Eleições Americanas na Reta Final!

Tava enrolada com um exercício de Física e já passou um pouco do meu horário de dormir. Ao ponto em que vou ficando sonolenta, o nível de radicalismo (em geral baixo) no meu sangue sobe astronomicamente, assim como o meu nível de burrice – o que pode muito bem estar relacionado, mas essa é outra conversa. Então, por favor, perdoem os erros ortográficos que talvez apareçam, juro que arrumo mais tarde. =P

O Tiago estava me ajudando pelo pidgin e, quando finalmente acabamos a tarefa, ele fez um comentário sobre a liderança do Obama sobre o senhor Batata Frita até o presente momento todo empolgado (ou nem tanto, me conservo o direito de uma licença poética). Eu só fiquei tipo… “Grandes bosta”. Quem se importa com a eleição americana?

Aí você pode me chamar de alienada por não reconhecer que o que acontece nos EUA reflete no mundo todo (como o fato deles serem caloteiros estarem ferrando até nós brasileiros, singelos exportadores de commodities) e eu preciso retrucar: Então porque você, criatura querida e amada, apóia o Obama?

Ele é um símbolo contra o preconceito, super carismático, tem ótimas idéias nacionalistas e é realmente o presidente ideal pros Estados Unidos. Mas nós não moramos lá e não vamos nos privilegiar nada quando ele fortalecer a economia interna americana, diminuir o número de importações e investir na auto-suficiência energética do país dele. Se o Brasil ainda pode se sentir seguro perante a crise (é só a mídia parar com os pitis de mandar todo mundo tirar o dinheiro aplicado antes que seja “tarde demais” que as coisas começam a se ajeitar) e partindo do pressuposto que uma pessoa com pouco dinheiro prefere se alimentar a comprar um iPod; caso o Obama vença as eleições as coisas vão começar a apertar de verdade.

O Mccain, por outro lado, é conservador e não vai sujar suas mãozinhas manufaturando. Vai diminuir a taxa imposta ao etanol brasileiro simplesmente porque é mais prático, rápido e barato que investir na produção própria, ainda mais tendo que sustentar Wall Street.

Claro que essa crise não vai durar pra sempre e, quando eles se estabilizarem novamente, vamos voltar ao subúrbio da humanidade, mas até lá já teríamos entrado no mercado não só americano como no europeu (a União Européia impõe metas de substituição de energias e outros tipos de poluentes – 10% até 2010, se não me engano).

Com um capital acumulado, quem sabe o nosso país não faz alguma coisinha por si e investe mais no seu povo, tadinho! Como conquequência, esse povo um pouquinho mais estudado (tomara!), começa a procurar por um “Obama tupiniquim”. Por que, olha, empolgação assim com uma eleição… a gente tá precisando!

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12 comentários para “Eleições Americanas na Reta Final!”

  1. Carol Peters disse:

    só um parêteses…
    como dá pra levar a sério um país que ainda vota no papelzinho?! que coisa de terceiro mundo… ¬¬

  2. Wittgenstroll disse:

    Carol, isso tudo é irrelevante com a maioria democrata no congresso. O congresso sempre foi mais ou menos meio-a-meio, mas esse ano os democratas tem a maioria. Se fosse o McCain, iam travar os planos econômicos dele na hora. Não mudaria muita coisa não, e o Obama nem é tão diferente do McCain assim. Ele vai manter uma cara centrista e não vai ter muita alteração social. O sistema bipartidário lá tem o mesmo truque de qualquer lugar: apelo pra base no início e depois extensão pra convencer indecisos atráves dessa moderação centrista. A base do Obama não pressionou ele, então ele vai continuar com as posições anti-aborto, anti-união civil de homossexuais, mesmo pique na guerra às drogas (incrível os gastos lá), política externa com poucas alterações (relações com Irã e Paquistão meio tensas, apenas melhoras no Iraque em relação ao McCain)e política de imigração ilegal parecida com a do McCain. As maiores diferenças são sobre impostos, economia e healthcare.

