Para Não Dizer que Não Falei dos Bósons

Hoje na coluna de Marcelo Leite, no suplemento Mais! da Folha de S. Paulo, o mesmo encerrou sua coluna desta forma, onde falava do LHC e sua busca:

Isso ajudaria a explicar por que só algumas partículas têm massa. Mas nada garante que o Higgs dê as caras, 44 anos após a previsão teórica. Muitos físicos já dizem que sua ausência resultará mais fecunda para a física que a detectação, pois forçará uma reforma do modelo. São, ao todo, 19 anos de caçada no subsolo da fronteira franco-suíça. Só no LHC foram enterrados US$ 9 bilhões. É difícil imaginar uma fortuna mais bem empregada.

Sério? Eu consigo facilmente imaginar uma fortuna dessas mais bem empregada. Vamos pensar na fundação Gates que investe em redes de proteção, cada uma com custo bem baixo, e com essa medida simples, evita que milhares de pessoas se contaminem com malária na África. O que 9 bilhões não fariam pela fome? Pelos refugiados do Sudão que vive um genocídio a anos enquanto os “moralistas verbais (pois não saí do discurso)” da ONU cantam aquele trecho de Strawberry Fields Forever: “Living is easy with eyes closed…”. Meu segundo pensamento é “Ok, deixe os caras se divertirem. Afinal são um bando de nerds com um brinquedo grande e caro. Já que não tem sucesso com as mulheres, brincar com partículas parece ser bem interessante”.

Vale a pena investir tanto assim nesse projeto enquanto nós, como espécie, temos milhares dos nossos morrendo por falta de condições básicas de saneamento e alimentação. Enquanto a metade rica luta contra a balança, fazendo dietas e cirurgias estéticas caríssimas, a metade pobre morre de fome. E 9 bilhões para confirmar uma teoria – que alguns ainda dizem melhor estar errada! Para mim é muito dinheiro para um bóson de merda que não vai melhorar a vida de ninguém.

Só eu não vejo nenhum sentido nisso. Só eu vejo isso como um estúpido nonsense?

Bohr uma vez disse: “Devemos ser claros que quando se trata de átomos, a linguagem só pode ser usada como na poesia”, “partículas isoladas materiais são abstrações”. Ok, eu sei que não devemos interpretar ninguém como um profeta dos quais todas as palavras são a mais pura expressão da verdade, mas Bohr adotava uma postura crítica e, para ser exato, metalinguística do seu campo de estudo. É bom ver algumas de suas frases, na Wikiquote. O link é na versão em inglês já que a em português chega a dar pena.

Olhamos para as estrelas…Contemplamos um céu infinito de probabilidades e aventuras que o futuro nos reserva! Quando bastava olhar por aqui mesmo e estender a mão para já ter feito algo.

O que você pensa a respeito, hein?

Moon Venus Mercury & Mars
Creative Commons License crédito da foto: sleepychinchilla

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42 comentários para “Para Não Dizer que Não Falei dos Bósons”

  1. Kisty disse:

    Ficção científica, utopia e realidade biológica:

    Como cultura e sociedade a gente se preocupa demais com doenças e “fome”(falta de alimentos). Se pormos tudo isto na mesa vemos política e sedentarismo.
    Nós humanos eramos nômades, justamente por sermos “racionais”, migrávamos para outras regiões a procura de comida. Isso mudou quando aprendemos a plantar e a supervalorizar nossa “fazenda”. Criou-se divisões territoriais, políticas. Cercas de arame farpado eletrificado e soldados armados impedem a (I)migração.
    Quem é idiota de morar no deserto? Quem não pode sair dali…
    Em vez de dar comida pros habitantes do deserto, invistam em técnicas de plantio especificas praquela região.
    E também ninguém vai viver pra sempre, cada indivíduo, isso resultará na superpopulação sem termos para onde migrar quando a terra “secar”.
    Pessoas comem “lixo sem nutrição” para encher barriga, bebem solventes, e reclamam que o governo não paga para curar seus fígados estragados, seus cânceres.

    E a ficção científica…
    Nanotecnologia já avança bastante, daqui algumas décadas talvez seja possível reconstruir objetos macroscópicos molécula por molécula. Algo orgânico, uma maçã?
    Se em 30 ou 50 anos for possível através de computação quântica e nanomecânica produzir alimentos sintetizados a partir de matéria bruta. Isto não merece investimento?
    O LHC pode contribuir para o nosso entendimento do átomo. Isto não quer dizer apenas que “vamos saber do que é feito” mas as ramificações desta descoberta, as aplicações tecnológicas e industriais.

