Corrupção: O que nós podemos fazer?

Há aqueles que argumentam que é impossível mudar a corrupção, pois o poder corrompe e uma vez no ventre na besta você se tornará um deles. Foi John Lennon que disse que para derrotar os engravatados você deve vestir uma gravata. O ponto que estas pessoas perdem é que não é o poder que corrompe (poder nada mais é do que um conceito, uma idéia), quem se corrompe são as pessoas. Kant afirmou que nada realmente reto dá para se fazer com a madeira torta da humanidade e ele poderia perfeitamente estar falando disso.

Em ?O Homem Invisível?, o escritor de ficção-científica H. G. Wells mostra um sujeito que começa a transgredir a lei após ter acesso a uma fórmula que o permitia ficar invisível. O que Wells queria dizer é que a essência do ser humano é maligna e não havendo poderes maiores que ele (a polícia, visto que ele não podia ser preso).Que a nossa civilidade nasce da inibição de nossos instintos que nos levariam a ser o lobo do homem.

Eu procuro acreditar que não sejamos essencialmente maus, o que não implica dizer que sejamos bons. Nós apenas somos. O ser humano é como um outro animal qualquer mas que se organiza de formas particulares. Mas, no entanto, a obra de Wells fornece um insight muito interessante: De que a lei inibiria o homem de praticar aquilo que deseja.

Ao ser questionado por uma revista se era possível acabar com a corrupção, Cláudio Abramo, da ONG Transparência Internacional que se dedica a combater a corrupção no mundo disse que “É possível dimi-nuí-la. Corrupção não depende apenas de pessoas desonestas mas também de oportunidades. Se há oportunidade, há corrupção. Se a oportunidade for dificultada, a corrupção diminui. Leis, relações, estruturas administrativas precisam ser alteradas e somente o governo pode fazer isso e com a participação de todos os órgãos, incluindo a sociedade civil.”

Dois fatores permitem que a corrupção continue acontecendo. Um deles é cultural e o outro é legal. O cultural é o famoso ?jeitinho brasileiro? que nasce da burrocracia que dificultando o acesso aos serviços públicos abre brechas para que alguns tomem vantagem ao utilizar propinas.

Nossa cultura de certa forma sempre viu com bons olhos a chamada ?Lei de Gérson?. Segue a Lei de Gérson aquele indivíduo que gosta de levar vantagem em tudo. (aqui artigo da Wikipédia)

O fator legal é a impunidade que nasce da sensação que um político experimenta de que eles estão acima da lei ou mesmo do povo. Ora, eles foram eleitos pelo povo e para o povo. Quando vemos tais escânda-los envolvendo seus nomes e punições ridículas como reprimendas verbais ou danças de impunidade (A deputada Ângela Guadagnin (PT-SP) usou para comemorar a absolvição do colega João Magno (PT-MG) uma dança desengonçada e sarcástica. O parecer que pedia a cassação de Magno por envolvimento com o suposto “mensalão” foi rejeitado pelo plenário da Câmara, o vídeo só faltava estar no YouTube, ou melhor, não falta, clique aqui), percebemos que eles realmente não sofrem qualquer tipo de punição por atividades que traem a confiança depositada neles através do voto.

A corrupção é um crime não apenas econômico mas que urge por punição pois é de nossa natureza assim fazê-lo. Donald E. Brown listou as universais humanas (padrões de comportamento observados em to-das as culturas humanas que desta forma, fariam parte da natureza humana) e entre elas estão a reciprocidade negativa (vingança, retaliação) e sanções por crimes contra a coletividade. Porém há leis (criados por quem?) que protegem os traseiros de tais políticos pilantras, há toda uma gama de proteções legais que os impedem de ser punidos pela justiça comum no que eles chamam de ?imunidade parlamentar? que poderia perfeitamente ser traduzida como ?impunidade parlamentar?. Enquanto ela existir, teremos corruptos.

O que podemos fazer a respeito? Exigir da máquina corrupta como sempre? Cruzar os braços e esperar que melhore? Alguém conhece um truque mágico que resolva isso?

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25 comentários para “Corrupção: O que nós podemos fazer?”

  1. [...] Rev. Ibrahim escreveu o artigo Corrupção: O que nós podemos fazer?, e como este é um assunto do dia-a-dia na selva e que eu gosto muito de debater, vou falar o que [...]

