Monólogo chato sobre educação

Há problemas que estão bem na nossa frente e que passam despercebidos diante de assuntos sérios como quem foi o primeiro pentacampeão do campeonato brasileiro e quem é a mulher mais sexy do mundo. Hoje conversei na internet com um cara da minha idade, cursando o terceiro ano como eu, com poucas condições financeiras, que estuda num colégio a 200 metros do meu. A escola básica Victor Meirelles é uma escola pública localizada bem no centro de Itajaí.

Meu amigo trabalha com programação web há um tempinho e perguntei-lhe sobre seu futuro. A princípio ele disse que provavelmente reprovaria este ano por faltas (segundo ele, “ir à escola é ridículo, não se aprende nada de útil”). Depois puxei o assunto “faculdade” e falei como era o curso de ciência da computação…

[...]
Ele: Aí vale a pena fazer… Você sabe o preço?
Eu: Bem… Nas três que eu vou prestar é de graça.
Ele: DE GRAÇA? O.O
Eu: UNICAMP, USP e UFSC são universidades públicas e gratuitas.
Ele: Não sabia… Mas como se faz para conseguir vaga?
Eu: Vestibular. [...]

Neste momento eu parei um pouco, e até agora ainda estou em estado de choque. Todos os meus amigos e amigos dos meus pais perguntam e se preocupam com o meu vestibular. A minha escola coloca na cabeça de todos os seus estudantes que no final deste ano temos uma prova, todos não páram de estudar para isto. De repente me deparei com uma pessoa que daqui a menos de dois meses estará com ensino médio completo como eu e que não sabe nem que o vestibular existe! Que nem sabia que existiam universidades públicas!

Agora entendo porque quando fiz a prova do ENEM uma pessoa na minha sala perguntou no início do tempo de prova se as questões eram de somatória e porque eu via gente saindo da prova com exatamente sete linhas rabiscadas numa folha que deveria conter uma dissertação argumentativa. A situação do ensino público em nosso país é deplorável. E isso que nem todos chegam até o Ensino Médio…

E sabem o que é fantástico? Eu, e provavelmente você, somos privilegiados simplesmente porque nascemos numa família com condições. Éris jogou uma moeda de “cara ou coroa” e para o meu amigo caiu “cara” (a tapa) e pra mim caiu “coroa” (de ouro). Ele provavelmente não conseguirá nada na vida por causa de uma “força” aleatória! Porque YHVH quis.

E num dia vermelho como hoje (há dias que eu acordo mais socialista que o comum) eu lembro que essa gente da high society daqui ainda fala mal de Cuba (clique no link, vale a pena, e veja que o item 2 está achieved). Ao menos o povo cubano, mesmo sem luxo e sem “shampoo importado”, tem educação básica.

Bem… No fundo enxergar o problema é muito simples, o difícil é não ignorá-lo e conseguir solucioná-lo. Mas como? John Wood largou sua vida de empresário bem-sucedido para mudar a vida de milhares de crianças de países subdesenvolvidos. Li seu livro e pensei, pensei, pensei… E sabe a que conclusão cheguei? Que não dá pra mudar porcaria nenhuma sem dinheiro! Se John Wood não tivesse dinheiro para começar sua organização, para doar junto, para ter conhecidos ricos e para parecer um “homem sério”, ele não teria feito nem metade das centenas de escolas e bibliotecas que conseguiu construir.

E aí eu caio numa armadilha conceitual… Para erradicar a pobreza é preciso ter dinheiro. Veja: para acabar com a desigualdade financeira é preciso ser mais rico que os outros! Então devo estudar e trabalhar duro nos próximos anos, cobrar caro pela minha carga horária, participar da alta sociedade para ter contatos ricos… e depois de anos e de uma vida boa parar e “mudar o mundo” para evitar que existam pessoas como o eu do futuro contrastando com gente passando fome de comida e de conhecimento. É isso?

É utopia pensar que cada um vai fazer um pouquinho pra ajudar os outros e que assim o mundo inteiro vai ser melhor. John Lennon realmente é um sonhador se pensa que todos aceitam partilhar o mundo… isso nunca funcionou e nem vai funcionar. Não existem 1001 gatos dispostos a pegar firme, porque não sei nem se eu consigo pegar firme. Então, finalizando este artigo que a minha professora de redação não aprovaria por causa da falta de uma solução viável para o problema apresentado, deixo registrado apenas o meu descontentamento realista (e quase hipócrita) a respeito da situação ridícula da nossa educação básica. Porque afinal falar é muito mais fácil que fazer alguma coisa para resolver…

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Comments

É preciso dinheiro para acabar com a pobreza e quem tem dinheiro pouco se importa com isso.

