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O Estadão contra os Blogs: Falácia ad hominem

Uma campanha publicitária não deve ser o lugar onde devemos esperar encontrar argumentos claros, na verdade é justamente nela que se encontra os mais pérfidos usos da arte de ter razão. Em minha tarefa de atualizar meu pequeno tratado sobre o assunto, resolvi utilizar como exemplo prático uma campanha veiculada pelo jornal “O Estado de S. Paulo” mais conhecido como “Estadão”.

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Podemos comparar o argumento ao seguinte: Moro na França e tenho dificuldades de arranjar namoradas. Vejo algumas belas moças saindo com alemães que saem do país deles e andam pelo meu país. Prego cartazes por aí onde se lê “Você quer um namorado frio?”, na imagem um sujeito vestido tipicamente como um alemão. Quero passar a imagem de que eles não podem amar tanto quanto eu. Mas para isso, me baseio que todos os alemães são frios.

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A imagem acima é basicamente a forma como a campanha está sendo levada: Ataques ad hominem. Na superfície é um ataque à credibilidade, mas não se trata disso. Como julgar a coletividade de um mio de comunicação quando ele é feito por diversos indivíduos espalhados no espaço? Ora, atacam então cada um destes indivíduos, associando a imagem de quem não sabe o que está falando. Não entendo entretanto por que um jornalista pode falar de ciência, esporte ou mesmo moda, já que ele pode não saber a teoria M de 11 dimensões, nunca praticou nenhum esporte e anda como um mendigo.

estadao-1.jpg

A Wiki dá uma ajuda:

Um Argumentum ad hominem (Latim, argumento contra a pessoa) é uma falácia, ou erro de raciocínio, identificada quando alguém responde a algum argumento com uma crítica a quem fez o argumento. Ou seja, não se questiona o argumento, mas sim quem o fez.
A forma básica de um Argumentum ad hominem é a seguinte:
1. A considera B verdadeiro;
2. A possui ou é algo criticável;
3. então B é falso.
Claramente, B não deixa de ser verdadeiro ou falso dependendo das pessoas que o consideram verdadeiro.
O argumentum ad hominem é uma forte arma retórica, apesar de não possuir bases lógicas.
O ataque à pessoa trata-se de um ataque direto a pessoa contra quem se argumenta, colocando em dúvida suas circunstâncias pessoais, seu caráter ou sua confiabilidade. Há três tipos de ataques ad hominem que são normalmente relacionados a falácias:
Argumento ad hominem abusivo: é o ataque direto a pessoa, colocando seu caráter em dúvida e portanto, a validade de sua argumentação.

Sobre a campanha a agência diz que “Ela expõe, de maneira bem-humorada, os riscos de consultas a sites na internet, e divulga as novidades do site do jornal”.

1. Eu leio uma “notícia”, vamos dizer: HaHa (tm Nelson Muntz) Eu pago menos que os pobres por Internet!

2. Mas é um blog, escrito por um “blogueiro”.

3. Então deve ser falso afinal ele não sabe o que está fazendo.

É isso exatamente o que essa campanha quis passar. Estou certo ou estou errado?

Por favor, critiquem idéias e não pessoas. Por quê não deixar que o público decida em quem acreditar?

[tags]Estadão, Blogs, Talent[/tags]

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