa atacada. Essas dúvidas podem ser especialmente poderosas quando há pouca informação de outras fontes sobre as quais se poderia basear um julgamento. Por exemplo, o leitor mediano do boletim subliminar que citei provavelmente sabe pouco sobre mim, minha pesquisa, o processo de revisão em grupo que a avaliou, e não sabe que vivo do magistério universitário e não da venda das fitas subliminares. Esse leitor médio ficará com a impressão de que sou um cientista antiético e incompetente que está fora de controle. Quem em sã consciência acreditaria no que tal pessoa tem para dizer?

Finalmente, as insinuações e rumores negativos têm um efeito inibidor. A vítima começa a se questionar quanto à sua própria reputação e se a luta vale a pena. Um processo judicial fútil é uma
maneira efetiva de aumentar esse efeito.

A Ciência pode ser divulgada com propaganda?

Estaria sendo negligente se não debatesse mais uma questão: podemos vender a Ciência com as
táticas de persuasão da pseudociência? Sejamos honestos: a Ciência, algumas vezes, recorre a essas
táticas. Por exemplo, carrego na carteira um cartão de sócio do Aquário de Monterey Bay com uma foto da mais linda lontra que você jamais verá na vida. Estou no “granfalloon” da lontra. Em algumas ocasiões, os céticos têm sido exagerados com seus argumentos e ataques. Apenas como exemplo, veja o artigo de George Price na Science de 1955 atacando o trabalho de Rhine e Soal sobre a percepção extra-sensorial – um ataque que foi bem além dos dados disponíveis.

Até compreendo o uso dessas táticas. Se uma lontra bonitinha pode inspirar uma criança a buscar
entender a Natureza, então que assim seja. Mas devemos lembrar que tais táticas podem ser ineficazes
se não forem seguidas por um envolvimento no processo científico – o processo de questionar e descobrir.

E devemos estar atentos para o fato de que o uso de técnicas de propaganda tem seu preço. Se
basearmos nossas alegações em táticas baratas de propaganda, então será fácil para o seudocientista desenvolver outras ainda mais efetivas e ganhar o dia.

Mais fundamentalmente, a propaganda funciona melhor quando estamos distraídos, pensadores
simplistas tentando racionalizar nosso comportamento para nós mesmos e para os outros. A Ciência
funciona melhor quando somos ponderados e críticos, examinando cuidadosamente as declarações que
ouvimos. Nosso trabalho deve ser divulgar essa ponderação e esse exame. Devemos ser cuidadosos ao
selecionar nossas estratégias de persuasão para que sejam coerentes com esse objetivo.

Publicado na revista Skeptical Inquirer vol. 19, no 4 (julho-agosto/1995), pp. 19-25, com o título “How to sell a pseudoscience”. Autor: Anthony R. Pratkanis, tradução: Rodrigo Farias, fonte: Ateus.net, que autoriza a reprodução como se lê na FAQ: “… o material pode ser utilizado e reproduzido com a condição de que isso não tenha fins comerciais. Também deve ser citada a fonte e o autor.”

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Creative Commons License crédito: anmoyunos

Wall E: Melhor Filme do Ano

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Não assisti todos os filmes do ano, mas para mim, Wall E já deveria ser indicado ao Oscar de Melhor Roteiro. Criou um personagem extremamente carismático que não solta nenhuma frase de efeito (na verdade nem uma frase completa), uma história sólida, comovente, crítica (sem fazer discursos), cheia de referências (O Co-piloto é HAL, por exemplo) e isso em uma animação, gênero que depende muito mais de um bom roteiro (em produções com atores de carne e osso, há espaço para improvisações, mudanças nos diálogos, idéias que surgem no decorrer do processo, em animação, voltar atrás é uma perda monumental de tempo e dinheiro).

Wall E é a criatura mais fofa que já existiu no mundo. Desculpe, Nemo e Dory. Vocês eram meus preferidos com sua nadadeira menor e com seu jeito “Dory de ser” respectivamente, mas como não gostar mais de um robô que tem uma barata de estimação, grava músicas para ouvir depois e tudo o que quer é pegar na mão de sua garota (I Wanna Hold Your Hand! I Wanna Hold Your Hand!).

O filme é do balacobaco, mas há uma parte que em minha seção foi completamente negligenciada pelos espectadores que foram saindo sem nem prestar atenção, mas que foi completamente genial, cuidado, THERE WILL BE SPOILERS: Os créditos de encerramento mostram o que aconteceu após os humanos chegarem na Terra, como eles reconstruíram o mundo com a ajuda dos robôs e isso vai se desenrolando na tela do mesmo modo como a evolução da arte! Começa-se com ilustrações no estilo “pinturas na caverna”, passa pelos egípcios, afrescos, murais, Van Gogh! É absolutamente interessante.