    Viver um sonho utópico pode ser empreender recursos corrigindo os erros que fazemos. Mas de que adianta se continuamos fazendo?
    Temos que ir pra frente, e não ficar parados martelando na mesma tecla…

  2. Karina disse:

    CERN LHC costs: 3340 CHF (official budget) ~ 3.2 billion dollars
    CERN LHC costs: 6.4 billion dollars (wikipedia estimate, worst case scenario)
    Iraq War 2003: 53 billion dollars (8 to 16 LHC)
    Iraq War 2004: 75.9 billion dollars (12 to 23 LHC)
    Iraq War 2005: 85.5 billion dollars (13 to 26 LHC)
    Iraq War 2006: 102 billion dollars (16 to 31 LHC)
    Iraq War 2007: 133.6 billion dollars (20 to 41 LHC)
    Iraq War Total (until 2007): 450 billion dollars (70 to 140 LHC) (source for the war budget: here)

    Por isso que acho que comparar os gastos com ciência e ajuda humanitária é complicado. Gastos com ciência podem não só saber se uma partícula existe ou não. Há sempre alguns “efeitos colaterais”, como a manipulação de lasers, por exemplo, que hoje é largamente utilizada na medicina e ajuda na melhoria da qualidade de vida.
    Quer gastos ridículos e que não deveriam ser feitos? Estão aí em cima, nas estimativas de uma guerra. ISSO SIM É ABSURDO!

  3. Karina disse:

    PS: Sorry pela falta de links nas fontes, copiei diretamente de um outro blog que leio.
    As fontes:
    Official budget do LHC: http://user.web.cern.ch/user/LHCCost/2001-10-16/LHCCostReview.html
    Estimativa da Wiki: http://en.wikipedia.org/wiki/Large_Hadron_Collider
    Source for the war budget: http://zfacts.com/p/447.html

  4. Elton disse:

    Eu acho aceitável que os físicos testem pelo menos uma das várias teorias que, além de descobertas secundárias, ainda pode apontar o caminho para unificação da Física. Não dá pra avançar sem investimento em tecnologia e, como eu li por aí, já se foi o tempo dos inventores de garagem. 9 bilhões? Ok, mas já são 20 anos de projeto. Um porta-aviões custa praticamente o mesmo e acho que ele realmente não melhora a vida de ninguém.

  5. André disse:

    Bom, 9 milhões que vão ao menos para o bem da ciência. E os bilhões que são roubados aqui no Brasil e que deixam também milhões de brasileiros morrendo de fome, sem segurança e hospitais decentes?

  6. Considerando o quanto se gasta em armas e em guerras (como a dos EUA no Iraque agora), estes 9 bilhões não são tanto dinheiro assim e pelo menos estão sendo usados para uma coisa científica.

  7. Lucas disse:

    É bastante importante incentivar pesquisa científica, até quando ela não possui nenhum tipo de retorno explícito.

    Quando Maxwell, por exemplo, descobriu lá as equações dele que tratam do eletromagnetismo. Pense em quantas tecnologias, assistivas ou não, dependem do eletromagnetismo. Só pra começar, televisão e computadores dependem fortemente em eletromagnetismo.

    E o que Maxwell fazia parecia bastante idiota e inútil. Na época, ninguém sabia muito bem qual seria a utilidade das brincadeiras eletromagnéticas dele…

    Sim, é preciso investir dinheiro pra aliviar a fome e a miséria. Mas também é necessário investir dinheiro em pesquisa científica. E o que organizações científicas fazem é juntar dinheiro pra pesquisa cientifica.

    Se durante, sei lá, a idade média, as pessoas tivessem decidido reunir muito dinheiro e ajudado a população, e evitar gastar dinheiro com pesquisas que parecem inúteis, teríamos uma população melhorada (que pode, e com certeza vai, voltar ao seu estado original de miséria) e uma sociedade sem nenhum tipo de avanço.

  8. Ombudsman disse:

    É um outro lado válido. Um “bom” uso do dinheiro. Mas pesquisas científicas são, sim, importantes. Como não poderiam ser? Qual tem maior prioridade: o conhecimento ou o bem-estar de centenas de crianças na África? Pra mim, os dois são válidos. Mas prefiro, ainda assim, o conhecimento. É mais interessante do que crianças saudáveis que eu nem conheço. Até porque cada um faz o que acha que tem que fazer, por isso os cientistas ficam com seu LHC e o Gates fica com a fundação Gates.

