Bill Clinton

O Spiegel fez uma grande reportagem sobre empresários tentando fazer um mundo melhor. Eu já publiquei aqui no blog um trecho, onde falava do Ricahard Branson da Virgin. Agora vou publicar a parte em que fala sobre Bill Clinton pois mostra um novo olhar sobre essa figura que foi por 8 anos presidente dos Estados Unidos. Se Branson não queria ser o cara do balão de ar quente, acho que Clinton não quer ser o cara da mancha no vestido.

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Bill Clinton senta-se em uma sala no 18° andar do Waldorf-Astoria, na Park Avenue, em Nova York. Lá fora, chove. Dentro, jovens assistentes circulam em volta dele, sussurrando e telefonando enquanto trabalham. Clinton está usando uma camisa azul-clara, uma gravata azul-escura e um terno escuro. Ele senta-se ali como se ainda fosse o homem que ocupa a mesa no Salão Oval da Casa Branca, embora a sua face possa trazer uma expressão um pouco mais leve. Mas Clinton não se encontra mais no Salão Oval. Ele está no Waldorf, e diz: “Fazer é melhor do que falar”.

Faz agora 90 minutos que a sala de conferência ao lado está repleta de gente. É o Salão Starlight do Waldorf-Astoria, um aposento cheio de colunas e pesadas cortinas. O carpete emite um brilho dourado. O salão é um grande palco para uma grande ópera. E o título dessa produção está pendurado na parede: Clinton Climate Initiative(“Iniciativa Climática de Clinton”).

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“Agora o meu negócio é fazer as coisas”, diz Clinton, pouco antes de ser chamado para discursar. É uma sentença surpreendente vinda da boca de um homem que já foi o líder mais poderoso do mundo, uma pessoa que segurou as alavancas do poder durante oito anos. Houve uma época em que Clinton era capaz de desencadear uma guerra e de interrompê-la, se assim decidisse. Ele podia convocar a elite mundial a qualquer momento, dia ou noite. Este homem sentou-se do outro lado da mesa de negociações com todo mundo: governantes, presidentes de corporações, comandantes militares e ganhadores do Prêmio Nobel. Mas foi só neste exato momento que ele passou a sentir que ingressou no ramo de fazer as coisas.

Atualmente a sua vida tem momentos de ruminação, ocasiões nas quais ele reflete sobre os anos passados na Casa Branca. Em tais momentos, Clinton diz que ele e as pessoas poderosas do globo – ou seja, Clinton e um grupo de outras seis ou sete pessoas – não foram de capazes de criar um outro mundo melhor. “Nós simplesmente nos sentamos em volta de uma mesa discutindo a respeito de qual palavra seria acrescentada a um documento e de qual não seria”, diz Clinton. Eles lutaram por palavras. Esses líderes não estavam no “negócio de fazer as coisas”.

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Quando deixou a Casa Branca em 2001, ele sentiu que não tinha de fato cumprido a sua verdadeira missão. O mundo estava da mesma forma em que se encontrava quando ele assumiu o cargo. Não era um mundo melhor do que no início do seu governo. Era um mundo pior. Bill Clinton, o aposentado, o homem de recursos independentes, perguntou a si mesmo se, na verdade, ele fracassou na hora de desempenhar o trabalho mais importante da sua vida: fazer uma contribuição verdadeira para salvar o mundo.
E, agora, este é o momento dos holofotes para Clinton, o cidadão do mundo, e ele dirige-se para o Salão Starlight. Prefeitos de várias partes do mundo estão reunidos ali, bem como diretores dos maiores bancos. Também estão presentes presidentes de grandes empresas, pessoas que propõem legislações, causam abalos e exercem influência sobre os fatos.

Clinton sobe em um palanque e começa a falar sobre mudança climática. Ele afirma que este é um problema global que exige ações locais. Clinton informa aos prefeitos que as cidades, as suas cidades, consomem 75% de toda a energia e produzem 75% de todos os gases causadores do efeito estufa. Ele assegura que pretende modificar tal situação. “É por isso que estou aqui”. E acrescenta: “Podemos modificar as coisas. Não é tão difícil assim”.

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A conferência em Nova York está sendo realizado com o objetivo de salvar o planeta – não de cima para baixo, mas da base para o topo. O fator ambiental agregador que norteia a reunião é a iniciativa para promover o isolamento térmico de 950 mil residências em Nova York e, se possível, de todos os prédios em todas as grandes cidades do mundo de forma tão eficiente que “as paredes e as janelas não permitam o vazamento de ar frio no verão ou de ar quente no inverno”, explica Clinton.

Hoje ele fala ao público não como um político armado dos poderes da presidência. Ele aparece perante a platéia apenas como Bill Clinton, o homem comum, o representante de uma fundação com sede no Harlem que fica bem próxima ao Teatro Apollo. A Fundação William J. Clinton lida com questões que considera vitais para o mundo. Ela solicitou a corporações que forneçam medicamentos a preços acessíveis à África, e agora pretende agir como um Johnny Day moderno, estendendo um tapete verde pelas cidades do planeta. A fundação recebe financiamento de pessoas como Bill Gates, e o seu chefe é o intermediário entre os endinheirados amigos da humanidade e os pragmáticos salvadores do planeta. Clinton é um homem sem poder oficial. Mas ele continua sendo uma pessoa com muitos contatos, vínculos que permitem que ele tenha ainda mais influência do que certos líderes de governo.

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2 comentários para “Bill Clinton”

  1. Carol disse:

    Uma boa coisa a se fazer com a influ?ncia que ele tem :D

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