Gostei também de que, mesmo o planeta estando lotado de lixo, os seres humanos em nenhum momento são mostrados como vilões ou com más intenções. Pelo contrário, são criaturas pacíficas, enormes, quase bovinas. Bem, na verdade inteiramente bovinas. Estão apenas seguindo suas vidas e consumindo, consumindo, consumindo…

07.04.08 :: parties
Creative Commons License crédito: tamedblossom

Wordle

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Interessante ferramenta: Wordle. O que faz por você: Insira nessa página um texto, uma URL, enderço para feed ou usuário do del.icio.us e obtenha as palavras com maior peso e frequencia. Quanto maior a freqüência, maior o destaque. Interessante para ver quais palavras você está utilizando mais no seu blog. Mas me deu uma idéia para qualquer dia, ser a contra-capa de uma hipotética e cada vez menos improvável segunda edição de EQM. Aí vai o resultado que o Wordle me deu ao usar todo o texto de EQM:

A real procura da felicidade

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Hancock é um filme chato sem lógica interna que mostra um sujeito que é uma espécie de “deus/anjo” que mesmo sendo imune a tiros, quedas, entra em um incêndio sem ser carbonizado, mas mesmo assim é afetado pelo consumo de álcool, mostrou Will Smith mais uma vez interpretando Will Smith. Lembrei que de todos os filmes dele, o que eu mais gostei foi À Procura da Felicidade e curiosamente é um filme tão distante da realidade como Hancock.

Direto de um artigo do Cracked.

A versão Hollywoodiana:
Chris Gardner é um homem que trabalha duro com uma mulher pé no saco e um pequeno filho adorável ostentando um dos maiores afro’s que nós já vimos em uma criança. Tudo o que Gardner quer é fazer o suficiente para provar o susteno a seu filho.

Através do que assumimos ser magia negra, eles resolve um cubo mágico em tempo recorde, divertindo um emprego da Dean Witter e ele aparentemente passa no único teste necessário para qualificar um homem como um especulador. Ele se esforça por meses, dormindo em metrôs e igrejas com seu filho do lado, mas no fim tudo é recompensado quando ele consegue a única vaga na Dean Witter, vertendo lágrimas de alegria e comemorando pelas ruas de San Francisco.

Na realidade…
Gardner realmente conseguiu uma chance de mostrar seu potencial no programa de treinamento da Dean Witter (ainda que nos entristeça dizer que sua aceitação não teve nada a ver com resolver um brinquedo colorido). Mas, assim como a versão mais honesta do livro mostra, ele aparentemente não foi o pai que o filme mostrou ser.

Primeiro, ele estava tão focado em conseguir um trabalho e ganhar seu primeiro milhão que, bem, ele nem mesmo sabia onde diabos seu filho estava pelos primeiros quatro meses no programa.

Chris, Jr. estava aparentemente vivendo nesse ponto com sua mãe, Jackie. Nós já mencionamos que o garoto foi concebido quando Gardner continuava  casado com outra mulher?

Em adição a isso, ao invés de ser preso bem antes de sua grande entrevista por causa dos bilhetes de estacionamento…bem, parece que Chris foi na verdade preso após Jackie acusá-lo de violência domestica.

Não nos entenda mal, Chris realmente teve sua vida mudada após conseguir o emprego. Mas há algumas coisas em seu passado que não tem nada a ver com aquelas que Will Smith fez na tela. Como vender drogas (como Gardner admite ter feito brevemente), ou tomar cocaína com sua amante, com algumas doses de PCP e uma ajuda de bom grado da Maria Juana.

Adultério? Cocaína? Negligenciar o filho por meses?

Oh, Humanidade!

Jump
Creative Commons License crédito: Claudio Matsuoka

Tentem isso!

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Começa a girar seu pé direito em sentido horário. Ainda não fez? Ok, eu espero…Fazendo? Então agora levante sua mão direita e desenhe um 6 no ar. Seu pé vai girar no sentido contrário. Não há nada que você possa fazer a respeito…

Uma falha na Matrix?

Fonte

Comercial Assustador do Kinder Ovo

terça-feira, 8 de julho de 2008

Santa tartaruga! Olhem esse vídeo pertubador…Foi ao ar entre 1983/84 como uma campanha de propaganda do Kinder Ovo, afinal, o que melhor para ver vender um doce do que um bizarro personagem que faz adultos mijarem nas calças e (diz a lenda) provocar um ataque cardíaco em um velhinho.

Link para o vídeo

Eu não sei de que filme B de terror saiu essa criatura mas com certeza ele vai me atormentar em pesadelos. Enquanto em comercial de cerveja vemos jovens sarados, de bem com a vida, sorridentes e tudo mais, num comercial de doces vemos…isso.

Via: Yes, this commercial is disurbing in Albotas