Quando eu acordo socialista também resmungo sobre cubanos não terem carros mas pelo menos tem educação de qualidade e sistema de saúde que funciona.

Sobre universidades públicas, infelizmente grande parte das pessoas que ingressam vieram de colégios particulares ou cursos pré-vestibular caros que preparam melhor do que os colégios públicos que temos. Acaba que a vaga gratuita numa universidade publica acaba com quem pode pagar uma particular.

o problema de querer ficar rico pra ajudar os outros é que quando vc chega la, ja se corrompeu, e nao consegue enxergar mais um motivo pra ajudar os necessitados.

Tiago,
a solução que o John Wood conseguiu foi por ter utilizado o sistema para conseguir fazer o que queria.
Se você quer diminuir a pobreza, tem que ser pela via do capitalismo, se for de outro modo, DUVIDO que dê certo.
Em Cuba sei que a Educação é ótima, mas sem um sistema que o integre com o mundo, não há como não ter uma geração inteira querendo sair dali. O individualismo exacerbado pelo capital conquista qualquer um.
É a máxima que ouço todos os dias: O mundo é de quem faz.
Como se bastasse trabalhar duro para obter sucesso. Há, há, há, há…
O único sucesso é o do sistema que com esse bordão consegue atrair mais e mais pessoas para fazer a roda da fortuna (dos outros) girar.

abraço

discordo total e completamente do norberto e de parte dos outros comentarios.
nao se precisa do sistema para nada,NADA. essa dependencia eh apenas um simulacro que enfiam no nosso rabo desde pequenos. tudo o que se precisa eh de pelo menos um par de braços trabalhando e uma cabeça pensado.

educaçao libertahria para crianças pobres, aulas interativas de como sugar do sistema sem dar de volta, e o que tiver q pagar, dar de uma forma que lhe pagariam 10x mais para nao pagar…
isso existe e esta acontecendo equanto o resto das pessoas apenas ACHATAM suas bundas gordas

nos dias de hoje somos ensinados a ser individualista e a amar os outros com um “amor” irreal e nunca a si proprio,
essa mistura gera um tipo perigoso de consumismo hedonista mais inconsequente que os proprios Delinquentes

porra gente, primeiro tentem esquecer a Pobreza absoluta, pois ideias absolutas fazem parte do veneno que tomamos “como se fosse” Coca Cola. agora lembrem de olhar em volta e ver o quanto isso nos rodeia. bom depois disso tem 3 caminhos, ou se fika assim ateh ser iluminado por Eris ou se “dilata” sua consiciencia pra tal (que poder ser plantado por exemplo) e a terceira eu deixo em branco mesmo.

“…Não existem 1001 gatos dispostos a pegar firme…” AINDA.

Eu sei que não posso mudar o mundo, mas não podemos deixar de tentar :)

Ainda não encontrei 1001 Gatos, talvez uma meia dúzia apenas, mas o importante é não parar de procurar.

continuaçao
soh fui ler as regras depois, desculpem pelo meu “porra” no meio do blog de voces.

bom entre outras coisas qeria lembrar aos discordianos da existencia do MindFuck, da Bela-Parrachia, tem o hihicroned tbm, o zen, superhomem discordiano…
e principalmente o manifesto clarifesto e o Cao sagrado

axo que discordianos como sao deveriam se questionar mais. bom sei lah esta ai minha opniao.

Discordianos só concordam em discordar. Mas só para discordar eu não vou discordar.

Pedro quando um “porra” é usado no contexto, pelo menos nós não levamos como palavrão :)

=)
falei discordiano falei no sentido geral…
+ eh isso ae msmo
um abraço

A história é boa, realmente. Fico me lembrando de um episódio: estou eu, no meio de um assentamento sem-terra e encontro com uma turma de crianças vindas de uma fazenda próxima. Era algo como uma excursão organizada pela escola delas. Converso, dou risada e ouço o que elas querem ser quando crescerem. A resposta é quase unânime: cantora. Uma só diz que quer ser modelo. E só.
E aí eu pergunto: onde raios estão os professores desta geração?!?!?!?!
Ainda não cheguei a nenhuma resposta de como mudar o mundo enquanto temos que nos preocupar com nosso próprio “sucesso profissional” (o que é isso, realmente?). Se achar a resposta, posta, please…será de grande ajuda…

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