A ansiedade que vinha sofrendo após receber a notícia de que a veria em primeira-mão se transformou em excitação ao abrir meu e-mail há 5 dias.
Instantaneamente, meus dedos começaram a se contrair e relaxar freneticamente - um tique que tenho quando anseio algo mortalmente - e minhas narinas de dilataram, prontas para sentir o cheiro que sabia que não haveria, mesmo que esse fato não fizesse sentido ao meu olfato. A tecnologia ainda não permite ao computador, assim como ao telefone, exalar quaisquer coisas, muito menos o que eu procurava: Papel.
Faz parte do meu ritual de leitura. Desde pequena, sempre que um livro vem em minha direção, minhas glândulas olfativas despertam. Trago-o para junto do nariz e inalo o aroma, algumas vezes mofado, outras perfume. O mais inebriante, porém, é o de livro novo, que sou capaz de sentir a distância.
Por mais estranho que pareça, minha mente simulou por tempo muito curto esse cheiro no momento em que abri o pdf do rascunho da novela do Polipadre desta cabala, mãos tremendo e uma risada beem estranha que não consigo descrever.
EQM - Verdadeiras histórias de amor nunca terminam lida com temas que, apesar de tachados clichê (como qualquer tema que faça parte da vivência comum da sociedade), costumam ser mal explorados por literatura que não seja de divulgação científica: Amor e morte. Foi excelente a forma como a informação, ou aquilo que se chamaria “introdução teórica” num relatório, foi liberada ao leitor entre diálogos humanos, de forma sutil (que nem faz aquele troço que tem no banheiro do Pedrinho), agravando as características nerds que certos personagens possuem.
No entanto, o que mais me impressionou foi um capítulo que não trata do protagonista. Um capítulo que confesso ter pensado ser mal desenvolvido, por precariedade de informação e conhecimento pessoal do assunto. Dou a mão à palmatória agora.
Uma vez li um romance adolescente chamado “Poderosa”. A personagem não tinha nada de poderosa. O nome dela e das coadjuvantes poderiam estar no gerador de pobreza do Morróida. O enredo era bem pobrinho e ainda por cima, escrito por um homem que tentou descrever uma menina ansiosa pela primeira menstruação e sua respectiva menarca.
Que menina fica triste por ainda não ter tido a primeira menstruação? Depois que vêem uma amiga sofrendo, o que mais esperam é que demore bastante pra que possam ir à praia sossegadas e, quem sabe, crescer mais em altura, bunda e peito. Você não descobre que menstruou acidentalmente, quando vai fazer xixi! É diferente. Dói muito enquanto seu endométrio é cruelmente arrancado de você.
Quando vi o capítulo Sarah, de EQM, respirei fundo, pensando no que levara o Ibrahim a escrever algo tão trivial à história. A narrativa contrariou minhas baixíssimas expectativas e devo dizer que foi a melhor que eu já li, lembrando-me de mim, também no meio da aula de Matemática. Rendeu bons minutos de nostalgia.
Tudo que precisamos é AMOR. Título dessa postagem; trecho que descobri assistindo Girls Next Door ser duma música do Beatles; estampa de uma camiseta que eu comprei e ainda não usei; foco de EQM - Verdadeiras histórias de amor nunca terminam e, para os que acreditam, a salvação do mundo
Essa é a sua vida. Cada hora a mais é na verdade uma hora a menos. Horas essas que foram extremamente bem gastas por mim durante a leitura e espero que, em breve, por você também