Levando o cão de Winston Churchill para passear

Winston Churchill criou o termo “o cão negro” (“the black dog” em inglês) para descrever sua profunda depressão que lhe ocorreu, o engoliu, o deixou em um buraco profundo para rever todas suas falhas e defeitos. Cogito ergo doleum, penso, logo sou depressivo.

Eu já passei por dois tipos muitos distintos de depressão. Uma, que literalmente me deixou rendido, como se estivesse em estado de torpor. Basicamente eu apenas estava subjulgado por emoções brutas. É como se fosse um tempo perdido. Cheguei a tomar cinco tipos diferentes de medicação controlada. A outra foi produtiva. Foi uma depressão reflexiva que me fez reavailiar a mim mesmo com honestidade e tentar entender o meu lugar no mundo. Foi quando conheci o discordianismo, e me debati com a maior parte dos conceitos que usei no livro “EQM“.

Em Clube da Luta há uma frase conectada a isto, ainda que na história seja literalmente: “Para mudar de verdade você precisa perder tudo”. E de certa forma, é isso que a depressão verdadeira, a perda de “tudo”, tudo o que nos importamos, já que nada soa tão agradável ou divertido, de certa forma, perdemos até mesmo nosso eu – isso é a verdadeira depressão (não nossos estados melancólicos passageiros – digo isso, pois a palavra depressão se tornou barata. É uma doença, uma alteração profunda da química cerebral provocada por fatores psicológicos e fisiológicos, e como tal, deve ser diagnosticada por um médico. Muitos, principalmente jovens, de alguma forma que sou incapaz de imaginar devem achar “legal” ser deprimido).

E você, já levou o cão de Winston para passear?


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6 comentários para “Levando o cão de Winston Churchill para passear”

  1. Rafael Slonik disse:

    As vezes a saída é ser outra pessoa. E nada impede que busquemos isso. =D

  2. Levar o cachorro para passear de vez em quando é interessante, sua companhia é bem agradável e geralmente geram reflexões interessantes a cerca de eu mesmo e dos outros.

  3. Evandro disse:

    E como!! Várias vezes… e não é muito “legal” não ;) A verdade é o que você disse, um bom médico pode ajudar e muito.

  4. Ernani C. Siebert disse:

    Tem essa passagem do livro q achei ter a ver com o post:

    Tyler diz que ainda nem cheguei perto do fundo. E se não levar alguns tombos pelo caminho, não serei salvo. Aconteceu isso com Jesus na tal da crucificação. Não basta abrir mão de dinheiro, bens materiais e conhecimentos Não é um mero retiro de fim de semana. Eu devia esquecer a autoperfeição e perseguir a desgraça. Não podia mais ficar brincando de salvação.
    Isto não é um seminário.
    - Se você não tiver coragem de bater no fundo, não vai conseguir – diz Tyler.
    Só se pode ressuscitar depois do desastre.
    -Só depois de perder tudo você vai fazer o que quiser – continua Tyler.
    O que estou sentindo é iluminação prematura.

  5. Depressão é uma palavra barata? Concordo totalmente. Nunca houveram tantas palavras baratas no mercado. Depressão, amor, felicidade, “vontade”. Ou vai ver elas sempre foram baratas, quem sabe… Ou ainda se tornaram baratas pela simples existência de um mercado…

  6. Marcelo Boroske disse:

    Concordo com o Schopenhauer quando ele diz que nada é tão insuportável ao Ser Humano do que “cair” sem paixões, sem ocupação, sem divertimento, sem aplicação. E nesses momentos é muito fácil que cresça do fundo da alma o tédio, a tristeza, o desgosto, o desânimo, o desespero. Bom, nesses vinte e poucos anos já sei que não quero mais levar esses tipos de sentimentos comigo na minha vida, e isso, por enquanto, já me basta.
    Mas por outro lado esses momentos de introspecção podem realmente servir como força criativa(é só ver quantos gigantes tiveram suas obras influenciadas pelo “cão negro”: Nietzsche, Dostoievski, Edgar Allan Poe, Fernando Pessoa…). Lembro de ter lido há muito tempo atrás um escrito de Charles Baudelaire que tem tudo a ver com isso:

    “ Plonger au found du Gouffre, Enfer ou Ciel, qu’importe? / Au fond de L’Inconnu pour trouver du nouveau.”
    (“ Mergulhar até o fundo do Abismo, Céu ou inferno, não importa! Ir ao fundo do Desconhecido para encontrar o novo.”)

    É isso aí!

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