Eu sou feio, baixo e nenhum pouco atlético. É a fórmula para a solidão. E até onde eu cheguei eu posso atestar: funciona. E não estou escrevendo isso para ficar choramingando, muito pelo contrário. Essa premissa de minha vida, essa minha “circunstância” me manteve afastado daquela esfera de prioridade que parece ser a de todos ao meu redor. Não são poucos os que se casaram, nem poucas a que tiveram filhos ou os que engravidaram alguma garota. Olho ao redor e a constatação me parece óbvia: sou diferente. Não sei se é bom ou melhor. Talvez em alguns momentos eu inveje a vida deles e sei por testemunho que até mesmo eles, em algum momento, desejam ser como eu.
Parto desta premissa para abordar Ortega y Gasset de que o “cogito ergo sum” de Descartes não é de todo suficiente. Penso, logo existo. Mas ao existir caímos em um mundo do qual teremos que lidar com certas circunstâncias. Não escolhemos ser destros ou canhotos, a cor de nossa pele, nosso sexo e muito menos o lugar onde nasceremos. Isso pode ser aplicado em cada esfera possível. Acreditamos, ou melhor, queremos acreditar que podemos criar uma vida melhor, um relacionamento melhor, um país melhor, mas sempre esquecemos em nossos cálculos das premissas dadas, das “circunstâncias”, que mesmo à revelia teremos que encarar.
“Acordo.Onde estou?Reflito.Não só reflito, como também me questiono:-Onde estou?-No entanto, esta pergunta não tem nenhum sentido, pois sei exatamente qual é a resposta.Aqui é a minha vida.O cotidiano da minha existência.Algo subordinado à existência real denominado eu.Aqui é um lugar em que, tendo eu aprovado ou não certas ocorrências, fatos e circunstâncias, elas se tornaram parte de minha existência.” (Haruki Murakami. Dance Dance Dance.p.9)
O grande segredo é saber lidar com as circunstâncias. Cristianismo, socialismo, e quase todos os “ismos” ignoram por completo as circunstâncias. Nossas circunstâncias enquanto seres biológicos e inúmeras outras. A mesma coisa quando imaginamos algum cenário futuro para nossas existências: sempre imaginamos algo que muitas vezes desconsidera nossas circunstâncias.
“’Eu sou eu’ porque sou, antes de tudo, essência. E uno, único, indivisível. Posso ser copiado, imitado, mas não duplicado em mente e alma. Sou o resultado de meus pais, meus avós, meus ancestrais, todos vivendo dentro de mim e ao mesmo tempo agora.
Sou também fruto das ‘circunstâncias’, do imponderável, do ambiente. Das pessoas que me cercam, das com quem me relaciono, das que me dão ouvidos e das que me dão palavras. Daquelas que ao me encontrarem levam um pouco de mim e deixam um pouco de si. Que me depuram, que me lapidam, que me transformam. Mas é certo que são “minhas” circunstâncias, posto que posso elegê-las.(José Ortega y Gasset)
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15 comments ↓
“Eu sou feio, baixo e nenhum pouco atlético. É a fórmula para a solidão”
Até essa frase é circunstãncia do momento atual, de repente, hoje vc acerta a megasena acumulada e fica “lindo”.
Ser “feio, baixo e nem um pouco atlético” não é fórmula para solidão. Se fosse um monte de gente feia, baixa e nem um pouco atlética estaria sozinha até hoje.
Você mesmo deve saber que não é bem assim e se você esta sozinho ou não tem outros motivos.
@ marquinho: Aí entra na fórmula do amor: boa aparência + dinheiro.
@Vinícius: têm razão, mas foi uma frase que me ocorreu na rua e resolvi usar em qualquer que fosse a postagem. Eu meio que me guio pelo texto às vezes.
Ainda que o Método de Descartes tenha sido revolucionário e fundamental para o progresso científico, sou obrigado a admitir que ele falha num excesso de simplismo. Não é de se estranhar que seja tão simplista, dado o conhecimento da época. O problema é que dele derivaram proposições como a absurda de Laplace, de que “Nós podemos tomar o estado presente do universo como o efeito do seu passado e a causa do seu futuro. Um intelecto que, em dado momento, conhecesse todas as forças que dirigem a natureza e todas as posições de todos os itens dos quais a natureza é composta, se este intelecto também fosse vasto o suficiente para analisar essas informações, compreenderia numa única fórmula os movimentos dos maiores corpos do universo e os do menor átomo; para tal intelecto nada seria incerto e o futuro, assim como o passado, seria presente perante seus olhos”.
