Hoje realizei um programa típico de domingo para quem costuma ter programas típicos: fui a um centro comercial (shopping center, em português).
Hordas de adolescentes do gênero feminino desfilando para o gênero masculino, mesclados com casais com aquela cara de arrependimento por ver sua vida transformada naquilo, acompanhados dos filhos que, juro que vi isso, tentam disfarçadamente esquecer por lá e voltar cada um para o tempo em que não se conheciam. Lojas de departamentos lotadas de gente ? procura de roupa barata e de mau-gosto; lojas de grifes vazias e suas vendedoras “fashion” bocejando, tentando vender uma camiseta de 370 reais para um eventual visitante.
Até que entrei em uma livraria, coisa que não fazia há muito tempo; me acostumei a comprar livros online pela facilidade de encontrar o que procuro, além de evitar o que retrato a seguir.
Se um arqueólogo do futuro for pesquisar nossa civilização através dos livros expostos, certamente pensará que foi lucro a destruição.
As livrarias de shopping parecem ser divididas em duas seções, livros espíritas e de auto-ajuda.
Logo na entrada somos brindados com prateleiras e prateleiras de livros “ditados” por alguém. Nisso me ocorreu um questionamento que rendeu uma boa discussão com a namorada, que me acompanhava: se eu escrever um livro ditado por Mucius, a Tíbia Gasparotto pode me processar?
-Acho que sim.
-Mas por um acaso os espíritos têm contrato de exclusividade com ela?
-Dizem que cada pessoa tem o dom de fazer contato com certos espíritos, e só ela.
-E quem vai provar que eu não tenho esse dom?
…
Antes que a discussão descambasse para algo pior, sigo em frente, de repente começo a me sentir mal, a sensação de estar cercado; foi quando me dei conta que todas as paredes que me cercavam estavam repletas de livros de auto-ajuda: solução para todos os problemas possíveis e imagináveis. Acredito, inclusive, que deve haver algum software que escreva esses livros em série, tal a quantidade e variedade de publicações oscilando em torno do mesmo tema: como encher o bolso de dinheiro valendo-se da credulidade de quem compra esse tipo de lixo.
Voltei para casa, não costumo sair muito e, francamente, cada vez vejo menos atrativos no mundo exterior; vale a pena para coletar material para textos, talvez o faça mais seguidamente, de vez em quando é bom ter contato com os bárbaros.
Por J. Noronha, finalmente reconhecido como um gato, miau.








{ 9 comentários… leia-os abaixo ou adicione um }
Tô contigo e não abro.
As livrarias se renderam a esse apelo consumista de livros finos, fúteis e baratos. Auto-ajuda, religião e é só. Falar nisso não são só as livrarias não, tem uns 10 anos que todas as capas da “super interessante” se alterna entre esses dois temas e o blockbuster da vez do cinema americano.
Um abraço.
Realmente. Eu, quando entro em uma livraria, me sinto num consultório psicoterápico; ou a sociedade está numa total decadência e só as livrarias vêem isso, ou esse software de produção de livros de auto-ajuda em série está produzindo mais do que a demanda.
Mucius ? Acho que vou escrever um livro sobre a verdadeira história dos trapalhoões com o espirito mussum ! Vou enconrporar o espirito tomando muito mé !
Abraços !
Em qualquer centro comercial ( shopping center… =P.. rs…) há uma grande quantidade de pessoas, e em qualquer lugar que haja uma grande quantidade de pessoas vão existir jovens com os hormônios a flor da pele que como qualquer outra espécie de animais querem “acasalar”, pessoas felizes com a vida atual e pessoas infelizes.
Para viver em sociedade é preciso aceitar isso: todos somos humanos, por conseqüência animais, mesmo que com pontos de vistas e gostos diferentes. Se você ou eu mesmo sou melhor ou pior que todo o resto isso também depende do ponto de vista! =P
Agora sobre livrarias… não deixam de ser lojas…. lojas querem (e precisam) vender, falar que elas “se renderam a esse apelo consumista de livros finos” é a mesma coisa que falar que é errado colocar propagandas em Blogs, o blogueiro precisa colocar o pão de cada dia na mesa, o dono da livraria também!
Se tem uma coisa que vende hj em dia é livro de auto-ajuda, as pessoas querem respostas rápidas e praticas para tudo, como se existisse, e outras pessoas mais inteligentes (ou nem tanto… rs) ganham dinheiro com isso.
Livros espíritas… gostando ou não de espiritismo todos tem que abrir os olhos para duas coisas: instituições espíritas foram as que mais tiveram iniciativas de caridade em instituições religiosas de longe, e novos espíritas normalmente ganham um habito que normalmente nunca tiveram antes! A leitura! E quando pegam gostos elas não lêem mais apenas livros espíritas….
Apesar de muitos entrarem na onda só para ganhar dinheiro, e isso acontece em qualquer lugar, da uma olhada nesse link ai de baixo, ou vc aceita que Chico Xavier psicografava livros de verdade ou ele deveria ser aclamado como o maior escritor de todos os tempos!!! Ele foi a pessoa que mais escreveu livros no mundo e de temas totalmente variados! Não estou querendo provar nada, mas isso para mim é, no mínimo, estranho…
http://comunidadeespirita.com.br/artigos/obras%20de%20Chico%20Xavier.htm
uma vez uma olheira de agência de modelos veio falar comigo numa livraria..
William,
Por isso ninguém convida você para as festas! Minha experiência em conviver com “espíritas” me mostrou que eles lêem cada vez mais… livros “espíritas”.
Quanto ao Chico Xavier, você tem razão, é estranho. Uma sugestão, crie um blog para falar sobre isso, prometo não aparecer por lá.
Ah! Que susto! Achei que fosse o reverendo que tivesse com namorada (e é claro que ele só pode amar a Eris sobre todas as coisas), só vi quem escreveu o post com a sua nota de rodapé!
heuaheuaheha
Parabéns j. noronha, você foi o terceiro gato. Eu sou mais gato que você e o reverendo é o mais gato de todos!
J. Noronha,
Eu li somente uns 3 livros espíritas até hj, e eu leio bastante.
Hoje estou sossegado, namorando a quase 2 anos ( que aliais é um japinha ta? huahuahau ), mas antes nem precisava que me chamassem para as festas, eu as organizavam e sempre estavam lotadas e não era de espíritas…. hehe
Sobre criar um blog… gostaria… se tivesse tempo e paciência. Fora o tempo que precisaria para escrever sempre… Mas pq não apareceria por lá?
cuidado com as conclusões precipitadas e preconceitos.
a um tempo atrás eu fiz o mesmo que tu noronha. só que fui além, pedi pra conversar com o gerente/dono/responsável da livraria pra falar sobre os livros da área de tecnologia, que eram MTO raros e a maioria antiguíssimos. depois de conversar 5 minutos ele fala que estava inclusive pensando em tirar a parte de livros técnicos fora, porque ele pagava 150R$ em 1 livro, que ele podia vender por no máximo 180R$ e ainda ficava 4 meses parado nas prateleiras até alguem se interessar, enquanto que com 10R$ ele comprava um livro de auto-ajuda que ele venderia por 30R$ e ficaria nas prateleiras por não mais do que 1 semana.
o mercado vende o que o consumidor quer comprar, se nossos shoppings e livrarias são uma grande lata de lixo, é porque nossa sociedade moderna é um grande aglomerado de lixo.
abraços, ótimo post o seu.
Deixe um comentário