“Blink – A decisão num piscar de olhos” explica por que julgamos pela aparência

ÿ claro que a fim de manter as aparências e se mostrar uma pessoa bacana todos dizem que o que importa realmente é o interior. Mas todos sabemos que é mais uma dessas mentiras que todos dias como “Vou bem obrigado” quando se descobriu na manhã seguinte ter câncer no esôfago. “Somente os tolos não julgam pela aparência” disse certa vez Oscar Wilde.

Lembro-me das condições pelas quais comprara o livro “Blink – A decisão em um piscar de olhos”. Eu li sua resenha no jornal e embora tenha tido um interesse comum (ele se aplica a praticamente 90% dos livros) não me animei a comprá-lo, faltava algo que me motivasse a tanto. e aconteceu quando assisti “Crash” nos cinemas. lembro de ter levado um amigo lhe prometendo que o filme ganharia o Oscar, o que depois se confirmou fazendo com que eu passasse o ano inteiro me gabando de tal feito até errar esse ano sobre o ganhador (eu botei todas minhas fichas em Babel). Em Crash, mais do que preconceito o filme versa sobre como decisões que tomamos em um segundo baseados apenas no que vemos nos faz tomar atitudes reveladoras.

Blink mostra que elas muitas vezes estão certas e que estas podem ser tão valiosas como aquelas vindas de longos períodos de análise, embora também mostre sua faceta ruim que leva a situações limites mostradas no filme. O que nenhum no entanto aborda diretamente é que fazemos isso quando escolhemos nossos parceiros, as peças em minha cabeça somente se encaixaram corretamente quando ouvi um amigo falar sobre uma garota que ele vira duas ou três vezes e falara uma ou duas apenas. “E ela é muito inteligente também,” ele disse. Eu ri e disse que ele não poderia afirmar isso. Então o seu golpe veio forte e rápido: “E você, sr. Juíz, não acha a (censurado) inteligente por ter conversado com ela poucas vezes?”

Eu retruquei que no meu caso eu estava certo. E que, aliás, eu sempre estava certo. Quando eu errava era culpa da realidade ter dado algum deslize. A conversa mudou então para algo completamente diferente e embora tenha me safado com sarcasmo eu não convencera a mim mesmo.

Algo interessante discutido em Blink (superficialmente é bom frisar) trata-se do fato de que as pessoas não fazem distinção, em nível subconsciente, entre a embalagem e o produto. Para elas, o produto é a combinação da embalagem com o conteúdo. Ou seja, meus caros, temos menos controle e “escolha” do que sequer imaginamos. E a aparência conta muita, ou seja, pessoas como eu para quem close ups são quase uma agressão aos que olham minhas fotos estão em desvantagem. ÿ claro, diz-se em Blink, que se um produto for ruim mesmo, não há embalagem que o salve embora ele terá um sucesso instantâneo.

Ou seja, se você é feio, provavelmente você será um ótimo segundo marido. Pois elas irão se divorciar dos rapazes que eram uma boa embalagem e um péssimo produto e irão tentar outras marcas, digo, homens.

Vá Além:

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7 comentários para ““Blink – A decisão num piscar de olhos” explica por que julgamos pela aparência”

  1. Alexandre disse:

    Realmente em primeiras impressões o homem julga pela aparência, julga pela conversa, julga pelas idéias, julga pelo gênero. Cabe a ele treinar a si mesmo quais desses pequenos julgamentos ele deve considerar na imagem final que ele terá da pessoa. E isso vale para primeiras impressões somente.

    Além do mais, no caso da esposa com marido feio, ela pode considerar ficar com ele por outros motivos que não são a aparência, como dinheiro, fama, oportunidades ou mesmo a personalidade do indivíduo, ué. Um casamento não vive só de primeiras impressões.

    ÿ engraçado discutir reações naturais do ser humano. “ÿ natural julgar pela aparência”, “ÿ natural trair”, “ÿ natural não-sei-o-que”. Natural não é sinônimo de sagrado, podemos lutar contra ele e fazemos isso desde pequenos.

  2. “ÿ engraçado discutir reações naturais do ser humano. ?ÿ natural julgar pela aparência?, ?ÿ natural trair?, ?ÿ natural não-sei-o-que?. Natural não é sinônimo de sagrado, podemos lutar contra ele e fazemos isso desde pequenos.”

    Quando você diz isso, claramente implica em dizer que você é um partidário de Locke, Rosseau…Para estes pensadores não existiria uma natureza humana, não existem limites e “somos uma folha em branco onde qualquer caractere pode ser escrito”. Não concordo com isto e acho que devemos admitir que somos falhos, a ciência já avançou e muito no que corresponde a provar que temos uma natureza humana.

    Se “treinamento desde criança” funcionasse, os séculos da igreja católica fazendo catecismo teriam feito uma sociedade menos agressiva, com famílias mais sólidas, menos divórcios, traições…Porque parece que o gênero humano sempre inventa idéias que ele nunca segue? Não se trata de algo sagrado, se trata de assumir o que é natural e não ter as impressões irrealistas de que vamos erradicar o preconceito, de que iremos deixar de julgar pelas aparências…Quem numa via escura vendo um certo tipo social vindo em sua direção não se apavora?

    Lembre-se de que com a idéia de que desde criança qualquer um pode fazer qualquer coisa, Mao foi responsável pela morte de 65 milhões de pessoas.

  3. Alexandre disse:

    Natureza humana existe, eu só disse que não devemos nos conformar com os podres de algumas características dela.

    Igreja treinando pessoas? Fala sério. Treinamento obrigatório e imposto por medo não educa ninguém.

    Nunca vamos para de julgar as pessoas, mas devemos saber quando considerar ou não esse julgamento. E isso não é só em relação a aparência.

  4. Não é se conformar, é aceitar.

    Treinamento obrigatório e imposto por medo não educa ninguém. Foi exatamente o que eu disse, eu usei isso para refutar a idéia de que podemos ser treinados, leia novamente e verá que usei o dado como prova da refutação e não como argumento.

  5. Alexandre disse:

    Na minha primeira resposta eu não usei o verbo “treinar” de nenhuma forma. Eu não disse que somos treinados a coisa alguma, disse que desde pequenos lutamos contra nossa própria natureza. Temos influência sim, mas não é obrigatório.

  6. Carol Peters disse:

    a primeira coisa que eu olho antes de comprar um livro é a capa. se ela me chama a atenção eu leio o resumo, salvo casos em que eu leio uma critica ou o proprio resumo sem ver a imagem, (o que acabou de acontecer com Blink -heheh)

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