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Amor e morte: antítese?

Reverendo Ibrahim,

Inicialmente desculpe a demora para terminar de ler sua obra. As festividades e a vida longe do computador me deixaram longe das 282 páginas de um dos melhores romances que já li em minha vida, senão o melhor. E isso não é um exagero, mesmo eu tendo dito pra você o mesmo sobre Norwegian Wood há alguns dias. Você disse que queria ser Haruki, eu digo que você é melhor que ele.

Não sou um grande leitor e minha opinião não é de grande valia, mas preciso dizer que me senti envolvido e me emocionei ao ler a sua primeira novela. E eu ia lhe escrever isso tudo por e-mail, mas no fim resolvi colocar aqui no 1001 Gatos porque estou muito orgulhoso de poder ter lido este romance antes de ele ser oficialmente lançado e queria aplaudir-lhe em público

Me surpreendi a cada instante pelos acontecimentos, pela tragédia, pelo final deslumbrante. E aprendi. Seu livro não é apenas uma narração e não será simplesmente um best-seller escrito por este propósito. Desde seus diálogos mais simples até às conclusões, ele discute filosofia o tempo todo envolvendo o leitor e o assunto em pauta são as questões mais importantes de nossa existência e também as mais difíceis de discutir e compreender: o amor e a morte. Nunca achei que os dois combinavam e que poderiam ser os temas-mestre de uma história, mas “Verdadeiras Histórias de Amor Nunca Terminam” me fez repensar os dois sentimentos e me ensinou a lidar melhor com a morte. Na verdade, confesso que me deixou até com uma vontadezinha de morrer!

Eu cheguei a conclusão que sou Jonas. Lendo suas palavras me senti como se você tivesse escrito o livro dentro da minha mente! Estou assombrado e impressionado, porque sua narração parece ter me ensinado sobre eu mesmo. Seus pensamentos, sua dificuldade de expressar seus sentimentos, até seu encontro familiar no natal…! Nunca me identifiquei tanto com um personagem de um livro.

Não saberia dizer qual é o melhor capítulo da novela, mas preciso destacar um dos que mais me chamou minha atenção: o que fala sobre o Pastor F. F. F. Você é um reverendo discordiano, agóstico, influenciado por Schopenhauer e Nietzsche, e neste capítulo você provou ser completamente imparcial, sem radicalismo nenhum, parecia outra pessoa escrevendo. Na narração deste capítulo, sem seu humor e ironia habituais, você me surpreendeu ao apresentar um bom cristão, um bom pastor. E não só com ele mas na história toda sua facilidade de criar e descrever diferentes opiniões e personalidades para os personagens (desde Edgar até Tomás) é genial.

Para não me demorar, em suma, seu livro é uma obra-prima. Não sei como funciona essa burocracia de editora e publicação, mas se as editoras desse país forem sérias você vai facilmente conseguir uma e “Verdadeiras Histórias de Amor Nunca Terminam” será um sucesso. Parabéns!

Leia também: All we need is LOVE, o depoimento da Carol sobre a mesma obra.

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