Maquiavel não era o diabo que pintavam

Nicolau Maquiavel é um dos grandes pensadores que mais admiro e esta postagem é uma tentativa de mostrar a verdadeira face de Maquiavel. Para começar, muitos são os que leram “O Príncipe”, mas este é apenas o seu best-seller, um livro escrito com o objetivo de descrever objetivamente como a política é. O intuito de Maquiavel não era criar um “Manual para Tiranos” mas sim expôr como o poder funcionava e mostrar o que funcionava e o que não funcionava. Deve ter sido um dos primeiros e um dos últimos a tentar praticar uma “política científica” visto que todos depois dele se agarram a ideais políticos como quem segue uma religião.

Todos citam “O Príncipe” como se fossem as idéias de Maquiavel e cometem o erro de reduzir seu pensamento ao livro de menos de 200 páginas.

Agora a Martins Fontes traz um livro muito importante de Maquiavel novamente ao mercado,”Discursos sobre a Primeira Década de Tito Lívio”, como escreveu a Folha:

…o próprio Maquiavel não poderia ser considerado maquiavélico. A interpretação negativa, diz o especialista no autor, se deve a uma “leitura parcial e redutora da filosofia de Maquiavel” que leva em consideração seu livro mais famoso, “O Príncipe”.
O “outro Maquiavel” pode ser conhecido numa nova edição de “Discursos sobre a Primeira Década de Tito Lívio” (1513-1517), que a Martins Fontes acaba de lançar. Aqui, o italiano retoma a leitura de textos da Antigüidade para tratar de temas republicanos: liberdade, igualdade, participação.
Na obra, Maquiavel diz que a melhor forma de governo é a república -uma novidade para quem sempre o associou aos tiranos…

E ao explicar que Maquiavel não era maquiavélico,

O “maquiavelismo” nasce de alguma forma com a condenação dos livros do autor ao Index. A partir daí, as leituras desfavoráveis se sucedem. Na Inglaterra, sua má fama é explorada na literatura e no teatro no século 17. Maquiavel é diretamente associado ao diabo na figura do “old Nick”. As críticas ajudaram a forjar a visão do maquiavelismo como pensamento do engano, da trapaça. ÿ assim que “maquiavélico” veio fazer parte de quase todas as línguas ocidentais.

Da maneira como compreendemos o termo, podemos dizer que não era maquiavélico. Sua conduta não tinha nada de ambígua e sua opção pela república como a melhor forma de governo permaneceu até o fim da vida.

Eu realmente gosto de ler Maquiavel e retornar a seus textos é sempre prazeroso, uma edição? caprichada ainda traz comentários de Napoleão Bonaparte o que rende ainda aqui e acolá algumas observações interessantes como estas: “Mentes atrevidas. O mundo é composto de tolos. Na multidão essencialmente crédula contam-se pouquíssimas pessoas que duvidem, e estão não ousarão manifestar suas dúvidas” e “Os tolos estão aí para nos servirmos deles” dentre outras tiradas sarcásticas e megalomaníacas.

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5 comentários para “Maquiavel não era o diabo que pintavam”

  1. Ed disse:

    Adoro Lain.

    Gosto da Martins Fontes. Ela costuma lançar esses livros mais undergrounds, que fazem toda a diferença. E agora a Cosac & Naif também tem feito um bom trabalho nesse sentido.

    Abraço.

  2. [...] 1001 Gatos – O Ibrahim tenta tirar a limpo a história de um escritor que ficou injustamente conhecido apenas por um livro, “O Príncipe”, no post Maquiavel não era o diabo que pintavam. [...]

  3. Parabéns pela oportunidade deste post. Eu considero Maquiavel, um dos escritores mais importantes da história da humanidade, extremamente injustiçado. Na minha opinião, a maioria das pessoas que o acusa de maquiavélico sequer leu “O Príncipe”. Mas, se neste livro ele apresenta uma espetacular dissecação do exercício do poder, é em seus textos cômicos como “A Mandrágora” e “Belfagor, o Demônio” que ele expõe muito do íntimo do ser humano, demonstrando que talvez sejamos – todos nós – “maquiavélicos”.

  4. “A Mandrágora” é um ótimo texto sem dúvida, gostei muito de lê-lo. Agora “Belfagor, o Demônio” eu nunca li mas me animei a procurá-lo.

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