Arquivo de novembro de 2008

Invasão Comunista

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

O Brasil sediará pela primeira vez o Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários, entre os dias 21 e 23 de novembro, no hotel Jaraguá, em São Paulo. Na ocasião, cerca de 80 partidos de diversos países estarão reunidos para trocar informações e experiências.

Organizado pelo PC do B, o encontro reunirá representantes do Partido Comunista da China, Cuba, Bolívia, Dinamarca, Chile, França, Grécia, Índia, Holanda, Espanha, África do Sul e Estados Unidos, entre outros.

Durante os três dias, os partidos discutirão a crise internacional, as contradições e os problemas nacionais, sociais, ambientais e anti-imperialistas. Além disso, a luta pela paz, a democracia, a soberania, o progresso, o socialismo e a unidade de ação dos partidos comunistas e operários também são temas do encontro.

A notícia acima foi publicada em um jornal local. Fui dar uma olhada no hotel que eles vão se hospedar. Parece que os operários e comunistas tem MUITO dinheiro para vir até o país, se hospedarem e fazer uma conferência de negócios, ops, uma conferência política contra o capitalismo.

Como já escrevi antes em “Rebeldia é Mercadoria” é realmente muito irônico olhar para esses movimentos e ver que estruturalmente eles em essência são produto do capitalismo que tanto combatem.

Mas fica aqui a dica para vendedores ambulantes: 21,22 e 23 de Novembro leve suas camisetas, bíquines, malas, o que seja com a estampa do Che até o hotel indicado.

Commie Demotivational Poster
Creative Commons License crédito: johnxfire

Como Escrever uma Boa Dissertação

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

ou Refutando Idéias do Senso Comum

Como a FUVEST acontece no próximo domingo, resolvi ajudar vocês, jovens discordianos, nerds, desocupados e estudiosos, et cetera, a escrever uma boa redação. Para isso, vou usar velhos chavões sobre como fazer isso. A lista deles está disponível aqui.

Dicas para se escrever uma boa dissertação

Só abordar na introdução e na conclusão o que realmente estiver no desenvolvimento;
Discordo em parte; a introdução pode ser usada para diversos fins. Eu, por exemplo, constantemente a uso para descrever coisas in media res, ou seja, apresentar um cenário já desenvolvido e, a partir daí, relacionar coisas aparentemente não relacionadas. O erro da dica está em considerar que assuntos precisam ser relacionados de forma objetiva e evidente, quando, na realidade, eles podem, muito bem, estar relacionados de forma subjetiva e obscura.

Uma pequena luz sobre a subjetividade: hoje está caindo, em muito, a hipócrita necessidade do uso da segunda pessoa no plural ou terceira pessoa numa dissertação. Visto que a subjetividade vem sendo reconhecida, tanto que os “manuais e cartilhas” de redação já estão se adaptando à realidade do “eu penso que…”, também é racional argumentar-se que a subjetividade vai além da semântica: agora, o ser que escreve é valorizado, ou pelo menos deve ou deveria ser.

A dica diz, também: “só se deve abordar na conclusão o que realmente estiver no desenvolvimento”, e isso eu concordo. Uma conclusão, obviamente, é baseada em argumentos já apresentados. Dessa forma, salvo recursos estilísticos (algo que as redações de um vestibular desconhecem, praticamente), essa parte da dica é mais uma observação que uma dica, de fato.

Evitar períodos muitos longos ou seqüências de frases muito curtas;
Isso é pobreza de idéias. Recursos como frases longas ou curtas e intercaladas são clássicos, e qualquer espasmo poético dentro de uma dissertação deveria ser louvado. Essa idéia de que “dissertação é uma coisa, poesia outra” já caiu por terra, na prática, nas mãos dos escritores contemporâneos (nós mesmos!). Cairá, e o mais rápido o possível, desejo eu, das dicotomias e delíros acadêmicos. Católicos gostam disso – dicotomia – bem como cristãos e outros religiosos em geral, e eu espero que eles sumam logo ou parem de infectar as idéias dos outros por aí.

Evitar, nas dissertações tradicionais, dirigir-se ao leitor;
Outro recurso que deve cair, não, caro leitor? Ora, Machado de Assis usava isso e eu usaria um argumento, entre parênteses, para justificar o uso desse mesmo recurso no meio de uma redação. Ficaria assim, provavelmente (um exemplo sobre um tema qualquer):

…e o leitor que estiver preso às suas convicções obtidas após a árdua tarefa de assistir a algum canal de TV não entenderá tal premissa (note, você, leitor, o uso do narrador machadiano. Ora, se a dicotomia entre dissertação, poesia, narração é apenas um delírio acadêmico, você não concorda que é muita falta de ousadia esquecer-se de tal recurso?).

