:Death Cab For Cutie - Plans

Esta é a primeira postagem que será arquivada como “Filosofia Pop”. Costuma-se ter toneladas de textos sobre filosofia que analisam escritores do passado, dramas e poesias épicas que um humano normal não consegue ler. Será que devemos extrair filosofia disso quando temos todo o Pop à nossa disposição? Minha primeira análise será de uma banda muito querida, :Death Cab For Cutie.
DCFC
O :Death Cab For Cutie é formado por Ben Gibbard,Chris Walla,Nicholas Harmer eJason McGerr. O nome é retirado de uma canção de 1967 da Bonzo Dog Doo-Dah Band que inclusive é tocada no filme Magical Mystery Tour dos Beatles e faz parte do miro Pul está morto, que diz que Paul foi morto quando teve a cabeça decapitada em um acidente de carro. A pista desta canção é que seria um táxi (cab) que matou aquele que era o mais fofo (cute) dos membros dos Beatles. (Lennon era o esperto,George o calado e o outro que sempre me esqueço o nome).
O disco analisado será Plans.
Marching Bands of Manhattan
Se trata basicamente de um sujeito retraido e perdido em pensamentos (And it is true what you said/That I live like a hermit in my own head - E é verdade o que você disse /Que eu vivo como um ermitão em minha própria cabeça ) . Ele tenta declarar essa paixão mas descobre que a linguagem não consegue totalmente descrevê-lo. Aliás a linguagem é um problema que ele se ocupa em outra música. E termina de uma forma magistral ao falar que às vezes nos debatemos com problemas que nada significam, apenas um problema causado pela linguagem, que nos acostumamos mas aos poucos isso cresce absurdamente e perdemos completamente o controle:
(Sorrow drips into your heart through a pinhole/Just like a faucet that leaks and there is comfort in the sound /But while you debate half empty or half full /It slowly rises, your love is gonna drown - Goteiras de tristeza em seu coração por um buraco de alfinete /Um pouco igual uma torneira que escoa e se acostuma com o som /Mas enquanto você debate meio vazio ou meio cheio /Sobe lentamente, seu amor vai se afogar)
O velho problema do copo meio cheio ou meio vazio. O senso comum e o primeiro pensamento que ocorre é que se trata de duas visões: otimista x pessimista. Mas seja qual for, é equivocada. Afinal um copo meio vazio ou meio cheio possui a mesma quantidade de matéria quanto de ausência da mesma, logo ambas as sentenças significam a mesma coisa, não há problema. Não seria assim com muitos de nossos “problemas”?
Soul Meets Body
Graças à influência de Godot nossa sociedade vive dividida entre o corpo e a alma. Esta música é um anseio a um mundo onde esta dicotomia não existia. Onde alma encontre o corpo. (I want to live where soul meets body - Eu quero viver onde a alma encontra o corpo) e em determinado momento de forma quase esplícita declara que essa coisa de pecado não existe, pois não há sujeira que não possa ser limpa (But I know our filthy hands can wash one another’s/And not one speck will remain - Mas eu sei que nossas mãos sujas podem se lavar/E não vai sobrar nenhuma mancha)
Summer Skin
É uma canção com pouco significado mas que com um pouco de contorcionismo eu posso tirar algo. Acho que todo mundo é bom em alguma coisa, sei que isso não impressiona garotas mas este é o meu dom que nas palavras de um amigo : “Você tira filosofia até de pedras”. Ao dizer que a estação mudou e com ela o sentimento isso nos lembra Eclesiastes (eu vou citar a Bíblia!!!):
Tudo tem a sua ocasião própria, e há tempo para todo propósito debaixo do céu.Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou; tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derribar, e tempo de edificar; tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar;tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de abster-se de abraçar; tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de deitar fora; tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar; tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz.
Há inclusive uma canção dos Byrds de 1900 e lá vai pedrada que é praticamente o versículo musicado, e eu gosto bastante:
Different Names For The Same Thing
Aqui a preocupação com a linguagem é o assunto principal. (And I knew no words to share it with anyone/The boundaries of language I quietly cursed - E eu não sabia palavras para compartilhar com ninguém /As barreiras da linguagem eu xinguei silenciosamente)
I Will Follow You Into the Dark
A bela canção sobre o “nada”. E não estou falando de qualquer nada ou do vazio existencial de sua vidinha miserável, estou falando do Nada. (No blinding light or tunnels to gates of white /Just our hands clasped so tight /Waiting for the hint of a spark /If heaven and hell decide /That they both are satisfied /Illuminate the no’s on their vacancy signs - Não haverá luzes que cegam nem túneis para portões brancos /Só nossas mãos apertando-se fortemente/Esperando pela sugestão de uma faísca/Se o céu e o inferno decidirem/Que os dois estão satisfeitos/Ilumine os nãos em suas placas de há vagas )
É um música que diz “Hey, eu não me importo de não ter uma vida eterna no outro lado. Eu irei para a escuridão, e irei apertando a mão da pessoa que amo! Vou com ela para a escuridão.”
