RPG & Eu
Esta é a história de um garoto que jogou RPG muito tempo e não se tornou um assassino.
Primeiro assassino existem em todos os lugares com todas as profissões e hobbies. Lembram-se de Caim e Abel? Caim matou Abel e era um agricultor, logo não devemos dar as costas a nenhum agricultor? Bem, deixando este tópico de lado, já vou declarando a minha paixão por Dugeons & Dragons, que atualmente anda sobre o nome D20 System. Por causa dessa paixão eu acabei lendo “Senhor dos Anéis” antes do hype e embora tento a consciência de que todos os clichés começaram lá, ao tomar contato com a obra já havia passado tanto pelos clichés que a obra me pareceu fraca. Lembro de na época do anúncio do filme eu ter dito que seria um fracasso. Eu não contava que Peter Jackson levasse uma obsessão geek para as massas. Todo mundo erra.
Já joguei Vampiro, Mago e Lobisomem mas somente por insistente dos meus amigos. Meu lugar sempre foi mestrando. Eu já joguei como player várias vezes mas nunca me senti realmente bem. O pouco de desenvoltura social que eu tenho foi graças ao RPG. Desenvolveu minha criatividade e escrita. Cheguei a estudar com base em livros retórica para alguns de meus personagens. Meu gosto por interpretar outros personagens deve ter aflorado daí. Tenho minhas anotações de aventuras que criei e tenho que confessar, algumas eram bem ingênuas, mas uma das maiores campanhas que eu já mestrei e de que muito orgulho acontecia em um mundo chamado Nuedwe.
A história do mundo de Nuedwe era trágica. Imagine um mundo de fantasia medieval padrão onde um panteão de deuses padrão age ativamente na vida dos seres. Bem, nada de mais até agora. Só que em Nuedwe houve uma guerra brutal entre os deuses. Destrui-se a lua do planeta criando todo tipo de efeito, oceanos secaram, florestas foram derrubadas, milhões morreram e a magia tornou-se selvagem (quem já jogou Forgotten Realms deve entender o princípio da coisa).
No final das guerra, todos os deuses forma destruídos. Paladinos perderam seu poder, magos lidam com uma força quase indomável e com resultados inesperados. É um mundo onde cão como cão. Os personagens jogadores se uniam com a missão de juntar as partes de um dos deuses e trazê-lo ? vida. Durante a aventura, em meio ? lutas com zumbis, maldições, dragões, exércitos e ganchos eu inclui alguns questionamentos que são “a minha cara”:Precisamos mesmo de deuses? Qual o sentido da vida? O que existe após a morte?
Faz tempo que não tenho uma partida de RPG. Eu realmente sinto saudades daquele tempo.
Vá Além:
Dungeons & Dragons: Livro do Jogador
[tags]RPG, pessoal, mestre[/tags]
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Comments
Pô, que saldade também…
Só que eu jogava mais Storyteller e já que estamos relembrando celebres aventuras, uma que eu me lembro bem foi jogando Mago. Tinha um sujeito que estava afetando o mundo de forma sensível aos humanos não-despertos e nós tinhamos que descorbir qual o plano dele, foi bem mindfuck mesmo, no final descobrimos que o cara era louco e ao tentar lutar contra ele ficamos presos num paradoxo espaço-temporal.
Foi bem diferente de tudo o que eu já havia jogado na época (que era basicamente vampiros destruindo vampiros). Sempre me lembra Donnie Darko, que é um dos filmes mais fodaços por aí.
Mago é sensacional. Já que estamos falando de Storyteller…
Eu prefiro os Tremere, Irmandade de Hermes e Wendigo…
Eu sei que agora eles tiveram uma repaginada mas não acompanhei como ficaram os clãs etc.
