Do tipo que lê Veja e Estadão

Essa é uma espécie de ofensa usado em algumas discussões, geralmente por aqueles que se acham [sic] de esquerda (acho que ser da direita e da esquerda, como dizia Ortega y Gasset, apenas mais uma forma dentre inúmeras que o homem escolhe para ser imbecil). Um desavizado em uma lista de e-mails certa vez me qualificou como “típico leitor de Veja” só por que cometi a heresia e o pecado de dizer que Chomski não era tudo aquilo.

Meu objetivo é mostrar alguns pensamentos sobre essas pessoas planas que acreditam que veículos de informação como os citados no título demonstram a falta de cultura e/ou pensamento político de uma pessoa. Uma pequena pesquisa no Orkut (ver o número de pessoas que aderiram a uma comunidade é sempre um bom indicativo da extensão de determinada idéia) mostra que a Veja encontra particularmente muitos detratores:

Comunidade (número de usuários)

Leu na Veja? Azar o seu! (56.204)
Leu na Veja? Azar o seu! (11.767) - mesmo nome que a anterior
“Veja” que mentira (11.174)
Nem “Veja” Nem Leia (6.307)
A Revista Veja é do Mal (3.310)
Eu Odeio a Revista Veja (1.676)

Não leio a Veja. Não vou defendê-la. Não leio a Veja, a não ser quando vou em alguma consulta médica. Mas tão pouco me acho superior por não fazê-lo. Aliás se ganhasse uma assinatura ou pudesse comprá-la toda semana, ficaria feliz. A única revista que compro religiosamente é a Super Interessante e todos os domingos a Folha do Estado de São Paulo. A acusam de direcionamento ideológico e a julgar pelas capas e algumas matérias políticas que li certamente existe. O que quero chamar a atenção é que as pessoas se esquecem do discernimento de cada um, e não apenas relacionado com a Veja, mas a qualquer veículo de comunicação. É como dizer que alguém é um tremendo idiota só por ler a Bíblia ou algum livro que se considera péssima literatura. Claro, que nenhum desses revoltados com o sistema que esnobam a Veja ou qualquer outra publicação pensam na inteligência do leitor, já que para eles isso não existe. A deles é claro se expressa somente por este ato de revolta em não ler esse ou aquele veículo.

Robert Anton Wilson dava um tremendo conselho: Leia todo tipo de informação sem preconceito. É de leituras plurais que emergem um conhecimento mais profundo do cenário em que vivemos. Como escolher uma fonte confiável de informação? Não acredito nisso. Todo texto tem sua dose de ideologia. Enquanto robôs não estiverem fazendo reportagens e transmitindo apenas o conteúdo factual e imediato jamais haverá textos isentos.

Por que não abraçar todas as fontes de informação e dar algum trabalho para o cérebro, deixar ele julgar se aquilo ali está certo ou estão errados?

Só me motivei a escrever sobre isso pois presenciei a frase do título, sendo usada por um sujeito querendo qualificar “o típico idiota do rebanho”, o que quer que isso signifique. Eu me senti um pouco revoltado pela prepotência e tudo o que consegui murmurar foi “O Mapa não é o Território“, menção que ele não fazia idéia do que queria dizer e ignorou por completo.

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Comments

Acho que este pensamento padrão contra a veja vem de algumas várias reportagens sensacionalistas e bizarras postada na mesma.
Bem, eu nem quando vou no consultório médico/odontológico leio revista, sempre pego um gibi e fico me divertindo.

Eu estou na primeira das comunidades.E, por dois motivos: o primeiro é que eu era, e ainda tenho traços de idealismo. O segundo, é que ainda não saí.

O terceiro (haviam três motivos?!) é que eu ainda não consegui enfrentar Choronzon o suficiente para me desprender das amarras do meu passado “de esquerda”. É difícil perder preconceitos, mesmo quando você os admite.

De qualquer forma, você acaba descobrindo que qualquer rótulo ou generalização é ruim (ao menos num sentido). Para citar Crowley (ou o seu Sagrado Anjo Guardião, como queriam) “todo homem e toda mulher é um estrela. Todo número é infinito; não há diferença.”.

É difícil perder preconceitos, mesmo quando você os admite.

