Pangloss

Tenho outra confissão a fazer: Eu sempre quis ser um escritor. Não do tipo Joyce ou Kafka. Mas um do tipo Borges ou Vila-Matas. O que sempre me manteve longe de sê-lo foi a minha má vontade com meus textos. Nada do que escrevi me satisfez o suficiente para me levar a sério enquanto escritor de ficção. Mesmo não sendo um grande especialista estou escrevendo um livro de não-ficção que em breve disponibilizarei a todos meus leitores. Se ele sair 50% do que eu queria que saísse já estaria ótimo. E escrever um livro de não-ficção não aplaca minha fome de escrever ficção. Continuo sem fazer pois não estou preparado ainda, quem sabe eu seja um escritor do tipo Saramago e comece a escrever aos 50 anos? Nunca se sabe.

Vou compartilhar com vocês os meus plots. Quem sabe algum escritor se anime a roubá-lo e finalmente se tornem em histórias? Seria um destino mais glorioso do que serem apenas um rascunho de um péssimo escritor. A que compartilho hoje teria o título “Pangloss”, em uma clara alusão ao personagem de Voltaire da peça “Cândido” com seu bordão “Tudo está ótimo no melhor dos mundos possíveis” e que era uma sátira ao obscuro e injustiçado Leibniz que foi rival de Newton.

Minha intenção é/seria criar uma história narrada por um otimista do tipo Pangloss que acha que tudo está ótimo no melhor dos mundos possíveis e que tenta provar isso a todo momento. A intenção da obra não seria nem refutar o otimismo nem dar motivos para abraçá-lo. o objetivo primário seria confundir mesmo, em um clássico mindfuck. O objetivo secundário seria levar o leitor a fazer uma síntese das duas visões de mundo.

Me fascina o tipo otimista. Eu os admiro na verdade. O que é o otimista senão um guerreiro em sua luta diária contra a realidade. Tal admiração, tenho que frisar, é bem recente. Antes admito, não os suportava. Bastava ver um sorriso no lábio de alguém que me punha a pensar em uma forma de tirá-lo de lá o mais rápido possível. Declarava em alto e bom som que o otimista ou era idiota ou mal informado e que se houvesse um criador este seria alguma espécie de humorista, a quem a platéia tem medo de rir.

Hoje admiro os otimistas como quem admira um japonês mas sabe que não é um e nem pode ser. Não acho que seria uma história muito longa e deveria acabar com a seguinte frase: “Devemos cuidar de nosso jardim”, que é uma frase dita por Cândido a Pangloss na peça encerrando-a.

Iria colocá-lo em uma guerra ou algo do tipo. Talvez uma viagem ao redor do globo. Como sempre, fica para amanhã.

Vá Além:

[tags]ficção, idéia, plot, Cândido,Voltaire[/tags]

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7 comentários para “Pangloss”

  1. dudu disse:

    Escrevendo bem do jeito que tu escreve acho que não vai ser difícil preencher algumas centenas de folhas.
    Já escrevi contos durante uma época mas nunca fui mais longe por falta de insistência.
    Escrever é ter determinação e paciência.
    Legal essa notícia. Tomara que termine logo.

  2. Alexandre disse:

    Gostei muito de Cândido, adoro Voltaire.

  3. Ed disse:

    Cândido é meu livro dileto do tio Volt.

  4. Vou lançar uma questão apenas para apimentar uma eventual discussão: no mundo de hoje haveria espaço para os “Otimistas incondicionais” como “Pangloss” e “Poliana”? Ou o mundo está mais para uma grande sátira ? “Joseph Klimber”?

  5. Sinceramente não acho Joseph Klimber realmente engraçado, todos meus amigos acham mas não vi o que há de tão sensacional naquilo. Acho que não gosto de humor físico, de situação. Mas dificilmente vejo espaço para Polianas e Pangloss no mundo.

  6. Citei o Joseph Klimber mais pelo aspecto sátira ao otimismo, e por ser de “conhecimento generalizado”. Mas concordo que podemos encontrar com facilidade sátiras mais inteligentes, como o próprio Pangloss ou, pelo lado inverso, o Zadig, que encara o mundo com um relativo pessimismo por acreditar que seremos sempre joguetes do destino.

  7. Elias Gleiber disse:

    Gostaria de saber se alguém pode comentar o que Voltaire quiz dizer em: “tudo está para o melhor, no melhor dos mundos possíveis”.

    Obrigado!

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