Os Perigos do “Hitismo”, Cauda Longa de Chris Anderson

Esta postagem é a publicação de um trecho do livro “A Cauda Longa, do mercado de massa para o mercado de nicho” de autoria de Chris Anderson. É um livro seminal em se tratando da nova economia da internet e sua leitura é altamente recomendada. O trecho, que se inicia na página 164 da primeira impressão, é reproduzido abaixo com o objetivo de divulgação.

Demorará algum tempo para que desaprendamos as lições do século passado em distribuição da escassez. Mas estamos começando a fazê-lo, com a primeira geração que está crescendo on-line.

Em 2001, a primeira onda de “nativos digitais” atingiu a maioridade. Crianças que começaram a usar a Internet aos 12 anos, em 1995, completaram 18 anos (início da faixa dos 18 aos 34 anos, altamente cobiçada pelos anunciantes). Principalmente os machos da espécie estavam vendo menos televisão. Ao se depararem com a escolha entre variedade infinita e facilidade de fuga dos anúncios on-line, em comparação com as redes de TV, eles tendiam a optar pela primeira – os níveis de audiência de televisão nessa faixa começaram a cair pela primeira vez em meio século.

Embora ainda pequena, a mudança é real. O público está se deslocando do broadcast para a Internet, onde predomina a economia de nicho. Dispondo de mais escolhas, também estavam deslocando sua atenção para o que valorizavam mais – e aí não enquadravam fórmulas convencionais, com muitos comerciais. Na expressão de Haque, os consumidores estão começando a reassumir o controle de sua atenção, ou pelo menos a valorizá-la mais.

A lição para a indústria do entretenimento deve ser clara: dê às pessoas o que elas querem. Se for conteúdo de nicho, dê-lhes conteúdo de nicho. Da mesma maneira como estamos repensando o prêmio que pagamos aos hits e às estrelas, também estamos começando a perceber que a natureza dos bens e dos participantes, assim como dos respectivos incentivos, nesse novo mercado também são diferentes.

Faz parte da natureza humana ver as coisas em termos absolutos extremos, preto ou branco, isso ou aquilo – sucessos ou fracassos. Mas, evidentemente, o mundo é confuso, gradativo e estatístico. Nós nos esquecemos que a maioria dos produtos não bate recordes de vendas, exatamente porque a maioria do que vemos nas prateleiras de fato vendem em grandes números, pelo menos em comparação com aqueles que, para começar, não entraram nas lojas. No entanto, a grande maioria de quase tudo, de músicas a roupas, é, na melhor das hipóteses, apenas um pouco populares. Embora boa parte não passe no teste do sucesso, de alguma maneira continua a existir. Por quê? Porque a economia dos arrasa-quarteirões não é o único modelo eficaz. Os grandes sucessos são a exceção, não a regra. Entretanto, vemos indústrias inteiras respirando esse ar rarefeito.

Por exemplo, a economia de Hollywood não é igual à economia do vídeo em rede, e as expectativas financeiras de Madonna não são as mesmas das de Clap Your Hands Say Yeah’s. Mas quando o Congresso dos Estados Unidos amplia o prazo de vigência dos direitos autorais por mais uma década, por insistência do lobby da Disney, os congressistas estão considerando apenas o topo da curva. O que é bom para a Disney não é necessariamente bom para a América. O mesmo se aplica à legislação restritiva de tecnologias que permitem a cópia ou transmissão por vídeo de arquivos digitais. O problema é que a Cauda Longa não tem lobistas, razão por que, com muita frequência, só se ouve a Cabeça Curta.

Eis algumas armadilhas mentais em que caímos por causa da mentalidade da escassez:

  • Todos querem ser estrelas
  • Todos estão em busca de dinheiro
  • Se não for sucesso, é fracasso
  • O único sucesso é o sucesso de massa
  • “Direto para o vídeo” = ruim
  • “Auto publicação” = ruim
  • “Independente” = “Não conseguiram fazer negócio”
  • Amador = amadorismo
  • Baixas vendas = Baixa qualidade
  • Se fosse bom, seria popular

E, finalmente, ainda predomina a ideia de que “muita escolha” é massacrante, crença tão comum e tão desprovida de fundamentos que merece seu próprio capítulo.

Esta postagem é a publicação de um trecho do livro “A Cauda Longa, do mercado de massa para o mercado de nicho” de autoria de Chris Anderson. É um livro seminal em se tratando da nova economia da internet e sua leitura é altamente recomendada. O trecho, que se inicia na página 164 da primeira impressão, é reproduzido abaixo com o objetivo de divulgação.

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3 comentários para “Os Perigos do “Hitismo”, Cauda Longa de Chris Anderson”

  1. vihainen kääpiö helvetistä disse:

    O legenda.tv intitulou-a como Indústria Cultural. Líderes de seita que desejam controlar suas ovelhas e assimilar novos cordeiros, enriquecer as custas dos pobres (e) ignorantes. Dominar o mundo, fabricando, monopolizando e vendendo o alimento pra alma.
    Meus machados estão afiados, tenho pena do soldado (com farda chamada ‘fatiota’) que tentar me intimar.

  2. Gostei da postagem do livro “A cauda longa”. Ainda não conhecia, mas me chamou a atenção pelo tema altamente contemporâneo. Ah, gostei do nome – OK, assisto a The Big Bang Theory e, se não fosse pela série, não teria idéia do que se trata…

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