Balada de O.

“A História de O.” , segundo a sua própria resenha, é um clássico do sadomasoquismo,onde a jovem O se deixa torturar sexualmente para obedecer a seu amante, que diz amá-la tanto quanto ela a ele.Confesso que não li, pois a história não me interessou nenhum pouco.O que me interessou e me motivou a escrever uma postagem em referência a tal livro foi o conceito que ele carrega: Não seriam nossos relacionamentos uma dança de sofrimento onde um fere o outro e mesmo antecipando a mágoa que vamos receber, ainda assim, nos aventuramos com a ilusão de que desta vez, afinal, será diferente?[

Difícil de acreditar, mas eu acredito no amor verdadeiro.Acredito que por estar originado em memes e não exclusivamente nos genes, no instinto como o amor vulgar e comum, o amor verdadeiro como eu o nomeio seria análogo a uma crença, uma devoção.Indo um passo além, julgo que ateus são os mais propensos a experienciarem esta forma tão rara de amor: sem um deus rodando em seus cérebros seria mais fácil que este meme lograsse sucesso.ÿ um palpite, não ciência.Abaixo uma pequena discrição dos passos de dança desta balada de O. que parece reger os relacionamentos, citei o amor verdadeiro pois ele não sentiria os efeitos desestimulantes de tal balada.Nota pessoal: Torço para que Tiago Madeira e a Carol Peters sejam do grupo do amor verdadeiro.

Relacionamentos: Em que estágio o seu está?

Passo 1: No 1,2,3...Já

ÿ onde tudo começa, o mais do que tradicional, garoto encontra garota.Mas é claro, com as variações: garota encontra garoto, garoto esbarra em garota e a ajuda a pegar o material,e por aí vai.Aqui inicia-se a enfermidade e sua originam embora possa ser reduzida também ? biologia é melhor compreendida através da imaginação.No momento em que duas pessoas se encontram e começar a conversar, tudo muito superficial, a imaginação de cada um deles começa a trabalhar a fim de preencher cada espaço em branco, cada lacuna.Em pouco tempo um olhará para o outro como se conhecessem desde sempre.Almas gêmeas é um termo muito utilizado nesta fase.Em um "clique" um se tornou aos olhos do outro o príncipe ou a princesa, a razão de viver e essa cal toda.

Passo 2: Agora, dançando juntinho!

Nada mais natural e errado, do que iniciar um relaconamento.o cérebro não está tomando as melhores decisões pois ainda sofre os efeitos do sistema de recompensa (que age nestes casos de paixão de maneira parecida com a cocaína) e não conhece sem absoluto o outro, mas é como se conhecessem.Na verdade a pessoa crê piamente nisso e acredita cegamente (lembrando que acreditar cegamente é literalmente acreditar em algo que você não sabe o que é, achei a explicação pertinente pois já ouvi a colocação ser usada no sentido de acreditar totalmente, de certa forma o é, mas de forma pejorativa, pois como acreditar em algo que você não conhece?).Eles passam a se amar incondicionalmente (alguém já ouviu o termo viver incondiciionalmente?).

Porquê é um erro, você me pergunta, se estão ambos iludidos e retirando prazer, companhia e cumplicidade? Porque é agora que vão se conhecer, mas conhecer de verdade.E quando isso acontece a pessoa não interpreta desta forma, ela interpreta como se o outro estivesse agindo de forma imporevisível oude alguma forma errada, porém é a forma do outro agir mas que a pessoa supôs ser outra.Muitos relacionamentos sobrevivem a esta fase e mais tarde se tornam casamentos falidos, que poderão engordar as estatísticas de traição ou divórcio e do qual a felicidade se esquivará.

Passo 3: Um pra lá, outro pra cá...

Mesmo os que sobrevivem acabam passando por esta que é a pior fase: o estranhamento.Um dia "clique", tudo sumiu.Assim como no primeiro dia por um passe de mágica o outro era o ser mais especial no mundo, em outro assim como veio, descobre que nunca conheceu em absoluto a outra pessoa e é um completo estranho.Esta fase é facilmente reconhecivel no rosto de casados a um ou dois anos e em homens e mulheres falando de ex-namorados, pessoas com que juraravam eternidade e agora falam como se fossem estrangeiros.

Nesse processo do total conhecimento ao total desconhecimento colhemos alegrias mas nos ferimos muito, e mesmo feridos entramos em outras e outrs danças, como se de alguma forma quissemos nos machucar, como se esse fosse o motivo de se relacionar.Somos masoquistas sentimentais, bailando como O.

[tags]amor,relacionamentos,análise[/tags]

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Comments

Indo um passo além, julgo que ateus são os mais propensos a experienciarem esta forma tão rara de amor: sem um deus rodando em seus cérebros seria mais fácil que este meme lograsse sucesso

Imagine um crente de verdade declarando-se a sua amada:
Eu te amo querida, só que eu amo mais a Deus, porque eu tenho que amá-lo sobre todas as coisas.
heuahueahueauea

Eu acredito no amor verdadeiro há pouco tempo… Parece algo irracional, mas o resto do mundo também é irracional, então não é algo improvável ou impossível. Este é um dos poucos assuntos que eu discordo de Schopenhauer, que acha que isso não existe.

A filosofia desse livro é beeeeem pessimista, né? hehehe… Eu diria ao autor: carpe diem! :)

Nota pessoal: Torço para que Tiago Madeira e a Carol Peters sejam do grupo do amor verdadeiro.

aaaah
acho que somos sim :D

:*

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