  9. Evandro Cesar disse:

    Ibrahim eu também estava pensando nisso, como não entendo muito desse tipo de experimento ainda não formei minha opinião porque não sei o que de concreto esse LHC pode mostrar. O que EU penso é que o mundo possui outras prioridades, poderia ser melhor empregado esse dinheiro em ações mais humanitárias, mas é tudo pelo bem da ciência e atualmente criticar a ciência causa reações bem parecidas quando criticamos religiosos :)

  10. rohntemp disse:

    Muitos vêem os alucinógenos como fuga da realidade, um meio de alcançar novos mundos ou perspectivas. Tendo isso em mente não consigo não comparar o LHC com o THC.

    Só que um baseado sai bem mais barato.

    Abraços a todos,

    rohntemp

  11. Rafael disse:

    Sinceramente, acho errado pensarmos dessa forma, não devemos deixar de fazer algo “só” porque há algo mais importante a se fazer, acho sim que devemos fazer ambas as coisas.
    Se nós parássemos de fazer o que estamos fazendo porque há algo mais importante a se fazer o mundo simplesmente pararia, não evoluiríamos, se nós pensássemos assim todo mundo teria que parar de fazer o seu trabalho para dar comida as famintos, e todo as outras coisas, que precisam de “ajuda” ficariam paradas, não é assim que a banda toca, temos sim é que organizar bem as coisas.
    A Fundação Gates tem um papel muito importante, ajudando a África, como muitas outras fundações também, a África está recebendo ajuda.
    Se fosse o governo de um país que passa fome investindo tanto dinheiro nisso, aí é outra história, eles teríam que se FOCAR na fome, é o problema principal deles, sem deixar é claro, as outras questões de lado, senão como eu disse anteriormente, nós simplesmente paramos no tempo.

    Abraços,

    Rafael

  12. Eu já considero um dinheiro muito bem gasto. São pesquisas, estudos que podem revolucionar a maneira como vivemos, ou até nos destruir em questão de segundos.

  13. Ibrahim Cesar disse:

    @ todos que defendem o dinheiro, me digam como a descoberta ou não de um bóson avança a ciência ou mudará a maneira como vivemos. Se trata de um componente a matéria, não de uma força ou algo a manipular…Deveriam se envergonhar de desconhecer o assunto e defender a pesquisa. Não liguem para as pessoas que não conhecem, não tem essa obrigação, assim como eu desejo que morram.

  14. Jacques disse:

    Os seres humanos sempre vão ter a tendência a buscar o poder em benefício próprio a promover a solidariedade.Mas eu acredito que realmente seria mais importante usar essa grana para amenizar o problema da fome dos países subdesenvolvidos.
    É só ter um pingo de compaixão para entender isso.

  15. Philipi disse:

    O LHC não foi feito só pra descobrir se a partícula de Higgs existe. Tem uma pancada de outras experiências que serão feitas nele que podem revolucionar a ciência como a conhecemos hoje, apontando até detalhes da origem do universo. A investigação das partículas pode levar a um entendimento muito maior do nível subatômico, e isso pode nos trazer tecnologias muito muito superiores.

    A fome é um problema sem solução imediata. Você pode colocar 10, 20, 30, 100, 1000 bilhões pra resolver, que não vai conseguir, porque o problema não é a quantidade de dinheiro que se investe, mas como ele é investido (e como ele é posteriormente desviado).

    A África é um lugar problemático por razões históricas. Ajudar a África é muito complicado. Grande parte das ajudas humanitárias pra África são desviadas e viram armas pra alimentar as inúmeras guerras civis. Não há ciência que consiga lidar com isso.

    Mas não sejamos hipócritas: a tecnologia nos trouxe ao Século XXI, só estamos aqui por causa dela. Sem ela a gente em primeiro lugar nem existiria, e em segundo a gente nem teria esse blog pra ficar aqui falando bobagem. :)
    Entender melhor a natureza e as leis que a governam: não tem nada de mal nisso. A humanidade chegou à contagem de 6 bilhões graças a toda essa compreensão. Se chegamos bem ou mal, são ajustes a serem feitos. Mas não é hora de parar no tempo e ficar olhando pra trás.
    Se pudesse escolher entre nascer um esfomeado na África ou nunca ter nascido, o que você escolheria?

