O mundo é um terrível cliché

Existem dois tipos de romances: Os que o casal tem tanta harmonia e semelhanças mas não fica junto e os em que os personagens são extremos opostos mas vivem “felizes para sempre”.
Na vida real, há dois tipos de relacionamento: Pessoas que dividem algumas afinidades e vivem felizes por um longo tempo e, se vierem a terminar, será por consenso mútuo e pode até dar lugar a amizade; e aquelas pessoas nada a ver uma com a outra, que quando O parar de tocar vão passar por uma separação difícil e traumática depois de brigas ou máguas não compartilhadas.
Homens e mulheres acabam sendo divididos em para e para-não casar. Se você não é um romântico, isso faz de você um cafajeste.
As idéias que hoje se tem de Romantismo são obsoletas. Romance não é uma utopia. É um processo diário que poucos compreendem. Não é montar um cavalo branco para tomar a moça em seus braços - isso se chama segundas intenções - é saber que a pessoa certa não existe, mas você encontrará várias tão legais quanto, com quem poderá passar bons momentos se se esforçar um pouco.
De repente, um estalo. Você passa a notar aquela pessoa em quem nunca reparara ou nunca vira mais gorda. Livros e filmes diriam que é amor a primeira vista, estudiosos, que é limerância. Esse é exatamente o problema dos “românticos-contos-de-fadas”: esperam eternamente que o inexistente apareça. Caem de ‘amores(?)’ pela primeira princesa que vêem na frente pra descobrir se tratar de uma sapa. O sentimento é banalizado.
Podemos chamar de cliché um roteiro tão incomum à vida real? Como temos tão forte em nossas mentes que se uma mulher séria e dedicada a carreira encontra um príncipe incuravelmente romântico e inconsequente, então eles deveriam passar o resto de suas juntos em um castelo enorme tendo dúzias de filhos? Essas certezas vêm de experiência própria?
Opostos de fato se atraem, mas permanecem juntos por quanto tempo? Por que tanta gente insiste em procurar princesas e sapos e esquece de investir tempo em seus relacionamentos para se apaixonar dia após dia, e quem sabe, alcançar amor verdadeiro? Será o medo de amar maior que o de se machucar, ou só não temos tempo para nenhum dos dois?
Talvez Holly Golightly tenha razão qundo diz não querer “possuir nada até achar um lugar que possa chamar de meu” (uma vertente do “amar a si antes de poder amar o outro”). Para saber, só nos resta experimentar e tomar cuidado para não perder a oportunidade por não reparar que já possui seu lugar, como a personagem de Audrey Hepburn fez.
E para o caso das coisas ficarem realmente ruins e você passar por um “mean red”, como se tivesse medo mas não soubesse do que, há duas lojas da Tiffany em São Paulo, na frente das quais você pode tomar seu café-da-manhã e tentar se sentir melhor
ps: Se você não assistiu Bonequinha de Luxo, está perdendo um dos melhores filmes de todos os tempos e sugiro que conserte isso já!






















13 comentários para “O mundo é um terrível cliché”
Gostei do post, mostrou com clareza algo que eu já vinha pensando ultimamente, adorei
Há ainda pessoas que acreditam nessa lenda chamada amor?
Como diria o padre Quevedo, “isso non ecziste!”
De fato, a Lenda não existe…
Ótimo post, Ibrahim, ótimo.
Oops! Sorry, não li o header. Ótimo post Éris…
Vou colar aqui uma sugestão de leitura do Peterson em outro post mas que é muito pertinente:
Estava vendo um filme com Johnny Depp (Profissão de Risco) quando fiquei meio irritado com os personagens mal-escritos: a mãe chata, a mulher chata, o drogado meio bicha, o drogado malucão. Daí a Verdade me ocorreu: é claro, os personagens não parecem reais porque essa é uma história verídica. Na vida real ninguém parece real mesmo. Todos parecem caricaturas - às vezes muito agradáveis, mas caricaturas. O romancista E.M. Forster dividiu uma vez os personagens de romances em planos e esféricos - os primeiros sendo unidimensionais, simples, estereotipados; os segundos sendo complexos e capazes de evolução. Pois bem, personagens esféricos são uma invenção de romancistas; na vida real todo mundo é plano. Quando há uma exceção e alguém nasce psicologicamente esférico, as pessoas ficam tão espantadas que escrevem livros sobre ele. Ver Samuel Johnson, Lincoln, Churchill.
Link
Ou ainda…
As pessoas continuarão a sonha com o principe encantado ou a princesa no alto da torre do castelo por muitos anos. Esta impregnado, e continuará impregnado até acabarmos com essas histórias infantis.
No fundo, as pessoas mentem para si mesmas, pois tem medo da verdade, pois elas sabem que a verdade dói, e admitir certas atitudes e conceitos para si mesmo, nem sempre é fácil
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Obrigado zé
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