Além da evidente ousadia que é o uso de tal recurso, ainda demonstra um conhecimento no mínimo básico: narrador machadiano deveria ser algo conhecido por qualquer aluninho que se preze.

Evitar as repetições exageradas e umas próximas das outras, tanto de palavras, quanto de informações;
Uma boa dica, mas deve ser esquecida se você achar que deve. Por exemplo, numa crítica à monotonia da televisão, você poderia repetir o mesmo discurso diversas vezes, com sinônimos e frases contruídas de maneiras diferentes, de modo a imitar o discurso televisivo.

Manter-se rigorosamente dentro do tema;
É apenas um critério avaliativo, mas isso deveria ser banido até certo ponto. Devanear um pouco pode fazer com que assuntos aparentemente opostos ou distantes comecem a se encadear de forma inteligente. Boa parte dos discursos interessantes que foram assim classificados só foram possíveis em função dessa “deriva intelectual”, o que exige certo ócio… E, é claro, em nossos tempos de especialização e técnica, esse tipo de deriva não é só nociva ao sistema, como não há tempo para ela.

É uma dica, pois, para quem quer jogar nas regras, mas é um reflexo direto daquilo que o “meio acadêmico”, o “sistema” ou qualquercoisaassim espera de você, e a utilidade dessa habilidade é muito discutível.

Evitar expressões desgastadas, “batidas”;
Como água mole em pedra dura tanto bate até que fura, acredito absolutamente que é um erro ter crenças absolutas. Até certo ponto, a dica é interessante, mas fugir de clichês já virou um clichê.

Utilizar exemplos e citações relevantes;
Ou inventar uns exemplos. Nada te obriga a ficar no mundo real: “não existem fatos senão interpretações”, como disse São Nietzsche. Também é legal se lembrar de nosso amigo Voltaire: “uma boa citação não prova nada”. Nessa nossa conjuntura de especialização técnica profissional, porém, a idéia de “citações relevantes” remete à dados e os chamados “argumentos de autoridades”, que eu desprezo completamente. Prefiro ler, digerir, e ser minha própria autoridade (pois, como diz um velho cartão discordiano, todos somos papas, e “um papa é uma autoridade que está acima da autoridade das autoridades”).

Não usar religião como argumento;
Só se você for discordiano. Dizer que “todas as declarações são verdadeiras em algum sentido, falsas em algum sentido, absurdas em algum sentido, verdadeiras e falsas em algum sentido, verdadeiras e absurdas em algum sentido, falsas e absurdas em algum sentido, e verdadeiras e falsas e absurdas em algum sentido” é um argumento religioso, mas, nem por isso, falso. (Mas é absurdo, verdadeiro, falso, irrelevante, etc.)

Fugir das palavras muito “fortes”;
Ou seja, use eufemismos, que é um eufemismo para “seja hipócrita”. Como as empresas de hoje em dia: elas não tem mais “empregados”, mas “colaboradores”. A graça é que em um minuto numa linha de produção se paga o salário de um punhado de “colaboradores”, e estes não crescem em nada. Agora, a conta do dono da empresa…

Evitar gírias e termos coloquiais;
Isso é coisa de mano acadêmico enrrustido, tá ligado? Maior idiotice isso… A língua é formada por nós, usada por nós, então nós temos total liberdade sobre ela. Ou pelo menos deveríamos. Gírias, termos coloquiais e etc. deveriam ser totalmente permitidos, já que são marcas importantes de uma língua, quando bem utilizadas. Tente achar melhor instrumento de desabafo e abstração que um bom “foda-se” e você irá entender…

Evitar linguagem rebuscada;
Aproveito tal azo para refutar essa equivocada, quiçá errônea, idéia. Penso que tu deves usar a linguagem que mais lhe agrada, de modo a expressar livre e plenamente sua subjetividade. Ataco a banca corretora de tais escritos criados pelos chamados “vestibulandos” e digo-lhes: essa exigência é ócio ante a prolixidade que nossos mais brilhantes homens possuem, e também bloqueio psicológico quando a consultar um bom dicionário para encontrar e digerir termos que não conhecem! Trânsfugas é o que são os homens que dizem-nos para evitar a “linguagem rebuscada”!