  16. Basicamente não precisamos ir longe e citar vários países subdesenvolvidos pra chegar num consenso. Basta ir até a esquina mais próxima do teu bairro, e rapidinho aparece alguém que seria beneficiado com um mínimo de investimento. 9 bilhões de dólares no Brasil. Imaginem o que dá pra se fazer com essa cifra! É absurdo 9 bilhões serem gastos numa máquina, enquanto pessoas precisam de ajuda. Levando-se em consideração, de que estamos falando apenas dos 9 bilhões envolvidos na construção do mais novo “brinquedinho” da ciência. Eu não tenho idéia do tamanho dos gastos para realizar as pesquisas, quanto seria gasto com energia, o quanto seria gasto pra pagar salários que (eu acredito), são exorbitantes. É deprimente, ver como a sociedade num âmbito geral, é tão individualista.

  17. alex disse:

    Pra mim, quando alguém usa esse argumento de “mas esse dinheiro poderia ser mais bem investido em obras sociais” – salvo raras excessões óbvias – é sinal de falta de algo decente pra dizer.

    Se você acha interessante esse argumento, pq nao utiliza toda sua grana pra matar a fome dos mendigos aí do teu bairro?
    Que sacrilégio, pagando domínio e (provavelmente) hospedagem em um mísero site, quando essa grana poderia muito bem ser investida em obras sociais. Ah menino!

    PS: estou cancelando meu feed desse blog. Esse post foi o fim…

  18. Leon Santiago disse:

    Sem iniciativas desse tipo a gente não saberia nem o que malária. Achei sua ignorância (ou simples falta de preocupação em pesquisar sobre as teorias que envolvem os Bósons e suas conseqências em médio e longo prazo) bem brochante. É só pra ir contra?

    Papinho de obra social não, né? Cancelo meu feed também. Té mais!

  19. Ibrahim Cesar disse:

    @ canceladores de feed: Eu escrevo sobre o que quero, vocês assinam os feeds que quiserem…Assim como vcs podem cancelá-los e eu nem dar a mínima, devem saber que eu escrevo sobre o que quero.

  20. preguica disse:

    quem não tem a dimensão de uma do que um experimento desse porte irá revelar, não devia nem questionar os gastos.

    “bando de nerd sem sucesso com as mulheres”.. precisando fazer uma visita a Freud..

    como Lucas falou, ninguem dava nada para as teorias de eletromagnetismo, até hj nao se dá mto valor a isso, já q essas materias deveriam ser ensinadas antes da faculdade. Mas é por causa de teorias, estudos como esses que hoje você posta num blog, não precisa acender uma vela (ou que usavam antes de porem em prática a corrente alternada, e assim distribuir a eletricidade em grandes distancias).

    Pode não significar nada pra você, mas talvez seja pq vc não consegue enxergar. O primeiro uso das descobertas do lhc, com certeza serão militares, mas depois, computação quantica.. (computador, pra que vao inventar uma merda dessas? diria um certo blogueiro nos anos 50)

    ah.. um puto lá do cern msm, em 1992 criou um protocolo pra interligar as redes mundiais… uma bobagenzinha que nunca foi útil a ninguem.

  21. Ibrahim Cesar disse:

    @ alex Conhece a minha vida para usar esse argumento: “Se você acha interessante esse argumento, pq nao utiliza toda sua grana pra matar a fome dos mendigos aí do teu bairro?” pois fala como se conhecesse.

    Se quiser participar de um dia meu e me ajudar nos projetos de voluntário que faço parte, fica aqui o convite, ok? Não pense que por que você não ajuda alguém, eu faça o mesmo.

  22. Ibrahim Cesar disse:

    Primeiro, meu argumento é a respeito de que uma grande dessas é uma fortuna, e que há muitos problemas que temos antes de querermos “revolucinar tecnologicamente o mundo”.

    Muitos falam das invenções, eletromagnetismo, invenção da internet mas o fazem partindo do pressuposto de que isso é algo BOM. Será? A tecnologia trouxe algum progresso moral? Somos mais felizes? Ou é algo como “arte pela arte”? Estou pulando um questionamento que John Grey faz no livro “Cachorros de Palha” faz sobre a tecnologia, etc. Segundo assim como eu não tenho noção do que lá saíra, meus caros, nem vocês. Pois se alguém soubesse nem faziam experimentos por lá.

    Ademais, critiquem os argumentos, por favor. A maioria só quer me atacar por expor MEU PONTO de vista, que não tem poder deliberativo sobre ninguém e não vai mudar a situação. É apenas uma OPINIÃO! Que não vai mudar nada, mas todos tentam me atacar como se seria melhor ter ficado calado. Bem, eu tenho meu direito de falar e vou usá-lo.

    Passar bem.