Esse é realmente um ponto delicado, hã? Eu admite centenas e para falar a verdade só me livrei de uma dúzia ou pouco mais. Saber nem sempre é poder.

Na minha casa assinam a revista Veja, e eu compartilho do mesmo ponto de vista que o seu…
ler não significa acreditar em tudo que está escrito, ler não significa concordar. Lemos para tirar conclusões a partir de nossos próprios pensamentos. A revista tem o direto de ter o idealismo que quiser, não somos fantoches e eles não coordenam nossas idéias.
Aliás acho que isso de esquerda e direita está ultrapassado.
O que a esquerda fez no Brasil quando assuniu o poder, ela se acostumou a atirar pedras e quando virou telhado, quebrou a cara.
Também não sou de direita, pois não sou obrigado a concordar com a forma capitalista selvagem que eles adotam como seus ideais.
mas este post, foi ótimo, um dos melhores dos ultimos tempos na minha opinião.
Colocar a culpa nos meios de comunicação é fácil, o dificil é aceitar nossa própria responsabilidade, pois ultimamente, nós da classe média, só sabemos reclamar.

Falar em “leituras plurais” em um país onde as pessoas não leem nem bula de remédio é uma coisa no mínimo utópica. Se considerarmos outros tipos de mídia como televisão isso vira uma piada ainda maior. Para mim “leitor típico de veja” é aquela pessoa que lê apenas isso, depois ve o jornal nacional e o jornal da globo e acha que essas mídias são completamente isentas. Com certeza essa pessoa acha que o PT é o demônio e que o Chê era um enviado do capeta. Se é para citar situações que irritam….fui comprar o especial da “Caros amigos” sobre o Chê e olha o que eu escuto de um cara que estava do meu lado…”Não leu a veja? Esse cara é um assassino”. Este, com certeza, é um “Típico leitor de veja”….vale a pena argumentar com ele? Talvez seja por isso o número tão grande de pessoas na comunidade do orkut.

Uma vez em uma discussão fui chamado docemente de “Reacionário Leitor de Estadão”, fim de discussão né? O pior é que costumo ler vários, inclusive a Folha, mas tem gente que faz julgamento fast food :)
A Bíblia (Novo Testamento) por exemplo já li inúmeras vezes, mas só para analisar algumas coisas que me interessavam, nem tudo quer dizer algo não é? rsrsrs

E quem disse que Chê era um herói Luizjb? A Caros Amigos? Que outra fonte dogmática você escolheu para acreditar?

Não conheço nada de Chê, não tenho o mínimo interesse. Só sei que ele se envolveu em uma revolução armada e matou por seus ideais sim.

Uma idéia vale uma vida?

Outra: Minha mãe só assiste o jornal da Globo, nem lê Veja e gosta do Lula - aliás a maior parte do povo iletrado que você cita GOSTA do Lula, como você explica isso?

E eu falo sim em leituras plurais. Você neste blog está fazendo isso. Em nenhum momento eu disse “leituras para todos”, você tirou uma conclusão sem base alguma. Eu escrevo um blog, uma pessoa que geralmente me lê aqui tem acesso a leituras plurais a um link de distância. Eu escrevo pensando nos meus leitores. Sim, leitura plural não é apenas possível, como desejada.

Essa desculpa de “não vale argumentar” só demonstra medo, arrogância ou prudência. Geralmente não discuto pela última. Por que você evita as discussões?

“Eu admite centenas e para falar a verdade só me livrei de uma dúzia ou pouco mais. Saber nem sempre é poder.”

O pior é que, quando você reconhece seus preconceitos, você acaba reconhecendo o dos outros. E a gente é muito preconceituoso, sim.

“Este, com certeza, é um “Típico leitor de veja”….vale a pena argumentar com ele? Talvez seja por isso o número tão grande de pessoas na comunidade do orkut.”

Viu? Vale a pena argumentar com todos. O problema é saber respeitar. E nisso o Principia Discordia dá uma mãozinha: “as coisas são verdadeiras num sentido, falsas em outro, e irrelevantes em outro”. O que significa que o leitor da Veja pode estar correto, incorreto e ainda a opinião dele ser inútil, por exemplo.

