Madre Teresa, Bill Gates ou Norman Borlaug? Qual destes é mais admirável?
Nunca escondi minha admiração por Steven Pinker. Acredito que seu campo de estudo pode nos mostrar muito sobre nós mesmo. Ele é inclusive engajado neste campo do conhecimento sempre citando Tchékhov: “O homem se tornará melhor quando você lhe mostrar como ele é”.
No último domingo (10 de Fevereiro de 2008), o caderno Mais! da Folha publicou um artigo do autor que é uma espécie de rip off de um trecho de Tábula Rasa. Isso não é uma crítica, na verdade acho louvável a atitude de publicar o artigo. A pergunta que se configura como título desta postagem é retirado do mesmo, a seguir, o trecho de abertura:
Qual das seguintes pessoas é a mais admirável? Madre Teresa, Bill Gates ou Norman Borlaug? E qual é a menos admirável? Para a maioria das pessoas é uma pergunta fácil. Madre Teresa, famosa por socorrer os pobres em Calcutá, foi beatificada pelo Vaticano, recebeu o Prêmio Nobel da Paz e se classificou em uma pesquisa americana como a pessoa mais admirável do século 20.
Bill Gates, infame por nos dar o clipe de papel dançante da Microsoft e a tela azul da morte, foi decapitado simbolicamente em websites “Eu Odeio Gates” e atingido com uma torta no rosto. Quando a Norman Borlaug…quem é ele?
Mas um exame mais profundo poderá levá-lo a reavaliar suas respostas. Borlaug, pai da “Revolução Verde”, que usou a ciência agrícola para reduzir a fome mundial, recebeu o crédito por salvar 1 bilhão de vidas, mais do que qualquer outra pessoa na história.
Gates ao decidir o que fazer com sua fortuna, calculou bem e decidiu que podia aliviar mais sofrimento combatendo pragas comuns no mundo em desenvolvimento, como malária, diarréia e parasitas.
Madre Tereza por sua vez, enalteceu a virtude do sofrimento e dirigiu suas bem financiadas missões apropriadamente: seus doentes recebiam muitas orações, mas condições exíguas, poucos analgésicos e tratamentos médicos perigosamente primitivos.
Pinker demonstra através de um longo texto como explicar nossa percepção moral. Grande parte se deve à imagem e à fama dos envolvidos. Clique aqui para ler na íntegra.. Acredito que vale a leitura e levanta boas considerações. O que acham?
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Comments
Creio que a fama venha pela intenção de cada um, a tal madre, pelo que eu sei, não era detentora de nenhum bilhão de dólar, o que faz dela melhor que o tio bill, que de certa forma usa o instituição melinda gates como promoção pessoal, já o outro nem faço idéia, então não teria como fazer uma comparação entre os três..
Borlaug também não contava com 1 bilhão de dólares. A Madre Teresa contava sim com apoio em dinheito embora não tenha sido tanto. Já li a “outra face” de Madre Teresa e me surpreendi muito com a imagem pregada de que ela era uma santa.
Em 1956, ela escreveu: “Tão profunda ânsia por Deus - e … repulsa - vazio - sem fé - sem amor - sem fervor. (Salvar) almas não atrai - O céu não significa nada - reze por mim para que eu continue sorrindo para Ele apesar de tudo.”
Não quero atacar sua religiosidade no entanto, apenas o exagero que fazem dela.
Cara… acho que fica difícil compará-los devido à total diferença de caminhos. Todos são admirados por mim em seus seguimentos e referência para qualquer um. Agora, pra minha forma de pensar e ideologias, Madre Teresa é minha preferida.
ótimo artigo, mas creio que o autor fora um pouco ingênuo quanto as razões que levam a madrinha dos baixinhos ser mais bem contada na Bolsa moral do povão do que o pirralho Gates.A idéia me parece simples:
Você é um pobre faminto esguelado de fome.Quem você admiraria mais, outro pobre desfavorecido gastronomicamente que, mesmo passando necessidade, abdica de seu mofado pão de forma por ti, ou, o abonado presidente da rede pão de açucar que, não conseguindo comer todo o pacote de pães no café da mãe, joga alguns para você pela janela?
pode crer…
eh bem assim mesmo q acontece…
as pessoas olham uma conclusao e começam a inventar motivos e fatos pra validar as erroneas conclusoes…
vlw!
Vou ver se compro esse livro, me interessei! Escrevi um post faz algum tempo que falava sobre Che, Ghandi e Jonas Salk. Fazia muito tempo que não escrevia, mas a linha de pensamentos lembra um pouco esse tema, claro que não tenho a capacidade intelectual para essa análise como Steven Pinker. O interessante é que nos deixamos levar pela multidão e já vamos de cara fazendo julgamentos, o artigo inteiro é muito bom mesmo e que bom que compartilhou isso conosco! E você, jogaria o gordo na frente do bondinho? Cuidado com a resposta porque sou fofinho hein!
Abraço
Fantástico. Demorei pra ler porque o texto é enorme, mas é muito bom. Como já diria Nietzsche, a moral não passa de uma interpretação (ou mais exatamente de uma falsa interpretação) de certos fenômenos.
Agora, quem está pensando em discutir sobre Madre Teresa, Bill Gates ou Norman Borlaug, por favor leia o texto inteiro antes de comentar para evitar discutir algo que não está em pauta aqui nem no texto (na verdade, achei o início do texto infeliz) e que é completamente irrelevante. Se for pra comentar sobre esse assunto, já escrevi o que penso, e concordo com o Ricardo.
ps: “Bill Gates pois sei que ele foi muito inteligente ao criar o Windows”!? Menos, Ibrahim.. hehe.. Tá certo que o blog não possui compromisso com a Verdade, mas não exagera…
Nota: se for pra discutir sobre a Madre Teresa, o Bill e o Norman, vamos partir do princípio que o Bill é um comedor de criancinhas, depois tentamos justificar. ![]()
Oh yes, já tive acesso a esse artigo antes pela assinatura que fazia do Del.icio.us na tag philosophy. Muito bom.
E a citação de Nietzsche é muito oportuna ![]()
Você esta certo, Rev. Ibrahim Cesar , compreendi o valor da compração no texto, mas postei minha idéi mais como formento ao post do caro colega Fernando Cury “o Pandão” .
Rev. Tiago Madeira, você esta certo, a razão(3º circuito), como diria RAW, é uma prostituta na mãe da moal e da emoção(2º e 4º circuito).
Detalhe: até onde eu sei, reza a lenda que o tio Bill não criou o Windows, ele vendeu para a IBM, antes mesmo de te-lo em suas mãos, depois do negocio feito, ele comprou o windows de um outro cara.
Muitas vezes a publicidade (negativa ou positiva) é maior do que a realidade.
Com relação a Madre Teresa, uma coisa que eu gostei de saber sobre ela, que você citou acima, e que poucos falam, é que ela sempre foi muito questionadora. Isto é bom.
Com relação ao Bill Gates, acho que existe muito mais o preconceito contra quem fez sucesso comercial (mesmo que não seja uma excelência técnica, seus produtos são sucesso comercial).
Norman Barlaug, ou tantos outros, fizeram e fazem muito, cada um na medida de suas possibilidades. O que falta, neste caso, é a propaganda.
Com todo respeito à ideologia pregada pela madre Teresa e tal… mas trabalho com HIV, e sei que num estudo da epidemia na Índia, a pregação dela contra a camisinha foi fundamental pro vírus explodir do jeito que tomou conta da região hoje… se pusessem isso na equação, não sei até onde se estenderia o benefício que ela trouxe ao mundo

Muito bom esse post. Vale a pena ler o artigo na integra.