Me pergunto isso pois quando essa crise aérea se agravou e depois explodiu com o acidente (embora o pessoal revoltado afirme que não foi um acidente, desculpe pessoal, mas foi sim, sei que todos preferem que a realidade seja uma narrativa clara com mocinhos e bandidos e que é necessário por a culpa em alguém, mas quem em sã consciência se não tivesse o mínimo de segurança por lá, o mundo é diferente daquilo que os Pangloss gostariam. Culpem deus, não a mim) lembrei imediatamente da visão “cosmológica” de Maquiavel.
Para Maquiavel 50% se deve à fortuna, o destino, o azar, a sorte. Os outros 50% somente são realizados por aqueles embuídos de vírtu que é a força de vontade de alguns indivíduos, para temperar com um pouco de Nietzsche diria que são aqueles que exploram sua vontade de potência.
“Comparo a sorte,” diz Maquiavel n“O Princípe”, “a um rio impetuoso que, quando enfurecido, inunda a planície, derruba casas e edifícios, remove terra de um lugar para depositá-la em outro. Todos fogem diante da sua fúria, tudo cede sem que se possa detê-la. Contudo, apesar de ter esta natureza, quando as àguas correm quietamente é possível construir defesas contra elas, diques e barragens,de modo que, quando voltam a crescer, sejam desviadas por um canal, para que seu ímpeto seja menos selvagem e devastador”.
Em verdade, eu teria que digitar todo “O Príncipe” como conselho para Lula, mas para que tenham uma idéia de como o livro é “atual” e verdadeiro manual de como se governar, lá estava inclusive revelado a crise com o ministério, versando sobre as escolhas, etc. No Capítulo 22, entitulado “Os ministros dos príncipes”, lemos em 1 & 2:
“1. A escolha dos ministros por parte de um príncipe não é coisa de pouca importância: os ministros serão bons ou maus, de acordo com a prudência que o príncipe demonstrar. A primeira impressão que se tem de um governante e de sua inteligência, é dada pelos homens que o cercam. Quando estes são eficientes e fiéis, pode-se sempre considerar o príncipe sábio, pois foi capaz de reconhecer a capacidade e de manter fidelidade.Mas quando a situação é oposta: pode-se sempre fazer dele mau juízo, porque seu primeiro erro terá sido cometido ao escolher os assessores.
Assim, ninguém que conhece messer Antônio de Venafro, ministro de Pandolfo Petrucci, príncipe de Siena, deixaria de julgar Pandolfo um homem muito prudente, pelo ministro escolhido.
2. Há três tipos diferentes de mente: um compreende as coisas por si só, o segundo compreende as coisas demonstradas por outrem; o terceiro, nada consegue discernir, nem só, nem com a ajuda dos outros. A primeira espécie é a melhor de todas; a segunda é também muito boa, mas a terceira é inútil. É evidente, portanto, que se Pandolfo não pertencia ao primeiro tipo, era pelo menos do segundo. Toda vez que o príncipe tem discernimento para reconhecer o bem e o mal naquilo que se faz oudiz (mesmo que não apresente originalidade de intelecto), identificará as obras boas e más do seu ministro, corrigindo algumas e incentivando outras. Neste caso, o ministro não pode querer enganá-lo, e por isso se manterá do lado do bem.”
Então, Lula, eu sinceramente o aconselho a comprar “O Príncipe” e ler. Por favor use o link do Submarino pois assim eu ainda ganho 8%. Sei que o presidente da República possui direito a um cartão de crédito sem limite, logo você pode comprar vários dele e distribuir a todos aqueles que o cercam. Quem sabe iriam governar melhor do que hoje? O livro pode ser lido em pouco tempo. Já li ele três vezes e na que me custou mais tempo foram três dias. O senhor poderá encontrar inclusive ótimos volumes escritos por brasileiros que fazem a ponte entre nossos dias e o de Maquiavel caso precise disso. Ainda há “Maquiavel em 90 Minutos”, o próprio Maquiavel dizia que é humanamente impossível ter todas as virtudes de um grande príncipe então ele aconselhava fingi-las.
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