Bears. Beets. Battlestar Galactica. A melhor série de comédia: The Office

Meeting Miss Peters

por Carol Peters em 10 novembro, 2008

O Sol já se pôs quando passo pela terceira porta do corredor, à direita. As paredes do quarto de Carolina Peters são completamente brancas, à excessão do pedaço entre a cama e a janela, em que há marcas de patas - “da minha gata, Marrie” fala orgulhosamente.

Sento-me na cadeira alaranjada do computador, de frente para minha entrevistada, que aparece refletida em um belo espelho de cristal, encontrado em uma loja de antiguidades. A moldura branca é composta por traços retos, que remontam à década de 60 do século XX. Elogio seu bom gosto. Ela sorri para mim e, humildemente confessa: “quisera fosse sempre assim…”. Aproveito o gancho para começar minha entrevista:

Você tem uma coleção e tanto em termos de roupas, sapatos e objetos decorativos aqui, as não parece haver necessariamente uma lógica… como definiria seu estilo?

Hmm… [após uma pausa rápida] É complicado, pois a definição de hoje não serviria para amanhã ou para a semana passada. Um dia visto shorts jeans, mocassins gastos e uma camisa dos anos 70 que encontrei na casa da minha avó, no outro posso calçar sapatos de salto não descendo mais deles e, no próximo, ficar de pijama lendo até a hora de dormir novamente. Em geral, não só o que visto, mas o que estou lendo ou escrevendo retrata o meu humor.

Não pude deixar de reaparar em um poster em pop art do filósofo alemão Friedrich Nietzsche pendurado em sua parede, nem do bigode feito em papel, preso ao quadro de ímãs…

Bem observado [risada breve]. Tenho que admitir que conheço muito pouco de suas obras, mas gosto de sua linha de pensamento. Apesar de estar longe de ser niilista ou algo do gênero, principalmente após ler “A Cidade e as Serras”, de Eça de Queirós. A essência do livro é muito boa, apesar de ser tão emocionante quanto um filme cult francês. Claro que “Germinal” não se inclui, o filme é excelente. Já comecei a falar demais e de forma desconexa, vou parar.

Você não é niilista. Quais são suas crenças?

Tenho realmente muita esperança na raça humana e em pequenas comunidades anarquistas. Quiçá um mundo anárquico daqui a 23569 bilhões de anos… Sou realista, não sou? E acredito piamente no Big-Bang desde os meus nove anos… Se derrubassem a teoria me sentiria perdida! Muitos amigos meus riem dessa última, dizem que sou pior que os cristãos.

Você é: casada, solteira, separada, enrolada, desquitada, chutada, viúva ou outros?

Desculpe, não respondo perguntas pessoais. [silêncio breve entre entrevistada e entrevistadora]

Carol faz cara de aborrecida e resolvo entrar em assuntos mais sutis. Pergunto sobre suas preferâncias musicais:

É uma lista quase infindável! No momento, Amy Winehouse e Mika (ouça “Big Girl” e “Grace Kelly”!!!) são os meus mais tocados. Slim Shady, Dr. Dre, Tupac, Ludacris, Ciara… Amo Hip-Hop! Também tenho espaço pra Tchaikovsky, MPB e Beatles. Esse último, comecei a ouvir para compor uma personagem e acabei gostando. Bastante! (Ibrahim vai gostar de saber. haha)

O que a motiva a escrever? Qual texto foi mais importante pra você?

Acho que o desespero que toma conta de mim ao ver um papel ou tela em branco. Preciso violá-lo, é instintivo, incontrolável. Você pode achar um dos meus textos favoritos aqui. Foi o primeiro que publiquei em um blog (ainda nos tempos do MalVicioso). Conto é meu gênero favorito de criar, seguido por romances (que só perdem por ser difícil concluí-los).

Ouvi falar que você andou trabalhando em um ultimamente…

Sempre estou! Perdi as contas de quantos livros comecei e quantas idéias tenho em mente. Recentemente estive focada em um específico. Terminei há duas semanas, mas decidi que não gostava dos primeiros três capítulos (foram escritos dois anos atrás! Simplesmente não são mais eu) e agora estou reformulando. Estou contente com o meu trabalho.

E sobre o que é? Poderia dar uma palhinha?

Passione é meu protesto íntimo contra os contos de fadas e romances que te fazem sonhar com um príncipe encantado e rejeitar aquele cara que poderia ser o mais legal do mundo, mas você nunca lhe daria uma chance, simplesmente por não ser como o herói dos livros. Também serve como forma de redenção, visto que eu mesma às vezes me pego agindo dessa forma mesquinha.

A entrevista vai chegando ao fim e, antes de nos despedirmos, faço a pergunta final:

Por que resolveu participar deste meme?

Na verdade, nem convidada fui. Mas como sou muito enxerida, resolvi participar e, só pra criar atritos, desprezei a maioria das perguntas deles…

Um risinho sorrateiro corre seu rosto enquanto me despeço com um aceno para o espelho. Ela acena de volta e abre um leque elegantemente, sumindo atrás dele.

Leia Também:

Receba as atualizações deste blog através de seu feed RSS ou assine a newsletter
Política de Comentários: Os comentários são para a livre expressão e opinião de todo aquele que quiser submetê-los, desde que observe algumas regras: Não poste links maliciosos, não use palavrões, não coma gordura, escove os dentes pelo menos três vezes ao dia, leia um bom livro de vez em quando e mais importante de tudo: Lembre-se que do outro lado da internet também está uma pessoa como você!

{ 5 comentários… leia-os abaixo ou adicione um }

1 Peterson Espaçoporto 11.10.08 às 22:26

A entrevista mais bem descrita que eu já vi lol AEHAEHaeHeaHeaheaHhaehehehaEH

2 Rev. Tiago Madeira 11.10.08 às 22:33

Sem dúvidas essa foi a melhor entrevista dos participantes do meme :)

3 Enio Luiz Vedovello 11.11.08 às 11:43

Agora deixou foi curiosidade com relação ao livro…

4 Ibrahim Cesar 11.11.08 às 12:04

Concordo com todos os comentários acima. Piece of cake.

5 ThaiS 11.11.08 às 16:33

Mika realmente é mto bom

:)

Deixe um comentário

Você pode usar estas tags HTML e atributos: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>