A moralidade e benefícios da fé
O texto foi modificado a partir do livro Star Wars e a Filosofia, com pequenas alterações, omissão de autores e referências diretas aos filmes para que não ficasse muito longo e incoerente.
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Poderia-se afirmar que a fé, ou crença sem evidências suficientes, é errada em um sentido epistemológico (que não pode levar ao conhecimento da verdade). Mas pode-se dizer que ela é sempre moralmente errada?
Não, é a resposta se você não está a fim de ler até o fim…
Ela pode levar a conseqüências desastrosas. O que faz com que ter uma crença seja imoral não é apenas a questão de a crença ser verdadeira ou falsa, nem mesmo se ela produz frutos ou não, mas sim como ela se originou. O perigo da fé não está no fato de ter uma crença falsa, nem mesmo que possamos transmitir uma crença falsa a outros, embora isso seja muito ruim. O que é ainda pior, se tivermos o hábito de não buscar justificações para nossas crenças, é que podemos nos tornar extremamente crédulos e, por conseguinte, selvagens,
como o bárbaro Povo da Areia de Tatooine.Quais são essas condições que devem ser obtidas para que a fé seja moralmente aceitável?
Em primeiro lugar, é aceitável ter fé apenas quando a escolha é intelectualmente duvidosa. Se uma pequena dose de pensamento for suficiente para decidir a questão de um modo ou de outro, então não podemos simplesmente escolher ter fé.
Além do mais, a decisão relevante deve constituir uma opção genuína. Uma opção genuína é uma escolha viva, forçada e momentosa. Uma opção viva é aquela na qual existem pelo menos duas possibilidades reais a ser escolhidas. Além de se viva, uma opção genuína deve ser forçada. Uma opção forçada é aquela na qual uma decisão equivale a escolher um caminho ou outro.
Finalmente, uma opção genuína deve ser momentosa. Ou seja, ela deve ser importante e especial. Decidir ir ao mercado comprar toalhas de papel não é algo momentoso.
Isso prova que a fé é vantajosa? Parece que ainda não. Em primeiro lugar, devemos mostrar que a vantagem por acreditar em uma verdade é maior do que a desvantagem que ele poderia ter por acreditar em uma mentira.
Acreditar nas verdades e evitar as mentiras são nossos primeiros e grandes mandamentos como pretensos conhecedores, mas essas são duas coisas diferentes. Por exemplo, alguém pode evitar o erro não acreditando em nada, mas é claro que há valor em acreditar em algumas coisas, de modo particular em coisas verdadeiras. Além disso, algumas verdades não podem se percebidas sem a fé. Em alguns casos, parece que podemos criar verdades por meio de nossas crenças.
Não havia como explicar sem colocar o exemplo a seguir, esse fenômeno semelhante ao descrito no teorema de Thomas. Me arrisco a dizer que talvez seja até mesmo O segredo do Segredo. E aqui também lavo minhas mãos:
-Testem esse exemplo por conta e risco!
Tomemos, por exemplo, a conhecida história de um homem que se defronta com perigosos criminosos em um beco escuro. Em vez de fugir dos criminosos ou lutar com eles, o homem os trata como se fossem pessoas afáveis. E, tratando os criminosos dessa maneira, apesar da evidência em contrário, os criminosos se tornam afáveis.
Isso, talvez é o que acontece quando Luke confronta Darth Vader…
Eu não resisti.
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Comments
Pretendo lançar em Março. Em Creative Commons e tudo que um livro escrito por idealista tem direito.
Acho que você tocou no nervo da questão Átilo, a fé obriga você a dar um salto (para usar a terminologia de Kierkegaard), ou seja, pode ter um grande abismo lá embaixo e por mais que Pascal queresse que fosse tudo ou nada, não é, não há apenas duas opções, há milhares delas…Eu sempre prefiro não saltar…
Esse papo de tratar de forma afável as vezes funciona..não afável, mas ao andar em uma região perigosa, ou no meio de elementos “potencialmente perigosos”, tratar e estar no meio deles como se fosse um é melhor do que expor o medo ou mesmo a aversão a eles. funciona mesmo

Interessante Ernani que o teorema de thomas é a epígrafe que escolhi para o meu primeiro livro para ilustrar algo não dito diretamente no livro mas parte da trama.