Preconceito contra Ateus

Eu não sou o sonho de Hitler. Sou moreno. Não me acho branco, sou uma miscelânea de raças que caracteriza o brasileiro - tenho uma bisavó que veio da Itália e se casou com um mulato (ponto para mim, já que Nietzsche achava que raças mistas eram mais fortes). Então nunca sofri preconceito por ser negro. Não sou gay, portanto não sofri preconceito por ser homossexual. Mas eu já sofri e sofor um outro tipo de preconceito, que quase ninguém fala a respeito mas ainda é muito presente: o preconceito contra ateus.
A Família Não Aceita Um Ateu
Minha avô nunca gostou de eu declarar que “deus ou era imaginário ou era viado” (adolescência é um período estranho, não concordam?). Se você diz em um comentário na sua casa que é ateu, geralmente eles procuram ignorá-lo como se não fosse sério.
Entrevistas de Emprego
Em uma entrevista de emprego, o sujeito me perguntou qual era minha religião. É uma empresa religiosa, daquelas que colocam dizeres da Bíblia no muro. Respondi sinceramente e hoje continuo desempregado. Lucidamente, eu não tenho experiência de trabalho, mas não tenho dúvidas de que essa resposta pesou decisivamente.
Ateus Não Podem Governar
Em uma pesquisa com o eleitorado, os mesmos aceitariam mais facilmente um homossexual e um negro do que um ateu. Na verdade a intenção de voto para um candidato ateu não chega a 2%. Não quero desmerecer negros ou homossexuais, apenas demonstrar a dimensão do preconceito não declarado. Se estes grupos que amplamente combatem o preconceito de uma medida imensa, o que dizer sobre ateus?
Livros
Engraçado que existe há décadas livros religiosos. Espíritas, evangélicos, místicos. Em minha cidade, Rio Claro, há 2 livrarias evangélicas, que eu conheço, o mesmo número de livrarias “laicas”, que mesmo assim vendem volumes com temática religiosa. Bastou Dawkins e um punhado de outros escreverem livros sobre ateísmo, que foram atacados de todos os lados. Escreveram-se vários livros em objeção à literatura atéia. Nossas idéias não são apenas inaceitáveis pela sociedade, como ela reage violentamente contra.
Comentaristas Cristãos em Ação
Quem possui blog e já publicou algo ao menos questionando o pensamento religioso, já viu o que acontece. Seus leitores críticos, e muitos religiosos, lêem e expõem o que pensam. Então, você é descoberto pelo Google por algum religioso e lá vai ele dizer como você é burro ou citar a Bíblia ou rir e dizer que você vai para o inferno ou mesmo te xingar. Na maioria das vezes são todas as opções anteriores. Isso é preconceito.
Liberdade de Consciência
Minha visão atual da questão não é de uma negação veemente. Na verdade não sei se o termo ateu” me caí bem. Acontece que para efeitos práticos, vivo como um ateu (sem praticar ritos, orar, fundamentar minha ética em tábuas de barro ou perder os domingos pela manhã). Como disse, não parto para a negação veemente de deus/energia/designer inteligente, pois suspeito, como Laplace de que “deus é uma hipótese descartável”. Baseando-me apenas na experiência e narrativas científicas baseadas nos mesmos, rejeito narrativas míticas e sobrenaturais, as quais, possuímos largas provas de serem fantasiosas e não terem acontecido. Religiosos atribuem o “crime” da Criação (afinal, eu não estou satisfeito com o resultado) e apontam Godot, como o culpado. Só que a perícia técnica (cosmologistas, físicos e biológos) demonstra que essa entendidade não estava lá, e mesmo, talvez não esteja aqui.
O que peço é apenas a liberdade de consciência para todos. E que as decisões de cada um, quando envolvam as vidas de outras pessoas, passem pelo crivo das mesmas ou determinações técnicas.

crédito: Matti Á. Papa Guru Imã Pai-de-Santo Mestre Celebridade dos Ateus






















29 comentários para “Preconceito contra Ateus”
Não sou a favor da atitude dos religiosos quando veem seu blog, mas você também tem de entender que para quem crê em Deus, também pode parecer ofensivo ouvir alguém o chamando de “amigo imaginário” ou outros adjetivos.
Portanto é, por assim dizer, ação e reação.