Evitar a argumentação generalizadora e baseada no senso comum;
Boa dica. Mas, não devemos perder de vista que parte das idéias do senso comum só são desprezadas, pois são tão evidentes ou conhecidas que já enjoamos delas. Isso não significa, porém, que são menos verdadeiras ou mais verdadeiras: o nível de “verdadeiro” das coisas é praticamente o mesmo, em certo sentido.

Sobre as generalizações, todas devem ser evitadas (hhaehuahe).

Não ser radical;
Concordo. Coitado dos velhos da banca corretora! Acho que se lerem um tão “radical” e “revolucionário” enunciado como “Deus morreu”, morrem do coração!

Mais que isso: é uma dica NOCIVA. Atacar algo “radicalmente” significa, em última análise, atacar pela raíz. E esse mundinho despreza ataques à raíz, e previlegia ataques paleativos. Deve ser pelo motivo que dá mais dinheiro…

Ter cuidado com palavras duvidosas como coisa e algo, por terem sentido vago; prefirir elemento, fator, tópico, índice, ítem, etc.
Está pedindo para você apenas trocar uma palavra. Mas algo me diz que essa coisa não faz muito sentido!

Após o titulo de uma redação não colocar ponto;
Isso é só uma convenção. Você pode escrever uma redação pós-moderna chamada “;”.

Não usar questionamentos no texto, sobretudo na conclusão;
Mas, se usar, não se esqueça de destruir essa dica com uma citação de Fernando Pessoa:

Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.

Ou seja, é uma dica para evitar que os corretores da banca sofram um ataque cardíaco. Afinal, se a juventude tem dúvidas sobre o que devemos fazer do mundo, se tem dúvidas sobre os temas abordados, o que será de nosso mundo perdido?

Jamais usar a primeira pessoa do singular ou plural, a menos que haja uma solicitação do tema;
Os professores de ensino médio e cursinhos deveriam fazer uma força-tarefa para que todos os candidatos usassem “eu penso que” em suas dissertações. Eu disse mais acima: é pura hipocrisia da burguesia fazer com que suas instituições de ensino cobrem isso em suas provas, já que egoísmo é uma marca EVIDENTE, mas maquilhada até cerne, da burguesia.

Repetir muitas vezes as mesmas palavras empobrece o texto; lançar mão de sinônimos e expressões que representem a idéia em questão;
Vou concordar, pois eu acredito que é muito bom ter um vasto vocabulário; isso evita que beócios e néscios, bem como azêmolas, busquem julgar seu texto. Porém, nesse caso, a idéia é outra: acredite na dica, a menos que você lance mão de um recurso estilístico.

Um adendo sobre o Estilo: muita gente acha que é possível se aprender esse tipo de coisa, ou aprender a escrever. Primeiro, isso não é possível: deve-se ler muito, MUITO, e ler coisa boa, coisa de vanguarda, principalmente. Também, não adianta decorar técnicas, já que o estilo sai naturalmente. O uso de “figuras de linguagem” é algo natural, não dá pra ser ensinado. Dá para ser estudado, é claro, mas isso deveria competir só aos estudiosos da língua, para formular teorias que, depois, serão usadas em algum lugar obscuro.

Somente citar exemplos de domínio público, sem narrar seu desenrolar, fazendo somente uma breve menção;
Mas é muito mais divertido falar sobre o suicídio de “Budd” Dwyer do que a criança que foi lançada pela janela. Exemplos de domínio público são lançados pela TV ao público; exemplos obscuros, como citar a República de Fiume, além de mais inteligente, também faz a banca ter que correr atrás de suas idéias. Por que motivos diabólicos devemos guardar os conhecimentos ocultos dentro de nós, e nos restringir àquilo que já foi catalogado, entendido e esfriado pelo meio intelectual, pela intelligentzia?

Ser direto e objetivo;
A não ser que você saiba muita coisa sobre o tema. Se não souber nada, seja objetivo e direto, como é exigido de um profissional especializado: não pense, faça, robô!

Nunca usar palavrões;
Isso é PURA HIPOCRISIA. “Palavrões” são conjuntos de sinais gráficos com um significado, exatamente como “cadeira, lua, geléia, câncer”. É coisa da Liga das Senhoras Nervosas da Igreja KKKatólica se esconder atrás de sua “boa educação”.