Your Heart Is An Empty Room
Uma canção sobre não saber o seu lugar e quando encontra um fica olhando para outro. E estamos falando de relacionamentos. Tudo o que sabe é “caçar”, uma vez que encontra alguém não para nunca de pensar nas possibilidades. Como Tântalo, nunca estamos satisfeitos com nada, mesmo com o amor [sic] verdadeiro.(Cause all you see is where else you could be/When you’re at home and out on the street/Are so many possibilities to not be alone - Pois tudo que você vê é outro lugar onde poderia estar/quando você está em casa. lá fora nas ruas/existem muitas possibilidades de não ficar sozinho)
Someday You Will Be Loved
Um música que fala que conheceu uma garota e a abandonou. No bilhete que deixou ele escreveu: Um dia você será amada. Acho que é uma crença que todos acabamos temos vagamente querendo ou não. Vocês sabem, culpa dos genes.
Crokeed Teeth
Nesta canção há uma estrofe que me define como gelo define água em estado sólido:
I’m a war, of head versus heart, /And it’s always this way. /My head is weak, my heart always speaks, /Before I know what it will say. - Sou uma guerra, de cabeça contra coração/ E é sempre desta forma/ Minha cabeça é fraca, meu coração sempre fala/ Antes que eu saiba o que dizer
Fala de muitas coisas, mas uma que chamou minha atenção desde o princípio foi da metáfora com que trata o compositor para nossas relações, dizendo que desde o princípio a baseamos em premissas falsas, com ilusões, já que fabricamos um pessoa que não existe. Com mais tempo acabamos descobrindo que o verdadeiro outro é um completo desconhecido e a “relação” acaba (Cause I built you a home in my heart, /With rotten wood, it decayed from the start. - Pois eu lhe construi uma casa em meu coração,/ Com madeira podre, definou deste o princípio)
What Sarah Said
Veja o vídeo.
Viu?
Ela está morta. ÿ a minha canção predileta do Plans. E fala afinal, qual o verdadeiro sentido da palavra amor. E estamos falando de todas as classificações de amor possível. Romântico, fraternal, maternal…Não importa. Amar é ver alguém morrer. Se você tiver muita sorte você morre antes, mas amar é querer ver alguém morrer. ÿ querer ver o cabelo do outro cair, vê-lo envelhecer e nunca sair de perto. Amar é ver alguém morrer.
Quem vai te ver morrer?
Brothers On a Hotel Bed
Sobre relacionamentos que caminham para um ponto onde não há brigas, mas definitivamente não há o fogo da paixão. Passam a ser como irmãos, e não são mais quem costumavam ser. ÿ a segunda lei da termodinâmica se manisfetando até em relacionamentos.
Stable Song
The gift of memory is an awful curse - O dom da memória é uma terrível maldição.
ÿ sobre viver milhões de vezes o mesmo sofrimento.Mas não se importar. Acho que é uma grande lição: Não dar muita importância para as coisas. A vida é cheia de possibilidades. Muitas e muitas negativas, mas de vez em quando algumas justificam o desconforto.
Para Saber Mais:
Plans, :Death cab For Cutie
Directions, :Death cab For Cutie
Transatlanticism, :Death Cab For Cutie
Magical Mystery Tour, The Beatles
[tags] dcfc,filosofia pop,análise[/tags]






















2 comentários para “:Death Cab For Cutie - Plans”
Ficou enorme! Devo ter gastado umas três horas do planejamento até a execução.
O pior é que deixei MUITA coisa de fora. Breve o livro na livraria mais próxima de vocês.
Tinha outra postagem para hoje…Só que vai gastar muito tempo, fica para amanhã…
A editora Madras (que lançou 2 livros do RAW) costuma lançar livros de cultura pop comparado com filosofia.
“Simpsons e a filosofia”, “Super-heróis e a filosofia”, “Buffy e a filosofia”, “Matrix e a filosofia”.
O seu post tá praticamente um livro (eu prometo que vou ler ele inteiro uma hora).
Encaminha o projeto!