Analfabetismo Político: Você está esperando por um milagre?

Bertold Brecht certa vez escreveu:
“O pior analfabeto é o analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, e do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe, o imbecil, que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado, o assaltante e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das multinacionais.”
Em nosso país não somente 30% das pessoas não sabem dizem o nome do governador de seu estado, como 18% nem mesmo saberiam apontar quem é o presidente . Não espanta que grande parcela de nós sejamos analfabetos políticos. Na verdade, muitos até mesmo desconhecem o significado da palavra, considerando ser aquilo que se faz em Brasília.
Entendendo palavras como veículos, “política” pode carregar até 6 diferentes significados:
No uso trivial, vago e às vezes um tanto pejorativo, política, como substantivo ou adjetivo, compreende as ações, comportamentos, intuitos, manobras, entendimentos e desentendimentos dos homens (os políticos) para conquistar o poder, ou uma parcela dele, ou um lugar nele: eleições, campanhas eleitorais, comícios, lutas de partidos etc.;
Atualmente, a maioria dos tratadistas e escritores se divide em duas correntes. Para uns, política é a ciência do Estado. Para outros, é a ciência do poder;
Outros a definem como conhecimento ou estudo “das relações de regularidade e concordância dos fatos com os motivos que inspiram as lutas em torno do poder do Estado e entre os Estados”.
Para muitos pensadores, política é a ciência moral normativa do governo da sociedade civíl.
Política denomina-se a orientação ou a atitude de um governo em relação a certos assuntos e problemas de interesse público: política financeira, política educacional, política social, política do café etc.;
Conceituação erudita, no fundo síntese da anterior, considera política a arte de conquistar, manter e exercer o poder, o governo. Na noção dada por Nicolau Maquiavel, em O Príncipe;
Elegemos obrigatoriamente políticos para que eles governem o país e 99% de nós simplesmente esquece-se dele e depois reclama indignado com alguém também indignado sobre o cenário político nacional que para ser sincero desconhece em sua totalidade, sabendo “por cima” alguns protagonistas. Esta é a primeira postagem no 1001 Gatos de uma série sobre como se envolver ativamente e realmente fazer acontecer. Sair do discurso e passar para a praxis.
“Não percamos tempo com palavras vazias. Façamos alguma coisa, enquanto há chance! Não é todo dia que precisam de nós. Ainda que, bem da verdade, não seja exatamente de nós. Outros dariam conta do recado, tão bem quanto, senão melhor. O apelo que ouvimos se dirige antes a toda humanidade. Mas neste lugar, neste momento, a humanidade somos nós, queiramos ou não. Aproveitemos enquanto é tempo. Representar dignamente, uma única vez que seja, a espécie a que estamos desgraçadamen-te atados pelo destino cruel. O que me diz?”
“Esperando Godot”, Samuel Beckett
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2 comentários para “Analfabetismo Político: Você está esperando por um milagre?”
Excelente postagem. Eu defendo, sempre, que só conseguiremos melhorar um pouco o país se começarmos a cobrar em massa dos políticos que façam simplesmente o que prometeram. E que não votemos mais nos que traiam nossa confiança.
Se a blogosfera se mobilizar, não apenas virtualmente, mas também no boca-a-boca com parentes, amigos, colegas de trabalho, etc, acho que dá para começarmos um movimento. Longo, eu sei. Mas, como disse Confúcio, uma longa jornada começa com o primeiro passo.
A cobrança constante e contínua é um passo, uma imprensa forte também é necessária (apesar dos pesares para alguns), mas os sistemas políticos-econômicos não são nada mais do que reflexo das estruturas psicológicas das pessoas que vivem “sob” elas (na verdade estão “sobre”) se não houver mudança interna, não adianta, seremos sempre o Bananão.