A mais ou menos 1 ano e meio atrás eu olhei para a minha biblioteca pessoal (não é muita coisa, por volta de 200 livros, mas eu me sinto bem por possui-los) e percebi que eu não tinha literalmente nenhum escrito por um brasileiro. Murakami, Palahniuk, Gaiman, Kafka, Dostoievski, Borges entre vários. Eu tinha 5 livros de um autor argentino (Borges e nenhum brasileiro). Em minha defesa parcial apenas os livros de Fernando Pessoa e somente por este falar em português. Não tive uma formação elitista, li mais fantasia do que clássicos e estudei em escola pública minha vida toda, soava estranho até mesmo para mim nunca ter comprado nenhum livro de autor nacional.
Talvez a alta disponibilidade dos mesmos na biblioteca pública tenham me feito nunca investir neles. Afinal eu moro perto da biblioteca e posso retirá-los quando quiser. Notem que eu não possuía livros de autores nacionais e não que eu não os tenha lido. Li de Machado a Rubem Alves, passando por Mário Prata, Jô Soares e José Agrippino de Paula. Então eu comprei dois volumes de uma só vez: “O Auto da Compadecida” cuja história eu somente conhecia em segunda mão da bem sucedida adaptação para o cinema e o “Romance d’A Pedra do Reino e o príncipe do sangue do vai-e-volta” a fim de conhecer outro trabalho do autor e também por ter me interessado pelas primeiras palavras do livro.
A história é muito interessante e arrisco dizer até mesmo discordiana. Não assisti a mini-série da Globo (apenas um capítulo na verdade), mas suas imagens evocaram perfeitamente o clima do livro com sua retórica e mudanças de assunto, embora eu não arrisque dizer que seja uma adaptação fiel, talvez a intenção não tenha sido nem mesmo esta.
Estou retornando a leitura e descobrindo que 1 ano e meio depois, talvez devido à profusão de detalhes que existe no livro, a sensação de que tenho é estar lendo outro livro embora a trama pareça levemente conhecida. Arrisco dizer que é meu livro predileto de um autor nacional e recomendo.
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Não conheço (ainda) esta obra do Ariano Suassuna. Assisti, mais de uma vez, a montagem teatral do “Auto da Compadecida”, e assisti também a montagem de outra obra dele, menos conhecida, “O Casamento Suspeitoso”. As obras guardam alguma semelhança, em especial pela malandragem de seus personagens e são, no geral, ótimas. Muito divertidas. Também recomendo o autor.
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