Aquela coisinha chamada amor

Dirt Road

Devo dizer de antemão que me considero um romântico. Não no sentido de poeta que morre bem jovem, mas você entende o que quero dizer. No filme “Vicky Christina Barcelona”, do Woody Allena, em determinado momento se diz que o amor romântico só atinge sua plenitude na sua impossibilidade. Não foi dito com essas palavras e nem vou me dar ao trabalho de googlear isso, mas enfim, quero discutir a ideia presente aí. “Para sempre incompletos, e sem saber por quê, como as pistas de um crime nos olhos de um homem morto”, nos diz um poeta inglês em “This House Is a Circus”. Parece ser, como um defeito de fábrica, característica básica dos seres humanos essa sensação de falta, de necessidade de completude. Há dias em que eu acordo, me sinto o garoto mais triste do universo e declaro secretamente em meu quarto independência de qualquer outra criatura. “Eu não preciso de pessoas!”, eu digo a mim mesmo. Então recebo às 10 da manhã a ligação de uma garota me pedindo uma ajuda banal, como emprestar algo, e volto à estaca zero.

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Pois bem, e nessa busca por plenitude nós esbarramos no amor. Ah, o amor. É uma palavra estranha, dotada de polissemia incrível. Alguns são trancendentais, outros apenas estúpidos. Para mim, em todas as vezes que me senti em tal estado, foi como uma grande desgraça, um parasita monstruoso, um estado permanente de emergência que arruina todos os pequenos prazeres. E não passa de dopamina. O pequeno neurotransmissor do amor romântico, tal como conhecemos. Já a infatuação, mais conhecido por aí como paixão e mais comum em adolescentes (períodos de intensa obsessão para depois apenas gravidez indesejada ou corações quebrados em pouco tempo, são causados pela norepinefrina). [Fonte: Você não precisa acreditar em mim] Uma pequena área em nossos cérebros, um bando estúpido de células criam a dopamina, um estimulante natural e depois a envia para várias regiões do cérebro quando alguém está apaixonado. E é a mesma região e a mesma área afetada quando alguém usa cocaína.

Oh, sim. Paixão! Sexo! Narcóticos!

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Por que será que eu suspeito que isso não acaba bem?

Porque essas ligações químicas em seu cérebro não são feitas para durar, todas elas. A paixão que você alimenta é a paixão que você mata. O sentimento mais belo da humanidade, do qual ordinariamente se escreve todas as histórias… Não passa de um pico de narcótico, um estado temporal de mania.

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Estar apaixonado, ter uma quedinha por alguém é lindo… Mas nossos corpos não podem ficar nesse estado o tempo todo. A serotonina, outro neurotransmissor associado com obsessão e depressão, é enormemente afetado – na verdade vai a níveis moleculares – com a chegada do romance e a dopamina. Pessoas recentemente apaixonadas e aquelas com desordem obsessivo-compulsiva demonstram os mesmos níveis dessas substâncias. Em outras palavras, a dopamina parece suprimir a serotonina, o que por sua vez dispara comportamentos obsessivo-compulsivos.

Ou seja, aquela coisinha chamada amor não irá salvar o seu dia.

15 comentários para “Aquela coisinha chamada amor”

  1. Gabi de Pijama disse:

    Fico muito feliz de ver que o blog tá voltando o/
    tava dando depressão [exagerada XD] tentar visitar o blog e dar “página não encontrada”.

  2. Cambone disse:

    O que você falou do amor está certíssimo, assim como um automóvel é um dispositivo dotado de um motor a combustão, ou um processador é um conjunto de registradores, unidade de controle, unidade lógica e aritmética etc.,por exemplo.

    Mas entender o carro não fala tudo sobre uma corrida, assim como entender o computador não acrescenta muito em relação à usabilidade de um aplicativo.

    Seguindo essa analogia, entender a química do amor certamente é importante, mas não explica tudo sobre um relacionamento.

    O lance é o seguinte: a viagem química do amor é uma *ferramenta*, isto é, pense nela como se ela fosse os seus midicloreans! O que você precisa é aprender a usar a Força corretamente.

    Sacou, cara? =)

    Nerds também amam (até mais e melhor). Apenas fique longe do Lado Negro… Abraço!