  2. Vinícius disse:

    Nesse país onde levar vantagem e passar os outros para trás é motivo de orgulho nunca mudaremos nada, não acredito nem que teremos um dia um país menos corrupto. Grande parte dos brasileiros que hoje reclamam de políticos corruptos faria o mesmo que eles assim que tivessem oportunidade.

  3. Peterson disse:

    Caro Reverendo;
    ÿ por isso mesmo que eu sou anarquista. O problema não são as pessoas que são colocadas lá (são sim, mas não em primeiro lugar), e sim o sistema.
    ÿ claro que falar de “sistema” é muito abstrato… Assim fica fácil dizer que o “sistema” é o bode expiatório de qualquer anarquista, a cultura brasileira influencia muito isso também. Mas não é a cultura que coloca essas idéias na cabeça de cada um. ÿ o próprio sistema, o modo de viver que não apenas impulsiona a vantagem e o roubo como algo que “qualquer um faria” (ó o imperativo categórico aih…) mas também porque se valoriza demais o dinheiro. ÿ claro que não sou idiota; não valorizar o dinheiro é impossível. Estou reclamando de um sistema de milênios, afinal…
    Se vivemos em um sistema econômico que usa de dinheiro, precisamos prestar atenção nele, de qualquer jeito – mas o bom mesmo seria destruí-lo (o sistema, não queimar dinheiro por aí).
    Pra mim, na questão cultural o buraco talvez seja sutilmente mais embaixo: ao invés de aproveitar qualquer brecha como se fosse a última liquidação da vida (tenho uma tia assim), o problema está em sempre usar a escala de sucesso em função da comparação. Ao invés de querer ser melhor, cada um batalha pra ser melhor que o outro, ainda que de forma sub-reptícia.
    Captou? ;)
    Ateh

  4. Thomas disse:

    Enquanto o voto continuar a ser obrigatório eu continuo a evitar discutir política, pois a meu ver esta é a obrigação mais básica e essencial que prova o quão subevoluidos estamos.

  5. Arthur Corradi disse:

    @peterson

    Sinceramente, eu acho, principalmente para quem se diz anarquista, colocar a culpa no “sistema” (?!) uma afirmação, na melhor das hipóteses, ingênua, e na pior delas, covarde.

    Isso me lembra o Renan Calheiros, que no início desse ano afirmou que [abre aspas] Quem morreu não foi a ética, quem apodreceu foi o nosso sistema eleitoral uninominal [fecha aspas] (!!!!!!)

    Sabe.. eu prefiro adotar a máxima de que o indíviduo é, sempre, o único responsável por suas atitudes. Não importa se ele é pobre, se passa fome, se a lei dá brechas, se a situação é oportuna, ou o que for.. ele é, SEMPRE, o culpado pelo que faz. Eventualmente, ele pode até ter alguma razão, mas, não importa, se ele foi quem fez algo, ele é quem deve responder por isso. O mérito da questão é outra história..

    Embora eu concorde que a lei pode – veja bem, *pode* – inibir o homem de cometer certas coisas, ela não necessariamente fará isso, ainda mais se o próprio indivíduo não considerar determinada atitude moralmente errada – os “piratas” que baixam/copiam/distribuem mp3 ilegalmente que o diga.

    No caso específico dos políticos corruptos, é óbvio que eles sabem que estão errados, que eles sabem que estão contra a lei, que eles sabem que estão sendo canalhas.. mas……. eles são corruptos, ainda assim!

    O que fazer, então? Afinal, lei/”sistema” algum tem o poder divino de interferir a mente das pessoas e fazê-las pensar/agir diferente. Portanto, ABSOLUTAMENTE NADA que for feito garantirá que alguém vai deixar de ser corrupto. Mas é importante que se note que a questão fundamental não é se alguém vai ser ou deixar de ser corrupto por causa da lei/do “sistema”, a grande questão é, SE alguém for corrupto, essa pessoa será efetivamente punida, e cada centavo roubado dos cofres públicos será devolvido? – de preferências, com juros e correção monetária :-)

    Ou seja.. a grande questão é, antes de mais nada, a IMPUNIDADE. Mesmo a corrupção, de fato, sendo algo que tem em volta uma série de questões sociológicas de extrema complexidade, PUNIR e RECUPERAR A GRANA é a única coisa que, infelizmente, nós, pobres mortais, podemos fazer contra ela – pra não dizer o mínimo.

    Todo o resto – que o sistema/poder/any fuck here corrompe, que o capitalismo induz as pessoas a serem malvadas, que as brechas da lei “acaba criando corruptos” (!) ou qualquer explicação covarde que, como tal, sempre coloca o indivíduo como agente passivo, coitadinho e vítima da situação – é balela.