Não usar itens pessoais na sua dissertação.
Alguns arquétipos pessoais são irritantes…

Seguindo essas dicas pode ser que você não passe, mas que você vai escrever uma boa dissertação, ah, isso vai!

focused
Creative Commons License photo credit: natashalcd
Essa aí começou cedo. Espero que ela siga as dicas deturnadas.

Como Presentes Ruins Afetam Relacionamentos

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Spare Giving...
Creative Commons License crédito: MotherPie

Comprar presentes de Natal é sempre trabalhoso: difícil de encontrar, difícil para sua conta bancária e difícil sentimentalmente. Algumas vezes é como se fosse muito trabalho por pouca coisa. Aqueles mais próximos e queridos assumem que você os conhece bem o suficiente para lhes dar um presente decente, então dar algo errado reflete negativamente no relacionamento.

Pesquisas psicológicas em como presentear afetam relacionamentos sugerem que é uma situação sem vencedores. Estudos sugerem que bons presentes apenas afirmam similaridades entre casais, e assim fazem pouco pelo relacionamento. Presentes ruins, no entanto, podem levar as pessoas a questionar sua similaridade com o outro, assim danificando o relacionamento. Estudos tendem a se focar em como presentear afetam a percepção da similaridade pois encontrar um “espírito de afinidade” é pensado como central para relacionamentos bem sucedidos e seguramente prevê relacionamentos satisfatórios ((Murray et al., 2002)).

Mas uma nova pesquisa de Elizabeth W. Dunn na University of British Columbia e colegas, publicado no jornal Social Cognition, sugere que homens e mulheres reagem um pouco diferentes a curto prazo após receber bons e maus presentes ((Dunn et al., 2008)) .

Presentes para estranhos

Para testar suas teorias, Dunn e seu colegas montaram dois experimentos, cada um com uma virada em seu final. No primeiro experimento, os participantes (estudantes na University of Virginia) foram colocados para conversar com alguém do sexo oposto por quatro minutos. Após isso eles deviam selecionar um presente para seu novo amigo de uma lista de vale-presentes de uma variedade de lojas e restaurantes. A idéia era que cada participante então olharia para o presente escolhido para ele e então analisaria sua percepção da similaridade com a outra pessoa.

Aqui está a virada: antes do experimento cada participante foi questionado para ranquear certificados de presentes de forma que eles quisessem recebê-los. Então os pesquisadores simplesmente davam essas preferências diretamente para os participantes assim que tinham seu novo amigo. Para metade dos participantes foi dito que a outra pessoa escolheu seu predileto, e para a outra metade sua última escolha. Isto criou duas condições: aqueles que ganharam aquilo que queriam e os que não.

Quando os pesquisadores olharam para as notas de percepção de similaridade, os resultados mostraram uma significativa diferença em como homens e mulheres reagem a presentes bons e ruins. Os homens que ganharam aqueles que queriam perceberam-se como mais similares à presenteadora, sugerindo que o melhor presente teria um esperado efeito positivo no relacionamento. As mulheres, no entanto, pareceram ser relativamente inalteradas seja o presente bom ou ruim.

Desta descoberta surgiu uma dúvida: bons presentes não deveriam aumentar a similaridade percebida para as mulheres tanto quanto para os homens? Uma possível solução para isto emergiu no segundo experimento.

Presentear em relacionamentos estabelecidos

Ao invés dos participantes que nunca se encontraram antes, o segundo experimento envolveu homens e mulheres que já estavam em relacionamentos (heterossexuais). Fora isso, o experimento foi quase idêntico ao anterior, com a mesma manobra de cada um receber aquilo que para eles eram os melhores (ou piores) presentes. A única diferença foi que junto com a questão sobre a similaridade percebida com o parceiro, cada um foi também questionado quanto tempo esperavam que seu relacionamento durasse após o presente.

Novamente, homens que receberam presentes ruins perceberam menos similaridade com suas parceiras, e pensaram que seu futuro juntos era significativamente menor – como esperado. Mas desta vez as mulheres que receberam os presentes ruins de seus parceiros na verdade viam a similaridade percebida com seus parceiros como maior e pensavam que seu relacionamento durariam por mais tempo do que aquelas que recebiam o presente melhor. Agora, o que estava acontecendo?

