Bears. Beets. Battlestar Galactica. A melhor série de comédia: The Office

Então, o que é verdade?

por Ibrahim Cesar em 23 abril, 2007

Dizem que foi essa a pergunta que Pilatus fez a Jesus antes deste ir ser crucificado. Não houve resposta. André Dahmer certa vez fez com que uma de suas “flores do mal” dissesse que, “a verdade é um acordo entre mentirosos”. Não estou totalmente certo disso, mas lendo sobre a repercusão da tragédia na universidade da Vírginia, me peguei pensando que talvez a verdade seja apenas um acordo entre os que pensam igual. Veja:

Quem defende o controle de armas está dizendo que ficou provado que o fácil acesso ? s armas causou o massacre. Quem defende o porte de armas está dizendo que se não fosse proibida a entrada de armas na universidade, as vítimas teriam podido se defender.

O que leva diretamente aquela idéia de que não se pode ensinar a homem algum aquilo que ele já acredita saber. Pessoalmente eu não saberia exatamente qual dos dois lados está certo, se bem que eu poderia assoprar um ótimo argumento para os defensores do controle de arma: Se não houvesse acesso a armas eles nem ao menos precisariam se defender já que o assassino não teria arma alguma para fazer o que fez.

Não conheço os Estados Unidos então não posso dizer se lá é tão fácil de se conseguir armas de forma ilegal tanto quanto parece ser por aqui. Na verdade, meu intuito não era nem tocar no assunto da questão das armas e sim em como sempre alguém encontra um argumento que justifique suas idéias a respeito de algo.

E aquela resposta feita há mais de 2.000 anos atrás continua sem resposta.

[tags]armas, Virgínia, verdade[/tags]

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A Semana #21 | 1001 Gatos de Schrödinger
04.29.07 at 11:59

{ 15 comentários… leia-os abaixo ou adicione um }

1 el_poland 04.23.07 às 12:50

Esse texto me lembrou uma anedota:

Disseram para um advogado:

- Seu novo cliente é o diabo.

E o advogado:

- ÿ pra defender ou acusar?

E um texto do Luiz Fernando Veríssimo, chamado “Versões”, que diz que não importa o fato, e sim a versão que “colou”.

2 alex castro 04.23.07 às 18:40

vc acredita mesmo que existe esse negocio de verdade?

3 Rev. Ibrahim Cesar 04.23.07 às 19:41

De que negócio estamos falando?

4 Douglas Gravateiro 04.23.07 às 20:44

Caríssimo Alex Castro,

A verdade é relativa…

(esta foi a minha melhor contribuição para a discussão! =)

5 Moziel T.Monk 04.23.07 às 20:52

Quando um assunto desperta uma polarização ideológica tão forte sempre acaba nisso. Eu mesmo já fui um defensor inconteste do porte de armas. Hoje vejo que a questão é bem ampla e complexa, e realmente não há resposta fácil. Só não dá pra lavar as mãos como o colega Pilatos :)

6 Tiago Madeira 04.23.07 às 21:44

Um homem sábio escreveu num livro:

A verdade não é um monólito sólido que encontraremos e poderemos venerar - mas não espalhe isso.

Eu sei o que é a verdade, mas não vou contar pra vocês.

7 Rev. Ibrahim Cesar 04.23.07 às 22:38

Eu acredito que há várias verdades. Por isso perguntei qual negócio estamos falando. Há verdades para doentes terminais, verdades para crianças, verdades para o povo e verdades da razão, verdades religiosas e por aí vai. Ou seja a verdade é maleável, pode-se trabalhar com ela e atingir resultados maravilhosos.

Tiago: Cuidado, você sabe demais.

8 Cadu Simões 04.24.07 às 17:33

Segundo Paul Veyne, a verdade não existe: http://www.gardenal.org/grilocaverna/2005/10/a_verdade_nao_existe.html

ÿ a definição de verdade que mais fez sentido pra mim até hoje.

9 Rev. Ibrahim Cesar 04.24.07 às 17:35

Então Cadu, essa definição de que a verdade não existe, é verdadeira?

