Magia do Cinema
16 de janeiro de 2007. Declaro inexistente a magia do cinema.
Os irmãos Lumière, Auguste Marie Louis Nicholas Lumière e e Louis Jean Lumière ao apresentarem uma das suas primeiras gravações, chamada “L’Arrivée d’un train en gare de la Ciotat” viram uma platéia de homens cultos e inteligentes se assustarem com a aproximação de um trem, causando pânico em todos lá. O motivo de tanto medo devia ao choque causado pelas imagens em movimento, até então inexistentes. Essa “mágica” do cinema, em colocar as imagens antes estáticas em movimento era totalmente inesperado para todas aqueles pessoas que jamais tinham visto tal coisa.

As imagens tinham força, tinham poder hipnótico. André Bazin, foi um dos primeiros teóricos a pensar profundamente nessa fascinação que o cinema provocava. Em uma cena de “Walking Life”, de Richard Linklater, discute-se isso:
O cinema trata, essencialmente da reprodução da realidade, ou seja,a realidade é reproduzida.Para ele, não é um meio de contar histórias.Ele acha que o filme… Que a literatura é melhor para contar histórias.Como quando se conta uma piada: “Um sujeito entra em um bar e vê um anão.” Isso funciona. Imagina-se um sujeito e um anão em um bar. ÿ imaginativo.Mas num filme, filma-se um sujeito específico em um bar específico e um anão específico, que tem uma certa aparência. Para Bazin, a ontologia do filme relaciona-se com o que faz a fotografia com a diferença de acrescentar o tempo e um maior realismo.
Trata-se então daquele sujeito, naquele momento, naquele espaço.E Bazin é um cristão, então ele acredita em Deus, obviamente,e que tudo…Para ele, Deus e a realidade são o mesmo. Então, o que o filme capta é,na verdade, Deus encarnado, criando e, neste exato momento, Deus estaria se manifestando O que o filme capturaria o aqui e agora…Seria Deus nesta mesa, como você, como eu. Deus olhando como nós e dizendo e pensando o que pensamos,pois somos todos Deus manifestando-se.O filme, então, é um registro de Deus,ou do rosto sempre mutante de Deus.

As histórias de terror de Edgar Allan Poe petrificavam as pessoas de sua época, hoje ela têm filmes mensalmente lançados para lutar contra e já não causam os mesmos efeitos de antes.O Marques de Sade escrevia coisas escabrosas para sua época, hoje em dia você pode baixar filmes pela internet que deixaram o velho Marques ruborizado…Não com o mesmo lirismo, mas muito mais gráfico.A literatura, um meio de contar histórias que exige uma certa dedicação do leitor, perdeu muito espaço para o cinema.

Com o advento da televisão e depois com as fitas de vídeo, o cinema começou seu lento declínio. O gole final veio com a popularização das câmeras de vídeo, e agora com a facilidade de se publicar e assistir qualquer tipo de vídeo na internet. Estamos sendo bombardeados tanto por tantas imagens que as imagens da tela de cinema já não exercem em nós a reverência e a magia pela qual as gerações anteriores experimentavam. A banalização da imagem tirou todo e qualquer traço de sagrado que ela poderia evocar, a imensa exposição, tirou-lhes o significado,matou-lhe a magia.
Diga 1000 vezes eu te amo a sua namorada e na 1001ª isso não significará nada.
ÿ a grande chance dos games, afinal eles lhe permitem entrar literalmente me outra vida, fazer coisas imaginárias e ficar com a garota no final, assim como Hollywood, mas com você no papel principal.
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Olá, colega.
Me chamo John Carradine, e fui ator durante minha vida toda. Agora que morri, ÿris me recrutou / ressucitou para, montado na entidade Pakatatoo Kutianon (o jegue sagrado discordiano) ajudar na operação MindFuck e no que mais for necessário.
Bom, gostei do seu texto, mas achei uma incongruência. Nos muitos anos que fiz cinema, vários diretores me desmentiram várias vezes essa história de pessoas que se assutavam com o trem na primeira exibição de cinema. Naquela época, já existiam várias bugingangas e sessões com aparelhos que testavam a persistência retiniana e jogos de luz e sombra e imagens. Na primeira sessão, que ocorreu no porão de um bordel, compareceram 33 pessoas, que ficaram impressionadas sim com a tecnologia, mas essa história do trem é balela. ÿ uma visão poetizada, como Dom Pedro chegando nas margens do rio Ipiranga e gritando “King Kong morreu pelos seus pecados” ou coisa parecida.
Ah, outra coisa… Os Lumière são uma grande farsa. Quem inventou tudo isso foi o Thomas Edson e seus empregados gênios. Os Lumière fizeram a primeira sessão pública com o invento que eles roubaram do Thomas Edson. Falar que os Lumière inventaram o cinema é como dizer que os irmãos Wright inventaram o avião. Talvez até pior, pois eles roubaram. Se bem que mesmo a questão do avião é controversa… Coisas de ÿris, deusa da discórdia, do caos e dos churros com doce-de-leite.
Abraço,
John Carradine (JC, que nem Jesus Cristo)