  23. Evandro Cesar disse:

    É Ibrahim você atingiu o ponto correto da discussão. Alguém nos comentários citou “chegamos a 6 bilhões no planeta” “a tecnologia nos fez chegar não sei onde” enfim… O planeta não suporta 6 bilhões de pessoas, fato! A tão famosa tecnologia só nos ajuda a destruir cada vez mais o planeta, cadê a tecnologia para salvar o planeta? Consumo consumo consumo, tá todo mundo louco para comprar o que não precisa. Nós não somos mais felizes por causa disso tudo, não evoluímos moralmente e continuamos achando que somos os donos do planeta. Bem, o planeta (natureza) é mais forte que nós…
    Ou alguém ainda acha que o homem vai dominar a natureza? :)

  24. Cab disse:

    Eu não concordo quando falam que 9 bilhões poderiam alimentar várias pessoas. O que eu acho é que dinheiro não se come e o que falta mesmo é alimento no mundo. Essa é a triste realidade. =|

    “Muitos falam das invenções, eletromagnetismo, invenção da internet mas o fazem partindo do pressuposto de que isso é algo BOM”… Claro que é, ué. Caso contrário, eu não estaria aqui lendo suas idéias a respeito do assunto, tal como você nem saberia as minhas e assim por diante. Tecnologia deixou o mundo bem pequenino e isso é legal. =D

    Enfim, não sei se esse dinheiro todo foi bem empregado, só o tempo irá nos dizer. =)

  25. Evandro Cesar disse:

    @ Cab – a tecnologia é ótima! O que pode estar em discussão aqui, pelo que EU notei é se estamos dando importância demais para coisas que trazem soluções para questões que talvez não sejam as mais importantes no momento, foi isso que entendi.

  26. Luizjb disse:

    Feed cancelado. Pela segunda vez. Achei que talvez este blog tivesse mudado…

  27. Ombudsman disse:

    O pessoal tá levando pro lado pessoal :-P .
    Referir-se a físicos como “um bando de nerds com um brinquedo caro, e que não tem sucesso com as mulheres” é um ad hominem coletivo :-) .
    Se é mais proveitoso para a Física que não exista o bóson de Higgs, o LHC seria igualmente necessário para evidenciar que o bóson não exite ou que é improvável. O que mais se busca é Higgs, mas não somente isso. Busca-se muitas outras coisas (que eu não faço idéia do que sejam e talvez nem você). Não é papel da Ciência acabar com a miséria. Seu papel é obter o conhecimento. Somos nós que decidimos o que fazer com o conhecimento, por isso digo que o problema não está em investir num ou noutro, mas sim no comportamento humano.
    Você, Ibrahim, sabe tudo a respeito do LHC e suas implicações? Eu não.
    Continuo muito mais interessado nas conseqüências do LHC do que com os moribundos na África. Não sou bom em sentimentos.

  28. Urso disse:

    1º Feed de cú é rola!
    2º A HIPOCRISIA PORCA DA NOSSA MALDITA RAÇA, onde o mais importante é desafiar a vida.
    Enquanto assinamos embaixo a sentença de morte de milhares de nossa espécie, para que? Em prol a ciência? em prol ao planeta? A mesma sentença para novos argumentos.

    Olhe ao seu lado, na rua da sua casa, sua cidade, seu país, seu mundo.

    Quer uma solução. Vamos gastar uma grana desta para explodir a vida humana na terra e torcer que a nova safra renda mais ao capitalismo mundial.

  29. Ibrahim Cesar disse:

    Eu não sei Ombudsman (aliás de qual veículo) e nem disse que sabia. E não entendeu que a falácia só foi uma piada com o esteriótipo?

  30. rev. Beraldo disse:

    Carl Sagan, no Pálido Ponto Azul (livro que eu EMPRESTEI e PERDI por esse motivo ¬¬ ) diz algo como: “qual o motivo de investigarmos o Universo quando temos problemas não desvendados no nosso quintal?”. Eu não me lembro a resposta, mas é mais ou menos o tipo de questão que você levantou; a diferença é que os “problemas em nosso quintal” que você se refere são de ordem social, e não científica.

  31. Diego T. disse:

    Percebo que não é ironismo o texto, mas é o seu ponto de vista.

    Na minha opinião o dinheiro investido em ciência é melhor aproveitado, melhor no sentido de evoluir as tecnologias da sociedade.

    Se evoluir tecnologicamente é bom ou não… Acredito que a evolução é uma briga de gato e rato, correr em círculos ou qualquer outra analogia a um trabalho interminável, como a vida…

    Por que trabalhar? Por que evoluir? Por que descobrir a energia elétrica, a roda, o fogo, a TV, a politica, como caminhar, como andar de bicicleta…

    Eu acho que a resposta seria… Já que estamos jogados neste mundo sem respostas de por quê estamos aqui (o LHC tenta ir no sentido de responder, ou de gerar mais dúvidas do que respostas) e que a única coisa certa é de que estamos vivos um dia morreremos… bem… vamos aproveitar e fazer algo pelo único intuito de fazer por que PODEMOS fazer.