Embora eu ache que cristão não deveria reagir assim…
Eu sei que exagero às vezes e nesses casos eu entendo a reação. Mas eu me refiro principalmente a preconceito mesmo. Acham que não existe moral e ética sem fundamentação religiosa, que somos “subversivos”. Vá dizer a seu futuro sogro que é ateu, para você ver.
Entendo o que quer dizer, nesses casos é intolerancia mesmo.
Infelizmente as pessoas ainda não aceitam que temos liberdade para desacreditar dessas histórias mirabolantes da bíblia. Minha família é evangélica e de vez em quando surge alguma discussão chata que sempre deixa alguém de cara feia comigo. Eu começo a discutir jogando alguns argumentos “lógicos”, mas eles sempre aparecem com algum milagre inquestionável e a partir daí eu fico calado pra não provocar brigas, porque eu sei ouvir o que eles dizem sem ficar nervoso, mas eles não sabem, se ofendem facilmente pois não admitem que alguém diga que o amigo imaginário deles não existe. No final entre eles ainda dizem: “um dia ele volta pra igreja, é só uma fase…”.
Pela minha experiência acho que é melhor ficar quieto e viver em paz.
A questão maior nisso tudo é a intolerância. E falta de respeito; as pessoas que agridem seja como for, não tem civilidade.
Estranho é que se espera de pessoas ditas crentes em Deus ou seja lá quem for, que sejam mais civilizadas e tolerantes e benéficas.
Acontece que todo mundo gosta de dizer que acreditar em Deus porque faz parecer uma boa pessoa. Mas pela teoria deles, o Diabo (Satanás) também acredita, e ai?
não sou ateu, não tenho religião…
então não sofro preconceito, em parte - pelo menos não percebo.
Mas, Ibrahim, apesar de estar ok com tudo o que foi escrito, teve uma coisa, só a título de curiosidade.
Fernando Henrique Cardoso foi presidente do Brasil.
ateuzão e tudo.
(não sei qual foi a estratégia dele mas funcionou bem pra ser eleito)
:/
Massa levantar essa bandeira. Afinal o Brasil é um país de minorias fudidas que sofrem. Temos que nos encaixar em uma, abrir uma ONG, roubar os cofres públicos, se tornar deputados federais ricos trocando de carro todo ano e indo para as praias do Rio e SC todo ano.
O Sonho Brasileiro.
cara, vc escreve muito bem ;D
Também não me considero atéia, apenas creio que não há um deus, e, se houver, acredito que não faz diferença. Como as pessoas adoram rótulos, sempre dizia que era agnóstica, mas elas perguntavam o que isso significa (sim, a maioria das pessoas se resigna a acreditar no que lhes foi dito ou ensinado sem procurar saber um pouco mais sobre qualquer assunto, principalmente um assunto em que se acham tão sabedores), e quando eu explicava faziam aquela cara de espanto: “como assim pra você não há diferença?” E sempre acabava em discussão, comigo me sentido a pior pessoa do mundo. Agora faço como o Ph. X do coment 4, fico quieta, não entro nesse assunto e se alguém me pergunta qual a minha religião digo que sou católica. Me sinto uma idiota por um lado, mas por outro sinto um gosto de vingança quando minha família ou amigos dizem que estou melhor/consegui alguma coisa, depois que voltei a acreditar em deus.
Pois é, nunca disse pra minha sogra que sou atéia, mas sei que ela (uma daquelas pessoas que fala “aquele lá de baixo” pra não dizer “diabo”) desconfia.
Mas eu gostaria que vc pensasse um pouco sobre respeito. Eu considero que o respeito deve ser mútuo. Ainda que acreditar em regras ditadas por um ser invisível seja uma coisa sem-sentido, para que você mantenha o seu direito de discordar disso é preciso que qualquer um tenha o direito de acreditar em qualquer ser invisível que quiser. Isso significa que, como em qualquer outro aspecto da vida, se você a) não concorda e b) sabe que a pessoa não vai ouvir sua opinião por ser contrária, não discuta com essas pessoas. Vá embora, mude de assunto, faça piadas idiotas, mas não discuta. Deixe eles sem munição e o ataque termina.
E se a pessoa insistir, diga que o mesmo direito que ele tem a crença, você tem de não acreditar. E vá embora.