Mecanismo de defesa psicológico

Dunn e seus colegas explicam que quanto mais desafio as mulheres sentem a seu relacionamento (i.e. o presente ruim), mais elas tentam se proteger contra essa ameaça. Com a pessoa no primeiro experimento não havia muito relacionamento a proteger, então o presente ruim não tinha efeito comparado ao bom. Mas quando se tratava de relacionamentos substanciais existente para proteger, as mulheres eram motivadas a se proteger contra esta ameaça em potencial. Os homens, ao contrário, não fazem tal esforço, dizendo que eles não gostaram da escolha de sua parceira, e por extensão, das mesmas.

Agora, antes que os homens comecem a pensar em usar estes experimentos para justificar dar a suas parceiras presentes ruins, lembrem-se de que estes estudos são de curto prazo e provavelmente apenas representam os primeiros instintos de homens e mulheres ao receber presentes bons e ruins.

A verdadeira lição é que mulheres são mais motivadas que os homens a criar mecanismos de defesa psicológica para se proteger contra os efeitos danosos de presentes ruins. A longo prazo a história é praticamente a mesma para ambos os sexos: presentes ruins danificam relacionamentos ao não recompensar aquilo que está nos corações; o sentimento de que neste vasto, vasto e cruel mundo você encontrou alguém que o entende e sabe o que você gosta.

Adaptado daqui.

Meeting Miss Peters

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

O Sol já se pôs quando passo pela terceira porta do corredor, à direita. As paredes do quarto de Carolina Peters são completamente brancas, à excessão do pedaço entre a cama e a janela, em que há marcas de patas – “da minha gata, Marrie” fala orgulhosamente.

Sento-me na cadeira alaranjada do computador, de frente para minha entrevistada, que aparece refletida em um belo espelho de cristal, encontrado em uma loja de antiguidades. A moldura branca é composta por traços retos, que remontam à década de 60 do século XX. Elogio seu bom gosto. Ela sorri para mim e, humildemente confessa: “quisera fosse sempre assim…”. Aproveito o gancho para começar minha entrevista:

Você tem uma coleção e tanto em termos de roupas, sapatos e objetos decorativos aqui, as não parece haver necessariamente uma lógica… como definiria seu estilo?

Hmm… [após uma pausa rápida] É complicado, pois a definição de hoje não serviria para amanhã ou para a semana passada. Um dia visto shorts jeans, mocassins gastos e uma camisa dos anos 70 que encontrei na casa da minha avó, no outro posso calçar sapatos de salto não descendo mais deles e, no próximo, ficar de pijama lendo até a hora de dormir novamente. Em geral, não só o que visto, mas o que estou lendo ou escrevendo retrata o meu humor.

Não pude deixar de reaparar em um poster em pop art do filósofo alemão Friedrich Nietzsche pendurado em sua parede, nem do bigode feito em papel, preso ao quadro de ímãs…

Bem observado [risada breve]. Tenho que admitir que conheço muito pouco de suas obras, mas gosto de sua linha de pensamento. Apesar de estar longe de ser niilista ou algo do gênero, principalmente após ler “A Cidade e as Serras”, de Eça de Queirós. A essência do livro é muito boa, apesar de ser tão emocionante quanto um filme cult francês. Claro que “Germinal” não se inclui, o filme é excelente. Já comecei a falar demais e de forma desconexa, vou parar.

Você não é niilista. Quais são suas crenças?

Tenho realmente muita esperança na raça humana e em pequenas comunidades anarquistas. Quiçá um mundo anárquico daqui a 23569 bilhões de anos… Sou realista, não sou? E acredito piamente no Big-Bang desde os meus nove anos… Se derrubassem a teoria me sentiria perdida! Muitos amigos meus riem dessa última, dizem que sou pior que os cristãos.

Você é: casada, solteira, separada, enrolada, desquitada, chutada, viúva ou outros?

Desculpe, não respondo perguntas pessoais. [silêncio breve entre entrevistada e entrevistadora]

Carol faz cara de aborrecida e resolvo entrar em assuntos mais sutis. Pergunto sobre suas preferâncias musicais:

É uma lista quase infindável! No momento, Amy Winehouse e Mika (ouça “Big Girl” e “Grace Kelly”!!!) são os meus mais tocados. Slim Shady, Dr. Dre, Tupac, Ludacris, Ciara… Amo Hip-Hop! Também tenho espaço pra Tchaikovsky, MPB e Beatles. Esse último, comecei a ouvir para compor uma personagem e acabei gostando. Bastante! (Ibrahim vai gostar de saber. haha)

O que a motiva a escrever? Qual texto foi mais importante pra você?

