Passione

Passione é uma palavra latina que significa sofrimento. Na língua portuguesa, dá origem aos verbetes “patologia”, “paixão” e “passional” (quem sofre da patologia da paixão!).

Suponhamos que Verdadeiras histórias de amor nunca terminem. Partindo desta afirmação, concluímos que o amor verdadeiro é um martírio eterno, pelo qual vale a pena passar, ao menos na visão Romântica, por se trata de um estado de júbilo pleno e redenção.

As estórias Românticas, porém, possuem a seguridade do Happy Ending. Fora do papel, acontece o que chamo Sunshine. O sol brilha para todos, apesar de nem sempre com a mesma frequência ou intensidade. Em parte, cabe ao apaixonado afastar as “nuvens” que cobrem seu Sol.

A pessoa amada, apesar de ser quem queremos por perto, não é uma cópia fiel do que esperamos que ela seja, por mais que não notemos a diferença na maior parte das vezes. Essas falhas acumulam-se no subconsciente e, com o tempo, existindo ou não um relacionamento real entre os dois, o sentimento é necrosado por erros não cometidos. Relevar os defeitos alheios torna-se essencial.

Não todos, claro. Apenas aqueles que puderem ser completamente esquecidos. Isso consiste em “afastar as nuvens”. Se um problema é considerado irrelevante, mas permanece fixo na memória, quando vem à tona forma-se uma tempestade emocional. Em um relacionamento, retomar uma questão em tese superada desestabiliza toda a confiança que fora conquistada até então. No caso de um amor não-concretizado, faz com que o “apaixonado” definhe na melancolia de nutrir uma paixão platônica por alguém cujo, – ainda que subconscientemente sabe, – não satisfazerá seus desejos.

Não há nada que deva possa fazer que não possa ser feito, ninguém que você salve que não mereça ser salvo. Não há quem consiga ser feliz em tempo integral, tampouco motivo para morrer de sofrimento. Cultive seu Sol.

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17 comentários para “Passione”

  1. Tom Marques disse:

    Esse texto veio até a mim em uma hora extremamente oportuna! Estou até me sentindo melhor. Muito obrigado! :)

  2. rohntemp disse:

    Sensação de dejavú. Tudo bem, então.

    Esse seu post me lembrou das vezes em que eu fiquei acordado a noite lendo um livro e divagando sobre minhas inquietações espirituais, perto de amanhecer quando o sol já começava a mudar a cor do céu, eu era subitamente tomado por uma espécie de altruísmo, pensando o quanto eu era feliz por ter pessoas que eu realmente gostava e que tinha plena consciência de que gostavam de mim, eu subia em cima de minha casa e pensava o quão maravilhosa e bela é a vida. Um sentimento tão poderoso que chegava a me deixar enebriado de tanto entusiasmo, o que praticamente me obrigava a procurar alguém para compartilhar, como não tinha namorada na época, eu ia em casa dos meus amigos (vale salientar que era muito cedo umas “4h45″ ou algo assim) que sempre me recebiam com perguntas de menor importância, como: -Tá doido!?! P@#*&?? ou -Que horas são?!?!

    Eu só voltava ao normal à tarde, me sentindo meio idiota, mas ao mesmo tempo pensando: -”Que se f*#@!!!

    Vi um filme sobre distúrbio bipolar, fiquei pensando que estava doente e preocupado acabei amadurecendo um pouco, parei de sentir aquilo e hoje sinto falta.

    Bem… esse post me lembrou disso e quis compartilhar com vocês essa página(bem resumida) de minha vida.

    Abraços a todos

  3. Rohntemp, apesar de não os ter visitado às quatro da manhã eu sei como é =D haehaeheahea a descrição do sentimento me é tão familiar ^^

    E, Carol, foi mal. O post não foi do Ibrahim ehaeheahaeheahahe. Bom post, Carol =)

  4. Caros,

    Romantismo, se me lembro bem, é uma fase da literatura brasileira, não é? Na verdade, acho que é uma fase da arte ocidental, criada em “resposta” ao ameaçador predomínio do pensamento lógico e científico, e usando como base a tradição cultural do ocidente (como as estórias de cavalaria, por exemplo, ou os índios da América, ou estórias para crianças, ou..). Assim a idéia de que podemos – e até devemos – nos apaixonar pode ser vista como uma construção cultural, ideológica, que pegou bem, principalmente no ocidente. A “pessoa amada” é uma invenção que vem junto com outra, o “amor”…

    Enfim, eu fico com Voltaire, que terminou as aventuras de seu personagem Candido, com a frase: “Isto está certo, disse Cândido, mas devemos cultivar nosso jardim”.

    Um abraço (e feliz dia dos namorados, que é uma data sem nenhuma motivação comercial, não é?) .

  5. rohntemp disse:

    Iaê povo,
    Esse coment é para agradecer a Carol Peters que me ajudou bastante ao despertar em minha mente a lembrança que me motivou a fazer o comentário acima (o meu!) e criar meu blog (hoje, 12/Confusão/3174). Visitas serão bem vindas!! XD

    Abraços a todos!

  6. rohntemp disse:

    Oxe meu monstro mudou!!!! Gostava mais do outro!!! Obrigado mais uma vez Carol.

    Abraços a todos

  7. Stephen, o amor não é exatamente uma invenção. Ele é apenas um sentimento do qual contam tantas histórias que as pessoas confundem realidade com a ficção.

  8. Caro Rev. Peterson,

    As melhores mentiras são aquelas que têm como base alguma verdade…

    Eu explico: a natureza nos fez criaturas com uma necessidade de procriar – “frutificai e multiplicai-vos”. Por acaso, desenvolvemos também a capacidade de raciocinar. Assim, raciocinamos que os nossos desejos são mais do que são – acho que isso se chama “racionalizar”: “uma das maneiras possíveis de encarar uma situação assim é inventar uma justificativa. É o que Freud chamou de racionalização.” (http://logosjoa.blogspot.com/2007/06/mudana-de-idia.html)

    Ou seja…

    Um abraço.

  9. Ou seja, o amor é uma invenção porque ele é uma representação exagerada de um simples desejo?

    Então estamos de acordo, e em desacordo. Se pra você o amor é o desejo exagerado, o amor existe, mas está exagerado… O que nos coloca em acordo.

    A parte do desacordo são opiniões, e opiniões são… Só opiniões… ;)

  10. Parabéns, Carol. Seu texto está ótimo. Simples, direto e verdadeiro, como tem mais é que ser.

  11. Raul O'Bedlam(Deus Ex Machina disse:

    Olha foi um texto duc***o, achei legal.Eu tinha pensado em algo pra comentar mas esqueci.
    Ah sim, acho que lembrei.Sobre corrigir os defeitos da pessoa amada.Isso é uma faca de dois gumes, pois pode ser parte dos defeitos ou o todo que faz amar ela.Enfim devo tar falando m***a.

  12. Caros,

    Encontrei um artigo interessante sobre a paixão e relacionamentos. Eis um trecho (em ingrêis): “While the gay and lesbian couples had about the same rate of conflict as the heterosexual ones, they appeared to have more relationship satisfaction”. O resto está em http://www.iht.com/articles/2008/06/10/healthscience/10well.php

    Divirtam-se!

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