Ah, sim, é proibido por lei discriminar crença ou religião. A próxima vez que alguém lhe perguntar alguma coisa assim em uma entrevista, dê a entender que não se sente a vontade respondendo sobre isso, as vezes funciona. Mas, caso não funcione, pense bem que pior seria trabalhar com um monte de crentes ^^.
Tá certo que mentir sobre essas coisas é como trair a si mesmo mas saber que tu ta rodeado de crentes e se dizer não crente é meio irracional, - em termos práticos não vai melhorar em nada tua vida, talvez - nessas horas é melhor deixar o sentimento de lado e ter tato pra saber pra quem tu pode declarar essas coisas…assim como os gays (não existe duplo sentido na frase).
Eu sentia muito o preconceito por ser ateu no SENAI - Éris, aquilo era um antro de ignorância em muitos sentidos.
Na escola também há, mas bem menos, já que temos vários professores ateus. Já em casa, nunca toquei abertamente no assunto, mas de vez em quando elogio o Santo Ofício de antigamente (ou Inquisição para os mais chegados) e o Ratzinger (assim que escreve?).
tem uma música dos engenheiros do hawaii que em um trecho o humberto diz o seguinte:
“se queres paz, te preparas para a guerra! se não queres nada, descanse em paz!” que interpreto da seguinte forma… é bem semelhante a bosta… quanto mais mecher mais fede… mas é claro que se o ambiente permitir que se inicie uma exposição de idéias da pra seguir adiante…
é freud…
Este tema é deveras interessante. Vivemos um momento de revivamento das igrejas Evangelicas. Não as igrejas cristãs tradicionais como Batista, Adventista , etc mas os neo cristãos que foram informados que o paraiso esta na terra. Apesar de muitas críticas, Lula resistiu a presão do Vaticano em voltar o ensino religioso nas escolas. A constituiçào nos preve um ensino Laico. É lei.
Mas 30 % do congresso esta formado por falsos crentes, que vão devagarzinho colocando emendas e leis. E Voila . Temos a Guerra Santa. Falta coragem aos brasileiros para elegerem Wiccianos, Bruxos, Umbandistas etc. E falta corgem aos coulitstas d ese posicionarem politicamente. Pois como começa sua mensagem, ninguém quis cre me Hitler. Morremos todos na fogueira,
Eu acredito em Deus mas não pratico minha religião. Acredito em vários preceitos e dogmas que me foram ensinados mas tem uns que, com o perdão do trocadilho, nem com reza brava dá pra engolir.
Meu problema com religiosos ferrenhos é diferente, são aqueles que quando tem qualquer tipo de problema dizem que Deus vai ajudar/corrigir. E quando por qualquer motivo a coisa não melhora, põe a culpa em Deus.
Isso é hipocrisia. E falta de culhões pra admitir os próprios erros ou fraquezas.
Pessoas radicais e intolerantes são chatas… não há abertura para conversa e diálogo civilizado, é bem frustante na verdade. E não importa muito de onde parte a intolerância, se de um religioso ou de um ateu.
O preconceito contra ateus é uma coisa bem real. Que tal essa? Depois de meses de noivado e um casamento quase marcado, minha noiva terminou comigo porque a família dela a obrigou, ao descobrir que sou ateu.
Que tal essa outra? Um amigo meu, dono de um sítio de ceticismo e também ateu, teve o mesmo problema. A namorada de anos dele o deixou por ser ateu, depois que se envolveu com uma igreja.
Um outro amigo meu já falei sobre o preconceito contra ateus aqui também: http://www.ceticobrasileiro.blogspot.com/.
Revoltante, não?
Me desculpem, eu entendo (e eu já fiz isso muitas vezes) que vocês queiram paz e tudo o mais, a curto prazo é muito bonito. Mas e a longo prazo? Não é necessário pensar num futuro muito distante. Se as igrejas evangélicas estão crescendo isso se deve também (não só, mas também) à omissão dos ateus, agnósticos, discordianos… Se calando, se omitindo, nós apenas fortalecemos a ignorância. Se falar não adiantasse, não haveria nenhum ateu, pois não haveria ninguém pra ouvir e pensar criticamente sobre religião. Alguém ouviu - vocês ouviram, por exemplo - e isso é mais do que prova de que pode acontecer com outras pessoas. Deveríamos sim falar, e falar muito. Não se trata de desrespeitar a religião, se trata de respeitar a nós mesmos. Se “deixamos quieto” agora, esse círculo vicioso nunca vai parar. Think about it
Bem dito, Peter.