  3. Cambone disse:

    Errei a grafia da palavra: o certo é midi-chlorian. x)

  4. Filmes da TV disse:

    Amor não é a única coisa que a gente sente por quem a gente ama

  5. O amor não dura pra sempre – mas e daí que ele acaba? O fato de que o almoço vai acabar vai te impedir de comê-lo? Se existe gente que consome substâncias potencialmente “viciantes” mas não é viciado nelas (do ponto de vista clínico), não é possível ter uma relação mais saudável com o amor?

    Ele pode acabar com o teu dia, mas será que o melhor a fazer é deixar de aproveitar o dia que ele salva por causa do dia que ele piora? =)

  6. Circe disse:

    Gosto muito do que vc escreve e do modo como o faz…. absurdamente verdadeiro, um pouco cruel, mas humano acima de tudo…. espero pelas próximas!

  7. salix disse:

    masmasmas
    um número irracional num pode ser natural, ora bolas!
    embora, pra quem não fala matemática, seja até bonitinho
    let it rain, ibrainho!

  8. Liv disse:

    E no final nem poesias, nem declarações. O amor não passa de um processo químico que causa desilusão. Um tanto simplista demais

  9. Capitão Ninja disse:

    simplesmente achei esse site Eristicamente fabuloso. Mas tem uma coisa, quero fazer os downloads de vocês e a Conspiração não permite… seja dizendo que a página não existe, ou com as falácias de um tal de Erro 404. tem como vocês fixarem esse erro e darmos um chute na bunda Deles?
    Agradecido, que a Força esteja com Vocês!

  10. Rev. Mandrake disse:

    parabéns pelo retorno!

    -><-

    gostei do layout.

    ^_^

  11. Oiii! Tava vasculhando por aí, lendo e relendo textos para achar alguns blogs que mereçam participar do “blogday”. E achei esse, mais que merecedor! Leitura gostosa de ler =)
    Se vc quiser participar tb… não me lembro o nome do site, mas na figura que coloquei no meu post tem o redirecionamento. Bjãooo e sucesso sempre!

  12. thahy disse:

    “se não tem química, vá de física” – já dizia uma comunidade no orkut.

  13. Lívia disse:

    O que houve com o blog, aliás com seu site também? Tentei baixar o EQM e nihil… T.T

  14. Camilo Martin disse:

    Desculpa, mas eu discordo.

    Tá, pode dizer que eu discordo porque tenho namorada e estou apaixonado (e muito feliz), mas eu acreditava no amor antes de estar apaixonado e antes de ser feliz.

    Agora claro é que isso sería flame war demais, então não vou discutir coisas que não podem ser discutidas, mas; considero o seguinte sobre o amor, a poesia e o romantismo (ou o que une esses paradigmas):

    - Não se trata de uma busca inalcançável, se trata de uma busca somente.
    - Quando se alcança o que se busca, se deve buscar outra coisa, melhor, o “próximo degrau”.
    - Os psicólogos e demais pessoas que gostam de plantar axiomas irrevogáveis em seus diálogos são uns preguiçosos que acham que se você sempre caminha pra frente, caminha em direção ao infinito.
    - Amar não é buscar algo impossível nem estar sempre querendo mais; a maior parte dos momentos se trata de ver quão lindas são as coisas simples.
    - Buscar mais e ser ambicioso quanto àos desejos e obsessões é uma fração pequena do amor. Aliás, é a parte mais efêmera.

    Se ainda acha que eu simplesmente estou dopado pela dopamina, concorde ao menos que;

    1) A “polissemia do amor” é tão “incrível”, como você mesmo disse, que nem eu nem você estamos “certos” quando se trate de definições quanto ao mesmo.
    2) Cada “amor” é diferente.
    3) O conhecimento sobre certas coisas é empírico e não se adquire com definições de enciclopédia.

    Baseado nisso, e sendo o amor o típico caso de coisa pra qual não serve Wikipedia, simplesmente aceite que existe, em algum lugar, um sentimento produtivo, evolutivo e de modo algum enigmático; é tão simples que parece complicado, melhora tanto que parece obsessivo, e é tão útil e importante que faz parecer que a gente fica procrastinando quanto aos “deveres da vida”, quando a vida se torna inteiramente outra.

    E pra terminar concordando com você, o amor não vai salvar meu dia, não foi feito pra isso!

  15. War disse:

    É aquela coisa forte que a gente acha que move a nossa vida, nada mais é do que substância química, e acho que ainda vão inventar uma pílula para nos apaixonarmos e para deixar de nos apaixonarmos e escolheremos com a razão e colocaremos a dose de emoção que quisermos. Tipo um filme de ficção científica?! 

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