Conto de fadas

– “E ele pegou sua mão e os dois seguiram para seu castelo, onde viveram felizes para sempre… “

Como toda noite, assim que o pai terminou a historia a filha ajeitou-se em suas cobertas, ainda sem sono.

Nesse dia, em especial, não queria dormir. Indagou ao pai:

– Como ela era uma princesa e não sabia?

– Ora.. A madrasta dela lhe escondeu isso.. - o pai, ao contrario, estava sonolento, um tanto quanto impaciente para perguntas a essa hora.

– Bem, na verdade, quem disse que ela seria uma princesa? Ou que a madrasta dela poderia mandar? Ou que o pai dela, antes de morrer teria direito d governar o povo? E, se a rainha-madrasta era má e ninguém gostava dela por que não a tiraram do trono??

“Essas crianças de hoje em dia.. De onde tiram essas coisas?” O pai ponderou e então respondeu:

– Bem… Ela nasceu princesa, a rainha má casou-se com o rei, eles simplesmente herdaram o poder..

– Esse é o problema! Em algum momento alguém teve q começar tudo isso, ou seja, essa pessoa não era realmente “real”. Mas pra que importa uma pessoa mandando? Ainda mais se ela nem foi escolhida pelos outros, ta lá só porque o pai estava, e o pai dele, e o pai…! Eles não tinham capacidade de pensar por eles mesmos? Precisavam de alguém pra dar ordens??

– É só uma historia filha, não é real, não existem “rainhas madrastas bruxas malvadas”… Acho que é mais do que hora de criança dormir…

Ele deu um beijo de boa noite na filha e foi para o seu quarto.

Pensativa em sua cama, com tantas perguntas ainda sem respostas rendeu-se ao sono que começava a chegar.

“Esses adultos de hoje em dia.. Como não vêem essas coisas?”

If you enjoyed this post, please consider to leave a comment or subscribe to the feed and get future articles delivered to your feed reader.

Comments

reis, madrastas, princesas…
a princessinha linda é do bem.
a madrasta invejosa é do mal.
o rei ingênuo é do bem.
O povo sofrido é do bem..
as irmãs feias são do mal.
O príncipe “metrosexual” é do bem.
bruxas são do mal.
é… acho que aprendi, tudo que precisava saber pra ser feliz…

Este texto me lembrou de uma das cenas do “Cálice Sagrado”, do Monty Python, onde Artur diz a um camponês (ou camponesa, não me lembro, mas vá lá): “Eu sou seu rei.” e a resposta é “Como é meu rei? Eu não votei em você!”

como a menina,todos nós ja fomos bem mais “Anarquistas” quando crianças.

Deixe um comentário

(obrigatório)

(obrigatório)