5 Famosas Últimas Palavras
O cenário
Eu nunca fui de praticar esportes. O máximo que fiz foi jogar futebol pela liga infantil de Rio Claro por ordens médicas. Eu preferia a posição de lateral direito mas na maioria das vezes eu era zagueiro. Até fiz um gol oficial pela liga. Eu me lembro bem. O atacante entrou na área correndo, eu que estava do outro lado da área, fui em sua direção. Ele estava poucos metros na minha frente, quase pronto para chutar. Só que eu cheguei e dei um grande bicudo na bola. Indefensável. Eu lembro do goleiro olhar para mim e o silêncio que se seguiu. O atacante me cumprimentou pelo gol que eu havia marcado. Foi contra, eu sei. Mas continua sendo um gol.
Pé na Cova
O que importa, é que esta patética cena foi um dos raros momentos de minha vida em que eu pratiquei esportes. Depois disso me exilei em minhas atividades favoritas: ler, escrever, criar enredos de RPG, etc. Um de meus hobbies eram citações. Eu amo citações. Desde “American Pie” até Sören Kierkegaard. E como todo hobbie, este possui muitas categorias. A que eu vou falar hoje é a conhecida como “famous last words” ou “famosas últimas palavras”. São as palavras ditas por pessoas que se destacam nos livros de história. Algumas são apócrifas, não tenha dúvida. Mas ainda assim são interessantes de se conhecer.
Voltaire

François-Marie Arouet, o sujeito que todo mundo chama pelo apelido de Voltaire sempre foi um grande crítico da Igreja Católica. Acreditava em deus (tanto que fazia parte de uma Loja Maçônica) mas desprezava os dogmas e a liturgia da mesma. Diz-se que quando ele estava morrendo foi chamado um padre para fazer a extrema unção. Fato muito comum naqueles dias mas que hoje em dia é um fóssil. O padre então, seguindo o roteiro pediu que Voltaire negasse o Satã, a fim de poder então, ser perdoado por Jesus e entrar no Reino de Deus. Voltaire apenas sorriu e disse: “Agora, agora, meu bom homem, esta não é hora para fazer inimigos”.
Júlio Cesar

“Até tu, Brutus?” se tornou difundida até mesmo na cultura popular e é usada seja em momentos cômicos ou dramáticos quando alguém deseja expressar seu sentimento de frustração ao saber que alguém próximo agiu contra seus interesses. Um dado curioso destas última palavras é que elas talvez nunca tenham sido ditas por ele. Vieram da pena de Shakespeare em sua peça “Júlio Cesar”. É igual a “Elementar, meu caro Watson” que nunca foi dito pelo Holmes literário.
Budd Dwyer

Robert “Budd” Dwyer era um político da Pensilvânia que cometeu suicídio com um tiro na boca durante uma entrevista coletiva transmitida pela televisão. Ele tirou sua arma de uma maleta e disse: “Por favor, deixem o recinto se isto os ofende.” Várias pessoas pediram que ele abaixasse a arma entre gritos de não. “Afastem-se, esta coisa vai machucar alguém.” E atirou. Ele caiu no chão, em frente às câmeras de cinco telejornais. Algumas exibindo tudo ao vivo. A Wikipédia em inglês lista um site em suas referências que contém o vídeo dele comentendo suícidio. Confesso que tenho estômago fraco e nem tentei ver. Mas fica a dica para os que não tem esse problema.
João Paulo II

Quando ele foi baleado certa vez disse que sentiu a mão de Nossa Senhora guiando as balas para que elas não o matassem e eles fossem salvos. Ele nada dizia sobre a Santa não ter se dado ao trabalho de desviar as malditas balas ou as horas de cirurgia em que os médicos usaram bisturis e outros instrumentos para salvar a vida dele. Quando finalmente morreu muitos anos depois sua última palavra teria sido: “Amém”. A ironia vem pelo contexto da coisa pois ele teria dito isso após falar aqueles que o acompanhavam: “Se deus quiser nos vemos amanhã”.
Karl Marx

Este daria uma farsa (enquanto gênero de comédia). Um Karl Marx moribundo recebe o caseiro (proletariado?) que lhe pergunta quais seriam suas últimas palavras. “Vamos, caia fora! Últimas palavras são para tolos que não falaram o bastante!” Teria sido a resposta.
Existem milhares de últimas palavras interessantes. Afinal é a união de duas coisas que nossa espécie faz de melhor: falar e morrer. Estamos fazendo isso o tempo todo…
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Comments
Uma última frase que gosto é “Sessenta e quatro mil, novecentos e vinte e oito” de Neal Cassady (segundo a lenda), isso se refere ao número de passos que ele deu seguindo uma estrada de ferro. Ele foi quem inspirou Jack Kerouac a escrever On the road.
Vendo os links para o submarino me lembrei do post onde comentou estar com alguns problemas entre eles o de ordem financeira.
Estou lendo Norwegian Wood, e o livro é fantástico, e comprei também Tábula rasa, mas este não li ainda. E estes dois livros comprei após ler cometários seus sobre eles, e como já tinha visto que gostava de Schopenhauer, Chuck Palanhiuk, Douglas Adams e Neil Gaiman, ví que nossas leituras favoritas combinam, e não devo ser o único, deve haver muitos outros leitores que tenham os mesmos gostos.
Sugiro então criar um Momento Submarino, merchandising descarado, onde você fala sobre algum livro, dvd, ou o que quiser, indicando a compra com links para o Submarino. Acho que os leitores não irão reclamar, talvez até gostarão, é sempre válido receber boas indicações. E funcionará bem melhor do que apenas um link para o Submarino.
Poderia ter uma vez por semana, sei lá … daí já é contigo. A idéia foi dada, faça uma enquete para saber se funcionará talvez, ou posta uma vez e vê o resultado.
Não quero um dia não conseguir entrar no blog apenas porque faltou dinheiro para você. Pode parecer egoísta, mas no fundo é um pouco socialista … hehehe
Post muito interessante. Faz a gente pensar em quais diria nesse momento, mas eu não vou pensar muito, porque até ele chegar, tenho certeza de que vou esquecer…

Impressing. Adorei a do Marx.