    @Reverendo
    Muito bom e muito oportuno o seu texto! :-)

  6. Peterson disse:

    Arthur;
    concordo com você em muitos pontos. Sim, o indivíduo é sim o culpado pelo que faz, claro. O sistema por si próprio não determina roubo algum, e se facilita, é um erro, não um mantra.
    No entanto, é o foco e objetivo da vida capitalista e/ou estatal que acaba por gerar valorações um tanto quanto estranhas. Todos conhecemos aquele “modelo” de empresário workaholic capitalista nojento e mesquinho, mas vemos isso mais na ficção do que na realidade. Muitas vezes tudo parece muito ao contrário, a realidade parece mais doce… E me pergunto: será que o sistema gera pobres do outro lado do mundo e todos tornam-se vítimas de uma vida programada pra casar, ganhar dinheiro, ser um bom cristão e etc; ou o negócio é assim mesmo e todos querem enganar o povo achando que essa vida é boa assim mesmo, e que a frase “dinheiro não traz felicidade” é pra fracos?
    Considero sim que a vida baseada no trabalho e uma sociedade que valorize mais o nonsense discordiano do que a seriedade militar é o ingrediente que falta (e é como a carne para o churrasco) para uma vida em que ninguém precise roubar nada de ninguém, viver independente de ser maior que os outros, promovendo-se a gerente, diretor, etc.
    Ou será que a coisa não é bem assim?
    De novo volto a ter certeza absoluta de que é um erro ter certezas absolutas…
    Ateh

  7. Gustavo disse:

    Também prefiro acreditar que o ser humano não seja mal em sua essência, porém é fato que o homem sempre foi atraído pelo proibido. Talvez por curiosidade, talvez por vontade de provar algo a si mesmo ou aos outros, as pessoas fazem coisas que são proibidas/limitadas pelas leis/sociedade. Mas como bem foi dito acima, não há de se eximir a responsabilidade da pessoa sobre o que ela fez. Fazer algo “errado”, seja para levar vantagem, seja pelo prazer de se arriscar, continua sendo “errado”, e o único responsável por isso é quem realmente cometeu o ato.

  8. A56 disse:

    Acho que o primeiro passo é enterrar a esperança e a moral. ÿtica não existe, nem poção mágica.
    A grande complicação quando se pensa em fim da corrupção é a ilusão de que nós, como cidadãos, temos poder algum de mudar a realidade. Eu queria acreditar nisso, mas é uma bobagem. Apenas quem poderia solucionar o problema é quem menos tem interesse em tal solução. Todo movimento contrário é lindo e romântico, mas não serve para nada. Sim eu cruzo os braços!

  9. Peterson disse:

    A56
    Acabei de ouvir a seguinte frase no Neura MTV: “Ser jovem é reclamar por direitos…”
    E percebi que realmente esse é o papel do jovem na sociedade.
    Mas a sociedade, o que é? ÿ um teatrinho de sombras.
    Os jovens reclamam por direitos, a polícia os repreende violentamente, alguns culpam os jovens, outros culpam a polícia, muitos não dão a mínima, e por aí vai…
    O papel do jovem é mostrar o podre da sociedade, e dos não-jovens é esconder o dedo do jovem.
    E assim a coisa vai.

  10. Bender disse:

    Pessoas são animais com consciência, não tem moral, mas sim medo de serem punidos e desejo de serem beneficiados.

  11. Junior disse:

    O problema é que as pessoas são animais, mas os animais não são pessoas.