Concordo plenamente com o seu post!
1 - Se você não se disser ateu, se disser discordiano (discordianista soaria melhor a eles, mas não estaria muito certo), espiritualista, deísta, ou qualquer outro ista que as pessoas não entendam, ninguém mais vai te questionar. Simplesmente muda-se de assunto. Preconceito, sim.
2 - Concordo com o Roberto. Não parta para ataques tão abertamente ofensivos. Isto não te livra das salsinhas de cristo, mas diminui os ataques delas.
3 - Não se preocupe. Todas as seitas (me recuso a usar o termo religião nestas circunstâncias) dizem que aqueles que não as seguem irão para o inferno. Como não é possível seguir a todas, todas as pessoas do mundo irão para o inferno.
Não so contra ateus. Evangélicos e Católicos não costumam aceitar que pessoa nenhuma tenha outra religião.
Já vi uma fogueira de livros espíritas promovida por uma igreja católica (que não é tão extremista quanto a evangélica) daqui
é rapaz… belos pontos citados.
não sou ateu, mas sou agnóstico, não ligo muito pra religião não. nunca tive problemas, mas tem nego que olha meio torto pra vc soh por causa disso.
é a vida… a igreja destrói o mundo e ninguém percebe.
Não sou ateu, e pelo contrário, acredito em Deus (tbm em Éris)
Digamos que eu siga um “discordianismo cristão”. Apenas digo que sou cristão qdo me perguntam.
Qdo é um religioso quem pergunta, sempre vem com “ah, e de qual congregação?” e então eu explico sobre o discordianismo.
A verdade é que o discordianismo pode muito bem se encaixar a qualquer outra religião. É uma questão de acreditar. Eu por exemplo, nunca acreditei q fosse levar isso tão a sério, e estou aí até hj :p
Por essas razões nunca sofri preconceito.
Acho falta de respeito discriminar por ser ateístas, mas acho muitas das teorias deles desrespeitosas em relação às idéias teístas.
Isso porque não é possível agradar gregos e troianos. Por tanto, devemos nos importar mais com o que acreditamos, do que com o que os outros falam. Sejamos ateus, ou discordianos cristãos
Rochester: Caraca! Fogueira de livros? Em 2008? Onde você mora?
@Rev. Peterson Cekemp:
Não eh questão de se omitir, só digo que não adianta sair por aí tentando “converter” crentes, eh uma ideia idiota.Se a pessoa é do tipo que se apoia na fé em vez da razão, ela vai ter fé em alguma coisa (msm que seja fé de que deus não existe) e alguem vai dar um jeito de explorar ela por isso.Utopia é achar que tu pode mudar o mundo com ideias de um futuro melhor, pergunte aos comunistas.O que tu pode fazer - como uma pessoa comum, não um mártir - é tentar conversar com as pessoas e questionar esses valores pra que a pessoa desenvolva um senso critico e faça a analise dela, senão tu vai só converter essa pessoa a tua ideia.Essas críticas pesadas (como as que aparecem aqui de vez em quando) só serve pra dividir as pessoas e dificultar a convivencia (e progresso, considerando duas cabeças pensam melhor que uma)
Na faculdade conheço várias ateus, o que facilita a discussão. Mas não fico espalhando por aí que não sigo uma religião tradicional ou pré-estabelecida.
A minha fé (ou não fé, como disse Jabor uma vez) é minha, e não interessa a ninguém.
O Reverendo Peterson escreveu: “Se calando, se omitindo, nós apenas fortalecemos a ignorância”. Tenho críticas com relação às organizações gestoras dessas religiões, mas acredito que também devamos respeitar a escolha dos outros.
Por mais que isso não faça sentido para nós.
Lembrando que “todas as coisas são verdadeiras em algum sentido, falsas em algum sentido, absurdas em algum sentido, verdadeiras e falsas em algum sentido, verdadeiras e absurdas em algum sentido, falsas e absurdas em algum sentido, e verdadeiras e falsas e absurdas em algum sentido”.
Na verdade, Nietzsche disse que a mistura entre raças forma indivíduos perdidos quanto ao seu eu, pois desencadeiam conflitos internos entre as supostas raças.