Tal afirmação poderia ser válida em sistemas absolutamente simples e isolados, que não existem. Uma simples interação gravitacional entre 3 corpos já destrói a afirmação. Imagine, então, algo tão complexo quanto relações humanas e a relação entre as pessoas e o meio onde vivem…
você está pirando na sua solidão. definitivamente ela não faz bem pra sua saúde mental nem física ;p
Ficar sozinho ou não acontece também por outras circunstâncias. Eu também já tive auto-estima baixa assim.
Certo dia você conhece uma Carol e se apaixona, ou não. O Rev. Peterson disse num post recente no orkutcidio que não quer se casar. Acredito que HOJE ele pode pensar assim, mas pode mudar de idéia em breve.
No fim, a nossa vida é regida por uma série de probabilidades e tudo se acaba numa bola de fogo.
Tá bem, a circunstância existe. Foi moldada por fatores externos e ações do próprio ser submetido a ela.
Então podemos mudar as circunstâncias, não concorda?
Imagine isso: Você nasceu no Zaire, no meio de uma guerra civil. Não há qualquer expectativa de que você chegue a cursar sequer o ensino fundamental. Computador será uma palavra ignorada de seu vocabulário. Talvez seus pais sejam mortos nessa guerra e você seja acolhido pela própria milicia que matou seus pais e e torne mais um soldado infantil.
Ele pode mudar suas circunstâncias? Não. Não sozinho, não por si mesmo. Ele não é Jack Bauer. Existem dois tipos de circunstâncias as legíveis (você as escolhe) e as não-elegíveis ou inexoráveis.
O problema é que as não-elegíveis ou inexoráveis determina muita coisa. Eu gosto de pensar que cada uma seja responsável por 50% de nossa vida. Mas e no caso hipotético que eu citei? As circunstâncias inexoráveis definiram todo o resto.
Quis tratar das coisas menores, circunstâncias elegíveis que podem mudar sua vida.
Sua solidão por exemplo, não é algo inexorável. Você pode mudá-la.
Eu agradeço a “ajuda” Rafael. Eu só estou em uma fase digamos mais depressiva agora. Eu ia dizer que ser feio e baixo são circunstâncias não-elegíveis. Mas eu sei que a maior parte é mesmo culpa minha. De qualquer forma, obrigado.
Ajuda? Diga “Terapia em dupla”.
A beleza física é, muitas vezes, um estigma… O que conta, na verdade, é saber sentir a alma, o coração, o caráter e a personalidade de cada um. Saber extrair o melhor dos seres humanos, aprender com seus erros e com os nossos próprios… Se a aparência não corresponde aos “padrões” impostos pela sociedade escravagista da beleza e perfeição não importa. Sempre existirá alguém que o notará de alguma forma Ainda mais se você souber compensar o que acha não possuir esteticamente, com outros atributos especiais e essenciais para que se destaque e brilhe muito mais do que se fosse um homem considerado fisicamente bonito. A beleza é relativa… O que é belo para um, pode ser horrivel para outro e vice-versa…
Tenho um amigo, por exemplo, que adora mulher gordinha e com celulite nas pernas… Fica louco!
Outro dia recebi um pps que diz muito sobre o assunto em pauta. Fala sobre o amor existente durante toda uma vida entre o principe Charles e a sua Camila Parker. É uma crônica da Heloneida Studart. Se desejar ver o pps, escreva para meu e-mail. Terei imenso prazer em enviá-la!
Um abraço da
Miriam
O AMOR PARA QUEM ESTUDA FILOSOFIA É ALGO MUITO IDÉAL, POIS PARA FILOSOFAR DEVE-SE TER AMOR PELA FILOSOFIA…..
O NOSSO INIMIGO É MUITO MAIS SEU AMIGO DO QUE SEU PRÓPRIO AMIGO, POIS ELE TE MOSTRA ONDE VC ESTÁ ERRADO, ENTÃO TENHA MAIS CONFIANÇA NOS TEU INIMIGOS DO QUE NOS PRÓPRIOS AMIGOS…
O CONVENTO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS É O LOCAL MAIS AGRADAVEL DE SE VIVER, DEVIDO A GRANDE CONVIVÊNCIA QUE CRIA NO MOMENTO EM QUE VC DAR SENTIDO PARA ELA. PARA ISSO, BASTA DEIXAR SE CONHECER POR DENTRO…. ACREDITE.
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