    Economicamente, o único candidato que em teoria seria melhor pra nós é o Barr. O resto não seria tão diferente.

    Acho que o melhor candidato era o Mike Gravel, pena que ele não foi escolhido. Mas o Obama tem os seus méritos, acho que ele vai passar uma imagem muito forte pro mundo, mesmo que isso não reflita as ações dele.

    Enfim, vamos ver.

  3. Mariana disse:

    É no papelzinho, mas eles votam até pelo correio se quiserem, e NÃO é obrigatório…
    Obama na frente é um símbolo de que eles querem algo novo, pelo menos acham que é algo novo. Se votasse, votaria Obama. Até mesmo porque ninguém entra lá com uma varinha mágica e muda tudo de uma hora pra outra. O que vai mudar para o Brasil é daqui 2 anos, eleições para presidente… E já pensou se eles tivessem torcendo para o nosso McCain???

  4. Teoricamente (e apenas teoricamente), os democratas têm uma tradição de “fechar” menos a economia americana o que seria melhor para nós.
    No geral, acho que só mudam as moscas (e não vou colocar o resto do ditado aqui…)

  5. A não obrigatoriedade torna a eleição deles “socialmente” respeitável – entretanto, urna eletônica rodando open-source é à prova (praticamente) de fraudes, o que parece ser um problema por lá.

    Eu preciso dizer que me sinto totalmente inseguro quanto a esse negócio de votar por correio?… Me cheira a grandes possibilidades de “intervenção” nos resultados.

  6. Carol Peters disse:

    sabe que, apesar de ser contra qualquer tipo de imposição, acho que a obrigatoriedade do voto legitima uma eleição, pois mobiliza o país por inteiro, o que não ocorreria no contrário. A presença às urnas seria reduzida caso o voto fosse apenas um direito, sem ser também DEVER do cidadão.

  7. lawls disse:

    Ué, por quê dever? Ninguém escolhe onde nasce e você é obrigado a votar (querendo ou não) se não você tem problemas com o CPF e passaporte. E você também pode não concordar com o sistema vigente: não reclama do que não participou mas também não se envolve com ele. Estranho esse lance de “dever”, o estado sempre existiu, nunca foi aberto pra participação contínua e neguinho impõe qualquer regra ou legislação sem amplo debate ou consenso. E o povo não sente vontade alguma de se elucidar, além do sistema ser falho:

    http://projetosili.blogspot.com/2008/09/o-voto-direito-dever-ou-perda-de-tempo.html

    Nem é “democrático” pra se defender, e mesmo que fosse, não deveria ser obrigação. Besteira.

  8. Eu defendo que o voto seja facultativo e que as pessoas tomem de fato, sobre si, a responsabilidade de fiscalizar a atuação dos políticos que elegeram. É a ÚNICA forma de se tentar melhorar um pouco as coisas.

  9. Santaum disse:

    Carol, temos opiniões bem parecidas no sentido de se importar ou não com essas eleições de um outro país, mesmo que ele seja economicamente “poderoso”, principalmente no sentido de dever dinheiro aos demais. Com relação às eleições, penso da mesma maneira: eleições indiretas e de papel é algo bem arcaico, hã? Até sobre o voto não obrigatório tenho lá minhas dúvidas se é conveniente ou super democrático. Já vi políticos de lá buscando o contrário.

    Grande post.

