Assim como se diz que em uma negociação aquele que diz o primeiro o valor, perde é o que acontece em qual-quer disputa de idéias e opiniões. Pois caberá ao que res-ponderá apenas atacar e nem ao menos precisará criar uma base sólida com argumentos e poderá se concentrar em apenas demonstrar o quão leviana foi a declaração e o quanto ele está errado.
Existe,essencialmente, duas formas de se atacar um argumento: as formas Direta e Indireta.
Direta
Deve atacar o argumento em si, os fundamentos do mesmo. Deve ser feita de preferência com fatos, por isso deve-se saber exatamente do que se está falando ou ao menos saber fingir isso muito bem. Mesmo que você não saiba nada ao longo de meus escritos mostrarei táticas que permitiram dar a você o controle da situação.
Indireta
Há basicamente duas formas de abordar indiretamente os argumentos do adversário. Em um você aceita a proposição do adversário e tira conclusões dela a submetendo a todo tipo de prova até que de alguma forma a leve à uma negação implícita da mesma denunciando a falha da mesma. Este tipo de abordagem é comumente chamada de abordagem Socrática pois este personagem criado por Platão utilizava-se desta metodologia quando em uma disputa.
Outro método é iniciar a refutação por meio de indícios que a apresentem como errada. Seja por casos em genéricos onde não se observa tal argumento como correto ou casos extremos onde ele não funciona. Ou a busca de um assunto vagamente relacionado que desabone qualquer argumento vindo de seu adversário.
Antes de tudo há certas coisas que você deve saber:
Isto é uma caixa de ferramentas. Com uma ferramenta Michelangelo pôde revolucionar a arte. Um idiota só perderia tempo. Eu escrevo apenas para pessoas inteligentes, uma pequena fração dos 6 bilhões de seres humanos que infestam este planeta. Na verdade se você for imaginar a matemática da coisa a probabilidade de você ser uma dessas pessoas inteligentes é tão pequena que dificilmente você será uma.
Segundo, em um debate você entra a fim de chegar em um consenso ou mudar a forma como a outra pessoa pensa lhe mostrando uma opinião mais acurada, certo? Erra-do. Um homem não pode aprender aquilo que ele já considera saber. Se você entrar em uma discussão qualquer a fim de evangelizar seu antagonista você entrou em uma batalha perdida. Em qualquer discussão há os ativos e os passivos. Os ativos são aqueles que expõem os argumentos, são os rock stars do debate, fazendo solos de guitarra a fim de derrotar o adversário. Os passivos estão na platéia. No mundinho da internet que se acha tão importante eles são conhecidos como ?lurkers? e segundos dados, 90% dos usuários são lurkers, 9% contribuem com alguma coisa e 1% participam ativamente. Pense nisso como uma lei genérica de toda atividade humana.
Eles são maioria e quase sempre se comportarão como um único ser estúpido que seguirá a opinião daquele que ti-ver mais renome e credibilidade a não ser que com carisma, ironia e argumentações consiga mostrar a eles que está certo. São eles a quem você deve focar no debate. Um rock star não faz um disco para John lennon, ele faz um disco para o público. Lennon saberia que você errou uma linha de baixo ou surrupiou um riff de uma velha canção. Alguns lurkers também saberiam, mas 90% deles não.
Pronto. Definimos nosso público-alvo.
Por último, e não menos importante, você não vai aprender a mentir por aqui. Segundo estudos recentes menti-mos 200 vezes por dia, o que dá uma mentira a cada 7 minutos se considerarmos que você mente enquanto dorme. Se não considerarmos isso e você tiver as 8 horas de sono saudável recomendado por especialistas, será uma mentira a cada 5 minutos, sua vida inteira com essa média é quase uma mentira. Somos bons demais em mentir. Não se pode deixar a roda mais redonda do que ela é. Ensinar o padre-nosso ao vigário. O segredo está em selecionar quais verdades utilizar e quais esconder.
Verdade é o seu material de trabalho, você deve conheça-la tão bem quanto alguém deve conhecer seu namorado ou namorada. Você deve saber identificá-la, saber quando a usar e quando a esconder debaixo da cama ou no armário.
Na próxima lição: Então, o que é verdade?
[tags]A Arte de Ter Razão 2.0, Arthur Schopenahuer, Erística[/tags]