Por esse motivo, vale a pena argumentar, sim. Nunca, eu digo, nunca alguém passa ileso por uma discussão, sempre somos transformados. O mais doloroso é admitir e aceitar de bom grado.

Acho que você que não está conseguindo discutir “Rev. Ibrahim Cesar”. Eu primeiro argumentei que talvez seria utópico falar em pluraridade em uma realidade que está longe de ser plural. Não disse em nenhum momento que quem assiste globo e não le revistas não gosta da esquerda (Ah, eu não tenho partido, muito menos sou esquerdista. Comprei aquela Caros amigos para saber mais sobre o Chê, coisa que você não faz a mínima questão de tentar fazer). A caros amigos é dogmática e a veja não né ? Sinceramente acho que o seu argumento está longe de ser conclusivo.

Quando eu dei o exemplo do que uma pessoa me disse quando estava comprando a veja eu quis dizer que o correto seria a pessoa falar comigo: “Nossa…a veja fala que o Chê é um assassino sem escrúpulos. O que será que a caros amigos está dizendo?”. Por isso que eu disse que ele era um típo leitor de veja. Não que todos que leiam veja sejam “Típicos leitores de veja”. Estamos discitindo o esteriótipo que vc levantou.

Pelo tom da sua resposta acho que você está bem longe de conseguir argumentar e discutir com calma o que você acha, bem diferente do “Rev. Beraldo”. Concordo plenamente com ele. Todos somos preconceituosos. Mas tenho certeza absoluta que a frase proferida por aquela pessoa para mim só por eu estar comprando uma revista que tinha a opnião contrária a dele foi num tom de que a única fonte confiável era “a” revista dele, uma pena.

Voltando ao tópico de leituras plurais. A única coisa que eu quis dizer foi que alguns veículos dominam as nossas mídias, fazendo com que essa “pluraridade” esteja bem longe. Em nenhum momento eu disse que a pluraridade é ruim. Somente falei que na conjuntura atual ela é utópica, já que não há espaço para mídias alternativas.

Bem, acho que era isso. Eu quis apenas complementar o seu post com um ponto de vista diferente. Se o meu comentário te deixou tão irridado, me desculpe. No meu ponto de vista argumentar é bem diferente de atacar, como você fez na resposta ao meu comentário. Eu não argumentei com o cara que falou mal da revista que eu estava comprando pelo jeito que ele me tratou, pelo tom da frase dele. Exatamente como você fez na sua resposta.

Leio a bastante tempo seu blog, mas nunca tinha vista uma resposta tua neste tom. Principalmente vindo de um blog deste nível, que preza a discussão e argumentação.

Abraços e a todos e espero que nos próximos comentários nós possamos trocar argumentos e não acusações.

Ah…apenas um detalhe…

“E quem disse que Chê era um herói Luizjb? A Caros Amigos? Que outra fonte dogmática você escolheu para acreditar?

Não conheço nada de Chê, não tenho o mínimo interesse. Só sei que ele se envolveu em uma revolução armada e matou por seus ideais sim.

Uma idéia vale uma vida?”

Da onde você tirou que eu gosto do Chê ? Só porque eu comprei uma revista que falava sobre ele ? Tenho certeza absoluta que você me encaixou como “Típico leitor de caros amigos”, exatamente o que você reclamava no seu post.

Que tom? Estou lançando perguntas, não acusações.

Você rebateu meus apontamentos sem nem sequer analisá-los. Você está guiado pelo orgulho, tudo bem.

Quando disse do Chê estava falando exatamente o que o Beraldo disse: Que as afirmações, até as contraditórias, podem ser verdadeiras. Em essência eu disse o mesmo que ele aplicando o método de Sócrates de fazer perguntas e testar o argumento da pessoa.

Sinto muito se você se sentiu ofendido e com o orgulho ferido.