  12. Infelizmente, nós temos de admitir que a culpa pela corrupção é, em grande parte, nossa (e sim, Arthur Corradi, eu sou anarquista). Falar de questão estrutural, de sistema e o caramba a quatro é fácil. Difícil é a gente se convencer da nossa culpa.
    Explico-me: Acredito que a grande maioria dos leitores detes blog seja no mínimo maior de 16 anos, ou seja, já teve a oportunidade de votar ao menos uma vez na vida. Pergunto: Como você escolheu seu candidato? Analisou cuidadosamente a proposta dele? Pesquisou sobre a atuação dele, em sites como o Transparência Brasil, ou mesmo com uma simples googlada?
    Continuou acompanhando o que o seu candidato (eleito ou não) fez ou deixou de fazer, após as eleições? Se ele está buscando cumprir o prometido, ou se simplesmente assumiu o cargo e dane-se o eleitorado? Escreveu para ele cobrando uma postura coerente com o que foi dito em campanha?
    Infelizmente, a grande maioria das respostas vai ser não. Então como podemos culpar “o sistema” ou “o governo”, essas entidades tão vagas?
    E o que dizer dos pequenos atos de corrupção que todos nós cometemos? Que vão desde aquela conversão irregular no trânsito (ah, mas era de madrugada e não tinha guarda) até aquela “choradinha” para não pagar pelo atraso na locadora, passando pela “escapadinha” da dieta, assaltando a geladeira de madrugada?
    Acabar com a corrupção é possível, sim. Se é viável, é outra história. Começa com o policiamento de nossas próprias atitudes, e continua com a vigilância permanente das atitudes dos representantes que escolhemos. Eles têm de saber que estão lá para nos representar de fato, ou nas próximas eleições não terão mais essa oportunidade. O que a lei não pode coibir, nossa vigilância constante pode.
    Claro que isto não vai resolver o problema por milagre. Levará tempo, talvez uma ou duas gerações. Mas é o único caminho.
    Peterson, eu já fui jovem, e mesmo hoje, claro, brigo pelos meus direitos. Mas por que a gente só pede pelos direitos, e procura se esquivar das responsabilidades, se ambos são faces da mesma moeda?
    E ser anarquista não é apenas criticar um “sistema” e votar nulo. Ser anarquista é, antes de mais nada, buscar conhecer o seu próprio papel na sociedade e as responsabilidades inerentes a ele. E fazer de tudo para cumprir a sua parte adequadamente. Ainda que, no atual momento, cumprir a sua parte envolva votar conscientemente.

  13. marquinho disse:

    Mais difícil ainda que admitir nossa culpa é mudar nossas atitudes.

  14. Na verdade tudo é simplificado numa palavra: Sexo.

    Desde os primordios, o homem tem um sentido natural voltado para relações que passam de sentimento, tornando-se apenas um atração carnal.
    O Dinheiro na atualidade representa poder, por que? Por que pode dar mulheres, mas para quê? Para fazer sexo.
    Esse comentário pode parecer machista, mas estamos falando de como 98,9% dos homens pensam, e acreditam, mesmo que não saibam de como funciona.
    Por isso que é muito comum que homens pulem a cerca, e seja muito difícil de encontrar um que ainda não o tenha feito.
    Esse desejo faz com que o consciente seja deixado de lado e trocado por algumas horas de prazer.
    Por que ser corrupto? Porque quem tem, quer sempre mais, para ter, no fim, mais sexo.

  15. Peterson disse:

    Faz sentido.
    Só que é algo beeeeem inconsciente (cultura, pra que te quero…) porque o ato de corromper e talz deve dar um trabalho… Só pra sexo?
    Já to com preguiça ;)

  16. Dirceu disse:

    Eu gostei da ideia do Fred (http://assembleiaconstitwiki.org)
    Ainda não fui mais a fundo (editei nada), mas pretendo…

  17. Thássius disse:

    Corrupção deveria ser considerada crime hediondo. Assim não haveria foro privilegiado (que é inconstitucional) que desse uma saída aos ladrões do Parlamento.

    E a punição deveria ser efetiva, e não fictícia. Não precisamos de novas leis; precisamos aplicar as que já temos.

  18. alice disse:

    Em mundo que se transforma tanto por que naõ podemos acreditar que podemos mudar e acbar com a corrupção?
    dizem que pra tudo na vida se dá um jeito, então quem sabe não pdemos sonhar com o fim da corrupção?

  19. Alice disse:

    Em mundo que se transforma tanto por que não podemos acreditar que podemos mudar e acabar com a corrupção?
    dizem que pra tudo na vida se dá um jeito, então quem sabe não podemos sonhar com o fim da corrupção?

  20. eu acho que a corrupção e um
    verdadeiro problema para o mundo e pr as pessoas “!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  21. lucas henrique disse:

    lkfhjfdhvjfdgbjdhgjhgjkhgjkhfgjhjgh

  22. genildo silav disse:

    é muito difícil comentar algo sobre esse assunto,surge muitas vertentes em relação ao assunto,mas eu acho que a maior dela é a má destribuiçaõ de renda em nosso país,muitos com pouco e poucos com muito.
    Isso sim deveria mudar e com certeza uma pessoa pobre que fosse entrar na politica defenderia os nossos enteresses sem se corronper.

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