    Quanto a grana gasta com o LHC… É uma quantia bem grande se olharmos… Nóssa, são 9 BILHÕES !!! Mas se comparada ao preço de outras coisas no mundo essa quantia e um grão de areia… como o dito sobre guerras e armamentos (não que eu discorde sempre de uma eventual diminuição da população da terra por vias artificiais… só que isso não é politicamente correto)…

    Mas valeu pela DISCUSSÃO DO ASSUNTO e não se deixar cair pela discussão de quem esta certo e de quem esta errado…

  32. Evandro Cesar disse:

    @Beraldo, Voltaire também disse para cuidarmos do nosso jardim :)

    @Ibrahim, agora não entendi, o post foi uma piada?

  33. Will disse:

    Impedir a ciência de seguir o seu curso é impossível. Um salve ao projeto LHC por ter um financiamento que permita a sua execução.
    Não há grau de comparação entre investimentos em ciência pura e investimentos humanitários.
    O post da Karina, lá em cima, prova isso.

  34. Darto" disse:

    Se políticos não fazem seu serviço corretamente, a culpa não é dos físicos. Não deve esperar-se que parem seu trabalho por culpa da incompetência dos burocratas corruptos.
    Ou então que pare de funcionar, também, a indústria automobilística, de turismo, cinematográfica, etc.

  35. Demétrio disse:

    Nossa Ibrahim, o que houve contigo? Você já foi mais coerente e ponderado…

  36. Ombudsman disse:

    Olá, Ibrahim.

    Ok. Eu só perguntei pra saber. Eu também não disse que você tinha dito que sabia :-) . Nesse caso, então, de você não saber tudo sobre o LHC, você não pode conhecer toda a abrangência das conseqüências dos experimentos com o LHC. Logo, como você pode afirmar que os US$ 9 bi seriam mais bem (“mais bem” existe?) gastos com ajuda humanitária?

    Sobre a falácia, eu não entendi se era piada ou zombaria. Daí, na dúvida, fiquei com a pior hipótese. Mas agora você já esclareceu.
    t+

  37. Renato Lellis disse:

    E se Einstein tivesse fundado uma ONG?

    Deveríamos ficar ressabiados se alguém dissesse que a descoberta do Bóson de Higgs iria proporcionar computadores mais rápidos, carros menos poluentes ou, sei lá , garrafas térmicas melhores.

    A pesquisa científica de ponta NUNCA tem aplicações práticas imediatas ou muitas vezes aplicações visíveis.

    Estas aplicações práticas sempre vêm depois, quando outros cientistas e engenheiros criarão outras coisas em cima do que os pioneiros desenvolveram.

    Quando Alessandro Volta inventou a pilha elétrica, não existiam aparelhos elétricos, qual era o ponto em gastar tempo com isso então?

    Quando o laser foi inventado ele não tinha nenhuma aplicação prática tampouco, mas hoje o usamos em cirurgias oftalmológicas, CDs , DVDs e comunicação por fibras ópticas.

    Os exemplos são infinitos.

    E para cada um destes exemplos poderíamos encontrar problemas que poderiam ter sido atendidos se o esforço e riquezas fossem usados de outra forma.

    SEMPRE existirão problemas para resolver em alguma parte do mundo. Famintos para alimentar, escolas para construir, doentes para tratar, etc, etc. E daí?

    Se os bilhões do LHC fossem usados na África, no Rio de Janeiro ou onde quer que seja, estes problemas seriam resolvidos permanentemente?

    Claro que não.

    E se Einstein tivesse fundado uma ONG? Segundo especialistas, as teorias de Einstein fizeram o pensamento científico avançar 50 anos.

    Se ao invés de se dedicar à relatividade Einstein tivesse aberto um sopão em Berlim para alimentar os pobres o mundo seria melhor hoje? Quem pode traçar todas as conseqüências práticas das teorias que ele criou, ou de sua ausência?

    Não sei se o mundo seria melhor, mas com certeza estaríamos menos avançados, cientificamente falando.

    Além do mais, dizer que pesquisas como essa são coisas de “nerds que não fazem sucesso com as mulheres” é a mesma coisas que rotular as sugestões do texto como coisa de “maconheiros comunistas que ainda não saíram dos anos 60”. Generalizações nunca são um bom recurso, especialmente se forem preconceituosas.