Acho que o desespero que toma conta de mim ao ver um papel ou tela em branco. Preciso violá-lo, é instintivo, incontrolável. Você pode achar um dos meus textos favoritos aqui. Foi o primeiro que publiquei em um blog (ainda nos tempos do MalVicioso). Conto é meu gênero favorito de criar, seguido por romances (que só perdem por ser difícil concluí-los).

Ouvi falar que você andou trabalhando em um ultimamente…

Sempre estou! Perdi as contas de quantos livros comecei e quantas idéias tenho em mente. Recentemente estive focada em um específico. Terminei há duas semanas, mas decidi que não gostava dos primeiros três capítulos (foram escritos dois anos atrás! Simplesmente não são mais eu) e agora estou reformulando. Estou contente com o meu trabalho.

E sobre o que é? Poderia dar uma palhinha?

Passione é meu protesto íntimo contra os contos de fadas e romances que te fazem sonhar com um príncipe encantado e rejeitar aquele cara que poderia ser o mais legal do mundo, mas você nunca lhe daria uma chance, simplesmente por não ser como o herói dos livros. Também serve como forma de redenção, visto que eu mesma às vezes me pego agindo dessa forma mesquinha.

A entrevista vai chegando ao fim e, antes de nos despedirmos, faço a pergunta final:

Por que resolveu participar deste meme?

Na verdade, nem convidada fui. Mas como sou muito enxerida, resolvi participar e, só pra criar atritos, desprezei a maioria das perguntas deles…

Um risinho sorrateiro corre seu rosto enquanto me despeço com um aceno para o espelho. Ela acena de volta e abre um leque elegantemente, sumindo atrás dele.

Ibrahim Cesar responde a Ibrahim Cesar

domingo, 9 de novembro de 2008

Antes de mais nada gostaria de dizer que esta postagem é uma resposta ao meme convidado pelo Santaum. Conheço o entrevistado, mas não totalmente. Embora já o tenha visto nu e até mesmo fique no banheiro enquanto ele faz o número dois, não são poucas vezes que me surpreendo com esse sujeito. Vamos lá:

1. Por que resolveu criar o blog?

Necessidade de expressão.

2. O que te dá mais prazer em blogar?

Digitar no editor do Wordpress.

3. Indique um blog bom e um que você não gosta e por quê.

Eu não gosto deste blog. Por que ele fere Wittgeinstein quando este dizia que quando não há nada a se dizer, o melhor é calar-se.

Gosto de muitos blogs.

4. Qual tipo de música você ouve, e quais suas bandas favoritas?

Ouço muitas. Prediletas: The Beatles, Death Cab For Cutie, The Killers, Snow Patrol, Kate Nash, Stars, Backstreet Boys, Radiohead. tenho ouvido muito Delunes, até porque eu acompanho a banda.

5. Qual o assunto que você mais gosta de postar?

Variável. Algumas postagens por mais irrelevantes que sejam os assuntos, seja pela forma ou pela idéia me agrada, ou simplesmente falar mal de seres imaginários.

6. Seaquinevasseceusavaesqui?

O mestre conserva a cabeça do discípulo sob a água, por muito, muito tempo; pouco a pouco as bolhas se rarificam; no último instante, o mestre tira o discípulo, o reanima: quando tiveres desejado a verdade como desejaste o ar, então saberás o que ela é.

7. Você é: casado, solteiro, separado, enrolado, desquitado, chutado, viúvo ou outros?

Solteiro e tenho estado assim por 22 anos.

8. Por que você deu este nome ao seu blog?

Citando a mim mesmo:

Existe uma história nos quadrinhos do Sandman que está no volume “Terra dos Sonhos” chamado “Um Sonho de 1000 Gatos”, nessa história a personagem principal, uma gata, vaga pelo mundo com uma mensagem: De que se uma quantidade suficiente, talvez 1000 deles, sonharem, eles podem mudar o mundo. É uma coisa estúpida em que eu acredito, então resolvi fazer algo nessa intenção, seriam os 1000 Gatos. Faltava algo. O insight veio através do escritor Jorge Luís Borges quando explicou a fascinação pelas “1001 Noites”: 1000 é um número grande, na época ao lê-lo tinha-se a impressão de infinito, um número mágico, mas o 1 era acrescentar 1 ao infinito, seria expandir o que já era mágico. “1001 Gatos!”