10 Carol Peters 04.24.07 às 23:13

isso me lembra o paradoxo do homem que disse ‘tudo o que eu digo é mentira’.
levando para o lado armamentista..
uma vez eu comecei a assistir um documentario sobre as armas nos eua (tiros em columbine, acho que era o nome). era com o cara que fez o documentario do 11 de setembro. mas, por ÿris! era chato demais!! não sugiro que você perca tempo, portanto ;*

11 Enio Luiz Vedovello 04.26.07 às 12:38

Em um dos livros “infantis” do Monteiro Lobato, não me lembro qual, a boneca Emília define: “A verdade é uma mentira muito bem pregada, dessas que ninguém desconfia”. Esta foi a melhor definição que eu já vi.
Quanto ? questão armamentista, embora eu concorde com a Carol Peters que “Tiros em Columbine” é meio chato, o filme demonstra que lá não é necessário preocupar-se com a facilidade ou não em adquirir uma arma ilegal, porque é muito fácil adquirir uma LEGALMENTE.

12 Cadu Simões 05.05.07 às 06:56

Utilizando a lógica de Paul Veyne, a afirmação de que a verdade não existe em princípio não é verdadeira e nem com maior razão podemos afirmar que ela é falsa. Só quando um programa de verdade é estabelecido é que então essa afirmação assume um dos dois estados. Por exemplo, se o programa de verdade assumido fosse o aristotélico, então essa afirmação seria claramente falsa. Mas se fosse o programa de verdade de Foucault ou do próprio Veyne, então a afirmação seria verdadeira.

13 Rev. Ibrahim Cesar 05.05.07 às 09:50

Ginástica semântica e nada mais. A navalha de Occam coloca isso por terra. Escolha sempre a explicação mais simples. Eles apenas criam teorias que não possuem aplicações além do plano da linguagem e depois se esforçam para que isso se adapte ? realidade.

Ex: Sua namorada te traiu efetivamente, ela saiu com um cara. Se ela te disser que não te traiu é mentira. Se ela te disser a verdade…Bem, será verdade.

14 Cadu Simões 05.05.07 às 21:40

Mas se uma teoria possui aplicação no campo da linguagem, não é preciso se esforçar pra que ela se adapte a “realidade”, isso é automático, pois é justamente a nossa linguagem que define a nossa “realidade”, e não o contrário. O Homem absorve o mundo ao seu redor conforme o recorte de sua própria linguagem. E este é um recorte arbitrário. Um exemplo muito claro disso é a diferença da utilização de onomatopéias nas diferentes línguas para representar um mesmo som. Se a realidade é que definisse a linguagem, então um mesmo som deveria ser representado com a mesma onomatopéia em qualquer língua, em qualquer cultura, em qualquer grupo, e não é isso o que de fato acontece. Outro exemplo disso são as cores do arco-íris. Pessoas de diferentes grupos lingüísticos-culturais enxergam cores diferentes e quantidades de cores diferentes no arco-íris, porque o recorte dessas cores é dada pela suas linguagens.

No seu exemplo a lógica de Veyne ainda está valendo. Eu só sei que afirmação dela é verdadeira ou falsa porque o programa de verdade foi estabelecido no momento em que eu soube que ela efetivamente me traiu. Do contrário, a afirmação dela não poderia ser julgada verdadeira e não com maior razão falsa. E mesmo assim, estou assumindo que no programa de verdade vigente para mim na sociedade em que estou inserido, o fato dela ter saído com outro cara implica traição.

15 Rev. Ibrahim Cesar 05.06.07 às 23:19

Mas o exemplo da onomatopéia falha ao alvo pois ele nada diz sobre a realidade em si. Meu cachorro ao latir para n pessoas que falam n línguas teria seu latido escrito de n formas, mas continuaria a ser um latido. Ele falha ao ser uma explicação objetiva de existir um conceito de verdade.

ÿ bom resaltar que eu não sou um absolutista, pelo contrário. Mas por mais que a verdade seja um acordo entre mentirosos, negar que ela existe é, quer queira ou não, invocar tal presuposto como verdadeiro. Não há como escapar disso. ÿ um dos grandes temas da filosofia analítca a qual Wittgeinstein e Russel tanto debaterem e se aprofundaram.

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