  10. Josué Ramos disse:

    meu deus, meu deus!!!
    “O Mccain, por outro lado, é conservador e não vai sujar suas mãozinhas manufaturando. Vai diminuir a taxa imposta ao etanol brasileiro simplesmente porque é mais prático, rápido e barato que investir na produção própria, ainda mais tendo que sustentar Wall Street.”?!!!!
    isso é coisa de esquerda preguiçosa, que acha que republicano= conservador= neoliberal. Os ‘Bushes’ eram republicanos e, nem por isso, menos protecionistas.
    E quanto ao peso de a economia interna americana melhorar, ele é enorme! Não é desespero acompanhar as eleições por lá. É só Lembrarmos dos efeitos que a crise na Argentina teve na economia mundial pra imaginar o que não seria se uma crise braba se arrastasse pelos USA. Se vai ser bom ou ruim a economia americana se fortalecer, sabe-se lá, mas o fato é que não é algo que se resolva assim tão fácil.
    Mas bem…
    o post é ótimo, só acho que vale uma pisada no freio.^^

  11. Mr. Spock disse:

    É triste como os brasileiros se deixam levar pela mídia em qualquer assunto, até naqueles que mal nos dizem respeito.

    Aos que veêm Obama como um novo “messias”, apenas lembro do Mandela (que desmontou a África do Sul) e do Walesa (que levou a Polônia à falência com tanta roubalheira).

    O lema de campanha de Obama (Change we need) nada mais é do que isso mesmo: um lema de campanha, como, aliás, tantos outros iguais. 4 anos depois, nada “changed” por lá.

    Quem realmente manda nos EUA é o establishment, representado pelas indústrias bélicas e farmacêuticas principalmente, o sistema financeiro controlado por judeus (mesmo quebrado atualmente) e várias outras entidades dentro do próprio governo americano, como CIA, a nova NSA e alguns grupos não nominados mas poderosos o bastante.

    No meio disso tudo, Obama será apenas mais um Presidente dos EUA. Se os grupos de pressão resolverem bombardear e invadir o Irã, Obama irá dar sinal verde. Só irá retirar as tropas do Iraque bem “lentamente”, mesmo assim deixando por lá os mercenários da Blackwater controlando o que interessa (leia-se petróleo). Talvez até promova um novo “Acordo de Paz” entre Israel e Palestina, como fizeram Carter e Clinton, apenas para ganhar um Nobel e ver o acordo ser quebrado 1 mês depois, pois com certeza, não deixará de fornecer os bilhões de US$ e armamentos a Israel.

    O pior de tudo é ver o desconhecimento de brasileiros (e principalmente os blogueiros) sobre o sistema eleitoral americano. O que vem sendo incensado como um exemplo de democracia é tudo, menos democrático. Historicamente, apenas 50% da população apta a votar se registra como eleitores em época de votação. E digo “apta” porque:

    1) Em alguns Estados, condenados por crimes violentos (felonies) são impedidos de votar por todo o resto de suas vidas, não importa se estão em liberdade condicional ou já cumpriram a pena. O tempo de impedimento varia de Estado para Estado, mas quase todos aplicam a restrição.

    2) Estados do Sul, tradicionalmente racistas, criaram barreiras para o alistamento de eleitores, exigindo provas de propriedade (capacidade econômica), ter leitura e escrita fluentes (conhecido como “literacy”) e outras exigências criadas para impedir os negros de votarem, mas que também servem para os brancos “indesejáveis”. Na Flórida, somente no ano passado essas exigências foram derrubadas;

    3) O sistema de “electoral vote”, ou Colégio Eleitoral, cria votos que valem mais do que outros. Na Califórnia, por exemplo, com 55 votos no Colégio Eleitoral, o voto tem um peso 3 vezes maior do que o voto em Montana, apesar desse Estado ser mais populoso que aquele. Na realidade, pelo sistema do “winner take all”, basta um candidato ganhar nos 11 principais Estados do Colégio para ser eleito. Já por 4 ocasiões, o candidato mais votado pelo povo NÃO FOI ELEITO!

    Portanto pessoal, informem-se mais antes de tecerem loas à “democracia” norte-americana. Eles podem até ter um sistema funcional, impedindo ou dificultando que a escória da sociedade interfira no futuro do país, mas com certeza não é nenhum modelo realmente democrático.

    2)

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