A maioria dos neurocirurgiões é homem, a maioria dos professores é mulher

A afirmação do título é um entre inúmeros dados que você encontrará no livro “Why Beautiful People Have More Daughters: From Dating, Shopping, and Praying to Going to War and Becoming a Billionaire — Two Evolutionary Psychologists Explain Why We Do What We Do”. Todos se baseiam em pesquisas da psicologia evolutiva e ao contrário do que se pode pensar de primeira, não implica que necessariamente se concorde com tais atitudes, mas que saibamos estar em paz com nossa natureza animal.A lógica evolutiva é brutal,fria e sem coração. Somente se importa com a perpetuação dos genes.
Racionalidade das Escolhas
Há um cientista americano com uma intrigante teoria sobre nosso comportamente que se sempre me intrigou e acho que é pertinente aqui: Ele diz que nós nunca fazemos uma “escolha racional”. Pelo contrário, quanto mais racionalizamos sobre uma decisão, mais propensos ficamos a tomar atitudes radicais e de impulso (e na maioria das vezes do tipo “tudo-ou-nada” que “racionalmente” nunca tomaríamos pois há um grande risco). Ele diz que quando tomamos uma decisão, nós usamos a razão para justificá-la e não o contrário (usar a razão e tomar uma decisão). Por exemplo alguns comportamentos descritos no livro:
Mulheres são a razão para os homens fazerem tudo.
Pessoas bonitas têm mais filhos.
Homens são geralmente mais atraidos por garotas adolescentes e jovens por que essas fêmeas possuem um valor reprodutivo e fertilidade maior.
Mulheres geralmente preferem homens mais velhos por que estes possuem mais recursos e status.
Mulheres com cabelos loiros e seios grandes são as preferidas ao redor do globo pois os dois itens são indicadores de juventude.
Os pais investem no filho mais bonito e esperto porque eles estão mais aptos a se reproduzir.
Dogmas
Não devemos, é lógico, entender cada preceito evolutivo que nos guia como um dogma. Susan Blackmore, uma das mais proeminentes pesquisadoras de “memes”, acredita que nossa cultura foi guiada inicialmente por nossos genes e quando os memes se desenvolveram, passaram a ditar os nossos rumos. Somente a existência de conceitos que contradizem algo que seria em benefício exclusivamente dos genes e da reprodução já é uma mostra de que os memes também estão nos guiando, desta vez com seus próprios propósitos. Eu gosto de pensar na história da raça humana, com seus ideais nobres e guerras sem sentido como o grande palco onde se desenrola uma luta épica entre genes e memes. Mas eu não sou um cientista para afirmar tal coisa, apenas um leigo apaixonado por ciência.
[tags]Ciência,Genes,Memes,Evolução[/tags]
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Comments
Ponto de vista interessante, muitas das coisas que você escreveu eu admito que não tinha parado para pensar.
Interessante a questão da racionalidade das escolhas, ou racionalização das justificativas. Partindo dessa premissa, concluímos que o famoso livre-arbítrio nada mais seria que uma ilusão. Um bom tema para discussões acaloradas com fanáticos religiosos…
[...] coisa que também fez a minha mente se destruir completamente*, foi esse post do Ibrahim. É simplesmente muito bom e explica muita coisa desse meu incidente. Afinal de contas, [...]
Ignorar a força que os genes e os memes têm em nossa vida, em nossas atitudes e na realidade em que vivemos é ter uma visão muito romântica da vida.
Já entrei em mais de uma discussão por defender que tudo pode ser explicado pelos genes em sua tentativa de sobreviver a todo custo e povoar a Terra com seus descendentes. Gosto muito de avaliar nossos comportamentos pela visão da Biopsicologia (que explica nossos comportamentos como heranças de como nossos genes aprenderam a sobreviver). Mas, infelizmente, pelo menos com o circulo de pessoas com quem convivo, sou minoria.
[...] Hume defendeu também que a razão serve apenas como uma forma de pôr em prática os desejos e vontades – ou seja, não existe vontade racional. Ao mesmo tempo, essa idéia segue o mesmo estilo da idéia de que a razão serve apenas para justificar atos feitos por impulso. [...]
[...] coisa que também fez a minha mente se destruir completamente*, foi esse post do Ibrahim. É simplesmente muito bom e explica muita coisa desse meu incidente. Afinal de contas, [...]
[...] Parto do seguinte princípio: não há verdades absolutas. Certo? Ótimo. Portanto seria plausível (se não até um pouquinho científico) supor que acabamos fazendo muito do que fazemos por impulsos, por vontades, e racionalizando-os [...]

hum… concordo com a existência de preceitos (ou “regras”) evolutivas. mas eu valorizo bastante também o meio em que se desenvolve o ser enquanto fator condicionante de suas possibilidades como ser vivo. sou dos que acreditam que o ser faz escolha de acordo com as opções de que dispõe — nem tudo carregamos do berço…