Faltava o sobrenome. Achei que 1001 Gatos poderia dar um bom título de filme pornô onde uma moça enfrenta uma jornada com 1001 caras? Mas não era exatamente isso que eu procurava. Fui atrás dos gatos famosos: Eram venerados no egito, H.P. Lovecraft tinha fascinação por eles e criou “Os Gatos de Ulthar”, Edgar Allan Poe também amava gatos que inclusive escreveu uma história chamada “O Gato Preto”. Havia ainda os gatos de Burroughs, que é dono de uma das frases que guiam este blog: “Tomem de assalto o estúdio da realidade e refaçam o Universo”. Havia o gato Félix, o Gato de Botas, o Gato com Chapéu, a Mulher Gato, a Gata Negra, os gatos de T. S. Eliot (Quase chamei de 1001 Gatos de T.S. Elliot), devem ser 35 e todos com nome incluindo Platão e Sr. Mefistotéles.

matcheeenks.jpg

Então lembrei de um dos campos que mais me fascinavam: A Teoria-M de 11 Dimensões. O que me levou a lembrar do mais do que manjado Gedankenexperiment com o gato numa caixa proposto pelo Sr. Schrödinger que criou o mesmo com o intuito de mostrar como era incompleta a teoria da mecânica quântica do sistema macroscópico ao sub-atômico. Ou seja, ele a fez para “criticar” a teoria e acabou se tornando uma ferramenta para expressar a mesma de uma forma mais simples. Gostei do caráter contraditório e por que não dizer discordiano da teoria e soube naquele momento: “1001 Gatos de Schrödinger”.

BIG BANG BUM! Estava pronto. Como se fala? Mil e um gatos de xódringuer ou xôdringuer, já ouvi as duas pronuncias em vídeos científicos.

9. Qual foi o último blog que você visitou?

Não publicarei por pudor.

10. Por que resolveu participar deste meme?

Por que sim!

Sentiremos saudades, George!

sábado, 8 de novembro de 2008

O cara que amávamos odiar vai ser despejado dia 20 de Janeiro. Ele deixará um monte de contas para pagar, foi um pé no saco, mas facilitou e muito o trabalho da classe comediante no país. Boa sorte, George Boy!

“Obrigado, obrigado. Continuando com as piadas, sabe quantos iraquis são necessários para trocar uma lâmpada?”

“Droga! Justo na hora do Bob Esponja Calça Quadrada”.


“Milho, o futuro do país. Combustível, alimento…Temos milhões de idéias do que fazer com esta simples espiga”.

“Eu posso ficar com isso? Eu iria arrebentar no Halloween! Cara, o seu ego manda cheques que o seu ego não pode pagar! Viu? Viu só? Estou igualzinho ao Tommy Hanks em Top Gun”.

“Eu não estou muito certo…Mas eu acho que a resposta certa é b. O elefante é maior que a Lua”.

“É isso mesmo! Caprichou no cachorro-quente!”

“É isso aí, baby! Que tal um abraço! Hein? Hein?”

“‘Assim que se faz, pô! Vamos levar a democracia a todo o planeta, quer eles queiram isso ou não!”

“Eu me sinto tão só, senhora coelha. Osama não retorna mais as minhas ligações”.

“O homem certo para lidar com qualquer situação”.

“Eu vou me jogar, hein? Me segurem! Me segurem!”

A foto diz tudo.

“Cheese!”

Que venha o “belo, bonito e bronzeado” Barack Hussein Obama.

Eleições Americanas na Reta Final!

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Tava enrolada com um exercício de Física e já passou um pouco do meu horário de dormir. Ao ponto em que vou ficando sonolenta, o nível de radicalismo (em geral baixo) no meu sangue sobe astronomicamente, assim como o meu nível de burrice – o que pode muito bem estar relacionado, mas essa é outra conversa. Então, por favor, perdoem os erros ortográficos que talvez apareçam, juro que arrumo mais tarde. =P

O Tiago estava me ajudando pelo pidgin e, quando finalmente acabamos a tarefa, ele fez um comentário sobre a liderança do Obama sobre o senhor Batata Frita até o presente momento todo empolgado (ou nem tanto, me conservo o direito de uma licença poética). Eu só fiquei tipo… “Grandes bosta”. Quem se importa com a eleição americana?

Aí você pode me chamar de alienada por não reconhecer que o que acontece nos EUA reflete no mundo todo (como o fato deles serem caloteiros estarem ferrando até nós brasileiros, singelos exportadores de commodities) e eu preciso retrucar: Então porque você, criatura querida e amada, apóia o Obama?