  38. Tercio disse:

    Acho que ciência não deve ser medida pelos seus resultados práticos. A ciência nem sempre muda imediatamente a vida das pessoas mas, certamente, motiva o homem a pensar e a desenvolver sua capacidade de entender o universo em que vive.
    Atividades sociais e ajuda humanitária devem fazer parte da vida em sociedade, mas não tenhamos a ilusão que esmolas ou doações de qualquer tipos, feitas de maneira isolada e para um grupo de pessoas (por maior que seja) possa nos tornar mais civilizados ou melhorar para sempre a vida de alguém, exceto a vida de quem se sente bem (e com todo direito) em doar.
    Melhor seria se trabalhássemos para que o significado da pesquisa e da ciência fosse bem compreendido por todos para que ninguém precisasse de ajuda humanitária para sobreviver.
    Na minha modesta opinião esta é uma “fortuna” extremamente bem empregada.

  39. Ibrahim Cesar disse:

    Não publicarei mais ofensas a mim. Estou publicando qualquer um que dê sua opinião. Agora falar que meu pensamento é isso, que eu sou aquilo, eu excluirei.

  40. Garça disse:

    Ora, ora… que clima tenso atípico!
    Nunca foi de costume, para mim, comentar nos blogs q leio, mas acho q tenho alguma contribuição válida nessa putaria.

    Parto da questão central: o acelerador de partículas e seu custo. Nossos sentimentalmente desfavoráveis amigos físicos escolheram (ou não, mas deixa isso pra depois) essa profissão porque veêm nela sua realização profissional e seu modo de melhorar o mundo ou simplesmente de ganhar dinheiro, o que é problema deles. São poucos que conseguem casar as duas coisas. Sendo assim, eles, supostamente, devem dar o melhor de si e chegar onde ninguém jamais chegou. O brinquedinho de 9 bilhões é uma ferramenta inestimável para eles nesse sentido, seja para comprovar uma ou muitas teorias, seja para jogá-las por terra, seja para abrir a caixa de Pandora. Eu, como futuro psicólogo, preferiria investir esse dinheiro diferentemente, o Gandhi de outro, o Bush de outro, o chapeiro da lanchonete da esquina de outro, e você que tá lendo de outro. Com isso, a idéia de condenar o projeto se desfaz. É bem diferente de ver um mauricinho passeando com um carro de 1 milhão de reais que ganhou do papai com 18 anos. Ostentação pura e irracional de um lado e realizações e sonhos que, de certo modo, buscam um avanço tecnológico. Se tal avanço é bom ou não a quaisquer níveis, tão cedo não saberemos.
    Jean de Lery escreve o diálogo de um índio tupinambá (ou tupiniquim, não me lembro) com um europeu em seu livro (que também não me lembro o nome; os interessados que pesquisem). No diálogo, o índio fica pasmo ao saber como o homem branco trabalhava muitas horas por dia e, mesmo assim, vivia mal e desigualmente. Como as terras eram propriedade de poucos e que, quando um desse poucos morria, a terra passava às mãos de outros poucos previamente designados. O índio diz que aqui as coisas eram diferentes: eles trabalhavam pouco e a terra era de todos. Por que? Simples: “porque a terra que me alimenta e aos meus próximos, alimentará meus filhos e meus netos com certeza.” Opa opa… Precisamos de computador? Precisamos de internet? Precisamos de aceleradores de partículas?
    Agora não só precisamos como dependemos deles. É claro que interesses financeiros estão envolvidos, mas onde não estão?
    Vamos à filantropia agora. Comprar alimentos, construir casas, distribuir remédios etc, como diria meu professor e mestre Micão, não passam de band-aids. É a tal história de dar o peixe ao invés de ensinar a pescar. Agora, pensemos: será que eles, os africanos (pegando as discussões aí de cima como ponto de crítica, mas aplicável a qualquer sociedade que faz uso de ajuda humanitária do tipo band-aid): eles querem aprender a pescar? Acho que não. É moda ajudá-los! Já estão mal acostumados, sim senhor! Chegue em um bairro pobre e dê uma cesta básica para a família mais necessitada. Na semana seguinte você verá dez famílias supostamente mais necessitadas em sua visita. “Veja como somos injustiçados e oprimidos! Nos ajudem!” Tem como mudar esse quadro apenas com dinheiro? A nível mundial, não.
    Acho que, como “indivíduos” (palavrinha perigosa…), devemos nos engajar em mudar o que está ao nosso alcance. “Salvar um homem é salvar o mundo”, já disse Nietzsche (não com essas palavras; não adianta digitar no Google, pseudo-filósofos de plantão, ou colocá-la no seu perfil do orkut) e isso se aplica muito bem, ao meu ver, a longuíssimo prazo (óbvio, pois se trata de uma reação em cadeia e, carambolas, somos quase 7 milhões de macaquinhos serelepes nessa bola azul-acizentada).
    Sendo assim, o que está em jogo não é nem nunca será as cifras em si. Dinheiro mal gasto depende de referencias, como já disse. Além disso tudo, é um dinheiro que nenhum de nós jamais veríamos e jamais seríamos capazes de interferir em seu uso. Podemos interferir no mundo que está ao nosso alcance que, esse sim, tem influencia em todo o resto.
    Se essa porra de acelerador não explodir o mundo como dizem algumas teorias meio duvidosas, e se depender de mim, o mundo será melhor independente desses 9 bilhões. Não digo que devemos nos alienar do que acontece por aí, muito menos não ter uma posição crítica acerca disso, mas digo sim para sermos mais sensatos e realistas.
    Bem-vindos ao neoliberalismo! Os prazeres são caros e fugazes, as ideologias baratas e improdutivas. Mudemos isso como pudermos.
    Na pior das hipóteses chegaremos ao que previu Marx, sem a distorção dos pseudo-anarquistas: ou andaremos todos juntos ou andarão poucos. Aí sim a filantropia não será moda, mas sim sentimento humanitário real e eficaz. A ajuda deixará de ser indulgência e passará a ser necessidade. Aí vidas serão salvas efetivamente… mas sem seu carrinho sport, amigão!
    Citando Nietzsche para finalizar e me justificar: “Como? Escolheste a virtude e a elevação de espírito e ainda assim lanças um olhar de inveja às vantagens dos indiscretos? Mas com a virtude se abdica das vantagens…” (Crepúsculo dos Ídolos). Eu escolhi a virtude; nunca terei um carro de 1 milhão de reais mas pretendo, sim, viver com certo luxo (um golzinho 4 portas com ar e som tá ótimo!). E se tem alguém com aquelas célebres frases acéfalas de que “ideologia não enche a barriga” ou “se ideologia enchesse a barriga, Gandhi seria Buda”, leia de novo o que escrevi ou, melhor, desencane e releia a Veja que o papai assina, campeão!
    Aos que me entenderam um pouquinho que seja, me chamem de romântico se quiserem. Ao menos pensem nisso tudo. Não tenho ideologias nomeadas e burras. Aliás, odeio a idéia de “ideologia” como uma coisa estática e passível de generalização. Sigo o que penso agora e tento atualizar sempre minhas idéias (outra proposta nietzscheana; contraditório com o resto do parágrafo? pense de novo!).