Eu sou lerdão em RPG. Sempre quis ter mais desenvoltura pra jogar. Comecei com o sistema DAEMON e terminei gostando por ser fácil. Mas quando eu vi o tal do dungeons & dragons, foi orgasmo ? primeira vista! Mas os dados de Nimb não ajudaram e terminei se jogar nenhuma aventura expressiva em D20 (todas terminavam com o mestre enchendo e saco e falando: “Caiu um meteoro no planeta e todo mundo morreu…”, falando nisso tão sabendo do meteoro que a NASA viu que vai cair na Terra em 2019 ou 2030???)
Pra quem gosta de interpretação e não dados, eu recomendo As Extraordinárias Aventuras do Barão de Munchausen. Um jogo que se joga com moedas e histórias fantásticas
Outro muito interessante é o Paranoia, cujo cenário é um futuro alternativo dominado por um super computador sádico, totalitário e onipotente (semelhante ao Deus bíblico no primeiro testamento). O mais legal é que nesse jogo você tem que caçar mutantes, comunistas e membros de sociedades secretas. Todos os personagens do jogo tem poderes mutantes e são membros de sociedades secretas. E todo membro de sociedade secreta é considerado comunista pelo computador (The Computer).
Recomendo!
Eu não tenho muito como ter as boas lembranças de vocês. Para não dizer que nunca joguei RPG, participei de duas ou três campanhas de Vampiros junto com meus filhos, bem básicas e mal-mestradas pelo ex-namorado da minha filha. Antes disso, tinha jogado alguns livros-campanha para um único jogador, que eram vendidos na Forbidden Planet (nem sei se ainda existe, a loja que eu conhecia no centro de São Paulo fechou há anos).
Gostei da descrição de Nuedwe, tem muito a ver com o estilo de campanha que eu gostaria de jogar. Mais do que eu gostei do Vampiros.
Mas também tem a ver com um estilo de história épica gostosa de ler. Sem precisar, do que eu pude entender, se prender a clichês como aconteceu com o Eragon (pelo menos o filme, não li o livro).
E me ocorreu uma idéia idiota.
Por que não poderia ser feito um mix? Um post “permanente”, onde os comentários levassem a um rumo da campanha, como no RPG, mas a campanha forme uma história, como num livro?
Na verdade essa idéia sempre foi algo que eu quis fazer…Acho que estou chegando ao ponto de ter participantes que poderiam levar essa história adiante…
Muito bom o plot da aventura….joguei RPG por muitos anos da minha vida, e foram os anos que eu mais gargalhei, como era divertido, nunca fomos muito sérios nas aventuras, mas diversão não faltava…
Adorei a idéia do RPG textual bloguistico, pode contar comigo, serei um jogador assiduo…..Reverendo, não sei se você conhece os MUD’s ..Acredito que sim, enfim, é uma boa inspiração para pensar no metodo para se jogar RPG por um blog…eu jogava o MUD Valinor a algum tempo atrás, era muito bom.
[ ]’s
Atenho-me as questões fundamentais: Deuses, Sentido e Morte. Os Deuses acho que são para aqueles que não tem “desconfiômetro”. Não são nada críticos. E também para quem não consegue se livrar de sua historicidade. O Sentido, acho que já está na palavra: é sentir. Somos nada mais do que corpos sentidores e que temos de aprender a ter prazer nessa única vida, lembra-se do Epicurismo? E já falei da Morte: Morreu, acabou. Nada a temer. Tudo morre e nem reclama. O sentido natural é esse mesmo. Talvez um sono interminável…
[...] Henrique Taguchi em “RPG & Eu“: Atenho-me as questões fundamentais: Deuses, Sentido e Morte. Os Deuses acho que são para [...]
Fantastico. Não imaginava encontrar um comentário sobre rpg aqui. me identifiquei com o que foi escrito e como você sou mestre e não consigo ser outra coisa além disso. Fazer os jogadores se questionarem é um grande desafio, afinal o interesse deles normalmente esta voltado para outras coisas.

Sobre a necessidade de deuses, hoje eu estava ouvindo ‘Note to God’ e pensei em uma outra interpretação. Como se ela tivesse escrevendo uma carta pra reclamar de godot por não trabalhar direito e deixar o mundo a porcaria que está.