Ele é um símbolo contra o preconceito, super carismático, tem ótimas idéias nacionalistas e é realmente o presidente ideal pros Estados Unidos. Mas nós não moramos lá e não vamos nos privilegiar nada quando ele fortalecer a economia interna americana, diminuir o número de importações e investir na auto-suficiência energética do país dele. Se o Brasil ainda pode se sentir seguro perante a crise (é só a mídia parar com os pitis de mandar todo mundo tirar o dinheiro aplicado antes que seja “tarde demais” que as coisas começam a se ajeitar) e partindo do pressuposto que uma pessoa com pouco dinheiro prefere se alimentar a comprar um iPod; caso o Obama vença as eleições as coisas vão começar a apertar de verdade.

O Mccain, por outro lado, é conservador e não vai sujar suas mãozinhas manufaturando. Vai diminuir a taxa imposta ao etanol brasileiro simplesmente porque é mais prático, rápido e barato que investir na produção própria, ainda mais tendo que sustentar Wall Street.

Claro que essa crise não vai durar pra sempre e, quando eles se estabilizarem novamente, vamos voltar ao subúrbio da humanidade, mas até lá já teríamos entrado no mercado não só americano como no europeu (a União Européia impõe metas de substituição de energias e outros tipos de poluentes – 10% até 2010, se não me engano).

Com um capital acumulado, quem sabe o nosso país não faz alguma coisinha por si e investe mais no seu povo, tadinho! Como conquequência, esse povo um pouquinho mais estudado (tomara!), começa a procurar por um “Obama tupiniquim”. Por que, olha, empolgação assim com uma eleição… a gente tá precisando!

Captain Fantastic Faster Than Superman Spiderman Batman Wolverine Hulk And The Flash Combined

terça-feira, 4 de novembro de 2008

O título desta postagem não se refere a nenhum personagem. Na verdade é pura e simplesmente o nome que um sujeito colocou em si mesmo. Para aqueles sem intimidade com o idioma de Obama, o nome dele traduzido é “Capitão Fantástico Mais Veloz do que Super-Homem Homem-Aranha Batman Wolverine Hulk e o Flash Combinados”. Pô, o Wolverine nem é tão rápido assim se formos comprar ao The Flash ou Super Homem. Mas note que todos os heróis citados aí já tiveram filmes lançados ou estão em vias de ganhar um (yep, vão fazer um filme do Flash).

Um britânico de 19 anos trocou o nome legalmente para Captain Fantastic Faster Than Superman Spiderman Batman Wolverine Hulk And The Flash Combined.

“Eu queria ser único”, alega o antes George Garratt, então colocando no nome ícones da cultura pop de filmes arrasa quarteirão. Ou seja, para ser único ele usou um signo popular, que é de todo mundo (e em certo grau, veneram). No entando o efeito mais imediato da alteração de nome foi sua avô ter deixado de falar com ele (o que, para mim, já justificou totalmente a troca de nome).

Notem que ele trocou o nome legalmente. E que antes o nome dele era George, como bem notou o Peterson. Esse tipo de coisa é tão George. Qual George? Desse livro aqui.

Especula-se que ele nmão apenas tenha um nome idiota legal como também o maior nome do mundo atualmente, que antes era de Rhoshandiatellyneshiaunneveshenk Koyaanisquatsiuth Williams, nascido em 1984. No entanto, não é o primeiro a ter um nome de personagens de quadrinhos. Um casal na Nova Zelândia foi impedido de batizar o filho deles de 4Real e se contentaram com Superman.

Fonte: Teenager changes name to Captain Fantastic ,Telegraph.co.uk

Quer mudança na sua vida?

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Assista nesses dias 6, 7, e 8 a partir das 21:00 h na Bandeirantes, o maior movimento evangelístico já realizado no Brasil, com Billy Graham e Franklin Graham, uns dos maiores, senão os maiores evangelistas vivos no mundo, trazendo a palavra de Deus até a sua casa, através deste projeto que será uma das maiores cruzadas evangelistas do mundo.

Se você já é evangélico passe esse convite para todos os seus amigos e se ainda não é, venha entender o agir de Deus nas vidas das pessoas que O seguem, entender o motivo de pessoas viverem dedicando a maior parte de seus tempos a Ele.

Deus tem algo ainda melhor para a sua vida, apenas creia e o resto, Ele fará!