Livro do Desassossego, Fernando Pessoa

23.
ABSURDO.
Tornamo-nos esfinges, ainda que falsas, até chegarmos ao ponto de já não sabermos quem somos.Porque, de resto, nós o que somos é esfinges falsas e não sabemos o que somos realmente.O único modo de estarmos de acordo com a vida é estarmos em desacordo com nós próprios.O absurdo é divino.
Estabelecer teorias, pensando-as pacientemente e honestamente, só para depois agirmos contra elas - agirmos e justificar as nossas acções com teorias que as condenam.Talhar um caminho na vida, e em seguida agir contrariamente a seguir por esse caminho.Ter todos os gestos e todas as atitudes de qualquer coisa que nem somos, nem pretendemos ser, nem pretendemos ser tomados como sendo.
Comprar livros para não os ler; ir a concertos nem para a ouvir a música nem para ver quem lá está; dar longos passeios por estar farto de andar e ir passar dias no campo só porque o campo nos aborrece.
Para Saber Mais:
Livro do Desassossego, Fernando Pessoa
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