    Puta merda… Devo ter viajado muito aí no meio e pode ser que tenham várias coisinhas fora de lugar… Mas alguma coisa que presta deve ter saído. Não tenho saco pra ficar revisando.

    Abraços!

  41. Bueno,

    En primer lugar, no compreendo nada de física, como imagino que casi toda la humanidad. Sobre dinero, no sé al cierto, puesto que es mi madre que me sustenta.

    Además, si hay alguna duda a respecto del fin del mundo por esto aparato, recorra a esto link:

    http://www.hasthelhcdestroyedtheearth.com/

    La pergunta es: este aparato le va a cerrar la humanidad? Clica en el link y él le dará la información correcta.

    Merci et au revoir.

  42. Lucas disse:

    Esse post deu o que falar.
    Eu acho todo investimento em tecnologia válido. Principalmente que, pelo menos por enquanto, essas tecnologias não tem uso militar.
    Diversas tecnologias tiveram uso militar por muito tempo antes de se tornarem públicas. Aparentemente pular o uso militar é bom.
    Não sei se descobrirão o bóson de Higgs com esse experimento. Descobrindo ou não, as tecnologias geradas provavelmente já pagaram o investimento feito.

    “Muitos falam das invenções, eletromagnetismo, invenção da internet mas o fazem partindo do pressuposto de que isso é algo BOM. Será? A tecnologia trouxe algum progresso moral? Somos mais felizes? Ou é algo como “arte pela arte”?”

    Se essas invenções não são boas, alguém fez um marketing muito bom para que parecessem. Muitas delas criaram confortos que, pelo menos eu, não estou disposto a abrir mão, como a internet que uso no momento.

    Eu sou um entusiasta da ciência e não consigo imaginar um mundo onde o progresso tecnológico pare. Esse é meu ponto de vista.

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