Orgulho foi boa…acho que você apenas o que você quer, escolhendo dentro do que eu escrevi. De tudo o que eu falei vocêr resumiu a “orgulho ferido”, o que é uma pena. adimiti ali emcima, se você não viu, que talvez eu deveria ter discutido com aquele cara na banca de jornais, pedindo para ele ser menos preconceituoso. O que você não foi quando me encaixou em um preconceito seu. Tem certeza que eu não analisei o que você escreveu ? Você analisou o que eu escrevi ? Acho que não….talvez o seu método de Sócrates é muito complexo e não inclui ler os argumentos da outra pessoa. Uma pena que seu orgulho seja tão grande que não consiga dizer que errou ao me encaixar no “Típico leitos de caros amigos”. Esse argumento você analisou ? Então leia denovo….

O “típico leitor de Veja” é mais um estereótipo estilo o “típico fã de RBD”, o “típico leitor de Paulo Coelho”, entre inúmeros outros. Eu odeio a Veja sim mas não a trato com nojo e distância, a trato com raiva - leio seus artigos e analiso os argumentos com a curiosidade de um cientista que procura por falhas em teorias, para que através de refutações o conhecimento possa crescer… Apesar disso não consegui deixar de ter raiva dela porque a cada edição ela mostra a mesma cara de pau a mostrar como verdade absoluta uma interpretação, ham ham, “de direita” de determinadas situações.
Existem sim “típicos leitores da Veja”, que a tratam como verdade absoluta, mas não podemos culpar a Veja por ter se tornado símbolo de cultura e inteligência (de certa forma) e ao mesmo tempo possuir uma ideologia. O que ocorre é que as duas juntas, fama e ideologia, provocam manipulação. Nem por isso a culpa deixa de ser do “típico idiota do rebanho” que por ignorância deixa-se manipular.
Uma coisa é importante se perguntar também: até onde a ignorância é culpa?

E outra: Ibrahim, concordo com você quando você diz que o mapa não é o território, mas há pessoas que tratam a si mesmas como os europeus tratavam um mundo plano: “não vamos até lá, se não cairemos em um precipício, e haverá monstros, e cachoeiras enormes…”. Enfim, mesmo que haja muito mais a ser explorado, essas próprias pessoas não tratam de explorar. O mapa não é o território, mas tem gente que se esforça pra esconder o território e ser um mapa. Esse tipo de gente, que às vezes se manifesta no fã de RBD, ou no leitor de Paulo Coelho, no leitor de Veja.

Obs.: Ibrahim, “aprimore” seu método socrático, se possível. Quando eu li aquele comment também tive a leve impressão de estar escrito num tom agressivo…

Ah, e já que falamos sobre leituras plurais, dá uma olhada:

http://soaressilva.wunderblogs.com/archives/000067.html

Adorei o link para o Mapa…
Concordo que temos que usar o cérebro para discernir as coisas…
O problema é que a maioria do povão sai acreditando em tudo o que lê ou vê na TV; e os donos da mídia sabem disso, e usam isso a seu favor. Não é de hoje que presidentes são eleitos pela Globo (e outros casos similares)…

Evitar que todos os leitores de Veja concordem com suas reportagens, não é possível.
Seria uma forma de dominar, de impor nossos pensamentos…
cada um deve ler o que quiser e tirar a conclusão.
Não temos que alertar ninguém, quanto a este ou aquele tipo de revista.
As pessoas que responsabilizam a Globo e a Revista Veja por formar a opinião dos brasileiros no meu entender estão erradas, pois estes meios de comunicação remam de acordo com a maré… se o povo quer eleições livres e diretas, eles fazem campanha, se querem fora Collor, eles denunciam.
Na verdade hoje eles buscam se identificar com a “classe média cansei”, os que reclamam de impostos, do governo, da violência, da corrupção e focam suas reportagens nesses temas.
Vai ser sempre assim: “a voz rouca das ruas” será a estampa da capa da revista.

bom dia Ibraim!!!!
Vc conhece a Piauí, não é mesmo?
concorda comigo que ela não é muito tendenciosa??

Luizjb eu admito que ontem estava um pouco irritado e descontei em você, desculpe.

a piauí é tendenciosa em que sentido?….

nunca li, mas sempre ouvi bons comentarios sobre ela…

Eu leio a Veja. Mas a imbecilidade não está em quaisquer meios midiádicos, a imbecilidade está em quem crê em tudo aquilo que lê, seja lá onde for.

Mas uma coisa é certa: entre leitores de Veja e leitores de Caros Amigos, eu fico com os primeiros.

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