Quer acabar com seu dia? Leia “Uma Vida Interrompida”, Alice Sebold

Não posso dizer que o dia estava péssimo. Na verdade estava bem divertido. Passei um tempo conversando com o Rafael, e estamos bem próximos de descobrir uma fórmula da felicidade, mas é claro, só revelaremos a um preço bem caro. Desliguei o computador para ir até a biblioteca que é mais ou menos perto de casa. Fui devolver o volume de “Terroristas do Milênio” que falava sobre atos de violência aleatórios e sem sentido que acabam criando um sentido…A melhor forma para explicar isso é se eu dissesse que no livro existe uma forma de terrorismo que acha o terrorismo uma operação mindfuck. Devolvi o livro e fui dar uma olhada nos livros expostos e vejo o volume de “Uma Vida Interrompida - Memórias de um Anjo Assassinado”.

Imediatamente reconheci como sendo o livro que Peter “Senhor dos Anéis” Jackson iria adaptar depois de King Kong, ou pelo menos, o que um boato dizia ser. Me lembrava de que o livro era sobre uma garota assassinada que vê sua família do céu. Me senti morbidamente atraído e interessado. Voltei para casa lendo o livro e cheguei aqui destroçado.

Por quê? O primeiro capítulo é a narração em primeira pessoa do estupro de posterior assassinato e desmembramento da protagonista (Susie Salmon, 14 anos). Mas longe de ser um livro pessimista, dramático e bem vocês entenderam. É um livro leve e estranhamente divertido. Quando se questiona por que não fez algo diferente no céu é aconselhada:

“Não fez e pronto. Não fique quebrando a cabeça. Não adianta nada.Você morreu e tem de aceitar isso”.

Eu estou chocado com a violência do livro e inclinado a abraçar causas feministas. Pelo que eu li no prefácio chegou a ser best seller e eu nem tive notícia dele. Acho que foi melhor desta forma, afinal eu o peguei sem expectativas, sem idéias pré-concebidas. Aliás, é essa a melhor forma de se ler um livro.

Só li 100 páginas e não quero parar até pegarem o maldito que fez tudo com Susie. Sei que este blog está se tornando quase um diário de leituras, mas prometo variar um pouco mais nos próximos dias.

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Livros que não li: “O Arco-Íris da Gravidade”, Thomas Pynchon

Link do vídeo.

Eu sempre escolhi livros como se estivesse de alguma selecionando habilidades que eu gostaria de incorporar à minha personalidade. Como se eles fizessem parte de um upgrade em minha vida e de alguma forma mágica eu chegasse um nível acima nesse jogo cada vez mais sem graça e com objetivos semelhantes a cada fase. Ou há literalmente milhões de fases ou a mudança de fases é uma ilusão, mas estou aqui para falar de livros que eu comprei, tentei ler duas, três, cinco vezes, mas nunca consegui. E foram vários. Somente procurarei não falar sobre a minha tentativa frustrada de ler o dicionário….

“O Arco-Íris da Gravidade” de Thomas Pynchon é um livrinho de 785 páginas e letra miúda, o título original, “Gravity’s Rainbow” é o mesmo de uma música do Klaxons, que abre esta postagem. Seu começo sempre aparece em listas dos melhores começos: “A scream comes across the sky.It has happened before, but there is nothing to compare it to now” (Um grito atravessa o céu. Já aconteceu antes, mas nada que se compare com esta vez). E esse sempre foi uma das minhas obsessões. Alguns possuem obsessões como pés, orientais ou ornitorrincos. Eu sempre fui obsecado com três coisas em ordem aleatória: começos, frases e processo criativo. Este foi um dos motivos que me fizeram comprá-lo.

O outro motivo que se combinou a esse foi o fato do escritor nunca aparecer. A única foto que se têm, supostamente dele, é de sua época no colégio. Some-se isso ao fato dele ser adorado por discordianos no mundo inteiro. Eu tinha que lê-lo. Pois é, tenho o livro há pelo menos 3 anos.

Uma das teorias mais loucas que eu li sobre o autor é, que na verdade, ele seria Jim Morrison do The Doors. Qualquer um que conheça a banda ou assista MTV sabe da lenda do rock de que permaneciam certos mistérios de sua morte (somente sua namorada na época viu o corpo, ela morreu um ano depois, e quando o guitarrista viu o caixão disse que Jim não caberia nele).

Me disseram que ler “O Arco-Íris…” torna-se mais fácil após ler “V”. Espero um dia concluir esse livro, mais um da lista dos livros que eu não li.

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Mudança de postura

O que fazer ao descobrir que você tomava uma postura abominável? Nada além de mudar meus caros leitores. Vejam o que aconteceu comigo: Neste final de semana eu descobri que fazia algo abominável, censurável e deselegante. Quem já me leu ou viu minhas respostas nos comentários ao teístas que por aqui passaram devem ter notado uma certa obsessão minha em pedi por fatos. A resposta é claro, variava mas poderia ser esta: “Fatos, fatos, fatos, fatos”.Mas o que eu fazia era abominável. Precisou que um amigo meu me dissesse:

“Ibrahim, pedir fatos a um homem religioso é como pedir a um cego que descreva cores. É horrível. É como zombar de sua condição de deficiente”.

Por isso, me desculpem teístas. Apartir de hoje não pedirei mais por fatos da existência de tal entidade alegada por vocês como provida de existência. Só posso me censurar por ter lhes tratado tão mal.

[tags]julgando godot, operação:mindfuck[/tags]